La Donna

2 Capítulo II


Notas iniciais
Olá, gente. Espero que gostem muito desse capítulo eu fiz com muito amor! Mil perdões pela demora, mas fiquem tranquilos que vou começar a postar mais frequentemente. Fiquem acompanhando porquê só tá começando. ❤Beijinhos, pettitzjm.

No caminho para casa eu me senti relativamente péssima. Era pra eu estar animada, ou até mesmo feliz, mas não queria nem ouvir falar de máfia.

Matteo estava sentado ao meu lado no banco de trás, provavelmente percebendo o incômodo que eu estava sentindo com o assunto de Geovani e Francesco. Eu, provavelmente, nunca ficaria obcecada nesse assunto a ponto de falar só disso.

De repente eu me desligue de tudo aquilo. Pode ter sido por sentir Matteo afastar meu cabelo dos meu ombro e deitar sua cabeça nele de forma estratégica o bastante para sua respiração tocar meu pescoço, me fazendo arrepiar. Ou a forma que, depois de pegar minha mão, fez a ponta de seus dedos deslizar pelo meu braço.

Foi assim por todo caminho. Eu estava no meio de um assunto um tanto estressante, mas o silêncio dele, o toque dele, me traziam uma sensação de relaxamento imediato.

Obviamente o jantar de comemoração por tudo ter dado certo foi na minha casa. Mamma estava feliz. Era claro e talvez até palpável. Mas não era só felicidade. Alívio talvez?

Enquanto Luna e Valentina brincavam no quarto de Valentina e mamma e zia Geovanna conversavam na sala de jantar, eu e Nicola lavamos a louça. Nicola lavava e eu secava. Me posicionei em um lugar que eu poderia ver Matteo sentado vendo futebol junto com seu pai e Geovani.

Ora ou outra me pegava admirando sua apreensão para a TV.

— Então... — começou Nicola, fazendo com que eu olhasse pra ele, tirando a atenção de Matteo. — Quem foi na reunião?

O sorrisinho malicioso que ele dava, enquanto me olhava como se fosse uma pergunta inocente me fez ter certeza rapidamente de quem ele estava perguntando em específico.

— Lógico que Pietro foi. — sorri dando os ombros a ele e me sentando na bancada da cozinha.

Olhei pra sala observando Matteo morder o lábio inferior de apreensão. Amava quando ele fazia isso.

— Na verdade, foi bem difícil me concentrar, sabe?

— Lógico que foi. Você tem dois olhos, mas não dá pra olhar para Pietro e Matteo ao mesmo tempo.

— Infelizmente. — disse fazendo uma cara de falsa pena.

— Por isso, que Pietro deve ser meu. Cada um com um. — Nicola deu uma risadinha com uma cara de convencido. Como se vencesse algo.

— Pietro não é de ninguém. E ele é praticamente como um irmão. — dou ombros terminado de secar um prato.

— Você fica com o meu e eu fico com o seu, capiche? — diz dando uma piscadela pra mim.

— Non capicho. — digo batendo com o pano de prato em seu braço e dando uma risada.

Quando terminou o futebol Nicola e Matteo imploraram para zia Geovanna para ficar na minha casa pra assistir filme. Depois de muita insistência, até de mamma, ela cedeu e deixou os meninos ficarem e até dormir, mas eles teriam que ir em casa, o que me deu um ótimo tempo para um banho relaxante.

Foi como relembrar a infância minha e de Matteo. Um colchão no chão com muitos cobertores e travesseiros, vestindo nossos melhores pijamas como se fossem fantasias de super-heróis. Mamma fez pipoca e alguns petiscos para beliscarmos durante o filme de terror, que inclusive fez Nicola pular dezenas de vezes.

Durante o filme senti Matteo dando a mão pra mim. Eu queria talvez zoar ele um pouco, por parecer com medo, mas não o fiz. Vai que ele tirasse a mão dali e minha paz acabasse?

Quando o filme acabou eu era a única acordada.

Nic estava de costas pra mim todo encolhido. Matteo estava deitado de lado, de frente pra mim.

A luz da televisão iluminava o rosto dele parcialmente. Apesar de não poder ver seus lindos olhos âmbar, ele era mais bonito dormindo calmamente. Isso me fez vontade de tocar seu rosto e eu apenas o fiz. Eu senti sua pele sob meus dedos e o arrepio, como eletricidade percorrer meu corpo. Me contive pra não beijar seus lábios e deixá-lo descansar.

Não demorou muito até eu cair no sono e, sinceramente, também não demorou muito até eu acordar com Matteo me chamando baixinho acariciando meus cabelos.

Era impossível não acordar com um sorriso no rosto e com um bom humor.

Durante o dia resolvemos algumas coisas em casa. Por exemplo, eu deveria ter um escritório em casa e então arrumamos o escritório do primeiro andar pra ser o meu. Pelo menos até termos mais tranquilidade para entrarmos no escritório de papa que ficava do lado do meu quarto no andar de cima.

