La Extranjera

8 A Samara vai levar o Mendigo para o poço


Notas iniciais
Oi oi gente... Tudo bem com vocês? Eu acho que não demorei tanto dessa vez...espero que não Tenho que disser que esse capítulo ficou muito fru fru. Desculpa se eu exagerei... O capítulo é regado pela música Burn The Pages- Sia. link pra quem quiser ouvir: (https://www.youtube.com/watch?v=VznorLuugTU) Espero que vocês consigam interpretar a música com os acontecimentos do capítulo. Sem mais delongas. Boa leitura!

Você é cinza escuro como uma nuvem de tempestade

Que aumenta com a chuva

Andei até o portão de ferro e o empurrei, caminhei pelos ladrilhos de pedra até que pudesse pisar na grama. Eu podia ver ele a alguns metros,os cabelos ruivos mais bagunçados do que nunca,o corpo largado no tronco da arvore e os olhos perdidos.

Não tenho a miníma ideia do que poderia ter acontecido com o menino ruivo sorridente que vive me enchendo o saco,mas, aquilo de alguma forma estava doendo em mim também. Não que eu me preocupe,mas me preocupo, de um jeito normal,entende? ahh...é, eu também não...

Que está desesperada para cair

E eu sei que é uma carga pesada

Quando finalmente me aproximei dele,ele simplesmente não percebeu,como se seus olhos estivesse olhando um ponto,mas, sua mente estivesse muito mais longe. Aqueles olhos verdes tão vivos,estavam apagados pela vermelhidão e os lábios que costumam ser tão rosados agora estavam pálidos como a sua pele.

Carregar essas lágrimas por aí

Levando esses temores ao redor

–Lucas..? -sussurrei, me agachando.

Ele pareceu retomar a consciência e me olhou rapidamente e pousou o olhar no céu que estava escurecendo,pelas inúmeras nuvens de chuva. O vento estava aumentando,fazendo as pouca folhas que sobravam na arvore se desprenderem e voarem pelo céu, o resultado desse vento também foi que,o pedaço que estava solto do meu cabelo começou a voar para o meu rosto me fazendo parecer a Samara de O chamado.

Dios mío...

–Oque você quer? -balbuciou,com a voz mais rouca e fraca que o normal.

–Nada,ahh... Você ta bem...? -perguntei,procurando algum vestígio de vida naqueles olhos verdes.

–Porque não estaria...? -ele tentou sorrir,mas saiu de forma fraca,quase imperceptível.

A preocupação faz o mundo girar

Você está entrelaçado como um nó corrediço

–Você faltou a aula... -comecei,me levantando e sentando do seu lado logo em seguida -e esta aqui,sozinho,debaixo dessa arvore,que parece que serviu de forca para alguém...

–Como se você se importasse... -resmungou,direcionando o olhar para o horizonte.

Naturalmente eu não me importaria,é verdade. Mas... eu já estive do outro lado, e de alguma forma estranha e assustadora, eu me importo. Qual é o meu problema?

–Bom,digamos que eu tenha experiencia com arvores forcas -disse,tirando uma folha que tinha pousando em seu cabelo e lhe mostrando.

–Só...só vai embora. -pediu,encolhendo os ombros sem olhar para mim -É só um dia ruim...

Amarrado por um bombado

Que acabou de tomar injeção, e eu sei

–Sinto muito,mais eu não posso. -argumente,simplesmente.

–E porque não,Cristina? -bufou,se virando para mim abruptamente.

–Uma vez... -balbuciei,sorrindo de forma sagaz -Uma pessoa me disse que eu não deveria sair por ai sozinha,sabe, eu só sou uma ''menina indefesa''.

–Então mostre que é capaz,donzela...- murmurou em desdem,com um sorriso torto.

Há um cão faminto puxando suas pontas desfiadas

Mas ele só está brincando com você

Ok,ele que pediu. Mesmo sendo uma tentativa descarada de me fazer ir embora, me levantei devagar -estou ficando velha- e comecei a marchar em direção ao portão,sem falar nada. Recoloquei minha touca de forma que não fizesse meu cabelo voar descontroladamente.

Ele só quer ser seu amigo

Então não se preocupe, não se preocupe

Quando finalmente passei pelo portão,virei em direção a papelaria. É um pequeno duplex,onde o primeiro andar se encontra uma parede de um vermelho vivo,com grafites de pinceis distribuídos pelo vermelho, e podia se ler ''Papelaria e CIA'' em letras bem desenhadas na fachada.

Entrei no local com os olhos bem abertos,brilhando,eu estava hipnotizada; até que um senhor de meia idade me chamou a atenção dizendo um -Boa tarde- de forma animada. Ele possuía os cabelos grisalhos,cobertos por uma boina, um pouco acima do peso, olhos castanhos e um belo bigode.

–Boa tarde- cumprimentei,com um pequeno sorriso.

–Posso ajuda-la? -ele perguntou,apoiando os braços na bancada que nos separava.

