Notas iniciais
Olá meu povo!!!! desculpem a demora, eu estava atoladissima nas provas da faculdade, socorro. Mas aqui vai, capitulo novinho e segue em anexo o segundo Teaser da segunda temporada de arte da guerra. https://www.youtube.com/watch?v=ByO_gCWVYD4 (contém spoiler de guerra civil)

Freya se sentia como se quisesse socar alguém ou alguma coisa, esse alguém seria Howard Stark. Nas duas horas que se seguiram até Greta chegar em casa e obrigá-la a ajudar na cozinha ela procurou desesperadamente uma foto de Howard nos jornais velhos que tinha em casa e quando finalmente achou a levou até o porão onde Oskar mantinha todo o material que usava para treinar quando não estava no quartel colou a foto do Stark no saco de pancada com um pouco de cola e socou ate as juntas ficarem doloridas e arroxeadas o que não era um trabalho fácil, já que ela praticava há bastante tempo todos os dias naquela sala, não apenas seus socos e chutes, mas tudo que ela podia fazer para nunca mais ser sequestrada ou deixar que alguém fosse, frequentemente Oskar a ajudava nessa tarefa. Mas hoje ele estava muito ocupado, fazendo Deus sabe o quê e ela não queria realmente companhia, ela queria apenas socar o rosto de Howard, e o recorte mal feito do jornal já havia rasgado em diversos pontos, mas ela ainda não se sentia satisfeita.

Ela podia sentir o suor escorrendo pelo seu rosto, e a respiração ficar audível e cada vez mais pesada além da dor em seus músculos começarem a se formar apesar da adrenalina correndo em suas veias, ela só parou de socar o saco de pancada quando Greta gritou com ela duas vezes a beira de um ataque de nervos e a obrigou a parar, não sem antes fazê-la se lavar e secar o cabelo para que voltasse a ficar apresentável, ao contrario do ninho de passarinhos que havia se formado em sua cabeça, quando ela saiu Greta já havia escolhido um vestido para ela, um rosa pálido com pequenos botões do pescoço a cintura, onde a fivela marcava a cintura e seguia fluido até os joelhos e perto dele haviam pérolas.

Sem reclamar ela se vestiu, arrumou o cabelo e até se deu ao trabalho de passar um pouco de pó de arroz e rouge no rosto, e desceu para a cozinha onde a irmã a fizera ajudar com os pequenos detalhes que ela não poderia estragar, a melhor parte sobre a sua irmã mais nova era que ela nunca precisava iniciar um assunto, a garota era tagarela nunca existiam momentos de silencio tedioso ou nervoso, desde que aprendera a falar Greta nunca mais calou a boca. Ela contou sobre o seu dia, que havia tido aulas práticas de limpar feridas e cortes, o que a deixou um pouco nauseada por conta do sangue, mas se recuperou rapidamente lembrando-se que não havia motivos para se sentir assim, afinal ela mesma sangrava todo mês e era algo natural não fazia sentido sentir nojo do sangue, porém a ideia de membros decepados a deixavam de cabelos em pé.

Rapidamente, enquanto Freya cortava a couve flor em pequenas tiras, o assunto mudou para garotos, Greta disse que quando Max a buscou na escola ela estava conversando com um rapaz inglês chamado George, o que deixou Max bastante irritado mesmo ela insistindo que ela estava apenas dando informações ao garoto, mas admitiu que o achou bastante charmoso e que ele tinha pedido o telefone e antes da cena que Max havia proporcionado ela tinha anotado em um papel e dado a ele.

―Acha que eu fiz mal? Que eu não deveria ter dado o numero do telefone? Ele pode estar achando que eu sou fácil.

―Creio que não, ele poderia achar isso se você tivesse passado sem mais nem menos, mas você disse que vocês conversaram, isso pode ser que ele esteja interessado. ― confortou Effy com um sorriso, tentando acalmar a irmã. ―Mas, você deve ser cuidadosa Gret.

