La Belle De Jour

1 la belle de jour


Notas iniciais
Algumas palavras e os significados:

Queixar: dar em cima
Abestalhado: tolo, bobo;
Qrregar: desistir, amarelar.

la belle de jour...

Harry Potter estava perdido. Terrivelmente, loucamente, incontestavelmente perdido.

E apaixonado por Ginny Weasley.

Fazia exatos vinte e oito minutos que estava ali, sentado na areia da praia de Boa Viagem, fingindo que escutava Ron Weasley falar quando, na verdade, encarava a irmã mais nova do melhor amigo que dançava a alguns metros de distância.

Era de deixar qualquer um de boca aberta o quão perfeita a ruiva ficava naquela luz, dançando e rindo feliz. O pôr do sol dava um tom ainda mais alaranjado aos fios ruivos e a forma como ela se movia, ainda mais bela naquela iluminação natural, parecia tão feliz que seu corpo parecia brilhar.

Foi ali que Harry percebeu que estava apaixonado e perdido.

Já desconfiava há um tempo que não via Ginny apenas como a irmã mais nova do seu melhor amigo, mas sim como uma mulher deslumbrante. Se pegou várias vezes olhando pra ela, imaginando como seria tocá-la. Mas tinha dito para si mesmo que não era nada demais.

Porém, os últimos minutos que Ron tinha passado falando e que ele não tinha conseguido entender nada, havia sido bem esclarecedor.

A vontade de Harry era levantar e ir até Ginny, chamá-la para dançar num aconchego e quem sabe até se declarar. Faria isso? Definitivamente não. Eles construíam uma amizade há pouco tempo, passavam até alguns momentos conversando quando estavam na Toca — casa da família dela — e Harry não queria correr o risco de estragar isso. Além de imaginar que Ron, ciumento do jeito que era, levaria um bom tempo para aceitar. Se é que aceitaria.

— Potter. — Ron chamou, dando um leve tapa em sua cabeça.

— O que é? — Resmungou olhando pra ele.

— Tô te chamando faz um tempão. — O ruivo revirou os olhos. — Quê que cê tá olhando, hein?

— Nada. — Respondeu rápido. — Só olhando o povo dançar.

— Tu não ouviu nadinha do que eu disse, né? — Ron suspirou.

— Não. — Confessou. — Tava distraído. Repete.

— Tava perguntando se você acha que eu deveria queixar a Hermione.

Olhou para a amiga dançando com Viktor Krum, um gringo da Bulgária que estava fazendo intercâmbio na faculdade deles e com quem a amiga tinha uma amizade — quase um namoro, mas eles não se chamavam assim ainda.

— Ela tá com o Krum… — Olhou para Ronald de novo. — Eu não iria. — Deu de ombros.

— Você é muito frouxo, Harry. — O amigo revirou os olhos e levantou. — Vou lá, me deseje sorte.

Harry murmurou apenas "boa sorte”, pensando que Ronald realmente precisaria de sorte para não apanhar de Hermione. Suspirou e voltou a olhar para frente, esquecendo o drama do amigo e focando no seu. Ginny dançava ao som de La Belle De Jour, de Alceu Valença, e parecia ainda mais feliz. Aquela música parecia ter sido feita especialmente para ela. Para ele, e provavelmente para mais da metade das pessoas que estavam na praia — ou que sequer cruzaram o caminho da ruiva-, ela era a mulher mais bonita da cidade.

Levantou quando a música acabou, suspirando e foi até um quiosque. Pediu uma água de coco e se encostou, olhando pra pista de novo.

— Limpa a baba, Potter.

Cho Chang, funcionária do quiosque, disse com um sorriso no rosto. Ela era sua colega de faculdade e também ex-namorada. Eles não tinham durado muito, mas Harry tinha um carinho enorme pela mulher.

— Que baba, Chang?

— Essa aí. — Apontou para seu queixo. — A Ginny vai ficar seca de tanto que você encara ela.

Suspirou e pegou o coco que ela tinha estendido. Bebeu um gole antes de virar pra ela.

