Notas iniciais
Aviso! Embora seja "levemente" retratado aqui, esse capítulo pode gerar certos gatilhos envolvendo amizades ( relacionamentos ) tóxicos e violentos.

02|09|1778 Amelian House, Cheshire

Enquanto Katherine e Wilhelm tinham uma noite de amor em Hampton Court, no Canal da Mancha acontecia uma batalha naval entre as patrulhas britânicas e francesas.

Era oficialmente uma declaração de guerra, os franceses estavam entrando do lado americano pela independência das Treze Colônias. Essa guerra já estava tomamos rumos desfavoráveis aos britânicos.

A Batalha de Monmouth, ocorrida em Nova Jersey, no mês de junho, foi inconclusiva, nenhum lado perdeu ou ganhou, dizia-se até que ela foi irrelevante. Mas na atual situação da Grã-Bretanha, cercada por inimigos e a tempos sem uma gloriosa vitória, um empate não era bem-vindo. E para piorar a situação, em junho aconteceu a Batalha de Ushant no Canal, sendo esse o primeiro grande confronto naval entre a Grã-Bretanha e a França na guerra, e novamente o resultado foi inconclusivo.

Apesar desses resultados inconclusivos não serem derrotas britânicas, também não eram vitórias. E sem vitórias, a guerra tornava-se impopular, e a discordância tomava conta.

E como se uma guerra não fosse o suficiente, ainda em julho a Áustria, Baviera, Saxônia e Prússia entraram em um conflito pelo Eleitorado da Baviera, que estava ficando sem herdeiros. Agora os Tudor-Habsburg não estavam, de alguma forma, envolvidos apenas em uma guerra, mas sim em três. Isso já estava se tornando cansativo, principalmente a guerra com as Treze Colônias, essa era a pior.

Era muito visível que a guerra com os rebeldes americanos estava fazendo muito mal aos envolvidos. O marquês de Bristol, por exemplo, estava com uma aparência cansada, desanimada, ele tinha aspectos doentes e parecia até ter envelhecido, principalmente nesses últimos meses. Foi por isso que os Bristol viajaram a Amelian House mais cedo, para que assim o marquês pudesse descansar.

E pelo menos essa viagem fez efeito, no marquês e na marquesa. O que não ficou melhor, e muito menos pior, foi a relação de Katherine e Wilhelm. Os dois discutiam, provocavam e criticavam um ao outro sem mudança alguma, a única diferença sendo que agora eles estavam constantemente fazendo amor e descobrindo novas formas de intimidade.

De certa forma Katherine e Wilhelm estavam mais íntimos, não se poderia negar que eles se conheciam de uma forma que nenhuma outra pessoa conhecia. A princesa já estava até acostumada a ver o marido sem peruca, a visão do cabelo castanho dele tornou-se normal. Era quase um mistério Katherine não ter engravidado logo, até que ela descobriu no final de julho, enfim algo "bom", em estava sim grávida.

— Papai, mamãe está o chamando para...— Entrando no escritório do pai, Katherine calou-se ao ver o marquês lendo uma carta.— Papai! O senhor deveria estar descansando, não lendo documentos de estado!

Era impressionante isso! Parecia até que ele não queria descansar. Balançando sua cabeça a princesa foi até o pai com um olhar repreendedor.

— E desde quando as cartas que Maria Theresa me envia são um assunto de estado, minha rosa?— Ele entregou a ela uma das cartas. O olhar de Katherine suavizou, realmente eram apenas cartas.— Você vê? Não fala nada de importante.

Parecia realmente tudo muito normal, uma normal carta de um familiar. Mas ao colocar a carta na mesa, Katherine viu um envelope com o selo de Niedersieg. Estava aberto.

— O senhor não deveria ter abrido essas cartas. E o que é isso?— Apontando para o envelope aberto, a princesa encarou o pai seriamente. Ele ficou calado.— Não vai me responder, papai?

— Acho que você está andando muito com sua mãe, Katherine.— Rindo levemente, o marquês pegou o envelope e entregou a filha.— Vocês duas se preocupam excessivamente.

— Porque queremos o seu bem.— Era simples assim. Tirando o documento do envelope, a princesa começou a lê-lo com atenção... Era... apenas os resultados do censo de Niedersieg, que acontecia a cada vinte anos.— Eu não acredito nisso.

