La Petite Mort

1 Lily Evans morreria de velhice.


Notas iniciais
Jily consume a minha alma e hoje é dia 31 de outubro.
Essa é pra você que quer sofrer nesse lindo dia de luto que não tem nada de feliz mas as pessoas ainda falam ''Feliz dia da morte de jily'' como se fosse algo para se comemorar.
É para chorar.

Boa leitura.

Lily Evans morreria de velhice.

Ela estaria cercada por seus descendentes na velha casa dos seus avós que estaria decorada com um verde esmeralda e fotos velhas e desbotadas. Uma família de noves ruivos, duas mulheres e sete homens estariam encostados ao lado de uma estátua em formato de raio. Uma garota com cabelo cheio estaria com a cabeça enfiada em um livro velho mas estaria chorando fortemente. Petúnia estaria chorando ali também enquanto abraçava os lírios que ela entregaria para Lily naquele dia, se já não tivesse partido e estivesse esperando por ela no próximo mundo.

Seu marido parecia ter morrido antes dela, os poucos vestígios que ela via eram pinturas borradas e uma marionete de cabelos bagunçados usando os sapatos como se fossem dela no Hall. Um rato roía os sapatos enquanto um cachorro era repreendido, como se ele que tivesse feito aquilo. Decorações de Halloween se sobressaíam na sala esmeralda, um lobisomem em um desenho parecia olhar diretamente para o cachorro com raiva, como se também tivesse sido enganado pelo rato.

Lily fecharia os olhos por causa das lágrimas, e buscaria palavras mas não encontraria.

Ela seguraria a mão de um dos seus filhos, que teria lindos olhos esmeraldas ou de outra cor desconhecida, e sorriria enquanto sentiria que já tinha comprido o seu dever no mundo. Sua mão se soltaria do seu filho de olhos esmeraldas, ou qualquer que seja a cor, e ela partiria para outro lugar sem ele.

Com um sorriso no rosto por ter comprido o seu dever.

Lily Potter não morreria como ela esperava.

Ela queria a multidão de entes queridos, a sensação de que ela tinha feito tudo em seu alcance para proteger seu filho de um mundo cruel.

Mas ela deixara o rato entrar e o cachorro levar a culpa.

Lily sempre teve sonhos estranhos. Quando pensava mais a fundo sobre um assunto como a morte, ela sempre tinha o mesmo sonho, as mesmas pessoas, os mesmos animais, o mesmo desfecho. Às vezes pensanva como seria o dia seguinte, e logo teria um sonho que mostraria algo bobo mas que poderia ter vários significado. Lembrava quando se perguntou como seria um dos seus encontros com o seu namorado, beijos, mãos que a seguravam com delicadeza, uma fungada para sentir o cheiro do cabelo dela, um brilho entre os seus dedos e um sentimento de calor intenso entre as suas pernas e neve dançando ao seu redor foi a resposta que ela recebeu nos seus lençóis. Ela se lembrava das mãos bobas daquele encontro, dela e dele, um sorriso contra a sua pele, ela tentando se aquecer desesperadamente contra o calor irresistível dele, algo duro na calça dele que acabou sendo uma caixa de couro de dragão, um anel brilhante em seus dedos e um gemido enquanto ele colocava a boca para trabalhar lá embaixo.

Lily já tinha pesquisado sobre sonhos proféticos na Biblioteca de Hogwarts, mesmo assim ela presumiu que todos os objetos daquela cena que se repetia eram apenas decorações muito estranhas e sem significado. Ela poderia muito bem ter uma escultura com formato de raio e um rato imundo roendo os sapatos do seu marido, certo?

Não.

Ela finalmente entendera isso naquela noite de Halloween. Ela estava correndo com o seu bebê de olhos esmeraldas quando lançou um último olhar para o seu marido antes dele cair igual uma marionete no Hall.

Ela já estava no quarto quando começou a arrastar móveis para a porta. Harry a olhava com curiosidade e chamou seu pai baixinho. A realidade caiu nela e ela gritou com todos os sentimentos bagunçados dela.

Peter os entregara, Wormtail os entregara para Voldemort.

Wormtail era um animago, ela sabia disso pois James a contara depois de se casarem. James nunca quis contar a forma animaga dos amigos, dizia que eles que iam contar no seu tempo, o que era meio irritante pois já tinha se passado anos e eles ainda não tinha aberto a boca. Ela conseguia ver James rindo e falando que rabos de ratos pareciam vermes. Sua garganta secou. James era a marionete com cabelo bagunçado em que estava jogado no Hall.

Quem era o cachorro? Remus? Não, Remus era o lobisomem que encarava o cachorro preto como se ele fosse o culpado... Black.

Sirius sabia que Peter os traiu, mas todos achavam que o cachorro preto roeu o sapato do morto. Sirius iria atrás de vingança sem se importar onde. Na frente do ministério, numa parte do Beco Diagonal até numa rua movimentada que seria um péssimo lugar para uma emboscada. Um rato passaria com facilidade entre os pedestres e o esgoto...

Lily piscou, quase conseguia ver uma rua totalmente destruída. Merda, ela estava pensando demais sobre aquilo. Ela tinha que manter seu bebê seguro.

Ela pegou Harry mais uma vez, beijando a cabeça do seu lindo bebê por dez segundos quando ele entrou.

As mãozinhas dele não queriam deixar o cabelo dela partir quando Lily o largou com o máximo de delicadeza que podia numa situação de vida e morte como aquela. Se virou para encarar aquele homem, não... monstro que já tinha lutando contra. Ele a mataria naquele momento, sem piedade.

Sentiu a voz falhar ao implorar pela vida do seu garotinho. Seus braços erguidos como a imagem de uma pessoa na cruz. Ela não tinha medo de morrer desde que ele poupasse o seu filho. O monstro insistiu que ela saísse da sua frente.

Como se ela fosse.

Ela faria qualquer coisa para manter seu filho vivo, Voldemort poderia a torturar de mil maneiras diferentes desde que Harry pudesse ficar vivo e feliz. Ela passaria uma eternidade em Azkaban, ela até aceitaria receber o beijo do dementador se isso significasse que Harry estaria bem.

Harry era um dos motivos dela e de James lutarem, um futuro melhor para as suas crianças. Um futuro melhor para a sua pequena esperança, um futuro melhor para o fruto do amor de duas pessoas que se amam tanto, um fruto de amor que se transformou na fonte de amor deles também. Ela protegeria esse futuro com garras e dentes se fosse necessário.

Os olhos furiosos do monstro a olharam e ele levantou a varinha, o seu último aviso pairando no ar.

Lily continuou ali, implorando.

A luz verde saiu da varinha do monstro, ela queria virar a cabeça e ver o seu bebê pela última vez mas ela não teve tempo. Sentiu cada parte do corpo dela cair no chão como seu marido, os olhos verdes abertos encaravam o teto e ela não sorria.

Harry morreria e ela não poderia fazer nada sobre isso.

Notas finais
(NÃO É COMO SE O HARRY TIVESSE MORRIDO MAS ESSES SÃO OS PENSAMENTOS DA LILY NA HORA)
Se quiser perguntar alguma coisa sobre os significados ocultos dos sonhos da Lily, pergunte. Estarei feliz em tirar suas dúvidas :)
(É UM SONHO PROFÉTICO MESMO)
Talvez eu até faça uma continuação.
Não tenho beta, se quiser apontar qualquer erro, ficarei feliz.
Espero que não tenha feito ninguém chorar.
A frase que você acabou de ler é uma mentira.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!