Depois de muito tempo resolvi abrir minhas cortinas e arrumar meu quarto. Enquanto eu o arrumava desviava o olhar muitas vezes para o quarto perfeito e meticulosamente arrumado de Matteo.

Depois vi que ainda tinha um tempo para dar uma corrida rápida. Tomei um banho rápido e vesti uma roupa confortável. Peguei meu iPod e deixei meu celular em cima da cama. Ao chegar no andar debaixo reparei que estava sozinha em casa, provavelmente aquela era a hora do ballet de Valentina. Me alonguei rapidamente e me pus a correr pelas ruas e ruelas da cidade. Músicas das mais diversas explodiam em meu ouvido me fazendo correr com toda minha vontade. Só quando reparei que já estava quase escurecendo voltei para casa.

Ao chegar em casa vi mamma andando de um lado para o outro da sala de estar. Ela começou a falar nervosa e eu não entendia nada, a música estava alta, mas tinha certeza que ela estava me acusando de algo.

Ao tirar o fone ouvi mil acusações e apenas fiquei parada olhando sem entender para mamma que apenas falava e falava irritada.

— Você é igualzinha ao Manuel.

Ao ouvir ela dizer isso apenas dei uma risada e me virei indo para a cozinha.

— Quem me dera. — disse abrindo a geladeira e retirando uma garrafa de água.

Ao fechar a geladeira a vi me olhando com ódio. Eu fiquei assustada, mas dei uma risada.

— Você acha graça, não é? Quero ver achar graça de castigo.

Bebi minha água e olhei pra ela revirando os olhos.

— Esse surto aí, é por qual motivo?

— Você não pode sair de casa sem avisar, sem celular. E se alguém raptar você?

— Eu sei me proteger, fica tranquila.

Me virei indo em direção das escadas pra ir tomar um banho.

— Você está proibida de sair de casa sozinha. Você só vai sair daqui dessa casa acompanhada de alguém. — Mamma gritou da sala e eu respirei fundo. Eu entendia a preocupação, mas achava desnecessário o drama. Me virei para ela e fiquei em silêncio e observando ela andando até mim.

— Você não vai sair dessa casa sozinha e sem avisar. E só sai se eu permitir.

Eu me senti irritada. Desci as escadas que já havia subido e a vi ficar frente a frente comigo. Respirei fundo e a olhei de forma séria.

— Você é minha mãe, eu te respeito mas você não tem o direito de me proibir a nada. Se eu quiser eu saio, agora mesmo e você não tem direito de me proibir.

— Você não tem direito de nada. — disse Anna gritando.

— Veremos se não. — disse com cara de debochada e apenas senti a mão de Anna batendo contra meu rosto.

Um ódio se apoderou de mim, mas eu apenas sai para o quarto. Bati a porta com bastante força. Tomei um banho rápido e vesti uma roupa qualquer, peguei meu celular em cima da cama.

Desci até a sala, passando reto por Mamma que estava ali. Ao sair de casa fui andando até chegar a uma rua e então mandei uma mensagem para Pietro perguntando se ele poderia me encontrar.

Não demorou muito até Pietro me pegar na rua, me levar ao café e saber de tudo que estava acontecendo. Ele estava de frente pra mim e se vestia sempre do mesmo jeito e eu achava perfeito. A calça jeans, a camisa branca e a jaqueta de couro sempre combinavam e deixavam ele com o ar de garoto mal. Ele estava sentado na minha frente e eu via sua boca se mexer mas não prestava muito bem atenção no que ele dizia.

— Entendeu?

Balancei a cabeça negativamente afim de afastar os pensamentos sobre ele na minha cabeça.

— Não muito, desculpa, eu estava pensando em tanta coisa.

Na verdade em você, sem dúvidas era o que minha cabeça respondeu.

Pietro tocou meu antebraço direito e passou seus dedos lentamente até chegar a palma da minha mão.

— Estamos todo preocupados com você, minha piccola.

Ele juntou minha mão a ele e deu um beijo nos nós de meus dedos.

— Eu sei, meu anjo. — disse debochada chegando um pouco mais pra frente, ficando um tanto próxima e então falei sussurrando. — Mas eu sei me cuidar, esqueceu?

Dei uma piscadela voltando a me sentar direito.

Vi Pietro se endireito em sua cadeira mordendo o lábio inferior e sorrindo pra mim. Ele abriu a boca pra falar algo, mas mudou de ideia apenas respirando fundamente.

— Acho que você tem que pensar em guarda costas.

A fala de Pietro me fez revirar os olhos e dar uma risada.

— Pra quê? Nem meu pai tinha.

Pietro ponderou por alguns instantes e pareceu se render.

— Pode ser que seja um exagero mesmo.

Ainda ficamos ali conversando sobre várias outras coisas relacionadas a máfia e como eu teria que me comportar. Minhas redes sociais, já pouco movimentadas foram excluídas por questão de segurança.

Não demorou muito até irmos embora. Pietro insistiu para me deixar em casa, mas eu queria caminhar.