— Pois eu sim.— Tentando segurar uma risadinha, o marquês comentou irônico. Katherine deu ao pai um olhar duro.— Como você pode ver, são números preocupantes. A população de Niedersieg quase duplicou desde que você nasceu.

— O senhor me enganou, papai!— Ela havia se preocupado sem necessidade alguma.

— Não. Você que enganou a si mesma.— Estendendo sua mão a filha, ele comentou sorrindo. Katherine não devolveria o censo.— E não se preocupe tanto assim com Niedersieg. Enquanto estiver viva, Maria Theresa que efetivamente governará o principado. Tudo vai a Viena, passa pelas mãos dela e segue para Londres.

— Não entendo como lembrar disso iria me deixar mais tranquila.— O marquês apontou para a barriga dela.— O bebê?

— Apenas não se preocupe muito, Katherine. Você está carregando o nosso futuro.— Isso se fosse um menino. O marquês levantou da poltrona.— Sua mãe está me chamando, não é? O que ela deseja?

Ele mudou de assunto. Isso era bom, Katherine não gostava muito desse assunto de gravidez. Saber que ela carregava o futuro já era peso o suficiente.

— Tio Henry e a condessa de Aberavon estão aqui.— Junto dos filhos: Frederick, o visconde Baltimore, Amélia, Harriet, Henry e Anne.— Por isso ela está chamando. As vezes tenho a sensação de que mamãe não gosta da condessa.

— Sua mãe não gosta nenhum pouco da pirralha, e o sentimento é recíproco.— Comentando isso com a filha, o marquês sorriu malvado.— Ela vai ficar exultante quando descobrir que vou fazer da condessa uma baronesa de Niedersieg. Afinal, todas aquelas crianças devem continuar sendo nobres.

— Papai!

Apesar dessa repreensão, a princesa também riu. Pai e filha saíram do escritório e foram até a sala verde, onde Katherine despediu-se do pai. Apesar de amar seus primos, ela não queria ter que suportar todas aquelas crianças agitadas novamente, então Katherine decidiu procurar as irmãs. Elizabeth e Charlotte estavam planejando uma peça, talvez elas desejassem a ajuda da grávida irmã mais velha.

Em sua procura pelas irmãs, Katherine acabou no corredor que levava aos jardins da propriedade, e nesse corredor ela encontrou, não Elizabeth ou Charlotte, mas sim Wilhelm, que vinham irritado na direção dela. Muito irritado.

— Seu amigo está aqui, Katherine!— Antes mesmo deles se encontrarem, ele vociferou com desprezo.— E quer falar com você.

— Qual amigo? São tantos.— O rosto de Wilhelm azedou ainda mais, agora isso irritou Katherine.— Diga logo quem é, Wilhelm. Eu tenho pressa.

— Qual é o único dumm capaz de cavalgar desde Gloucestershire só para ver você.— James!? O que ele queria?— Ele está com Lady Courteney no jardim.

Não esperando um resposta, Wilhelm saiu descontente. Qual era o problema entre Wilhelm e James? Esses dois se odiavam, mas o motivo? Apenas eles sabiam.

Colocando esse pensamento de lado, a princesa foi encontrar-se com o duque. Deveria haver um motivo para ele ter cavalgado de Gloucestershire até Cheshire. Como Wilhelm havia dito, Maria também estava no jardim, mas não com o duque, a condessa estava saindo e quando viu a amiga, apenas a olhou com pena.

Essa não seria uma boa conversa. Mas quando enfim encontrou o amigo, Katherine sorriu e o chamou:

— James, que surpresa!— Quando Bravandale virou-se na direção dela, a princesa realmente teve uma surpresa. Ele realmente veio cavalgando.— Mas você está todo desalinhado. O que aconteceu, James!?

O duque apenas estendeu sua mão a ela, chamando a princesa para um passeio. Apesar dos temores que sentia, Katherine aceitou.

— Eu ouvi... Fofocas diziam que... Ahh!— Depois de alguns minutos em silêncio, James tentou falar.—.... É verdade que você está grávida, Katherine?

— Não é uma mentira. Realmente estou grávida.— Ainda era estranho falar. Bravandale ficou calado, estoico, apenas sua respiração era forte, tão forte que parecia um explosivo prestes a explodir.— James?

Soltando o braço dela, o duque afastou-se com raiva. Ela estava começando a temer por si mesmo.

