Laderland

2 Capítulo II: Caos


Notas iniciais
Aviso de linguagem de baixo calão, conotação sexual e violência exacerbada. Não há censuras do capítulo, tudo é contado com a mais rica quantia de detalhes.

O clima estava pesado. O tilintar das espadas se entrecruzando estava tomando conta de toda a floresta. Rios de sangue banhavam a agora desolada mata de Ahaz que perecia nas chamas de uma ímpia batalha. O cheiro de sangue fluía por todos os lugares e empestava completamente o ar. Era um cheiro nauseabundo de morte e horror que deixava Roth completamente enojado de tamanha crueldade.
Pôs-se a correr em meio ao grande confronto em busca de sua amada. Não se perdoaria caso algo acontecesse a Jenny. Ela seria a pessoa mais importante para ele em toda sua vida e caso perdesse-a não teria mais motivo algum para continuar sua missão de guerreiro. Evitava olhar para os rostos, já sem vida, que se amontoavam no chão da floresta. Seu medo de encontrá-la entre os mortos era maior que o medo da própria morte e sentia suas forças esvaírem-se ao pensar que, em meio a toda essa grande matança, podiam estar os lindos e magníficos cachos dourados de Jenny.
Seguiu o curso do rio pela sua margem e observou-o, a sua direita, encher-se de sangue e tomar uma exuberante tonalidade avermelhada que refletia magnificamente a grande lua cheia que aparecera no céu.
O tilintar das espadas ainda ressoava próximo e soubera que o confronto ainda estaria longe de acabar. A noite perdera sua calma. Não viam-se mais animais na floresta, que já estava tornando-se cinzas, e todo o lugar era uma ameaça. Observou, então, um grande vulto que saltaria por entre as árvores e que, com fúria, tentava investir uma grande adaga contra seu tórax. Prontamente Roth pôs sua mão na espada e, em um rápido giro, aproveitou-se da guarda baixa do homem e saltou por trás de tal cortando-lhe o pescoço impiedosamente e atirando seu corpo ao rio que avermelhava-se cada vez mais.
Não tinha tempo a perder. Guardou sua espada banhada em sangue e, rapidamente, continuou correndo pela margem do rio. Não sabia o que iria fazer se encontrasse-a, mas sabia que não iria descansar enquanto não o fizesse e que a protegeria nem que tivesse que dar sua vida pela dela. Nunca tinha sentido-se com um espírito guerreiro tão aflorado. Sentia-se vivo, com um objetivo para alcançar, e, ao mesmo tempo, com medo de perdê-la para sempre.
Parou. Começou a olhar desesperadamente para todos os lados e, em um relance, seu coração encheu-se de esperança. Perto dali, em um lugar mais fechado da floresta, e ainda intocado pelo fogo, via-se um magnífico brilho dourado. Quase como em um reflexo, Roth pôs-se a correr com toda a energia que lhe restara, ignorando todos os perigos e armadilhas que pudessem aparecer.
Já estava perto e, subitamente, parou. Seus olhos encheram-se de lágrimas e, lentamente, aproximou-se da bela moça dos cachos dourados que, amedrontada, mantinha-se em silêncio com um semblante de pânico. Ela estaria encostada em uma grande árvore no meio de uma das partes mais densas da floresta. Seu braço estava com grandes cortes e o sangue fluía de sua pele como um riacho. Aproximou-se e, ao chegar na frente de Jenny, puxou-a para perto, apoiou-a em seu ombro e sussurrou:
– Tudo vai ficar bem.
– Eu vi meus pais serem mortos, Roth. Eles foram cruelmente mortos. — Respondeu-lhe com uma voz fraca.
Apenas ouviu-se lamentos através de seus prantos e, por um instante, quase eterno, a floresta silenciou-se e pairou no ar uma grande tristeza. Retomou suas forças. Não podia demonstrar-se fraco e sabia, que nessa situação, precisava agir como um homem e não apenas como o garoto desorientado que até outrora fora.
– Não podemos desanimar, Jenny. Esse seu braço está horrível — ergueu-o observando o ferimento — . Você precisa estancar esse sangramento logo.
Retirou sua blusa e atou-a no braço de Jenny. Não seria algo muito eficaz, mas alguma coisa precisava ser feita para estancar o grande sangramento imediatamente ou colocaria a vida da garota em risco.
Jenny continuava em choque, mas sentia-se um ar maior de alívio em seu semblante. Seus olhos inchados de tanto chorar revelavam uma pequena gota de esperança.
– Salve-me, por favor, tire-me daqui, não aguento mais. Tudo está tão errado, estou tão perdida ... — pôs-se a chorar novamente.
