O Sonho

Estava em uma sala iluminada apenas pela luz provinda janela, que estava escancarada e exibindo a rua principal mais embaixo, que era idêntica às ruas da Sicília, cidade onde o avô de Federico, Gianfrancesco, nascera. Seu avô sempre teve o costume de narrar suas idas e vindas pela cidade, e devia ser por isso, como os mais nobres especialistas da mente humana imaginariam, que Federico sonhava com toda aquela cidadezinha, que, na cabeça de Federico, mais parecia com as cidades dos filmes americanos, do que com o que seria mais real numa cidade...

Nos sonhos, não existiam mafiosos, crime, nem morte... Apenas uma ameaça que parecia vir de fora. As pessoas, no sonho, falavam sobre os homens que chegariam ali, e, que, certamente mudariam tenebrosamente a paisagem limpa e pacífica da cidade.

Federico, nos sonhos, conversava com aquelas pessoas, e já havia percebido que elas tinham medo do elo que seria perdido entre os habitantes e a sua história, já que tudo poderia ser esperado daqueles homens, já que nada deles era conhecido, e já que os habitantes nunca haviam saído da cidade...

Lá, dentro da sala escura, havia um cervo. Esse cervo vivia naquela cidade há anos, e era alimentado todos os dias por um filósofo que vivia naquela casa. O cervo, de tanto tempo vivendo ao lado daquelas pessoas tão metódicas, já era parte importante da cidade. Mas os homens estavam chegando, e traziam, junto com eles, a ameaça da urbanização... aquela ameaça invisível... a ameaça da morte.

A Guerra

Federico se lembrava com muito carinho dos seus leves e descompromissados tempos de criança, que só eram abalados pelos sonhos...

Ah, aqueles sonhos tão misteriosos que abalavam tão profundamente os fracos nervos de Federico, e que o faziam correr para os braços quentes de sua mãe, que o faziam chorar compulsivamente mesmo sem saber porquê daquilo.

Ah, Federico, aquele garoto fraco! Como um menino tão frágil poderia se guiar no meio daqueles homens de farda e das bombas de alta tecnologia dos norte americanos? Federico tremia só de ouvir falar em bomba. Tinha horror à bomba... Nunca aguentou ouvir um berro da sua mãe, uma festa com fogos de artifício, nada. Mas Federico já era um homem. Um homem de palavra. Ele seria a vergonha da família se fugisse no dia em que fora convocado pelo exército italiano para a Segunda Grande Guerra Mundial. Então, Federico, com sua cabeça latejante e suas pernas falhas, partiu para o ataque.

Ou talvez para sua “perdição”...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.