— Não! Mas que verme!— Os olhos de Katherine se arregalaram, e ficaram cheios de medo quando James a fitou.— Como você deixou isso acontecer, Katherine!?

— Eu não permito que...

— Você não vê!? Ele não merece você! Wilhelm quer apenas te usar Katherine!— Involuntariamente ela balançou a cabeça aos gritos do duque.— E você não fez nada!? Foi um erro!

Era bom Bravandale começar a abaixar esse tom de voz. Depois que o susto passou, Katherine encarou James duramente.

— Não aceito que você fale assim comigo, James!— Se era para falar alto, Katherine falaria.— Podemos ser amigos, mas isso não lhe dá liberdade para comandar a minha vida!

— Eu estou cuidando de você, te protegendo!— Ela não precisava dessa proteção.— Não suporto a ideia daquele merda te pegando, beijando... Eu poderia matá-lo!

Santo Cristo! Katherine negou com a cabeça assustada, esse não era o melhor amigo dela, era um assassino!

— Wilhelm e eu somos casados! Entenda isso, James!— A expressão do duque ficou ainda mais alterada e violenta.— Wilhelm e eu teremos filhos, nós faremos amor... James!

Como um leão atacando sua presa, James aproximou-se de Katherine e brutalmente agarrou o braço dela a puxando na direção do corpo dele.

— Você consentiu!?— O aperto estava tão forte, que estava machucado Katherine de verdade.— Responda!

— Solte-me, James, ou vou gritar pela Guarda Germânica!— Estava doendo tanto, que era um sacrifício para ela não derramar lágrimas de dor.— Eu mandei me soltar!

Com a mão solta, Katherine usou toda a força da sua dor, deu um forte tapa em James. Uma horrível marca vermelha ficou no rosto dele. Só que mais horrível que essa marca, foi o olhar que ele deu a Katherine, era como se fosse revidar o tapa.

Mas esse outro tapa não veio. Percebendo o que estava fazendo, o rosto de James suavizou-se em arrependimento e soltando o braço dela, ele tentou explicar:

— Katherine, perdão... eu não...— Katherine sinalizou com a mão para James calar-se.

— Não tente explicar nada, apenas esqueça isso.— Tentando não falar trêmula, Katherine ordenou, ao mesmo tempo que tentava esconder o vermelho do braço com a renda que havia na longa manga do vestido.— Mas espero que isso não volte a acontecer, James. Eu não perdoarei uma segunda vez.

Havia arrependimento no olhar de Bravandale, assim como muito remorso em seus consentimentos. Era por esse motivo que Katherine iria perdoá-lo, e apenas por isso.

— Eu prometo, Katherine. Pela minha honra.— Ela tentaria acreditar.— Mas, perdão por perguntar, e Frederik Adolf?

*****

Por que o campo parecia ser pior que a cidade? Wilhelm sentia que iria perder o juízo em Amelian House. Não havia nada para fazer, e nada para o distrair. Assim como em Londres, os dias do príncipe eram gastos com cartas, livros, discussões, conversas com um seleto grupo de pessoas, passeios no jardim e brincadeiras com Welpe, ou Vilhelm segundo Katherine.

As noites eram a parte mais "animada" do dia, mas era apenas um momento em vários outros. Os dias de Wilhelm eram terrivelmente enfadonhos. Porém hoje não estava sendo apenas enfadonho, mas também estressante.

Quando Wilhelm estava fazendo seu habitual passeio pelos jardins de Amelian House com a condessa de Courteney, que gentilmente se ofereceu para acompanhá-lo, o duque de Bravandale chegou e foi levado para o mesmo local.

A vinda do duque foi uma surpresa, assim como a sua aparência.

— O que você está fazendo aqui, James?— Assim que viu Bravandale, Lady Courteney foi até ele, e Wilhelm foi obrigado a fazer o mesmo.— Aconteceu algo em Gloucestershire?

— Há um assunto muito urgente que desejo falar com Katherine.— Encarando ameaçador Wilhelm, Bravandale falou.— É muito importante. Não medi esforços para vir.

— Não mediu esforços... Você veio cavalgando!?— O duque assentiu, para o horror da condessa.— James!

De Gloucestershire a Cheshire era um longo caminho, mas o duque não parecia se incomodar nenhum pouco.

Eine dumme.— O comentário irônico de Wilhelm chamou a atenção do duque e da condessa.