– Vamos Jenny, acalme-se. — terminava as ataduras. O pano logo encharcava-se de sangue — Você foi sempre tão guerreira, não desista agora. Vamos fugir daqui e viver uma vida sem dor.
– Você quer desertar?
– Olha essa chacina, essa crueldade. Isso não é lugar para nós. Jenny, eu nunca soube me expressar, mas agora não é hora para delongas. Eu te amo! Não aguento mais isso. Todo dia nossa vida é posta em risco, não possuímos mais sossego, somos obrigados a guerrear. Eu nem sequer sei o real motivo disso e agora é nossa chance de fugir.
Pôs sua mão levemente ao lado do rosto da garota e olhou-a profundamente nos olhos abaixando o tom de voz:
– A floresta tem tantas coisas boas para nós. Vamos viver em paz, vamos nos amar em paz, Jenny.
Com toda a delicadeza que possuía aproximou-se, lentamente, da boca de Jenny. Toda a adrenalina da guerra pareceu dissipar-se e uma grande paz tomou seu coração. Por um instante seus lábios tocaram-se em um momento inesquecível. Roth agora sabia, mais do que nunca, que todas as coisas que ele fez e que passou não foram em vão.
Precisava recompor-se. Levantou-se e, agora, sentia-se revigorado e motivado como nunca esteve em sua vida. Pegou-a pela mão e traçou, em sua mente, uma rota por dentro da floresta para que pudessem fugir. Ninguém notaria a falta de dois míseros guerreiros comuns. Para eles seriam apenas como se estivessem morrido e nunca mais teriam de se incomodar pela deserção.
Roth empunhava sua espada e começava a abrir caminho pela mata fechada. Seu objetivo era chegar a sua tribo no coração da floresta, no vilarejo Na Farko, e reencontrar-se com sua família. O caminho seria longo, seriam aproximadamente dois dias de viagem até o vilarejo e ainda nem sequer deixaram de ouvir os sons da batalha que ocorria no acampamento da Santa Ordem.
A tensão era grande. Roth precisava ficar atento a qualquer movimento para impedir que ataques surpresas ou armadilhas pudessem impedi-los de prosseguir. Jenny seguia-o com muita dificuldade. Seu braço ainda estava extremamente machucado e parecia que suas pernas não tinham desenvoltura. A fuga tornava-se cada vez mais lenta e a tensão aumentava.
Roth atentou-se. Ouvia-se barulhos de passos vindo da direção do acampamento. Os passos cada vez mais aproximavam-se e chegavam mais próximos de onde estavam. Pegou firme na sua espada e parou com seus olhos atentos e observando todos os lados.
– O que foi? Por que paramos? — perguntou Jenny.
– Tem alguém vindo pelo mato. Alguém está se aproximando. Fique atenta e a qualquer sinal de perigo esconda-se.
– Não vou abandonar você! Vou lutar até o final. Eu também sou uma guerreira, Roth.
– Você não tem condições de lutar. Seu braço está muito ferido e você está mancando.Vamos, não teime e esconda-se.
Jenny mostrou-se contrariada, mas sabia que ele estava certo. Estava ferida e não conseguiria lutar e nem sequer ajudar Roth em uma possível luta. Com lágrimas nos olhos ela afastou-se e escondeu-se no meio da mata fechada.
Roth manteve-se atento aos movimentos na floresta. Não ouvia mais os passos e sentiu um leve alívio. Baixou sua espada e, aliviado, gritou para Jenny:
– Vamos Jenny, pode sair! Dessa vez foi alarme falso. — Gritou com um pequeno sorriso no rosto.
Não houve resposta. Por um momento Roth teve medo. Chamou novamente e chamou de novo, cada vez em um tom mais alto, e nada, nenhuma resposta. Segurou novamente sua espada e abriu espaço por entre as árvores seguindo pelo lado que Jenny fora. Estava tenso, não sabia o que fazer. Sentia culpa pode tê-la deixado sozinha e medo de algo ter acontecido a ela. O tempo passava e cada vez mais era difícil encontrá-la no meio da imensidão da floresta.
Ouviu novamente passos. Encheu-se novamente de esperança e começou a, imprudentemente, seguir o som pela floresta a fim de encontrar novamente Jenny. Corria desesperadamente quando, subitamente, fora interceptado por uma grande foice que colidiria com sua espada e o atiraria para trás.
– Mas o que é isso? — Gritou impacientemente.
– Acalme-se bravo guerreiro. Apenas vim para dar fim ao seu sofrimento.
