Notas iniciais
deveria postar mais?

Rose acabou com todos os meus biscoitos.

Ela comia-os enquanto eu falava, deixando o sofá de meu trailer repleto de migalhas. Infelizmente, terei que limpar eu mesmo. Outra desvantagem de morar em trailer.

—Isso é nojento! Eu nunca fiz dentro de um armário! – ela contorce a cara — Não consigo nem imaginar!

—A gente pode tentar se você quiser... – brinco.

O tópico sexo morreu não morreu ali. Rose insistia em perguntar se eu já tinha feito em determinada posição ou em determinado lugar. Senti-me extremamente constrangido falando sobre tal assunto com uma mulher, sabendo que nós não iriamos fazer. Nunca em minha vida eu imaginei falando sobre esse tópico sem ter segundas intenções. Nós estamos apenas jogando conversa fora. Riscando os itens em nossas listas mentais de “o que eu quero saber sobre você”.

—Você já namorou? – ela pergunta com os olhos brilhando de curiosidade.

Conto de minhas namoradas as quais as histórias eu lembro com mais clareza. Minha primeira e minha última.

Falo de Emanuelle como se eu estivesse contando a história de um filme. Afinal das contas, essa novela está fresca em minha mente.

—Não acredito! Que idiota! – Rose diz logo ao final de minha historia com Emanuelle. Ela aparenta revoltada com a atitude de minha ex – Ela namorou só pra conseguir fama! Olhe para mim! Fazendo um filme com Alain Blanche, ganhei fama sem ao menos encostar meus lábios nos seus por vontade própria!

—Bom... – meus lábios se curvam num sorriso repleto de malicia – Se você quiser você pode!

—Cale a boca!

—Não posso – me levanto e pego uma garrafa de cerveja na geladeira, uma para mim e uma para Rose. – É sua vez de me contar sobre você mesma! Você já sabe mais de mim do que meu fã-clube inteiro.

Estendo a garrafa em sua direção, ela pega enquanto se ajeita no sofá.

—Se você morrer de tédio vou considerar como suicídio! – Rose dá um longo gole e suspira – O quer saber? Eu já te contei de Marius, então não precisa perguntar de meu histórico amoroso. Ele não é tão fabuloso quanto o seu.

Hesito cautelosamente. Procurando por perguntas sagazes, capaz de conduzir-me pela compreensão da mulher que esta diante de mim. Mas a chave não está no nível de intelectualidade da pergunta, e sim o nível em que a pergunta surpreenderá Rose. Afinal, ela está sempre surpreendendo todos ao redor, mas raramente se surpreende com os outros.

—Qual é sua cor favorita? – a pergunta sai de minha boca de maneira espontânea.

Rose ri desacreditada:

—Que tipo de pergunta é essa? Quer fazer alguma cantada com o filme?

—Não. – dou os ombros – Sabe de uma coisa Rose? Já que você mencionou o filme, vou usar como exemplo. É natural criar expectativas, pessoas quando irem assistir ao filme vão ter a expectativas que o casal fique junto no final, e quando eles ficam, quando as expectativas são alcançadas, elas se emocionam. Mas, quando um filme termina com o casal separado, é normal que as pessoas fiquem chocadas. Vivemos numa sociedade acomodada com o clichê, o clichê é atraente! Menino conhece menina e num estralo de dedos eles viram um casal!

—O que você quer dizer com isso? – ela me olha como se eu acabasse de bagunçar seus pensamentos.

—Que você tinha uma expectativa sobre a pergunta que eu faria, mas eu fiz uma pergunta que você não tinha uma resposta pronta na ponta da língua, você está surpreendida! Coisa que você vive fazendo comigo, agora foi minha vez de te dar um gostinho da sensação – sorrio satisfeito – Como você se sente?

Rose sorri e balança a cabeça em aprovação:

—Estou surpreendida! – outro gole – Nunca esperaria de fato que sentenças tão verídicas saíssem de tua boca. A cada dia que se passa Alain, eu me surpreendo mais com você. Você realmente não é apenas um mulherengo.

—Na verdade eu sou sim! – Rimos e ela me dá um soco de leva no braço. – Mas eu não sou idiota.

—Você é sim um idiota.

Tomamos um longo gole de cerveja simultaneamente, produzindo um silêncio. Silêncios para mim com uma mulher é sinônimo de “a qualquer momento eu pulo em você”. Tal que, vasculho em minha mente qualquer assunto que mate o silêncio.

—Ok, no três eu e você fala qual é o melhor: Edward ou Jacob – digo quebrando a ausência de diálogos.

—Agora você não me pegou de surpresa, tenho esperado por essa discussão desde o dia em que te vi!

—Um... Dois... Três!

—Jacob! – ela dá um pulo.

—Edward! – eu dou um pulo.

—Sabia! – ela se ajoelha no sofá e me cobre de socos em meus ombros. – Edward é um idiota!

—Mas os idiotas sempre ganham! – protesto – A maioria dos best-sellers de romance hoje em dia são intitulados “O idiota do irmão da minha amiga”, ou “O idiota do novato” e assim continua a lista! Os idiotas sempre ficam com a mocinha!

Apenas depois que terminei minha frase que eu me lembrei que ela tinha me chamado de idiota instantes atrás, mas ela não parece ter se incomodado. Ela apenas me olha convencida.

—Uma pena que eu não seja uma mocinha, não é mesmo?

