La Fèe Verte

2 Capítulo 2


Luka acorda, o som pulsante das paredes ainda reverbera dentro de seus ouvidos, havia dormido sentado, os muitos pesadelos que assombravam o interior de sua mente recomeçavam sempre que fechava os olhos para dormir, talvez por isso dormisse tão pouco...

Olhou o relógio na parede próxima, era quase meio dia.

- Droga... – suspirou, colocando-se sentado e torcendo as costas para trás, colocando os ossos de volta em seus lugares.

O ambiente enfumaçado deixava-o com dor de cabeça, as lembranças do passado também.

Até hoje não compreendia por que Cain cedeu-lhe seu sangue assim... Mesmo que... Aquela não tenha sido a única vez...

Olhava para o teto e engolia seco, o sangue de Cain era algo que nunca iria esquecer... Mas também que nunca poderia lembrar totalmente, jurou não ficar trazendo aquele passado de volta... E pretendia honrar seu juramento.

Ele tomou forças e pôs-se de pé, caminhando pelas escadas de uma porta ao fundo do aposento enfumaçado, subindo para o patamar superior, olhando pelo vidro laminado, vendo as pessoas seguindo tranquilamente suas vidas, sentou-se pesadamente na cama, respirando fundo e começando a despir-se, encaminhando-se para o banheiro, onde se afundou até o pescoço em água morna.

- Ah... Minhas costas... – reclamou, sentindo o peso da noite de sono sentado.

Ficou lá... Até que a água esfriasse, quando levantou-se e foi se vestir novamente, sentia as antigas feridas ardendo sob a pele... Atirou-se na cama e ficou, estático como um cadáver... Só mais bonito.

Alexis chuta a porta da frente, jogando as chaves do carro em cima da mesa, o barulho da porta ecoa dentro da mente de Luka algumas vezes, ele solta um gemido irritado.

- Estava aberta...

- Deixei o carro no subsolo. Onde está minha correspondência?

- Na segunda gaveta...

Alexis pega o pequeno maço de cartas, passando-as rapidamente pelos olhos e guardando no bolso do casaco. Jogando-se em uma das poltronas, cruzando as pernas e abrindo uma delas.

Luka suspira e se coloca sentado.

- Olá para você também, irmãozinho. Sim, estou bem, obrigado por perguntar. Sente-se, por favor. Oh, de nada, sempre que precisar.

- Fico feliz em saber. – Alexis diz, simplesmente.

- Quer beber alguma coisa? – ele pergunta, prendendo o cabelo.

- Não prenda o cabelo, ele fica mais bonito solto. – Alexis diz, sem tirar os olhos da correspondência.

- Desculpe, mas isso conta como sim ou como não? – prendeu cabelo ainda assim, ignorando o irmão.

- Estou com dor de cabeça, Luka, não quero nada. – respondeu, dobrando a carta e guardando também.

- Andou passando a noite em claro por conta daquelas suas costuras... De novo?

- Passa o meu tempo durante o dia. – ele responde, jogando o cabelo para trás com os dedos.

- E durante a noite também. Você sabe muito bem que não dorme por conta disso. – disse, com certo desinteresse.

- Gosto de terminar o que começo, e não me atormente, Luka. Minha cabeça dói.

- Não tinha nada de tão urgente na sua correspondência, por que não foi dormir?

- Não queria vir aqui a noite, o barulho me irrita... Não sei como você não enlouqueceu ainda.

- Morei com você por quase mil anos e não enlouqueci, não é algo tão provinciano como música que vai com conseguir.

Alexis suspira. – Existe algo que te proporcione tanto prazer quanto me irritar?

- Não muitas, eu acho.

- Agradeça por eu estar morrendo de dor de cabeça, se não atiraria algo pesado em você. – disse, cobrindo os olhos com os braços.

- Obrigado. – ele ri.

Fez-se silêncio.

Os olhos de aspecto ferino de Luka encaram o irmão por um momento.

- Está mentindo para mim...

- O que? – Alexis olha pra ele.

- Não dormiu por que estava jogando com alguma humana. – disse, parecendo irritado pela omissão de fatos do irmão.

- Não menti. Apenas não desmenti o que você disse.

- Ai, ai... Alexis, por mais que você não acredite, eu não me importo com o que você faz, ou com quem você dorme.

