La Fleur Rose.
2 Surpris de se réveiller
“Os braços de meu mordomo eram fortes e ao mesmo tempo gentis... Era reconfortante, e uma paz tomava conta de mim enquanto eu estava com ele. Como se fosse um sonho do qual eu não queria nunca acordar, meu refúgio, minha fortaleza, meu porto-seguro... Meu, e apenas meu Claude Faustus.”
Abri os olhos lentamente, despertando para um novo dia.
Dois braços fortes envolviam-me carinhosamente... Olhei para o lado, e vi Claude. Fitando-me de um jeito diferente... Com um sorriso gentil.
- Bom dia, vossa majestade – Disse ele.
- Você... passou a noite comigo? – Indaguei sorrindo.
- Sim. – Respondeu o homem dos cabelos negros – Você pediu para que eu ficasse aqui até você dormir... Porém, senti receio em deixar-te.Você voltar a ter pesadelos, e não quero que nada incomode o sono de meu mestre.
Pesadelos?
Olhei para minha cômoda, e vi aquela flor cor-de-rosa ainda ali... A flor que perturbava meus pensamentos...
Olhei para Claude e sorri feliz por tê-lo comigo... Feliz por ele se preocupar e passar a noite junto a mim, feliz, pois em sua presença calorosa, aquela flor não perturbava meu consciente.
- Obrigado, Claude – Agradeci abraçando o maior, coisa que nunca faço, afinal; porque eu agradeceria um mordomo? Eles existem para servir, apenas cumprem seu trabalho... Porém, aquele dia foi diferente... Ele fez mais que seu trabalho... Me fez sentir algo diferente... Algo... Que eu não conseguia explicar.
- Não foi nada, minha majestade – Sussurrou ele, acariciando meus cabelos. – Existo para essa finalidade, afinal; para meu mestre, o perfeito não é o bastante.
Estranhei o modo como ele se referiu a mim, porém não me importei muito.
- Claude – Ordenei – Vista-me.
- Yes, your highness – Respondeu ele, desabotoando meu pijama.
Desci as escadas devagar. Aquela felicidade havia acabado não sei ao certo por que... Talvez, o desanimo de começar um novo dia tivesse me entristecido... Um novo dia, sem Ciel.
Minha cabeça doía, e isso me incomodava bastante.Claude não estava mais ao meu lado, ele já havia descido para preparar o café. Lembro de suas palavras...
“Não tenha pressa ao descer, estarei esperando por você, juntamente com uma surpresa.”
Chegando lá, deparei com Claude e Ciel, sentados a mesa, ambos sorrindo.
“O que? Não poderia ser verdade... Poderia?”
- Bom dia, Alois – Disse Ciel ainda sorrindo.
- Bom dia, Vossa Majestade – Cumprimentou Claude, também sorrindo.
- Bo-bom dia... – Respondi corando. Eu realmente não esperava encontrar Ciel ali...
“... juntamente com uma surpresa...”
Então era esta a surpresa que aquele maldito havia mencionado? Pelo jeito, sim. De certa forma aquilo era ótimo... Mas ao mesmo tempo, eu estava sem jeito...Não sabia o que fazer...
Esfreguei meus olhos com as costas da mão e soltei um bocejo.
- Está com sono, Alois? – Indagou Ciel rindo docemente.
- Um pouco – Admiti sorrindo.
- Porque não senta e come alguma coisa? – Sugeriu o garoto. – Provavelmente se sentirá melhor.
- Hmmm... – Respondi pensando – Com uma condição...
- Diga.
- Você também precisa comer – Respondi.
- Mas já fiz meu desjejum – Disse o garoto.
- Não faça cerimônias – Falei – Você deve estar com fome! Vamos, coma alguma coisa.
- Hmmm... – Murmurou ele pensativo – Tudo bem, mas não vou comer muito.
Bati palmas animadas. Uma animação repentina, que havia tomado conta de mim sem nenhum bom motivo.
Pensando bem, a presença de Ciel ao meu lado, era um ótimo motivo para sorrir...
- Claude – Chamei tentando parecer frio – Preciso falar com você.
- Estou aqui, vossa majestade – Respondeu prontamente o mordomo.
- Pode me dar licença um momento, Ciel? – Pedi levantando-me da mesa.
- Claro – Respondeu o menino, pegando um pedaço de mamão com o garfo e colocando-o na boca.
- Venha cá, Claude – Chamei pegando-o pela mão e puxando-o até a sala de estar.
- Quer me dizer alguma coisa, Conde Trancy? – Indagou o mordomo, declarando nada mais do que o óbvio.
- Sim... – Concordei pensativo, apoiando o queixo na mão esquerda – Como Ciel veio parar aqui, Claude?