―Eu sei, eu serei, não pretendo fazer nada demais com ele, mas Effy não se sente como se estivesse numa gaiola aqui? É como estar numa casa com apenas três paredes em que sempre somos reconhecidas, como se houvesse estrelas de Davi pintadas em nossas testas e eu estou cansada de viver assim, somos mais que imigrantes ou refugiadas, não acha que merecemos um novo começo já que isso nos foi dado depois de tanto esforço? ― ela me olhou com um olhar sonhador em seus olhos verdes pantanosos.

―Sim, eu acho, gostaria que fosse tão simples, mas eu sempre tenho a sensação que tudo pode ir por água abaixo, como você disse, é como uma gaiola só que feita de vidro para que tenhamos a sensação que estamos livres quando na verdade estamos sendo assistidas o tempo inteiro, e difícil de explicar, mas é assim que eu me sinto. ― Freya soltou a faca que usava para cortar e não pude deixar de encarar o barrado do meu vestido, ele fora comprado na América, assim que chegamos aqui e não tínhamos nada o que vestir além de maltrapilhos, suas mãos tocaram o tecido delicado sentindo a sua textura em seus dedos.

―Eu me sinto assim também, mas eu sei que posso destruir essa gaiola e voar livremente, todos nós podemos, não temos mais que sofrer ou sobreviver, a vida é muito mais que isso. Nós merecemos isso ― Greta se afastou do fogão, se agachando na frente da irmã mais velha e segurando as suas mãos, quando ela havia crescido tanto? Apesar do vestido azul claro lhe dar uma aparência de infantilidade e ternura os seus olhos eram vorazes, ela falava como quem poderia liderar um culto e fazer milhões acreditarem em suas palavras por que ela falava com todo o seu coração ―Não temos que sofrer mais Effy, nós merecemos nos casarmos, termos uma família, viver por muitos anos a máxima felicidade que há nesse mundo.

―E se eu não quiser me casar? ― perguntou, insegura, o seu dia tinha sido tão completamente decepcionante que ela não se via capaz de fazer nada plenamente.

―Você não precisa, você pode viver assim pra sempre, conseguir uns gatos e viver com a sua ciência que nem papai, desde que esteja feliz assim.

―O que aconteceu com a garotinha que acreditava no príncipe encantado? ― toquei o rosto dela.

―Ela ficou presa, sozinha num bunker no meio de uma Alemanha nazista e foi resgatada pela sua linda e corajosa irmã mais velha e percebeu que ela não precisava de um príncipe pra ter um final feliz, o que eu continuo acreditando em finais felizes.

―Você tem galáxias crescendo dentro de você Gret ― Freya disse, a puxando para um abraço.―Você me deu a melhor ideia de todas, amanhã de manhã eu vou arranjar um gato. Um grande, peludo e que adore carinho nas orelhas.

―E eu vou terminar o jantar, antes que o amigo de Oskar chegue e nós o matemos de fome.

―Como se a fome não o fosse matar nas trincheiras do mesmo jeito, caso tenha sorte ele pode ter uma morte rápida com um tiro.

―Não seja macabra.

―É a verdade, oras, ele é um soldado e soldados morrem.

―Você tem dois irmãos militares isso é uma coisa horrível de se dizer! ― ela apontou para a porcelana que estava no armário.

―Militares contra a minha vontade, e provavelmente de mamãe, ela odiava isso os avós dela morreram na primeira guerra. ― eu peguei os pratos de porcelana ― Oskar é tão bom com o violino, poderia estar tocando numa orquestra agora e sabemos o quanto Maxmilliam gostaria de ser escritor, mas não podem seguir com as suas vidas ou seriam desertores, tudo porque um baixinho austríaco se juntou com uma nação de orgulho ferido resolveram que era a hora perfeita para recobrarem territórios perdidos no tratado de Versalhes e iniciarem uma caçada as bruxas modernas, dessa vez com Jüdin.

―Espero que a América acabe com a raça do Führer.

―Acho que ele está irritando a união soviética demais, acho que eles vão acabar com a Alemanha. Cometer o mesmo erro de Napoleão, tentar invadir o seu território em meio ao inverno e o inverno deles faz o nosso parecer o auge do verão.

―Eles não podem ser tão estúpidos.

―É como dizem minha querida, se existem duas coisas infinitas, essas seriam o espaço e a estupidez humana.

