Lacrimosa

14 Demônio


Notas iniciais
Olá meus queridos, tudo bem? Desculpem pela demora, e principalmente por não responder os comentários até hoje, eu estou passando por um momento delicado faz um tempo, mas estou me esforçando já que estamos na fase final de Lacrimosa c: Então espero que gostem do capitulo, e assim que acalmar as coisas por aqui sentarei na frente do PC e vou responde-los com a mesma animação de sempre

“Como posso viver sem aqueles que eu amo?
O tempo ainda vira as páginas do livro queimado
Lugar e tempo sempre na minha cabeça
Tenho tanto pra dizer mas você está tão distante”

A fúria de Meliodas pairava em seu olhar, e seus lábios se contraíram em uma expressão realmente amedrontadora. Chegou a um ponto onde ele estava inalcançável, e nem mesmo minha voz poderia para-lo.
Eu não sei como ou quando foi que tudo veio a baixo, mas um raio brilhante passou por mim e jogou Ban contra a parede da caverna. Eu só tive tempo de ocultar meus olhos da fumaça densa que tomou o local, e logo percebi os pedaços da gigantesca árvore começar a de desfazer sobre nós.

Os olhos de Ban se estalaram ao ver Elaine soterrada por toda aquela fumaça. Ele contraiu os músculos e ergueu a voz firmemente para Meliodas que naquele momento o segurava pelos cabelos e o socava contra a árvore.
– Seu desgraçado!

Ban apertou seus punhos e revidou Meliodas, fazendo com que o mesmo voasse para fora daquela caverna e dá-se de cara com o enorme lago cristalino. Quando minha consciência voltou, meu corpo levantou-se o mais rápido que podia, apenas corri até Meliodas, mas uma cena não apenas me impediu como chocou todos que assistiam aquela luta.
– M-monstro... – uma fada que voada ao meu lado tremeu ao proferir essas palavras.
– É um demônio! – Gritou a outra.

A água do lago não mantinha mais sua serenidade, e muito menos transparecia as enormes árvores em sua volta. Ela se agitava completamente, e suas águas se tornaram-se negras. Ban parou boquiaberto, e uma raiva crescia em seu olhar.
As pequenas criaturas da floresta já corriam e se escondiam com medo. Eu não entendia mais nada.

– Princesa, você está bem?! – Ouvi King correndo por trás de mim. Junto a ele um cachorro de aparência estranha, mas isso não me preocupava naquele momento.
– King, por favor – o pedi, segurando-o pelos braços desesperada – pare Meliodas!

Ele engoliu seco e piscou varias vezes antes de concordar, mas quando virou seu olhar de encontro ao lago onde estava Meliodas se chocou. E sua expressão amedrontada parecia com os das outras fadas.
– C-capitão... ele é...

Um silêncio enlouquecedor tomou conta daquela floresta, e King não pode completar sua fala quando viu Ban adentrar as águas negras do lago, que voltavam a sua transparência a cada passo do imortal. Meliodas se levantou e ergueu-se sobre o lago, seu rosto sem expressões e seu olhar vazio me assustou, e aquilo me fez lembrar de Bernia, e quando se enfureceu com o cavaleiro sagrado ao tenta tirar-lhe a espada.

– Eu sempre tive minhas duvidas sobre você, capitão. Era realmente um mistério como mantinha tal força e por que era o capitão de um grupo de criminosos tão poderosos. Até mesmo pensei sobre essa possibilidade desde o festival em Byzel, quando o vi com essa marca. Mas agora...
Antes de Ban completar sua fala Meliodas correu até ele e o acertou, fazendo com que se esmagasse contra as pedras do lago, mas Ban não se conteve. Segurou Meliodas pelo braço e o prensou sobre as águas do lago, que cada vez mais repelia Meliodas, fazendo com que pequenos raios elétricos envolvessem seu corpo. Ban fechou seus olhos como se quisesse chorar de decepção e raiva.

– Ser repelido pelas águas sagradas da floresta das Fadas só pode significar uma coisa, capitão. – Ban tentou sorrir como sempre, mas quando viu que seria em vão mordeu seus lábios e encarou Meliodas com toda fúria que mantinha contra sua raça. – E eu realmente odeio isso.

Ban já erguia seu braço para dar-lhe o golpe final, porém Meliodas foi mais rápido, revidando os golpes em Ban a uma velocidade que não o permitia se regenerar.

