Laboratório de Poções
5 Memories Aliam Magis Vitam – Ms. Botelho
Notas iniciais
– Esses nomes em latim atribuem uma moral e tanto à poção. – Bervely comentou, ao desenrolar o relatório seguinte. – Memories Aliam Magis Vitam… Memórias de uma outra vida. O quê? – percebeu que o professor lhe olhava com surpresa – Eu te desafio a viver com os Malfoy por tantos anos e não ser obrigada a estudar latim.
– Eu mesmo estudei latim na minha época de escola. – Snape comentou, engatando o improvável diálogo sobre assuntos pessoais, que ela não se absteve em continuar.
– Hogwarts ensinava línguas na sua época?
– Não exatamente. Mas os livros ficam disponíveis à quem se interessar, não ficam?
Bervely rolou os olhos disfarçadamente; é claro que Snape seria uma autodidata numa das línguas mais difíceis de se aprender, eram bem típico dele.
– Bem, vamos aos ingredientes. Raminho de Lavanda, chifre de unicórnio, sangue de dragão, asas de fada e orvalho da manhã. Humm, se não fosse o sangue de dragão, eu chamaria da Srta. Botelho de básica.
– Combinação interessante. Hábeis são os porcionistas que conseguem tirar do ordinário o extraordionário.
Depois dessa citação digna de um biscoito de Cassandra, ela nada pode fazer senão continuar a leitura.
Modo de preparo:
1. Adicione três asas de fada ao almofariz.
2. Esmague num fino pó usando a mão de almofariz.
3. Adicione ao seu caldeirão 4 quantidades das asas de fadas esmagadas.
4. Adicione ao caldeirão as três quantidades de Raminho de Lavanda e 1 chifre de unicornio.
5. Deposite com cuidado, 5 gotas de orvalho da manhã ao seu caldeirão.
6. Deixe que a sua poção refrescar durante 10 minutos.
7. Finalmente deposite 7 gotas de sangue de dragão.
8. Deixe a mistura ao lume e desligue o lume após 5 horas.
– E aqui estamos de volta às “quantidades” – resmungou Snape, adicionando notas ao seu livro. – Não é possível que eu tenha sido tão vago a respeito da importância de medidas precisas em minhas aulas!
Sorrindo para o pergaminho, ela prosseguiu.
Efeito esperado: Recuperar memórias de outra vida e também possível se aplicar a pessoas que tenham tido a memória apagada.
– Perdão – engasgou-se, quase derrubando a folha – Memórias de outras vidas?
– Uma premissa para muitas crenças religiosas ao redor do mundo, Srta. Black. – ele disse pacientemente.
– Bem, certo. – ela bufou, incrédula – Será que esse efeito de recuperar a memória apagada não se estenderia a doença que o Sr. Prado apontou, o Alzheimer bruxo?
– Possivelmente. É uma possibilidade interessante. Se a poção da Srta. Botelho for funcional, aliás, suas aplicações medicinais seriam extensas… até hoje não se encontrou um modo confiável de recuperar a memória apagada pelo feitiço Obliviate.
– Bem, como reações adversas, ela cita alergias… e para contra-indicações, não misturar com substâncias alcoólicas ou outras poções.
– Isso se aplica basicamente à qualquer poção, em maior ou menos grau. – fez um aceno com a pena para que continuasse – Que mais?
– Ela diz que queria criar algo prático, importante e principalmente algo que pudesse ajudar o mundo bruxo. “Depois acabei por pensar memórias. Nada é mais poderoso que as nossas memórias. São todas muito importantes, que mostram lições que aprendemos, coisas que fizemos, o nosso primeiro passo para a independência, que é algo que estou a passar cada vez mais, à medida que cresço. Começo a sair sozinha para ir ao cinema com os meus amigos, começo a andar sozinha de autocarro, começo finalmente a apreender. E depois pensei, e memórias de outra vida? Nós, os seres humanos somos além de inteligentes, curiosos. E quase todos gostavam de saber quem é que foram noutra vida, o que fizeram, quem amaram.”
– Eu percebo uma força significativa na crença das vidas passadas novamente, motivando a escolha. – notou ele, anotando a observação.
– Eu percebo um nível de trouxisse alarmante se manifestando. – Bervely retrucou – E o que diabos é cinema? O senhor deveria proibir os termos trouxas no relatório.
– Menos, Srta. Black. Além disso… há um padrão. Duas das até então quatro poções analisadas abordam a questão da memória. Uma para lembrar para sempre, esta para recordar o que foi esquecido. Ao menos me parece que essa geração sabe reconhecer potencial poder e importância dessa capacidade humana.
– Isso quer dizer que a nossa geração não está destinada à mediocridade, como o senhor costuma resmug… digo, comentar eventualmente?
– Eu não iria tão longe. – refutou, erguendo uma sobrancelha cética – Mas há salvação para uma ou outra alma afortunada.
(Continua…)
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