Greta gargalhou, se abaixando para pegar a vitela no forno enquanto Freya levava os pratos até a mesa de jantar e ligou o rádio, deixando que a música se espalhasse pela casa e voltou para a cozinha para pegar os talheres e copos para terminar de servir a mesa com um lugar a mais.

―Adoro essa música ― Greta gritou dando pulinhos e começando a dançar em volta de si mesma, e nem mesmo o mau humor de Freya pode resistir a aquele momento, ela se viu dançando com a irmã muito dramaticamente, como faziam quando eram mais novas e ligavam o rádio baixinho no quarto depois da meia noite e fingiam que estavam num baile em que não eram permitidas ir, por conta da pouca idade.

―We’ll meet again! ― Freya gritou correndo para sala para aumentar o volume e voltou correndo para cozinha, onde segurou a irmã pelos braços e começaram a dançar e cantar aos gritos, acompanhando o ritmo da música, Greta mal conseguia conter as risadas enquanto tentava se manter séria na sua pose de dançarina, no final da música greta havia segurado a cintura de Freya permitindo que ela se lançasse para trás tendo uma visão invertida de Oskar usando calças e uma camisa sem gravata sustentada pelo suspensório e ao lado dele um rapaz alto sorria animadamente para as duas, com suas mãos enfiadas no bolso das calças cobertas pelo terno e gravata e atrás deles Freya podia ver Max olhando para as duas numa mistura de choque e reprovação.

Freya imediatamente se pós de pé, ajeitando o vestido e torcendo para que o seu cabelo estivesse no lugar e via Greta fazer a mesma coisa e agradeceu ter passado rouge no rosto para ficar rosada e agora disfarçava o quão envergonhada ela estava.

―E essas duas damas muito animadas são minhas irmãs ―apontou para a mais nova ― Greta e Freya, meninas esse é o meu amigo James.

―Podem me chamar de Bucky ― ele disse de um jeito avassalador e um sorrisinho no fim.

As duas ficaram imóveis, encarando o homem estranho por alguns segundos sem realmente saber o que falar, não era todo dia que eram pegas numa situação tão desconfortável quanto essa.

―Estamos terminando o jantar ― Freya disse, tentando quebrar o gelo.

―Com “nós” ela quer dizer eu, não se preocupe não é humanamente possível que ela tenha conseguido fazer a salada errada.

―Eu fiz a salada ― apontou pro couve flor picado em cima da taboa de cortar carne com uma enorme faca ao lado, ele parecia destroçado ― O gosto é melhor que a aparência.

―Eu aposto que sim ― Bucky disse sorrindo para Freya, ainda sem graça ela sorriu de volta, e antes que ela pudesse responder alguma coisa Oskar havia segurando o amigo pelo braço e o levado de volta para sala, seguido por Max, cabisbaixo.

Antes que eles saíssem completamente da cozinha, Freya correu até o corredor estreito segurando Maxmilliam pelo cotovelo e aguardando até Oskar saísse completamente, indo em direção à sala, ouvindo o irmãos mais velho reclamar vigorosamente enquanto o segundo homem ria suavemente deixando a sua risada se espalhar pelo cômodo. Max olhou para Freya, esperando que ela falasse o que ela tinha para falar.

―Está tudo bem? ― ela perguntou, olhando diretamente nos olhos escuros do irmão, ele hesitou um segundo, antes de suspirar grudando as suas costas na parede e Freya o encarou com mais firmeza, esticando a sua mão e tocando os seus cabelos suavemente, com apenas dezoito anos ele era maior que a irmã mais velha.

―Bethany está doente ― ele disse em enfim, com a sua voz bem abaixo do tom, ele havia conhecido Bethany dois meses depois de nos mudarmos para a América e no segundo em que os seus olhos de pousaram na bela garota ruiva que morava há duas casas depois da que ele morava, eles estavam juntos desde então ― eles acham que é tifo.

―Eu sinto muito mesmo Maxxie, e não vai ser tifo, deve ser apenas uma gripe, ela vai ficar bem não precisa nem se preocupar com isso.