— Você me chamou do que, alemão!?— Bravandale quase pulou no príncipe de raiva.— Eu exijo respeito!

— Quem me deve respeito aqui é você, Bravandale.— Os olhos de Wilhelm permaneceram encarando friamente o duque, mas ele ainda percebeu Bravandale apertando fortemente os punhos.— E eu lhe chamei do que você é: um dumm.

— Não me provoque, alemão! Eu facilmente poderia lhe matar.— Lady Courteney arfou horrizada, o príncipe mesmo ficou assombrado. A frieza e certeza que Bravandale usou foi... arrepiante.— Só não mato porque eu não iria ganhar nada. Mas torça para que Katherine negue as fofocas.

As fofocas? Bravandale falava da gravidez! Mas o que ele tinha haver com isso? Era um assunto de Wilhelm e Katherine, a menos que... O príncipe balançou a cabeça e deu ao duque um olhar indiferente.

— Minha esposa não tem obrigação alguma de falar sobre nossa vida pessoal a você.

— Então agora ela é "sua esposa"? As coisas mudaram.— O duque riu, antes de grunhir e aproximar-se de Wilhelm ameaçador.— Talvez sua vontade de fuder tenha feito isso.

Foi uma ofensa, e não apenas a ele, mas também a Katherine. Wilhelm não iria se permitir continuar ouvindo as tolices desse dumm. Mostrando todo o orgulho que tinha como um príncipe dinamarquês, ele encarou Bravandale.

— Imbecil.— Encarando os olhos do duque, vermelhos de raiva, o príncipe provocou, mas Wilhelm não iria espancar Bravandale, seria um desperdício.— Lady Courteney, a milady está segura ao lado de... Sua Graça?

Calada a levemente assustada, a condessa assentiu. Wilhelm esperava que Bravandale tivesse honra o suficiente para não machucar a dama. Com a afirmativa de Lady Courteney, ele encarou mais uma vez Bravandale e depois saiu de perto.

— Sim, vá mesmo! Duvido que tocará novamente em Katherine se me fizesse algo!— O duque gritou quando Wilhelm entrava na casa.— Ela é minha!

Essa foi a última coisa que o príncipe ouviu antes de um criado fechar a porta do jardim. Wilhelm fechou os olhos e respirou com força. A vontade dele era de gritar com raiva, e gritar muito. Tal como fazia na Dinamarca quando discutia com o pai, para depois transformar toda a raiva em petulância e desrespeito.

Mas ele não poderia, havia visitas na casa. Wilhelm iria para o quarto e se isolaria. Mas antes ele encontrou Katherine, embora não lembrançe o que disse a ela, e pouco depois o príncipe encontrou o marquês e a marquesa.

— Wilhelm, gostaríamos de lhe apresentar alguém.— Por Cristo! Ele nem tentou sorrir para a marquesa.— Esse é o príncipe Henry, sua esposa, a condessa de Aberavon, e...

O resto não foi ouvido, mas o príncipe já tinha ouvido falar do Tudor-Habsburg traidor. Esses Aberavon pouco importavam.

— Perdão, minha marquesa, meu marquês, mas não posso agora.— Não esperando uma resposta, ele saiu de perto.

— O príncipe é... interessante.— Com Wilhelm virando no corredor, o príncipe Henry comentou.

— É um dinamarquês arrogante, isso sim.— A condessa criticou ofendida.— Ele nem mesmo olhou para nós!

Felizmente Wilhelm não encontrou mais ninguém e logo chegou em seu quarto. Depois de trancar a porta, o príncipe deitou com o rosto no travesseiro e começou a respirar, tentando se acalmar. Ele queria muito, mas não poderia gritar. Quando era pequeno, Wilhelm recebeu do pai um castigo muito violento por ter gritado quando a rainha estava visitando o Palácio de Hirschholm, onde eles anteriormente moravam.

Depois disso, o príncipe Carl nunca mais bateu nos filhos, talvez a rainha tenha feito alguma ameaça. Mas por que o pai dele era assim? Wilhelm não tinha culpa! A princesa Louise morreu no aniversário dele, não parto. Que culpa ele tinha por ela o amar muito!? Wilhelm não tinha culpa de estar frio, de ser frágil...

Ele não seria como o pai, Wilhelm não seria como o príncipe Carl! Mesmo se acontecesse algo com bebê ou Katherine, ele seria bom. Após passar algum tempo deitado, Wilhelm foi despertado de seus pensamentos pelo barulho de uma porta batendo forte, seguido por um grito frustrado.