–Ahh.. sim -balbuciei,ainda olhando ao redor. — O senhor teria um pacote de papel A4 da opaline?

–Sim,claro. -disse se agachando e colocando vários tipos de papel na bancada,até tirar oque eu queria -Ele é ótimo para desenho,quer alguma caixa de lápis? -ele perguntou,guardando os outros pacotes que tinha colocado na bancada.

–Não,obrigada. -dispensei,pegando um pacote que tinha caído no chão e o entregando para o senhor -Eu gostaria de uma caixa de tinta óleo.

Mi madre quando descobriu meu ''talento'' para desenho,comprou todos os tipos de lápis e pinceis que exitem,então eu não precisaria compra-los por um bom tempo,ela sempre me apoiou para que eu me aperfeiçoa-se. Desenhar se tornou meu refugio...

Estou aqui ao seu lado

Ao seu lado, ao seu lado

–Perfeito. -o vendedor disse,pegando a caixa e colocando em cima do pacote de folhas -Mais alguma coisa,senhorita? -ele sorriu,fazendo as pontas de seu bigode se levantarem.

–Não... -murmurei,olhando ao redor, no caixa a uma pequena vitrine com vários tipos de chocolate,balas e chicletes -Só um chocolate desse. -apontei para a qual eu queria,e ele pegou e juntou com as outras coisas.

–Você já experimentou pintar com spray? é bem mais fácil do que tinta óleo. -sugeriu,colocando as coisas na sacola e me mostrando as latas posicionadas atrás dele,em uma estante.

–Não...Mais quem sabe na próxima vez. -respondi com um sorriso,olhando as varias latas de cores diversas.

Nunca pensei em pintar com spray,mas,vendo aquelas latas brilhantes, a opção pareceu tentadora...

Estamos nos libertando essa noite!

O ontem já se foi e você vai ficar bem

–Ok.. deu R$43,40. -avisou,me entregando a sacola.

Tirei uma nota de 50 reais da carteira e lhe entreguei, quando ele ia me entregar o troco,ouvi um barulho que parecia de um carro derrapando no asfalto,molhado pela garoa. Os pelinhos do meu braço se eriçaram com aquele barulho estridente,peguei o troco e murmurei um ''Obrigada'' indo passar pela porta.

–Volte sempre -ele disse,fechando a caixa registradora -E cuidado lá fora,é muito perigoso -alertou em um tom sussurrado,como se fosse um segredo, apenas acendi e sai do local.

Quando estava fusando a sacola para a achar o meu chocolate,ouvi aquele barulho estridente de novo,só que dessa vez pareceu mais perto. Olhei em direção ao parque,mais exatamente pra arvore em que estava sentada a alguns minutos com o psicopata,ele não estava mais lá. Dei de ombros,continuando a andar enquanto tento abrir o meu chocolate.

Coloque o seu passado em um livro, queime as páginas

Deixe-as cozinharem oh

Um novo barulho, e uma mão segura meu braço. Um frio na espinha paralisou o meu corpo.

Antes que eu pudesse soltar o ar em meus pulmões,Lucas aperta meu corpo contra o seu em um abraço. Ele prendeu meus braços,então eu não consigo empurra-lo ou apenas corresponder...

O ontem já está morto e enterrado, assim como o hoje

Coloque o seu passado em um livro, queime as páginas

Parece um lugar seguro... Acho que meus olhos estavam prestes a saltar para fora de seus lugares e sair rolando pela cidade, o ruivo continuava a me abraçar de um jeito desesperado, ele lançava lufadas de ar,como se estivesse recuperando o folego. Seu coração estava batendo tão rápido que eu conseguia escultar,como se fosse o meu.

Ele desfaz o aperto em meus braços e se afasta um pouco,apenas segurando em meus ombros, solta outra lufada de ar,enquanto seu coração parece voltar aos batimentos normais. Estou me sentindo uma boneca de cera, com uma expressão congelada no rosto, imóvel,apenas segurando a sacola em uma mão e meu chocolate em outra.

–Como você consegue fazer isso comigo? — ele murmura,parecendo procurar a explicação em meus olhos.

–Isso oque...? -pergunto,olhando para ele como se tivesse um pombo dançando macarena em cima da sua cabeça.

Deixe-as cozinharem

Olhos ardendo por causa da fumaça preta

A minha pergunta é soprada para longe com o vento, ele me encara,como se fosse conseguir todas as respostas apenas olhando nos meus olhos. Por fim,suspira,desviando o olhar para a minha boca.

–Eu...ahh.. eu ouvi um barulho estranho -tentou explicar,soltando os meus ombros -e...acho que fiquei meio... preocupado.

–Meio? -perguntei,levantando uma sobrancelha -Como eu vou mostrar que não sou uma garotinha indefesa, se você corre para me ''salvar'' quando escuta um barulho? -completei,fazendo aspas com os dedos e cruzando os braços.