Ao chegar na frente da minha casa olhei pra ela. Não tinha vontade de entrar. Eu continuei caminhando por um tempo.

Poucas ruas depois da minha casa havia um lugar que eu tinha o costume de ir com papa. É um lugar bonito com uma árvore frondosa, que rendia uma boa sombra durante o dia, e uma vista espetacular para o mar.

Sentei debaixo da árvore e olhei pro horizonte, para o mais longe que podia olhar. Deixei meus pensamentos vagueando sob as estrelas. As lembranças vieram, com toda clareza.

— Mas você é muito teimosa mesmo. — Papa se referia a uma discussão que eu havia tido com mamma. — Você puxou a mim, não podemos negar.

Eu dei uma risadinha.

As pessoas sempre diziam isso pra mim: o quanto eu havia puxado o meu pai e isso pra mim, com certeza, era uma honra.

— Você sabe, não sabe?

Olhei pra ele com olhos curiosos.

— O que?

— Que ela só está preocupada.

Revirei os olhos me voltando a vista espetacular que aquele dia me proporcionava.

— A cor desse mar sempre me lembrou a cor dos seus olhos. E o mar me lembra você. — olhei atenta para Manuel que olhava para o mar. — Você tem esses olhos claros que, assim como o mar, dá a impressão de que só de olhar a gente conhece inteiro.

— Como assim? — perguntei um tanto curiosa enquanto papa me abraçava e beijava o topo da minha cabeça.

— Você tem muita coisa nessa cabecinha que ninguém nem imagina.

Dei ombros. Realmente isso era verdade. Eu tinha coisas na cabeça que ninguém entendia.

Pensando bem, na verdade nem eu entendia.

Eu apenas sorri com o pensamento. Eu só lembrei o quanto minha mãe brigava comigo por preocupação.

Era estranho ver como as coisas mudaram draticamente em alguns meses, mas ao mesmo tempo não mudaram nada.

Depois de um curto tempo fui para casa, sentindo uma brisa gelada, arrependida por ter esquecido o meu casaco.

Quando cheguei em casa reparei que mamma estava na sala vendo televisão, provavelmente Luna estava brincando no quarto dela.

Caminhei até o sofá e me sentei um tanto próxima a mamma e limpei a garganta.

— Quero te pedir desculpas.

Anna se virou pra mim, e abaixou a televisão me olhando nos olhos de forma curiosa me esperando terminar.

Ela realmente tem olhos que intimidam. Por um curto tempo me arrependi de ter dito algo, mas os brincos dela me chamaram atenção. Eram os brincos que meu pai havia dado a ela a um tempo. Pra mim foi como um sinal de que eu deveria continuar, de que eu deveria falar.

Respirei fundo e a olhei nos olhos, mas não com os olhos cheios de acusação como os dela.

— Eu me comportei de maneira péssima hoje.

Sua expressão ainda estava dura, mas seus olhos estava mais suaves sobre mim.

— Eu não acho que tenha necessidade de você se preocupar. Eu sei que é uma coisa nova, eu também tenho medo, mas poucas pessoas sabem que estou à frente da Nostra Famiglia.

Um silêncio incômodo e infindável se instalou. Pareceram horas quando só se passaram segundos.

— Quero estabelecer regras. — disse Anna. — Quero que ande com o celular e atenda quando eu ligar. E avise quando sair.

Afirmei levemente com a cabeça.

— Justo.

Me levantei do sofá e passei por mamma que tocou minha mão me fazendo virar pra ela e a olhar.

— Só tome cuidado.

Abri um sorriso pra ela.

— Cuidarei de mim, você e Valentina. — disse dando um beijo em sua testa.

A noite foi irritante, regida por pesadelo e longos momentos em claro. Horas e horas olhando o celular, tentando ver se a hora passava, mas nada. Antes do sol nascer levantei pra caminhar.

Na cozinha deixei um recado pra minha mãe avisando que iria correr um pouco e tomei uma xícara de café bem forte para me despertar.

Na corrida senti a brisa gelada bater contra a minha pele e então me senti viva. Senti meu coração bater, a vida acontecer.

Não demorei muito para voltar para casa, ainda a tempo de Valentina acordar e tomar café da manhã com ela.

— Bom dia, amore mio. — mamma entrou animada na cozinha.

Valentina estava vestindo seu pijama, sentada no balcão e eu estava passando Nutella no pão dela.

— Bom dia, mamma. — disse animada pegando um pouco de café para ela. — O que temos para fazer hoje?

— Valentina e eu temos várias coisas, você tem o seu primeiro dia no trabalho. — mamma sorriu levando a xícara a boca.

Meu primeiro dia...

Notas finais
Hey! Diga o que acharam do capítulo, isso me motiva a continuar escrevendo ^-^ Ah e gostaria de convida-los a dar uma olhadinha no Canal de La Donna no youtube :) https://youtu.be/4BT-Jtu__Ac
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.