Instintivamente o príncipe levantou, esse grito era de Katherine. Wilhelm decidiu checar se Katherine estava bem. Mas antes que pudesse chamá-la, ele ouviu mais gritos, maldições e por fim...

— James desgraçado! Por que me lembrar disso!?... Por que você não me responde Frederik Adolf!?— Novamente esse nome. Quem era? Será que ele e Katherine...

Wilhelm não deveria estar fazendo isso, era errado! O príncipe afastou-se da porta e caminhou para longe. Talvez Elizabeth e Charlotte precisassem de ajuda. Ele iria vê-las.

Pelo menos foi o que Wilhelm pensou. Não aguentando muito, ele voltou para a porta de Katherine e, antes que o arrependimento chegasse, bateu. Tudo ficou em silêncio logo em seguida, parecia até que ela não iria abrir. Então ele chamou:

— Katherine! Eu ouvi gritos. Aconteceu algo?— Era melhor ele não mencionar que também ouviu frases. Um barulho foi ouvido.— Katherine?

Ao abrir a porta, Katherine saiu "perfeita". Séria, mas com uma aparência longe de estar exaltada.

— Como pode observar, não há nada de errado, Wilhelm. Estou viva, bela e grávida.— Mas com os olhos vermelhos, embora a voz dela estivesse normal.— Faz quanto tempo que você está aí?

— Não importa.— Katherine ficou desconfiada.— Você estava chorando, Katherine?

— E eu sou mulher de chorar?— A certeza dela era impressionante. Mas o olhar sarcástico do marido irritou a princesa.— Estou grávida, Wilhelm. Mulheres grávidas são instáveis.

— Não acho que seja exatamente assim.

— Você já esteve grávida, Wilhelm?— Mas é claro que não. Ele riu negando com a cabeça essa tolice dela.— Muito bem, então não tente me contradizer.

Para essa ousadia Wilhelm não tinha coragem. Os dois se calaram.

— Não vai me convidar para entrar?— Mudando de assunto o príncipe perguntou.

Talvez Katherine realmente não fosse o convidar, era só olhar para o rosto dela. Então ele mesmo convidou-se e entrou. O lugar parecia até que normal, estava como sempre.

— Não lhe dei permissão, Wilhelm!— Eles eram casados, não era necessário permissão. Além do mais, ela sempre fazia o mesmo.— Que seja, não tenho forças para expulsar você.

Talvez a gravidez já estivesse fazendo afeitos. Depois de analisar o quarto, Wilhelm fitou Katherine. Ele queria tanto perguntar sobre Frederik Adolf, mas simplesmente conseguia.

— E suas damas?— Wilhelm decidiu que era melhor deixar de lado esse tal Frederik Adolf, embora ele estivesse curioso.

— Maria e Josephine logo chegarão para me ajudar.— A nova Lady Lennox e a Srta. Neville, quase Lady Pembroke, deveriam estar fazendo muita falta.— É uma pena que verei Bess apenas no Natal, e Grace talvez só no Ano Novo.

— Uma tristeza com certeza.— Com a mesma ironia de Wilhelm, Katherine assentiu.

— Sim, terei de suportar você sozinha.— Foi uma ofensa tão leve essa, que o príncipe estranhou. Mas depois de um suspiro, ela voltou ao normal.— Agora vá. Devemos estar impecáveis para a apresentação de Elizabeth e Charlotte, então chame Nondell e Cottington para arrumar você.

Afinal, como já havia sido dito a ele antes, toda a gentry de Chester e da região estaria presente. Wilhelm chamou seus dois cavalheiros e foi logo preparado para o evento.

Era tão estranho isso, eles vinham ao campo para descansar da vida social em Londres, mas continuavam a ter uma vida social nas casas de campo, a única diferença sendo que essa era mais "informal". Quando a noite chegou, acompanhada pela pequena nobreza, as duas princesas apresentaram sua peça. Era algo medieval sobre a imperatriz Matilda e a Anarquia. No final, a peça, e a noite, não foi assim tão ruim.

Mas Bravandale também estava presente, o que foi desagradável tanto para Wilhelm, como para Katherine. E ainda havia Frederik Adolf, esse nome que não saia da cabeça de nenhum deles.

Notas finais
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