Minhas pernas agiram mais rápido do que minha razão, e eu já corria desesperada de encontro ao lago. Se Meliodas continuasse naquele ritmo não era apenas a Ban que iria ferir, e sim a todos. E o que seria da sua amizade com o pecado da Ganância após tudo isso. Ele podia negar, mas Ban encontrava em Meliodas um refugio. E tudo aquilo estava prestes a acabar, e a culpa seria totalmente minha.

Mas ao colocar meus pés nas águas negras do lago uma enorme onda elétrica tomou conta de meu corpo e eu tive vontade de gritar. Se não fosse King me puxando eu poderia ter me machucado mais.

– O que você está fazendo, Elizabeth? – King perguntou desesperado. – Até mesmo para nós é fatal pisarmos nessas águas. Ban com toda certeza está sofrendo, imagina você!
– King-sama, eu não posso ficar parada vendo tudo isso!
– Elizabeth, você com toda certeza é abençoada pelo clã das deusas, e ainda não possui força suficiente para aguentar tanto poder, ainda mais vindo de um demônio!

Por um momento senti um zumbido enorme em meu ouvido e minha mente borbulhava em mil pensamentos, e todos eles guiavam apenas um caminho de encontro àquela palavra proferida por King.
– Um... Demônio...

Isso não estava certo.

Respirei fundo e soltei-me dos braços de King. Só visava um caminho, e era onde Meliodas estava naquele momento. Era tudo o que podia fazer e eu não seria digna de estar ao seu lado caso não conseguisse parar sua fúria.

Ao colocar novamente meus pés naquela água negra meu corpo voltou a tremer, e a dor angustiante me tomou, mas não poderia parar, não por isso. Engoli em seco e ignorei toda aquela dor, e meus passos se tornaram mais firmes em sua direção.

A minha frente Meliodas continuava a rebater, e toda a força de Ban era drenada por pelo cansaço de se defender e das águas que lhe puxava toda energia. Meliodas se preparava parar dar um novo golpe quando Ban lhe ergueu um soco, na qual foi facilmente desviado pelo seu capitão. Meliodas usou essa chance e jogou Ban de encontro com uma enorme rocha, que logo rachou-se de tantos impactos recebidos continuamente.
Ban já se erguia novamente, mas seus olhos foram guiados em minha direção e sua voz ecoou por todo o lago.
– Sua idiota, saia logo daqui.
A sua atenção não pode se desviar mais do que naquele momento, e Meliodas usou nisso uma chance de lhe ferir mais um golpe, e quando finalmente ergueu sua espada para dar-lhe o golpe final não pude me conter.

Meus passos que antes eram lentos e cansativos se tornaram ágeis, e eu só tive tempo de me jogar contra aquele golpe de Meliodas. Pude ver sua espada atravessar perfeitamente meu corpo, e mesmo com aquele rosto completamente dispenso de expressões, seus olhos vazios derramaram uma lágrima.
Por um momento senti-me delirar. Só recordo que uma enorme luz radiou-se por nós naquele momento, e fez com que a espada de Meliodas — aquela dada por Liz – se quebrasse diante ao seu golpe. Ele caiu de joelhos sobre o lago, e sua água negra dispensou-se finalmente, voltando a sua transparência de antes.
Meliodas olhou lentamente em minha direção, pude ver finalmente aquela marca negra que cruzava por seu rosto pálido, e as lágrimas formaram-se em antes cair sobre o lago lentamente.
Mesmo não estando completamente ciente de si mesmo Meliodas ainda me segurou. Suas sobrancelhas se ergueram sobre o olhar vazio, demonstrando acima de tudo uma preocupação latente pelo seu ato contra mim. Por um momento aquela dor que ignorei ao correr sobre o lado era retomada aos poucos, mas eu pude me erguer novamente em sua direção e lhe puxar em um abraço.
As lágrimas não se continham mais sob meus olhos, e elas teimaram escorrer em meu rosto. Não sabia se chorava pela dor que sentia, ou pelo alivio de conseguir para-lo a tempo. Meliodas foi lentamente recuperando sua consciência, e o verde novamente voltou a brilhar em seu olhar. Ele me apertou ainda mais em um abraço, e sua preocupação cresceu cada vez mais.
– Elizabeth, você está bem? C-como...
Eu sorri, queria que ele entendesse que estava bem, mas não era como se depois de tudo ele não se sentia culpado. Pressionei meus dedos em seu rosto e o levei para perto de mim, depositando-lhe um beijo terno e calmo.
– Eu não sei como, mas estou bem.