Observava um grande homem com um sobre-tudo branco que cobria todo seu corpo. Longos cabelos negros escorriam pelos seus ombros até o meio de suas costas e carregava uma grande foice com a lâmina azulada e completamente banhada de sangue. Nos seus ombros estava Jenny, desacordada e mais ensaguentada que nunca. O poder daquele homem parecia fluir, era gigantesco. Roth ficou pasmo e parado observando-o aproximar-se.
– Não pude deixar de observar que o bravo guerreiro estava gritando pelo nome dessa menina. Ela é muito bonita, é sua namorada?
Roth irou-se. Sentiu todo o fervor de sua raiva emergir subitamente e explodir, de uma vez só, revelando uma grande aura azul que cobriria todo o seu corpo.
– Largue-a seu filha da puta. O que você fez com ela seu merda? — Gritou com toda a sua força.
– Nada ainda, meu jovem. — Respondeu-lhe com um semblante psicopata.
– Vamos, largue-a! Eu estou mandando seu filha da puta! — Gritou desesperadamente.
Roth, com toda a sua ira, partiu em uma grande velocidade contra o homem. Diferiu diversos golpes rapidamente, mas parecia que eram ineficazes. A grande foice de seu adversário, quase sem nenhum esforço, conseguia interceptar facilmente todos os ataques.
A sua ira aumentava e, proporcional a ela, o seu poder. Em meio a sequência de cortes e estocadas eis que surge uma grande rajada azulada de energia que vai diretamente no peito do homem que, imediatamente, interceptaria com a própria mão e, em uma fração de segundos, diferia um golpe tão poderoso contra Roth que o atiraria ao chão inerte.
As lágrimas de Roth eram claras. Era impotente perante todo o poder do adversário, não podia fazer nada. Falhara na sua missão de proteger Jenny e agora via sua morte e a de sua amada iminente diante de seus olhos.
– Tão bonitinha ela, não é verdade? Esses cabelos loiros... Será que os pelos da buceta dela são assim também? — Dito isso soltou uma enorme e malévola gargalhada e começou, brutalmente, a despi-la na frente de Roth.
– Para! Paaaaaaaaaaaaara! Não! Nãããããããããão! Seu merda, seu filha da puta! Para, paaaaaaaaaaaara!
Roth gritava com todas as suas forças e, caído, observava, com lágrimas nos olhos, o homem estuprando a garota que ele mais amou na vida. Foi a pior visão que já houvera visto, sentiu-se corroído por dentro. Seu mundo desabou, acabou. Não conseguia parar de gritar e, num súbito lapso de força, ergueu-se atirando o peso do seu corpo, já quebrado, em uma última estocada contra o homem que, simplesmente, sem ao menos interromper o ato, atira-o com o braço contra uma grande árvore onde ficaria caído, inerte e quase sem força para respirar.
– Não...Não faz isso. Jenny. Não, Jenny. Eu te amo... — murmurava Roth com os olhos já quase fechados.
O homem fodia a pobre garota inconsciente com uma enorme crueldade. Rasgava-a e torturava-a de forma esdrúxula e nojenta. Seus prazeres cruéis e maldosos eram saciados e sua cara de prazer era nauseante. Roth nunca sentira tanta repulsão e ódio juntos, era uma cena horrível.
Terminado o ato de crueldade, com seus desejos psicopatas saciados, o homem ergue sua foice e, olhando com os olhos fixos para Roth, diz:
– Você sabia que a buceta dela era toda apertadinha? Ela era virgem. Mas enfim, se você não comeu ela teria quem fizesse, não é mesmo? Agora fique aí sentadinho e observe o fim do sofrimento da sua namoradinha.
Em um golpe curto e certeiro a cabeça de Jenny foi decepada. O sangue jorrava com uma força enorme e misturava-se aos belos cachos de seus cabelos criando um aspecto mórbido e triste. A vida esvaíra-se de seu corpo e seus olhos fechavam-se lentamente enquanto uma última lágrima corria pelo seu rosto ensanguentado.
Um vazio corroeu Roth por dentro. Apenas desejava a morte, o descanso. Tinha presenciado as piores coisas de sua vida. Não tinha mais motivo para viver e não queria mais viver. Estava vazio, sem alma. Nem suas próprias lágrimas já não escorriam mais, seus olhos estavam secos e sem vida. Apenas observava o homem aproximar-se com sua foice e esperava ansiosamente sua própria morte.
– Agora é sua vez, garoto.
Aproximou-se lentamente e ergueu a grande foice para selar a morte de Roth. Em um instante, que pareceu durar toda a sua vida, Roth observou a foice descendo e sendo interceptada por uma grande luz brilhante que apareceu iluminando toda a floresta. Roth observava o homem caído no chão e no céu o Mestre, com suas grandes asas de fogo e sua pose majestosa. Sua espada mantinha o brilho que sempre tivera e, dessa vez, parecia muito mais poderosa e magnífica.