— Eu tô fodido, Cho. — Suspirou de novo. — Tô apaixonado.

Era esquisto, mas bom admitir isso em voz alta.

— E só percebeu agora? — Ela ergueu uma sobrancelha, sorrindo.

— Pode parar de me zoar, por favor? Já tô na merda.

— Tá nada, larga de drama. — Cho revirou os olhos. — Vai lá e fala com ela. Confio no seu potencial, potinho.

— Hmn, dispenso, não vai rolar. — Negou com a cabeça. — Melhor deixar quieto e logo passa.

— Então tá, continue aí sofrendo. — Chang deu de ombros e se afastou, voltando ao trabalho.

Continuou de costas pra praia, olhando para uma mancha no balcão enquanto pensava. Por conta disso, obviamente não viu Ginny se aproximando e estava completamente despreparado quando ela parou ao seu lado com o sorriso maravilhoso de sempre.

— Oi, Harry. — Ginny cumprimentou.

— Ginny. — Suspirou, deixando os olhos passarem pelo corpo dela coberto apenas pelo biquíni. — Oi, tudo bem? — Acrescentou rápido, tentando manter a voz normal e voltando a olhar pro rosto dela.

— Sim, tô me divertindo demais. Amo essa praia. — Se é que era possível, ela ficou ainda mais bonita falando daquele jeito animado. — E você? Te vi com o Ron e depois cê sumiu.

Então ela tinha visto ele a encarando o tempo inteiro? Bom saber que ela provavelmente achava que ele era um maluco.

— Ron foi atrás da Mione e eu fiquei com sede. — Deu de ombros, tentando parecer casual.

— Ronald ainda tá atrás da Mi? — Ginny suspirou. — Já mandei ela deixar ela em paz que ela tá com o Viktor.

— Também já avisei, mas o abestalhado não quer ouvir. — Revirou os olhos, pensando na teimosia — quase insuportável — do amigo.

— Daqui a pouco ele desiste e vai encher o saco de outra pobre coitada.

Harry riu, sendo acompanhado por Ginny. A mulher virou pro quiosque e pediu um refrigerante para Cho, dando tempo de Potter admirá-la de mais perto. Podia ver com clareza quase todas as sardas que cobriam o rosto da mulher, sua vontade era se aproximar ainda mais, mas não faria isso. Preferia aproveitar daquela distância do que fazê-la correr para longe.

— Então você tá sozinho? — Ginny perguntou de repente, tirando-o dos pensamentos.

— É, sozinho e abandonado. — Respondeu depois de alguns segundos processando.

— Pois somos dois. — Weasley se virou, encostando as costas no balcão do quiosque e olhando para a praia.

— Achei que tava com seus amigos.

— Eu tava, mas eles foram ficar de casal e me deixaram. — Harry baixinho quando a ruiva revirou os belos olhos azuis e fez biquinho.

— Ficar de casal? — Perguntou, olhando para ela.

— É. Nev e Hannah tão começando o namoro e tão naquela fase insuportável de beijos e amassos o tempo todo. — Fez uma pausa para beber um gole do refrigerante. — E a Luna encontrou com a Katie.

— Katie Bell? — Franziu o cenho. — Nem sabia que elas se conheciam.

— Pois, se conhecem e estão tendo um lance. — Ginny olhou para ele. — E eu fiquei abandonada.

— Você não tem mais ninguém? Não quer ficar com mais ninguém?

— Tem meus irmãos, mas não quero, obrigada. — Riu. — Até poderia ir procurar alguém, mas não tô com saco. E agora achei você.

Ela sorriu de lado e piscou. O que, obviamente, desconfigurou Harry inteiro e levou segundos para ele processar e conseguir responder.

— Eu? — Perguntou pateticamente.

— Você. — Ginny riu baixinho. — A não ser que não queira me fazer companhia, Harry. E tá tudo bem se não quiser.

— Eu quero. — Respondeu rápido. — Quer ir pro mar?

— Agora? — Ela perguntou e ele assentiu em resposta. — Mas deve tá fria.

— Tá não. Vamos logo, Weasley. — Sorriu pra ela. — Ou vai arregar?