- A questão, meu caro Luka, é que não é da sua conta.

- Outch, como você é insensível irmãozinho... O que eu fiz pra merecer esse tratamento?

- Várias coisas, seu loiro dissimulado e manipulador.

- Tá, tá.. Já entendi. Agora diga o que quer de uma vez, não está ai parado por que gosta de olhar pra mim, fale de uma vez, e eu faço.

- Preciso de ajuda.

- Isso não é novidade.

- Cale-se e me deixe terminar.

- Ui, como estamos mal humorados hoje.

- Vai me ouvir ou não?

- Fale de uma vez.

- Preciso que entregue alguns papeis a Cain, eu não suporto a cara sarcástica dele, e ele parece gostar mais de você.

- Quando se trata dos de Vanice, eles gostam mais de qualquer outra pessoa.

- Não, Cain parece gostar mesmo de você.

- Cain é um cafajeste jogador assim como você. E tem o mesmo olhar predatório que você, mas no caso dele, eu não tenho parentesco algum para me defender.

- Luka, você é homem, eu nunca tentaria nada com você mesmo que nós fossemos estranhos.

- Outra coisa que me defende de você, não sei quais são as preferencias de Cain.

- Ai... Por Deus... Isso vai me render pesadelos...

- Ora, pare de frescuras, você não vai ter pesadelo algum, por que assim que vir sua nova presa, vai esquecer completamente que somos irmãos e se ocupar jogando.

- Você me conhece tão bem, não é mesmo, sr. Dono-da-verdade?

- Já disse, já namorei tipos como você, Alexis. Vocês são todos iguais.

- Não me compare com seus namorados e/ou namoradas.

- Tarde demais.

Um suspiro. – Faça o que pedi e cale-se, Luka.

Alexis coloca-se de pé, pegando a chave do carro e indo para a porta.

- Como quiser, Alexis. – ele suspira. – Deus, quanto mal humor...

Luka se põe de pé, olhando a janela, ainda era dia claro, pegou o celular, ligando para Cain, tinha todos os telefones, já que era secretária do irmão.

- Alô? – a voz suave de Cain responde. – Alexis?

- Não, é a secretária dele. – Luka responde.

- Ah, olá Luka.

- Alexis me mandou entregar uma papelada pra você enquanto ele corre atrás de algum rabo de saia qualquer. – disse, colocando o celular entre o ombro e a orelha.

- Claro, venha quando quiser.

- Eu apenas estava avisando, assim nenhum de seus irmãos idiotas tenta me matar enquanto eu estaciono o carro... E eu digo idiotas com todo o amor do mundo.

- Sei, sei. Assim como digo que acho seu irmão um cretino.

- Algo assim.

- Venha, estaremos esperando.

Luka pega o carro, disparando pelas avenidas até a casa de Cain, ocupando-se em organizar a agenda dos próximos dias, já que não precisava de toda a atenção para dirigir.

Ele freia de súbito, parando dentro da garagem dos de Vanice, saindo e entrando e entrando na casa, não se sentia confortável na presença dos imortais, principalmente dos irmãos mais velhos, o encaravam como se fossem mata-lo, nunca se importou com os olhares dos outros, principalmente por ser um tipo muito peculiar, mas isso nao significava que gostava de olhares mortais.

Cain o encontra na porta, vestido de branco, com seu sobretudo de mesma cor, branco era uma cor muito usada pelos de Vanice.

- Olá Devareaux.

- De Vanice. – ele acena com a cabeça.

- Siga-me.

Ambos atravessam a casa, até o andar de cima, onde ficava o escritório de Cain.

- Penso como seria minha vida se tivesse um gêmeo para explorar como Alexis tem. – Cain comenta.

- Então você consumaria o tipo de cafajeste que é, assim como Alexis fez.

- Outch. Por que me acha o cafajeste? Nunca tentei nada.

- Pois é, às vezes penso que você apenas joga comigo para irritar meu irmão.

- Totalmente infundado, já que nunca joguei com você.

- Você é sempre tão sarcástico?

- E você? – ele ri, cínico.

- Hump.

- Você só está irritado por que eu disse que você parecia uma moça.

Luka cruza os braços, encostando-se na parede e olhando a decoração de cores claras do escritório de Cain.