—Realmente, honestamente, efetivamente, verdadeiramente – exagero evidenciando a ironia — Mas, quem você seria na história então?

Rose, de forma impremeditável como sempre, age de forma abrupta. Ela se inclina ao ponto da ponta de nossos narizes se tocarem.

—Eu sou amiga do idiota. – ela sorri e corre seus dedos por minha nuca.

Por um momento eu fecho meus olhos e inclino-me para beija-la, mas ela vira o rosto, não se afastando, apenas mudando o ângulo de seu rosto.

—Amigos não se beijam! – ela sussurra, mas estamos tão perto um do outro que parece que ela falou num tom de voz normal.

—O que você está fazendo então?

—Amizade é melhor que relacionamento sério. – ela me olha e deposita uma de suas mãos em meu peito – Sabe qual é a melhor parte do beijo?

—Língua?

Rose ri alto, mas continua falando para não perder a linha de raciocínio:

—É antes do beijo. É como se fosse os trailers antes de começar o filme, que é quando metade de sua pipoca se vai. É inconscientemente a melhor parte. E como amizade é melhor, ela merece a melhor parte.

Num acesso de impulso, inclino minha cabeça, mas eu não a beijo. Ficamos parados, ambos de olhos fechados, separados por menos que milímetros, roçando narizes um pelo rosto do outro.

Sou tentado em toca-la em partes virtuosas quando abro meus olhos um pouco. Eu observo bem a situação e vejo que Rose não está de brincadeira. E, por tudo o que ela passou a vida toda dela, ela merece uma gota de respeito. Principalmente em momentos em que ela está tão vulnerável.

Consequentemente de meu estilo de minha vida, diversas tentações brotam em minha mente durante nosso momento tão intimo e que agora ganhou uma peculiaridade nossa. Se ela fosse apenas outra mulher qualquer, minha camiseta já estaria no chão e meus dedos já estariam à procura do fecho de seu sutiã.

Essa coisa de melhor parte do beijo mudou minha pessoa. Rose num geral tem me mudado. As mudanças têm sido tão chocantes. Momentos como esse e eu sendo um cara até que gentil e educado, o meu “eu” antigo eu descreveria como selvagem e bruto.

Abro meus olhos e envolvo seu rosto minhas mãos e ela faz o mesmo em meu pescoço. Seus olhos estão fixados nos meus.

—Azul... – ela diz dentro de um sorriso. – Seus olhos são azuis... Minha cor favorita é azul também.

Sorrio e depois solto uma risada me afastando se seu rosto. O que está acontecendo?

—Você é incrível Rose!

Ela dá os ombros.

—Sempre!

Alguns momentos na vida, de acordo com a normalidade passam segundos, mas de acordo com o nosso pensar duram horas. Esse é um desses momentos. Olho para Rose e eu finalmente entendi qual é a dela. Ela é uma menina solitária, com argumentos para tudo, sempre com um anseio enorme de botar tudo para fora, e ela nunca encontrou alguém que ouvisse o que ela tem para dizer. Todas as pessoas que ouviram, acabaram de certa forma desapontando-a. Nesse momento que tivemos, um momento completamente reservado para falar de nós mesmo acendeu algo em Rose totalmente diferente, algo novo.

Mas uma mensagem vem em minha mente. Nós não somos um casal.

—O que a gente acabou de fazer Rose? – pergunto apenas para garantir que ela esteja pensando igual.

—A gente acabou de criar novas impressões um dos outros. – Ela termina sua cerveja. – Minha primeira impressão sua era que você era um cara que só pensa em sexo, peitos e em entrar em minhas calças. Agora eu acho que você é um cara que só pensa em sexo, peitos, entrar um minhas calças, mas com um coração. – ela faz uma pausa – Você realmente se importa e valoriza as pessoas Alain, não deixe que o mundo tire isso de você.

Ela tem razão de certa maneira.

—Quando eu te conheci eu te achei muito gostosa, mas um pé no meu saco. – solto – Eu fiquei tão desesperado pelo fato de que você me rejeita que eu fiquei curioso. Essa curiosidade me deixou interessado.

Rose levanta uma sobrancelha juntamente com um sorriso confuso.

—Eu estou louco para te entender Rose! Estou integralmente disposto a te entender. – adiciono uma observação – Minha primeira impressão por você mudou só por um detalhe, você não é um pé no meu saco... Mas você é gostosa pra caramba.

Rose solta uma risada breve, morre com um sorriso.

—Somos amigos agora Alain! Você pode continuar dormindo com quantas mulheres você quiser, eu posso tirar sarro de você o quanto eu quiser, só que agora é diferente.

—Como?

—Existem dois tipos de amizade. – ela faz o número dois com uma de suas mãos. – Um é a amizade por respeito, aquela que acontece eventualmente com a proximidade das pessoas. A outra é a amizade casual, aquela em que os amigos se entendem apesar de suas diferenças, que simplesmente aconteceu.

Eu discordaria, existe a amizade com benefícios. Mas concordei comigo mesmo que não seria muito bom comentar.

—Vamos manter casual? – pergunto me levantando.

Ela não responde. Apenas se levanta e caminha até a porta.

—Eu ainda tenho muito o que te conhecer Alain. Tenho certeza que você pensa o mesmo. – Rose abre a porta – Afinal, eu sou uma caixinha de surpresas, não?

Notas finais
ai ai
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.