— Vamos logo, Potter.

Ginny deixou o refrigerante no balcão e segurou sua mão, puxando-o em direção ao mar. Seguiu ela, aproveitando o toque de suas mãos. A dela era pequena e encaixava perfeitamente na dele. Balançou a cabeça, afastando esses pensamentos de bobo apaixonado. Entraram na água e Harry percebeu que Ginny realmente tinha razão, estava fria.

— Mais para o fundo? — Perguntou.

— Devo te lembrar que eu não sei nadar? — Ginny riu baixinho. — E eu não sou exatamente alta.

— Não vou deixar você se afogar, Gin. — Riu. — Vamos até onde você dá pé.

Ela assentiu e eles entraram mais no mar, parando quando a água alcançou a altura da cintura dela.

— Não me solte, por favor. — Ginny pediu.

Apertou mais a mão dela e sorriu. Weasley sorriu de volta antes de fechar os olhos e tapar o nariz com os dedos. Com o cenho franzido, Harry observou a mulher afundando na água até cobrir a cabeça e depois se erguer, segurando a mão dele ainda mais firme. Ginny passou a mão pelo rosto para afastar a água e o cabelo.

— Tudo bem?

— Sim, obrigada. — Ginny sorriu para ele.

Potter a observou e, sem conseguir se conter, se inclinou e afastou os fios ruivos do rosto dela. Fez carinho na bochecha antes de tirar a mão.

— Obrigada de novo, Harry.

Apenas sorriu para ela e se forçou a desviar o olhar. Ficaram em silêncio por um tempo, apenas aproveitando a água. Pelo menos até Ginny jogar água em seu rosto. Se virou para ela, surpreso.

— Quer guerra, Weasley? — Ergueu uma sobrancelha.

— Sabe que eu gosto de uma boa competição, Potter.

Não precisou de mais do que isso para Harry jogar água de volta. Ginny atacou novamente, fazendo-o revidar. Harry começou a correr para sair do mar com Ginny atrás de si, jogando o máximo de água que conseguia, enquanto ele se virava parcialmente para molhar ela antes de voltar a correr.

Se virou para ela quando estava na parte rasa e foi surpreendido por Ginny se jogando em cima dele. Provavelmente, sua intenção era se jogar nas costas dele, mas Harry se virou exatamente na hora. Os dois caíram na areia, ela por cima do homem.

— Desculpa. — Ginny disse em meios as risadas altas.

A risada de Harry morreu quando percebeu quão perto estavam. Weasley tinha se apoiado em seu peito e seus rostos estavam separados por apenas alguns centímetros, o resto do corpo colado e as pernas entrelaçadas. Potter suspirou, observando ela. Seria muito fácil erguer um pouco a cabeça e beijá-la, tomar os lábios avermelhados e rodeados por pequenas sardas para si. Seria muito fácil colocar as mãos nos fios ruivos e beijar Ginny com todo desejo que tinha dentro de si.

Mas seria muito fácil estragar tudo. Acabar com a amizade que estavam desenvolvendo, com a amizade que ele tinha com a família dela.

Felizmente — ou infelizmente, depende do ponto de vista -, Ginny se ergueu, ainda rindo, e estendeu a mão para ele.

— Levanta, Harry. — Sorriu para ele.

Aceitou a mão dela e levantou. Deixou que a ruiva a guiasse até onde os irmãos dela e os amigos dos dois haviam se reunido. Ginny soltou sua mão no meio do caminho, deixando a sensação de vazio em Harry.

Pelo resto da noite, Potter se dividiu entre admirá-la discretamente e pensar em se declarar.

... era a moça mais linda de toda a cidade.

Um ano depois, Harry ainda estava apaixonado.

Em segredo, é claro. Quase ninguém desconfiava que ele nutria sentimentos por Ginny — apenas Cho, que sabia desde o começo, e Hermione, que era esperta demais para não descobrir. Apesar de achar que estava um tanto quanto óbvio, já que ele não era a melhor pessoa disfarçando, nem mesmo Ginny parecia desconfiar.