- Seu escritório é tão insosso...

- Você que é chamativo demais.

- Você não é o primeiro a me dizer que eu pareço uma mulher... – ele suspira.

- Se te incomoda tanto, por que não corta o cabelo? Seria um bom começo.

- Alexis iria me infernizar por semanas...

- Você tem um cabelo bonito, de fato seria uma pena.

- Como você pode ser tão contraditório?

- Por que SOU contraditório. – ele diz, olhando os papeis que lhe foram entregues.

- Cain...

- Hum? – ele pergunta, pegando o óculos de leitura.

- Por que me deixou mordê-lo... Naquele dia... Próximo ao fim da guerra... Aliás, foram duas vezes... Teve aquele incidente na igreja também... Após a morte do meu irmão, Noah.

- É raro ver hesitação em sua voz, filho da noite.

- Meu cérebro não consegue entender.

- Por que gosto de você. – disse, com uma expressão que dizia que era óbvio. – Seria um desperdício deixa-lo morrer. E sem você, Alexis ficaria muito mais insuportável do que ele já é, pois teria que trabalhar de verdade, já imaginou isso?

- Por que gosta de mim? Eu sou o inimigo, eu matei seus ententes queridos... Numa guerra sangrenta.

- Eu também matei os seus. – ele diz, tirando os óculos e assinando alguns papeis. – Você não parece me odiar por isso.

- Você é difícil de odiar... Acho que pelo fato de ser um jogador.

- Fala como se meus jogos o incomodassem ou atingissem. Eu nunca tentei seduzi-lo filho da noite, só o acho interessante.

- Eu não intendo o que “interessante” quer dizer pra você. — disse, rearrumando o cabelo.

- Quer dizer que você instiga minha curiosidade em muitos níveis diferentes. Mas, que nenhum desses níveis nunca seria desfeito, pois você não pertence a um universo que eu possa explorar.

- Não... Pode?

- Não, eu tenho um pacto com a sua raça, nós vivemos nossas vidas paralelas as de vocês. Somos cegos durante a noite, vocês ficam cegos com a luz... Entende como nossas vidas não são compatíveis?

- Entendo. – ele suspira. – Isso quer dizer que eu nunca intenderei você...

- Infelizmente não. – ele diz, estendendo os papeis a ele. – Mas isso não faz com que eu goste menos de você. – ele sorri.

- Você é incompreensível, Cain.

- Talvez por isso você me ache tão interessante.

- Eu nunca disse que o achava interessante.

- Se não achasse, teria esquecido a mordida que me deu há muito tempo.

- Não esqueci por que éramos inimigos na época.

- Ainda somos, mas sob um frágil pacto de paz.

- Me considera seu inimigo?

- Consegue considerar alguém que matou seus irmãos como um aliado?

- ... Não.

- Nem eu. – ele se põe de pé. – Mas seu irmão tem razão, não corte o cabelo, ele é bonito longo.

- Só diz isso por que pareço uma moça. – ele rola os olhos.

- Não, digo isso por que ele realmente é bonito. É difícil aceitar que eu lhe faça um elogio?

- É. Somos inimigos, lembra?

- Só por que sou seu inimigo, não significa que eu seja cego, ou indiferente as qualidades que você possui.

- Você não faz sentido algum...

- Nunca disse que fazia.

- Falar com você faz minha cabeça doer. – ele suspira.

- E por acaso meu sangue tem gosto bom?

- O que? – ele volta seus olhos para Cain, dividido entre choque e surpresa.

- Se você se lembra tão bem, achei que fosse capaz de responder.

- Não... Você não tem ideia de como essa pergunta é delicada.

- Por quê?

- Está me perguntando algo realmente muito obsceno, Cain.

- Estou? – ele parecia confuso.

- Para alguém da minha raça, sim.

- Bem, desculpe, eu não sabia.

- Tudo bem... Não haveria como saber.

Cain possuía olhos dourados e sangue azul, sangue que Luka não esqueceria tão cedo, mas que também não gostava de se lembrar, sangue é algo muito intimo e pessoal, por isso sentia-se tão espantado que o senhor daquela casa tivesse cedido o dele tão facilmente.

- Então me explique, assim eu saberei.

Notas finais
Prontu ^^
Me digam se gostaram, ok? o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.