Greta ficou encarregada dos lugares onde todos deveriam sentar, já que com uma sexta pessoa a mesa ficaria completamente cheia. O pai, Abraham na ponta como patriarca da família logo em seguida Greta do lado esquerdo e na sua frente Max seguido pelo visitante sentando em frente a Freya e Oskar fechava a mesa. Freya gostaria de ter feito a escolha dos lugares antes de irmã mais nova tomar a atitude, já que agora estava sentada se sentindo irritada e desconfortável com os olhares curiosos de Bucky que pareciam analisar cada centímetro dela.

A principio ficou difícil de ignorar, mas cada vez que Gret começava a falar alguma coisa, animadamente sobre o seu dia ou histórias e coisas que ela viu no jornal ficava impossível que ele não desviasse o olhar para a irmã mais nova, a fazendo ficar aliviada. Abraham ela um falador por si só, durante todo o jantar que Freya realmente não comeu, o pai havia sido um perfeito anfitrião, não fazendo perguntas invasivas, contado histórias engraçadas. Mas Freya por mais que quisesse prestar atenção numa dessas histórias a sua mente teimava em vagar por outras áreas, ela se perguntava a quem ela poderia levar as suas ideias, elas não eram ruins tinha certeza disso, eram um plano infalível, ela sabia sobre a margem de erro e que ela poderia atravessar a Alemanha de cabo a rabo roubando mil segredos desde que pestanejasse o suficiente para qualquer um. E havia o fato que ela era inteligente, não havia quem pudesse negar tal fato.

―Freya, ele está falando com você ― ela ouviu em algum canto da sua mente, saindo de sua cabeça e emergindo na realidade onde todos estavam parados, Max com o garfo parado em frente a boca, o rapaz na sua frente mantinha uma sobrancelha erguida, como se a desafiasse os seus pulsos apoiados na mesa.

―Eu sinto, eu estava pensando em outra coisa, pode repetir? ― ela disse, tendo a decência de parecer envergonhada quando na verdade ela realmente não se importava.

―Eu perguntei o que aconteceu com as suas mãos, elas estão avermelhadas ― repetiu o rapaz num tom gentil.

―Alergia, eu usei luvas hoje pela manhã e a tarde as minhas mãos estavam assim tão vermelhas e meus dedos parecem um pouco inchados, mas eu passei uma pomada e deve melhorar em alguns dias. ― mentiu, esboçando um sorriso.

―Oh, sinto muito eu espero que elas melhorem logo ― respondeu, respondendo o sorriso tímido dela com um grande sorriso ― O seu irmão comentou outro dia que você teria uma entrevista de emprego, como foi?

Houve um silencio constrangedor por parte de Freya, ela realmente não queria falar disso, mas seria tão rude não responder ou fingir que não ouviu e mesmo com o canto dos olhos ela pode ver Greta se tocando que não havia perguntado sobre isso.

―Eu realmente esqueci disso, Effy como foi? ― a caçula perguntou animadamente.

―Não foi, Stark não achou que eu seria um membro louvável em suas pesquisas ― ela respondeu rapidamente, pegando o copo de água e tomando um pouco.

―Eu sinto muito Freya, ele é um bobão. ―Greta respondeu já sem entusiasmo.

―Ela está certa ― Bucky disse, concordando com Greta ― eu já vi os livros que você lê e, francamente, o homem é um idiota qualquer pessoa que pode entender tudo aquilo é um gênio e ele é um tolo por não te contratar.

―Obrigada. ― Freya respondeu, sorrindo de verdade pela primeira vez desde que acordou naquele dia.

Horas mais tarde quando era hora de Bucky ir para casa depois de agradecer pelo jantar e ficar conversando sobre a guerra enquanto tomava uísque no escritório com os homens da casa, antes de sair completamente da casa,enquanto Oskar e Abraham mostravam a saída.

―Eu gostaria de levar a sua filha Freya ao cinema no próximo sábado ao cinema ― ele disse o que estava prendendo desde a primeira vez que havia colocado os olhos nela ainda no dinner.

Abraham o encarou, colocando uma mão sobre os ombros do rapaz e sorrindo em simpatia para ele.

―Eu não decido isso, a menos que você queira me levar ao cinema, você tem que perguntar a ela, se ela concordar, você pode leva-la ao cinema.