Ainda se lembrava de quando percebeu que estava apaixonado. Se lembrava de observar Ginny dançando, de admirar os tons ainda mais laranjas em seu cabelo com o pôr do sol, do modo que seu corpo se mexia e como ela parecia brilhar.

Durante o ano que se passou, os dois tiveram muitos momentos juntos. Harry passou o verão inteiro na Toca, casa dos Weasley, e eles tinham se divertido demais. Os dois descobriram que ambos gostavam da madrugada e de observar as estrelas, sentados na varanda dos fundos. Passaram quase todas as noites assim, jogando conversa fora até que o sol nascesse e eles fossem descansar um pouco. Depois de um tempo, a rotina se tornou cansativa, já que mal dormiam, mas nenhum dos dois desistiu.

Também passaram o carnaval juntos e com os demais amigos. Harry quase enfartou cada vez que Ginny aparecia com uma fantasia mais reveladora e bonita do que a anterior e era um esforço gigantesco não babar enquanto a olhava. Principalmente quando a ruiva dançava.

Por Deus, Ginny Weasley já era uma tentação apenas respirando, dançando funk era quase o pecado em pessoa.

Infelizmente, as aulas começaram e eles passaram um tempo praticamente sem se ver, apenas se esbarrando nos campus da universidade raríssimas vezes. Se viram na páscoa, para o almoço que suas famílias faziam juntas, e então só se viram no São João. Foram para as festas com os amigos, mas parecia que haviam ido sozinhos. Enquanto Neville e Hannah e Hermione e Viktor eram casais assumidos, Ron e Lavender e Luna e Parvati — a nova ficante da loira — eram casais não-assumidos, Ginny e Harry eram definitivamente um não casal que parecia um casal. Harry perdeu as contas de quantas vezes alguns caras perguntavam se Ginny era sua namorada ou pessoas que elogiavam eles dois, dizendo que formavam um casal lindo.

No último caso, Ginny apenas ria e o puxava para mais perto, agradecendo. Não se orgulhava de dizer isso, mas Harry aproveitou os momentos, abraçando a ruiva e inspirando seu perfume. Enquanto dançavam, La Belle De Jour tocou e Harry, em um momento de coragem, disse que aquela música era dela. Ginny apenas riu e agradeceu, continuando a dançar. Potter queria dizer mais, mas permaneceu calado, aproveitando o que tinha naquele momento.

Depois disso, passaram um longo tempo sem momentos como aquele, mas trocavam mensagens e faziam ligações o tempo todo. Ron tinha enchido o saco durante meses por causa da amizade deles, mas no final acabou aceitando e deixando para lá. Após um natal e um ano novo em família, com Harry disfarçando seus sentimentos pela milésima vez, eles estavam ali.

Na praia de Boa Viagem, num domingo de janeiro, perto do pôr do sol, Ginny dançava ao longe enquanto ele a admirava.

Ginny Weasley estava ainda mais bonita. E ele ainda mais apaixonado.

Desviou o olhar para o palco montado na parte mais alta da praia, em que um homem desafinado se declarava para uma mulher que o olhava da beirada do palco. O luau havia começado há alguns minutos e ele já era o segundo se declarando. Potter suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Deveria seguir o exemplo e ir lá se declarar, Harry.

A voz de Hermione Granger o assustou.

— Obrigado pelo susto. — Disse, se virando para olhá-la.

— Disponha. — Granger sorriu. — Agora para de desviar do assunto.

— Não tô desviando de nada. — Deu de ombros.

— Tá sim. — A mulher revirou os olhos. — É sério, Harry. Não quero pressionar você, mas me dá dó te ver com essa cara de cachorro triste olhando para Ginny. Não tem porque não se declarar.

— Tem sim, consigo pensar em muitos motivos. — Encolheu os ombros.

— Quais? — Hermione ergueu uma sobrancelha. — Ron? Ele já se acostumou com a amizade de vocês e tá focado no próprio namoro. O resto dos Weasley? Te amam e iam adorar que você fosse oficialmente da família.