- Eu apenas obedeci a ordem de Vossa majestade. – Respondeu o homem.
Ordem?
Eu havia ordenado alguma coisa?
- Do que você está falando? – Indaguei sem conseguir me lembrar de ter dado tal ordem.
- Você me pediu ontem à noite. – Sussurrou apenas.
“Traga-o até mim!”
Ele o trouxe... Trouxe meu amado até mim...
- Está feliz, Alois? – Perguntou o mordomo sorridente.
Nunca admitira que um empregado me chamasse por meu nome. Nem mesmo Claude, porém não disse nada.
Minhas relações com ele estavam cada vez mais intimas, o que me deixava um tanto quanto preocupado.
“Daqui a pouco ele vai achar que pode sentar-se a mesa e comer ao meu lado” – Pensei irritado.
- Estou... – Respondi num fio de voz. – Obrigado...
- Estou cumprindo apenas ordens – Repetiu ele – Deixar vossa majestade feliz, é o mínimo que posso fazer. O perfeito não é o bastante para meu mestre.
- Você já disse isso – Repreendi frio, retomando a pose de mestre. – Agora vá bolar frases novas, caso contrário, sua presença acabará tornando-se entediante.
- Yes, your highneass.
Percebi que eu ainda segurava sua mão, logo, a soltei.
Claude tinha de voltar para seu lugar, aquela intimidade tinha de acabar, aquelas coisas estranhas não podia mais tomar conta de mim.
Ele é o mordomo, e eu sou seu mestre, e é esta a relação que mantemos.
Nada, além disso.
Voltaria a conversar sobre isso com Claude, mas antes eu precisava ver Ciel, que me esperava sentado a mesa da sala de jantar.
- Desculpe-nos a demora – Disse entrando no aposento. – Tive que conversar com Claude por um instante.
- Não tem problema, Alois – Respondeu o menino sorridente. – Mas agora, quero que coma um pouco também, afinal; você nem tocou na sua comida.
- Perdão – Respondi posicionando o garfo e a faca entre os dedos, cortando a omelete. – Ando tão atarefado que nem tenho mais tempo para coisas banais.
Claro que era mentira, afinal, que tipo de pessoa atarefada tira uma tarde inteira para recolher flores no parque?
Depois de fazer o desjejum, resolvi convidar Ciel para dar um passeio pelo jardim de flores que eu mantinha na mansão.
- Ciel, você gostaria de me acompanhar? – Convidei – Quero dar uma volta pelo jardim de rosas.
- Eu adoraria Alois – Respondeu sorrindo.
Hesitei em pegar sua mão. Eu realmente queria, mas não teria coragem.
Em resumo, passei o dia todo ao lado de meu amado, sorrindo.
Percebi que ele estava feliz também. Não sei se tão feliz quanto eu... Mas ele parecia estar realmente se divertindo, e isso era importante pra mim. Fazer meu querido Ciel feliz.
Mesmo que eu não o tivesse do modo que sempre desejara, eu o tinha comigo, e cada momento a seu lado era perfeito. A felicidade que eu sentia, não pode ser descrita em palavras, afinal; como expressar aquele sentimento? O amor não é algo tão fácil de explicar... Mas ao mesmo tempo em que eu sorria, sentia uma enorme vontade de me desfazer em lágrimas, ao lembrar de que eu nunca seria mais do que um amigo para Ciel... Afinal, ambos somos meninos... Não que isso importasse para mim mas... O que eu acho é diferente da opinião do resto do mundo. O que aconteceria com o nome dos Trancy e dos Phanthomhive? O que eu sentia parecia ser tão anormal... fazia eu me sentir um monstro...
Claude me preparava para dormir, apesar de eu não ter vontade alguma. Sim, eu estava com sono, mas queria permanecer acordado.
- Claude... Eu não estou com sono –Menti – Não quero dormir agora
- Você teve um dia cansativo, Vossa Majestade – Insistia – Deve dormir ao menos um pouco.
- Então... – Minha voz estava fraca, eu realmente estava cansado. — Fique comigo... Não quero dormir sozinho.
Senti que Claude havia murmurado alguma coisa, algo como “Porque não pede a Ciel?” mas provavelmente eu me enganei. Ele não desafiaria seu mestre desta maneira.
- Yes, your highneass...
E envolto nos braços fortes de meu mordomo, a calmaria tomou conta de mim, confortando-me, me fazendo sorrir docemente.
- Boa noite Claude. – Sussurrei ao perceber que ele havia apagado a vela que segurava, a única fonte de luz que residia no aposento, deixando-nos em um breu completo.
- Boa noite, Vossa Majestade. – Disse ele docemente.
Fale com o autor