O rosto de Meliodas se desfez daquela preocupação toda e forçou um sorriso, mas antes que pudesse falar qualquer coisa uma voz aguda ecoou por trás de mim.

– Ban, é a Elaine! – gritou King espantado.
Ban que estava completamente tonto de toda aquela confusão se alertou, e ao ouvir o nome de Elaine não demorou nem um segundo até correr em direção à caverna, e seu suspiro surpreso se dispensou até mim.
Meliodas me apoiou entre seus braços e me permitiu que fosse até ele. Mas antes que pudesse alcançar Ban ele disse em um sussurro:
– Sinto muito Elizabeth... Nós... Não podemos mais.

Por toda aquela tarde angustiante, aquela foi à primeira vez que senti uma dor tão intensa arder em meu peito.
– O que você... está dizendo? – o perguntei, e então lhe ergui um sorriso desesperado. – Espere Meliodas-sama...
Eu não pude continuar com o que iria dizer. Meliodas me segurou pela cintura e me puxou em um beijo. Seus lábios estavam frios, e seu rosto se contraia tentando segurar as lágrimas, porém, seu toque soou como um adeus.

Meliodas me soltou lentamente e se afastou, indo em uma direção distinta que nem mesmo ele conhecia. Quando tomei consciência de tudo aquilo que estava acontecendo tentei o segurar, dizer o quanto amava, implorar para que não me deixasse, e concluir que tudo aquilo não era culpa dele.
Eu estava bem, não estava feria. Meliodas-sama nunca me machucou.
Mas King me segurou, e eu só pude ver Meliodas o agradecendo pelo olhar antes de desaparecer por entre as árvores.
Tentei me soltar, porém King não deixava.
– Meliodas-sama! – o gritei, mas não era como e ele pudesse voltar depois de tudo.

– Elizabeth, se acalme. – disse King – ele só precisa de um tempo depois de tudo o que aconteceu...
– King-sama, me solta!
– Eu não vou. – King me puxou pelo braço fazendo com que ficasse de frente com ele. Pude ver o quão sério ele estava com aquilo. – O capitão já estava confuso com tudo isso desde que Ban revelou quem você era. E ver isso tudo acontecer... Elizabeth você refletiu o golpe dele, consegue entender isso?

– Isso não importa! Eu não me importo!
– Elizabeth, vocês não podem ficar juntos depois de tudo! – King me olhou entristecido. – Infelizmente... Vocês são criaturas distintas. Inimigos mortais. É como água e óleo. E Meliodas sabe disso. Você só vai se ferir se continuar com isso...

Ouvir tudo isso me fez parar. Já não tinha mais forças para me rebater contra a vontade de Meliodas, e eu me sentia tão aparada.

– O capitão me falou sobre Liz. – disse King, e uma raiva intensa cresceu em mim quando vi seu olhar de desaprovação, sabia o que iria falar...
– Eu acho que sei porque ela morreu...

Antes que ele pudesse continuar com aquelas palavras odiosas lhe feri um tapa em seu rosto, e King me olhou assustado com minhas ações.
– Não ouse dizer isso. Ou nunca o perdoarei.
– Elizabeth... – ele me olhou abalado esfregando sua bochecha com as mãos. – Desculpe! Não queria dizer isso... Eu... Não sei o que deu em mim, mas ver o capitão daquele jeito...

– Vocês não são amigos? – o perguntei furiosa – o quão importante é sua amizade com ele? É tão frágil a ponto de desabar por conta do que ele é?! Escute King, não sei se para você e para o Ban é algo tão importante assim, aliás, eu não sei de nada. Mas não me importa o que ele seja, se demônio ou não, para mim ele ainda é o Meliodas, e eu o amo independente de tudo... Agora me solte que eu vou atrás dele e fazê-lo acordar de toda essa fantasia que os mortais criaram.

King não soube mais o que dizer, mas ele resolveu atender ao meu pedido constante, e assim que ele afrouxou seus dedos de meu braço não pensei antes de correr o mais rápido que podia em direção àquela floresta escura.

Nada iria contra minhas motivações, e eu iria prova-lo o quão errado estava em deixa-se aparar com uma coisa dessas.
Demônios e Deusas podem sim ficar juntos.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.