— Ainda consigo achar motivos. — Desviou o olhar para Ginny de novo. — Posso passar vergonha que nem esse cara. — Apontou para o palco.

— Impossível, você canta e toca bem, eu sei disso.

— Mas ainda posso passar vergonha ou desmaiar com o medo.

— Medo de um “não” da Ginny? Lamento informar, mas isso você já tem. — Harry olhou para ela, incrédulo.

— Quer que eu vá atrás da humilhação? — Ergueu uma sobrancelha.

— Já ouviu os ditados “quem não chora não mama” e “quem não arrisca não petisca”? — Revirou os olhos e assentiu. — Eles são verdade. Se eu não tivesse dito pro Viktor que tinha uma quedinha por ele, a gente provavelmente não ia tá namorando hoje.

Não respondeu, se recusando a assumir que Hermione tinha razão. A amiga apenas balançou a cabeça e levantou.

— Para de ser bobo, Harry. Diga que ama ela.

Granger deu um tapinha em seu ombro e se afastou, voltando para o namorado e deixando Harry pensativo.

Por um lado, ela tinha razão. Ele já tinha um não, poderia ir atrás da confirmação e humilhação, talvez assim ele conseguisse superar. Porém, ao mesmo tempo, ele podia perder a amizade dela e essa era a última coisa que queria.

Suspirando e ainda discutindo consigo mesmo, Harry levantou e caminhou sem olhar para os lados. Falou com o cara responsável pelo luau antes de ir pro palco.

Suas mãos tremiam enquanto segurava o violão, mas se manteve no palco improvisado na praia. Era um ato impulsivo e com certeza ele se arrependeria depois, mas tudo bem. Ia deixar para pensar em como lidar com a vergonha depois de passar por ela.

Se ajeitou e fechou os olhos, começando a tocar assim. Olhou pra praia quando começou os primeiros versos, procurando os olhos azuis como a tarde de um domingo azul. Mal podia acreditar que estava ali e estava cantando.

Cantando La Belle De Jour para Ginny Weasley, a moça mais linda da praia de Boa Viagem.

Para sua surpresa, a praia inteira tinha se voltado para ele, alguns até dançavam. Mas ele só tinha olhos para a ruiva dos olhos azuis. Ela o encarava, um sorriso surpreso no rosto. A mulher andou até alcançar a frente do palco e eles se encararam mais de perto.

Manteve os olhos em Ginny enquanto cantava, sorrindo como um bobo apaixonado, mas sem se importar se alguém reparava. Weasley era a mulher mais bonita daquela praia, da cidade, do país e até do mundo. E Harry era apaixonado por ela. Extremamente apaixonado. Nem mesmo a vergonha estava lhe atrapalhando nesse momento.

Ficaram se encarando enquanto ele cantava, sem que Harry sequer conseguisse imaginar o que Ginny pensava naquele momento.

No instante em que acabou de cantar e as pessoas aplaudiram, a vergonha veio. Corado e sem graça, Potter deixou o violão no suporte e saiu rápido do palco, se afastando para o mar. Seguiu para uma parte distante da praia, que estava quase vazia. Entrou no mar e foi para o fundo, deixando o corpo afundar por um tempo. Voltou para a superfície e olhou para o horizonte, tentando esquecer que tinha acabado de passar vergonha.

— Você canta bem.

Dessa vez foi Ginny quem o assustou, mas ele não se virou. Respondeu um “obrigado” baixo, tentando pensar em alguma explicação para ela estar ali.

— La Belle De Jour, uh? — Ginny se aproximou e parou ao seu lado. — Lembro que me disse uma vez que essa era a minha música… Cê lembra?

Ah, ele lembrava. Se recordava de cada momento deles juntos, só não sabia que ela lembrava de algum deles.

— Lembro. — Assentiu, corando um pouco.

— E você cantou pensando em mim?

Quase tinha esquecido de como Ginny era direta quando queria saber de algo. Suspirando, decidiu que deixaria de ser um covarde e se virou para ela.

— Sim, foi pensando em você, Ginny. — Suspirou, ignorando as bochechas quentes. — Você é a moça mais linda de toda a cidade.

