Lacrimosa

3 Sorriso falso


Notas iniciais
Pois é, demorei. Essas comemorações de fim de ano realmente nos faz perder o foco, não é mesmo? Peço desculpas desde já, e estou voltando ao mesmo ritmo de antes, pretendo postar mais rápido agora para compensar o atraso. Obrigada a todos que leram a fanfic e a comentaram neste tempo. Enjoy ~ ✩

“ E naquele bar solitário
A fraqueza me domina ao te enxergar
Você é a força que me segura quando estou caindo.”

Eu realmente havia me apaixonado por aquele homem, e ter a certeza disso não aliviava meu coração.
Meliodas abriu um sorriso exausto quando parou ao meu lado, acenou para Diane e se sentou nos degraus de Boar Hat junto a mim. Ele fadigava de leve, mas ainda sim parecia o mesmo Meliodas de sempre, como se tudo fosse como antes.
– Elizabeth, você está bem? – ele perguntou – Parece distraída.
– Foi o que disse a ela. – interrompeu Diane, então deixou escapar um suspiro pesado.
– Eu estou bem. – o respondi em um tom vacilante, então por algum motivo ameacei sair de seu lado, mas Meliodas me segurou pelo braço.
– Você está estranha desde ontem. – ele me olhou sério. Aqueles grandes olhos verdes me hipnotizavam, mas não aguentei olha-los. Minhas bochechas estavam tão quentes.
Senti como se algo borbulhasse dentro de mim.

Meliodas levou sua mão até minha testa e fez uma expressão surpresa. –Ah, então é por isso que está tão vermelha. Sua febre continua alta.
– Não é isso...
– Diane! Vou levar a Elizabeth até o quarto, ela não parece nada bem. – prosseguiu Meliodas.
– Tudo bem. – Diane fez uma cara assustada.
– E-ei, eu estou bem...
– Fique quieta princesa – Ordenou, e pouco foi o tempo me dado para raciocinar o que estava acontecendo, só pude sentir seus braços em volta de mim, e um vento leve batendo em meu rosto.

Meliodas esmurrou a porta do bar em um chute e ela se abriu. Ajeitou minhas pernas em seus braços e foi até as escadas. Queria dizer para que me colocasse ao chão, mas foi tudo tão rápido que apenas pude ouvir as risadas abafadas do Ban, e os comentários de Gowther sobre aquela cena que via.

Ele subiu as escadas ainda com aquele sorriso de sempre. Era um mistério o que se passava em sua mente naquele momento, às vezes não podia entender seus atos, Meliodas simplesmente me carregava em seu colo até o quarto, não pude deixar de ter minhas ilusões com isso. Quando chegou até a porta, me colocou lentamente ao chão e me convidou para entrar.