Uma nova esperança

Uma corda solta, que ressurgiu da contracorrente

Ele deu de ombros,olhando para o chão,com um sorriso tímido. Dei meia volta e continuei a caminhar,deixando ele para trás, pelo menos eu pensei que tinha deixado,mas ele estava andando do meu lado,ignorei. Abri o meu chocolate e comecei a comer,quase cantarolando com o doce derretendo na minha boca.

–Hey,eu também gosto de chocolate -resmungou,fazendo biquinho.

–Quem não gosta... -balbuciei,concentrada em saborear o chocolate.

–É... Cris... Me da um pedacinho -pediu com uma voz manhosa,fazendo um sinal de um pouco com os dedos.

–Não -respondi,simplesmente.

Tudo está bem

Damos às boas-vindas ao choro do céu noturno

Quando o doce já estava na metade,o ruivo tomou da minha mão e começou a correr por algumas quadras.

*GILIPOLLAS!

Obviamente fui atrás dele,segurando a minha touca para que não saísse do lugar; quando finalmente consegui alcança-lo,lhe dei um empurrão, que fez ele parar e dar risada da minha cara. Eu tentei pegar de volta o doce,mas, ele levantou a mão a cima de sua cabeça, em direção a rua. Dei alguns pulinhos,nada,bati em seu braço,nada.

–Devolve! Antes que eu acabe com o resto dos seus filhos... -bufei,o olhando com uma expressão ameaçadora, oque só fez ele rir.

Que me aceita de forma pacífica

Segue meu coração lá no fundo

–Mas ta tão bom... -balbuciou,dando uma mordida enorme no chocolate e fechando os olhos — Alias, você fica muito linda bravinha. -abriu um olho e sorriu para mim.

–Se você não parar de sorrir e devolver o meu chocolate,eu vou quebrar seus dentes. -resmunguei,tentando pegar,mais uma vez.

Ele ameaçou dar outra mordida,mas, como um raio, um homem passou e tomou o chocolate de sua mão. Ficamos olhando pasmos,o mendigo sair correndo dando uns pulinhos e gritando ''HOJE TEM SOBREMESA!''

–Ahh... Desculpa, eu compro outro para você... -ele disse,olhando o mendigo se distanciar.

Eu não sei se choro,se mato o Lucas ou simplesmente saio correndo atrás do mendigo. Atravessei a rua e comecei a andar em direção ao prédio,quando senti uma gota cair na minha bochecha,depois outra gota no meu nariz e outra na minha mão até que começasse a chover pra valer.

Então não se preocupe, não se preocupe

Estou aqui ao seu lado

Todas as pessoas ao meu redor abriram seus guarda-chuvas em sintonia,ou começaram a correr para lugares cobertos. Apenas continuei a andar tranquilamente,enquanto a chuva molhava meus cabelos semi-cobertos e meu corpo,pode parecer loucura,mas,nem a chuva daqui é igual a da Espanha...

–Você quer ficar doente...? -Lucas resmungou,ao meu lado, com os cabelos molhados grudados na testa,fazendo ele semicerrar os olhos.

–Não,só gosto da chuva...-digo,sorrindo.

Ao seu lado, ao seu lado

Estamos nos libertando essa noite!

–Sabia que sua boca ainda ta suja de chocolate? -ele sussurrou,com um tom rouco,e eu dei de ombros.

Antes que eu pudesse limpar a minha boca,o ruivo psicopata passou o dedo polegar pelo meu lábio inferior até o canto da minha boca,de forma tão suave que fez os pelinhos da minha nuca se arrepiarem,depois de aparentemente limpar o doce,ele colocou o dedo na sua boca,o chupando. As pupilas de seus olhos estavam maiores,enquanto os cantos da sua boca se curvaram em um pequeno sorriso.

O ontem já se foi e você vai ficar bem

Coloque o seu passado em um livro, queime as páginas

–Realmente tem um gosto muito bom...-murmurou,em um tom quase inaudível,mordendo o dedo.

–Você estaria tentando me seduzir,Sr.Lucas..? -sibilei,levantando uma sobrancelha com um sorriso torto.

–Talvez...-disse olhando para os meus lábios.

Deixe-as cozinharem oh

O ontem já está morto e enterrado, assim como o hoje

–E isso já funcionou com alguém? -perguntei,sorrindo em desdem -É claro,com exceção do Gustavo.

–Não sei... eu ainda tô experimentando... -sussurrou com o tom rouco,mordendo o lábio inferior.

Coloque o seu passado em um livro, queime as páginas

Deixe-as cozinharem

Notas finais
*Gilipollas significa babaca. Uiiii.... Eae? gostaram? odiaram? pombos dançam macarena? qq Oque vocês acham que vai acontecer no proxímo capítulo? Eu espero conseguir postar o proxímo antes de voltar as aulas...ahh ~Cara de sofrimento~ Quem puder ou quiser comentar,favoritar e acompanhar eu simplesmente vou adorar... Enfim...qualquer erro me avisem (ninguém nunca avisa) Obrigada e beijins de luz! ~Sai divosamente~