Para a surpresa de Harry, as bochechas da ruiva ficaram vermelhas e ela desviou o olhar por um instante, parecendo envergonhada.

— Você é o moço mais lindo de toda a cidade, Harry. — Ginny disse, olhando-o de novo.

— Sou? — Franziu o cenho, sem entender o que ela parecia querer dizer.

— É. — Ginny se aproximou alguns passos, deixando seus corpos muito próximos. — Por que cantou para mim?

Harry a observou, reparando na forma que ela tinha mordido o lábio depois de fazer a pergunta, ele a conhecia o suficiente para saber que só fazia isso quando estava nervosa ou ansiosa. Ficou em silêncio, pensando em como responder.

Poderia falar que era só porque ela era uma mulher muito bonita, mas não queria mentir. Não que ela não fosse, já estava bem claro que pensava isso sobre ela, mas tinha muito mais. Harry estava cansado de esconder e as palavras de Hermione voltaram à sua mente. Respirou fundo para se acalmar e olhou nos olhos dela.

— Porque tava me declarando. — As sobrancelhas dela se ergueram e a surpresa passou por seu rosto. — Gosto de você, Ginny. Sou apaixonado por você.

Suspirou aliviado por finalmente ter falado.

— O que? Por que? — Weasley tinha o cenho franzido e o tom de dúvida.

— Por que? — Riu sem acreditar que ela não sabia. — Porque você é incrível, Ginny. Você é a mulher mais bonita da praia, da cidade, do mundo, do universo. Você, Ginny Weasley, é a mulher mais incrível que eu já conheci. — Sorriu apaixonado. — E eu amo cada parte de você. O seu cabelo, todas as suas sardas. — Tomou coragem e tocou o rosto dela com delicadeza, acariciando as sardas. — O seu corpo perfeito, os seus lindos olhos azuis, a sua boca. Amo a sua inteligência, sua coragem, seu lado irônico e o seu lado carinhoso. Amo quando me abraça de repente, quando ri de algo bobo que eu falei, quando dança, principalmente se for comigo. — Sorriu mais. — Amo você, Gin.

É isso, Harry tinha chutado o balde. Imaginou diversas vezes em como falaria para ela e nenhuma tinha sido tão simples e perfeita. Cada coisa que disse era verdade e ainda havia as que não tinha dito.

Respirou fundo, nervoso, esperando a reação dela.

— Isso é bom. — Ginny sorriu apaixonada, inclinando o rosto na mão dele e encarando seus olhos de volta. — Porque eu amo cada detalhe seu, Harry. Seu cabelo bagunçado que eu adoro passar os dedos. — Para provar, ela se esticou e passou a mão pelos fios dele. — Amo como é tão mais alto que eu e toda vez que eu te abraço posso ouvir seu coração. Amo seus olhos verdes, seu sorriso doce e seu sorriso travesso. Amo como você é doce, carinhoso, inteligente e brincalhão. Amo quando me faz rir, amo quando dança comigo bem apertadinho e cheira meu pescoço. Amo quando canta, principalmente se for para se declarar para mim. — Ginny sorriu apaixonada. — Amo você, Harry Potter.

Nem em seus sonhos mais insanos tinha imaginado ouvir uma declaração vinda de Ginny. Mas ali estava ele, sorrindo como um bobo apaixonado, se declarando e ouvindo a declaração da mulher que ama.

Segurou o rosto dela com as duas mãos e acariciou as bochechas. Se inclinou na direção dela e roçou seus lábios, suspirando apaixonado. Ginny, impaciente, ficou nas pontas dos pés e segurou sua nuca antes de beijá-lo com vontade.

Como se o universo quisesse deixar tudo mais perfeito, começou a tocar La Belle de Jour. Harry tinha se declarado, dito que amava Ginny. E ela tinha dito de volta. Eles estavam finalmente se beijando e Potter não poderia ser mais feliz.

Harry Potter nunca deixaria Ginny Weasley esquecer que era a moça mais linda de toda cidade. E o amor da sua vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.