– Meliodas-sama, o que está tramando?
Ele fechou a porta e permaneceu de costas para mim. Deixou escapar um suspiro longo e pesado antes de se virar. Seus olhos estavam desfocados, seus lábios entreabertos e sua pele levemente pálida.
Como não pude notar o quão mal estava?
– Elizabeth, você não me parece bem. – disse, envolvendo seus braços em minha cintura e me puxando até a parede próxima a porta.
Senti um frio percorrer por todo meu corpo.
– V-você quem não está bem! – o retruquei, levando minhas mãos em frente a meu peito, tentando parar meus batimentos acelerados apertando o laço de minha blusa, em vão, mas pude relaxar e me concentrar no que estava vendo. – O que ouve? Está estranho desde ontem. Simplesmente sumiu depois que me deixou no Boar Hat, e nem voltou para dormir.
Vacilante, levei minha mão até seu cabelo loiro e bagunçado o acariciando, tentando da maneira que me vinha à mente mostra-lo que estava preocupada.
Meliodas fechou os olhos e voltou a sorrir, não sabia o que aquilo significava para ele.
– Do que está falando? Está queimando de febre, venha. – Meliodas me puxou até a cama e saltou sobre a mesma, dando leve batidas ao seu lado esperando que me senta-se junto a ele. – Uma princesa deveria descansar em seu tempo vago.
– É Apenas um resfriado. – o respondi, e caminhei até seu lado me sentando.
O modo como fugia dos assuntos mais importantes me deixava nervosa, triste, e fazia-me desistir, porém não poderia deixar aquilo acontecer naquele momento. Havia algo de diferente nele desde que nossa próxima rota foi decidida, e a cada quilometro que nos aproximávamos do vilarejo na divisa de Danafor, mais Meliodas ficava estranho.
Danafor...
– Eu quero que me responda. – falei.
– Hm? – murmurou desviando o olhar para a janela.
– Por que faz isso? – me levantei, o encarando – Por que nunca me fala sobre o que pensa e sente? Você me odeia, é isso?
– Elizabeth...
– Sempre faço perguntas que às vezes são tão simples, e você o desvia como se fosse um erro me responder. Eu me preocupo com você! Está sempre sozinho, sempre vago, fica exibindo este sorriso que muitas vezes nem é verdadeiro, o usa como uma mascara para se proteger... E se proteger de quem? Dos seus amigos?
– Escuta Elizabeth...
– Não! – gritei – por que não me deixa saber sobre você?
Senti lagrima quentes descerem pelo meu rosto, minha garganta ardia e a cabeça girava. Eu havia falado tudo que estava preso dentro de mim. Mas quando fui abrir meus olhos para novamente encara-lo, senti algo me puxar, e aquilo me fez perder o equilíbrio e cair novamente na cama, foi tão rápido, tentei me defender acolhendo meus braços de frente ao meu corpo e abaixando a cabeça, mas suas mãos foram mais rápidas.
Ele entrelaçou seus dedos aos meus e me puxou para perto de si, seus olhos voltaram àquela mesma expressão de antes, vazios, foscos, era tão triste que começava a me arrepender do que havia dito, e só pude chorar cada vez mais. E eu nem sabia mais por que chorava.
Meliodas soltou-me por um momento, deixando seus olhos serem ocultos por seu cabelo bagunçado. Ele mordeu os lábios como se quisesse dizer algo, mas não o fez, apenas me puxou, envolvendo seus braços em minha cintura como se pedisse um abraço.
– Desculpe. – ele sussurrou perto de meu ouvido. Senti-me arrepiar.
Eu queria olha-lo nos olhos aquele momento, saber se suas palavras eram verdadeiras, se aquele sorriso triste ainda cruzava sua face. Mas ele não me deixou fazer absolutamente nada além de retribuir seu abraço.
Não sabia mais o que sentir naquele momento.
Até que Meliodas soltou-se de meus braços e puxou meu rosto junto ao seu. O coração parou naquele momento, as lágrimas que antes escorria pelo rosto se sessaram quando senti seus pequenos lábios colados aos meus.
O meu tempo parou de vez, e não pude acreditar no que ele havia feito.
Meliodas me empurrou lentamente na cama e ficou sobre mim, acariciando meu rosto enquanto continuava seus beijos que me deixava sem ar, eu nada pude fazer, nem pensar, apenas retribui-lo com todo aquele sentimento que havia descoberto por aquele homem.
Ele afastou seus lábios dos meus descendo seus beijos até meu pescoço. Sentia-o arder e ser marcados a cada centímetro, Meliodas percorreu sua mão por todo meu corpo, mas não como antes. O toque que sentia naquele momento era diferente, carinhoso, feroz. E nunca havia me sentido daquela maneira antes, nunca o vi como agora. Nunca o desejei tanto.
Desta vez segurou na barra daquela blusinha rosa que usava, como se fosse arranca-la, mas apenas deixou seus dedos subirem por baixo trilhando um caminho sobre minha barriga até meus seios. Meu corpo se aqueceu com seu toque.
– Eu senti tanto sua falta.... Liz. – ele pronunciou em um tom roco. Então parou e me olhou novamente, e sua expressão voltou como antes, vazia. Até que fui notar em suas palavras.
– O... O que? – o respondi horrorizada. Sentindo minha garganta arranhar e meu coração bater mais rápido em desespero. Ele não havia feito àquilo comigo. Sua mente era simplesmente invadida com a presença dela, e não a minha.
Aquela frase simplesmente destruiu toda a felicidade que havia sentido.
Meliodas se levantou e foi até a porta, sussurrou algo e saiu.

As lagrimas voltaram a escorrer cada vez mais, meu coração havia sido simplesmente despedaçado.

– Não...

~

Notas finais
Espero que tenham gostado, aceitando criticas e sugestões, mas não deixem de comentar e fazer uma escritora feliz ♥