– Até que enfim, Klenn. Eu procurei você por toda a floresta, até achei que não tinha vindo para a brincadeira. Vejo que estava brincando com um de meus Irmãos. Isso é inadmissível, Klenn. Você vai pagar. — Ressoou a voz trovejante e magnífica.
Klenn levantava-se calmamente. Seus olhos mostravam símbolos estranhos e uma grande energia fluía de seu corpo. Demonstrava-se cada vez mais poderoso. Estava para começar uma batalha épica entre dois grandes guerreiros.
– Boa noite pra você também, Hasken. Eu esperei muito tempo para poder te aniquilar, ainda bem que chegou o dia, não é mesmo?
O Mestre descia rapidamente com sua espada e diferia vários cortes. A cada corte um grande feixe de luz era emanado e suas asas pareciam aumentar. Klenn interceptou todos os seus ataques e, com um de seus olhos brilhando, tocou em uma árvore retirando-lhe toda a vida e então um longo e poderoso raio de energia multicolorido fora disparado contra o Mestre, este que fora atingido e atirado ao longe.
Klenn mantinha-se atento e subitamente virou-se para interceptar um soco do Mestre que aparecia em velocidade impressionante. A colisão entre eles causou um enorme impacto e parte da floresta fora abalada por tamanho poder. O Mestre continuava atacando-o com golpes e, então, consegue por fim afastar-se de Klenn. Imediatamente une ambas palmas das mãos para Klenn e proferiu algumas palavras ininteligíveis. Uma grande energia seria emanada e um grande raio de fogo, brilhante e poderoso como jamais fora visto, foi lançado contra Klenn, que imediatamente interceptou com uma grande e poderosa rajada de energia multicolorida. A disputa mantinha-se acirrada e os raios começaram uma batalha. Eles colidiam e criavam cores magníficas no céu de uma floresta em chamas. A noite era iluminada como se fosse dia e o poder da batalha era visível a centenas de quilômetros.
– Esse fogo do seu rabo não vai me vencer, cretino. Eu tenho o Inochi, nada poderá vencer-me. A energia vital é a mais poderosa do universo.
– Você tem certeza Klenn? Jamais duvide do poder que a nossa Grande Mãe deixou em nosso sangue.
O duelo de energias começava a pender contra o lado de Klenn. Ele tentava unir mais da energia vital da floresta mas nada era suficiente, a energia do Mestre parecia infinita. Eis que a energia do Mestre aproxima-se muito do corpo de Klenn e este, imediatamente ao ver que o duelo estava perdido, difere um grande corte com sua foice contra a rajada visando dispersá-la, porém tendo em vista o tamanho do poder do Mestre isto fora quase inútil e recebeu quase que todo o dano.
Klenn mostrava-se já fatigado e com muito mais ferimentos que o Mestre. Ergue-se com o apoio do cabo da foice e abre um leve sorriso. Uma grande aura dourada emana de seu corpo e logo o seu poder aumentava drasticamente. Ouviu-se ao longe um grande uivo e da terra emergia um enorme lobo branco, enormemente poderoso com seus olhos brilhando um verde avassalador, que abriria sua boca e dela sairia um poder inimaginavelmente imenso que se fundiria com uma nova rajada de energia vital que Klenn lançara tornando-se algo imensurável.

– Quarta técnica sagrada dos guardiões: Espírito de Guerreiro!
O Mestre via-se em apuros. Suas grandes asas se agigantaram e, no céu, via-se a sua energia tonar-se gigantesca e sua aura tomar a forma de uma grande e poderosa fênix. Um grande grunhido fora ouvido e um imenso poder era emanado para interceptar o ataque de Klenn. Os poderes colidiam-se e formavam uma imensurável explosão que destruiria grande parte da floresta. O estrondo ensurdecedor abafou toda a batalha do acampamento e destruiu tudo que estava ao redor. Era um poder espetacular, magnífico. A grande luz formada pela batalha iluminou desde os mais sinistros lugares de Ebal até o mais longínquo distrito de Pisom e tornou a noite em dia por várias horas.
Roth já estava quase sem vida. Observava a batalha e, praticamente sem emoções, apenas torcia para que seu sofrimento acabasse. Observou a explosão e sentiu o seu fim aproximando-se. Fechou o olhos e esperou, ansiosamente, o fim de sua medíocre e dolorosa vida

Notas finais
Obrigado a todos que leram, em breve novos capítulos.