La Belle Anglaise
26 25. Paz Momentânea.
25|05|1784 Palácio de Hampton Court
"Nessa última última quarta-feira, 03 de setembro de 1783, após anos de conflito e negociações, a Guerra de Independência América e a Guerra Anglo-Francesa finalmente chegam ao fim.[...] Foram assinados em Paris, com os americanos, e Versailles, Espanha e França, tratados onde a Grã-Bretanha reconhece sua derrota na guerra, cede pequenos territórios aos aliados e..."
"... 11 de janeiro de 1784, o Congresso da Confederação ratificou o Tratado de Paris [...]. Oficialmente a Grã-Bretanha reconhece a perda das Treze Colônias e a independência dos Estados Unidos da América."
"...20 de maio de... Foi assinado em Paris um tratado encerrando a Quarta Guerra Anglo-Holandesa.[...] o último dos tratados para a definitiva paz..."
— Melhor uma derrota digna que uma uma vitória ingloriosa.— Fechando o jornal e o jogando para longe, Lady Courteney comentou sabiamente. As outras damas assentiram solenemente.— Graças a Deus essa guerra acabou. Pegue o roxo, Louisa.
— Depois de tanto dinheiro gasto a toa.— Um pouco menos complacente Lady Ricketts acrescentou pegando o jornal.— Espero que essas perdas não sejam o suficiente para destruir nosso império colonial.
— Ou aumentar a crise econômica.— Em pé, arrumando as peças do vestido para a marquesa, Lady Monmouth falou mal-humorada.— Logo mais teremos que pagar mais impostos, já não basta para ter janelas?
A baronesa estava sendo dramática, o que era surpreendente. As damas riram das expressões exageradas, mas sinceras, de Lady Monmouth, mesmo que elas também estivessem levemente preocupadas. A guerra com os americanos não beneficiou ninguém...
— Não devemos nos preocupar com isso, o jovem William Pitt irá cuidar da crise.— As damas novamente riram com o ácido comentário de Josephine.— Oh William Pitt, nosso jovem primeiro-ministro de 24 anos. Tenho 25, será que isso...
A viscondessa foi calada por um "grito" feminino, que logo foi seguido por risadas e pequenas batidas. Parecia até o barulho de dois animais acasalando, se bem que... As damas de companhia permaneceram imperturbáveis, desde o nascimento do príncipe Robert as coisas eram assim, havia se tornado algo normal.
Novamente risadas e gemidos... Estavam exagerando muito hoje.
— Você dizia, Josephine?— Com o barulho pausando um momento, Bess perguntou. Mas antes que a camareira-mor pudesse responder, ele continuou.— Estão tão animados hoje, não?
— Quem está animado?— Lady Torrington, como sempre, não estava prestando atenção.— Esse som... A senhora está bem, minha marquesa!?
As damas suspiraram e reviraram os olhos com a tola pergunta da condessa.
*****
Katherine estava apoiada na parede, com as pernas apoiadas na cintura de Wilhelm, que enquanto a penetrava também beijava as seios dela. Está agora esse havia sido um percurso excitante, ambos estavam molhados de suor, a semente do príncipe já havia caído em muitos lugares, mas... eles pararam.
Estavam rindo... Wilhelm e Katherine estavam rindo dessa pergunta da condessa de Torrington. Katherine estava bem? O príncipe pensou consigo mesmo e a analisou. Com certeza estava. Aproximando-se da orelha da marquesa, Wilhelm sussurrou com malícia:
— Diga que não para ver o que ela fará.— Wilhelm mordiscou o lóbulo da orelha de Katherine, que suspirou. Ela estava ficando apertada.— Poderíamos fazer uma orgia.
— Estou bem, Lady Torrington, não se preocupe!— Gritando altamente, Katherine negou a proposta. Wilhelm fingiu desapontamento.— Eu gosto do meu marido comigo, e apenas comigo.
A possessividade dela era tão... era estimulante! Segurando o queixo da esposa, Wilhelm a beijou ardentemente e reiniciou sua luta dentro dela. Primeiro movimentos lentos, depois rápidos, ao sentir muito prazer eles diminuíam a rapidez e voltavam a lentidão. Assim o prazer reinava no quarto de banho. Se bem que os altos suspiros, cheios de prazer, dados por Katherine quase faziam esse momento chegar ao clímax...
— Oh Katherine! Minha Katherine! A sua boca é uma injustiça de tão doce.— Rindo ofegante, a princesa beijou o marido. Que ele aproveitasse o doce.— Doce, doce como o mel! Tanto que me leva ao limite.
Nem a lentidão conseguiria mais retardar a chegada do doce momento. O casal se fitou com essa perspectiva, ainda não havia chegado a hora.
— Então prove outras coisas doces. Leve-me a loucura!
Wilhelm teve seu rosto puxado aos seios de Katherine. Ela também queria sentir prazer, ter um orgasmo junto do marido. Atendendo esse desejo, o príncipe serviu-se da esposa como uma bebê sedento pelo leite materno. Os suspiros novamente voltaram, tornando-se gemidos fortes, que nem mesmo ele escapou.
As mãos de Wilhelm passaram das pernas para as coxas de Katherine, acariciando-a e estimulando. Os movimentos do príncipe ficaram mais rápidos, mais fortes, um sinal de que estava chegando... Gemendo prazerosamente, ele chegou ao clímax, mas sem ao menos sair, começou a acariciar a esposa o dedo. Sem muito esforço, nem demora, ela também teve um orgasmo.
Não mudando a posição, os dois tentavam recuperar o fôlego, revigorar as forças para conseguir chegar na banheira. Passando a inércia momentânea, Wilhelm voltou a beijar Katherine, que começou a rir alegremente.
— Agora realmente temos que tomar banho.—Juntos? O príncipe encarou a esposa e sorriu satisfeito. Ela negou com a cabeça.— Poderia me soltar? Ou serei carregada até a banheira?
— Carregada? Isso parece tão... perfeito.— Confusão apareceu nos olhos de Katherine, mas simplesmente rindo, o príncipe segurou as pernas dela e a levou da direção da banheira.
— Wilhelm! Você está animadinho hoje, não!?— Ele simplesmente riu e assentiu feliz em resposta. Havia algum problema?— Não vai...
Colocando a esposa na banheira, o príncipe também entrou e acomodou-se. Agora eles poderiam aproveitar juntos. Katherine negou com a cabeça, mas ela sorria, então Wilhelm também sorriu, só que petulante. Uma divertida risada nasceu na boca dela. Curioso.
— O que é tão engraçado?— Ela deu os ombros inocentemente. O príncipe a fitou cético.— Eu quero rir também.
— Você é tão insuportável, Wilhelm. Não sei como... aguento...— Enrolado-se com as palavras, Katherine voltou a rir. O príncipe apenas sorria, ela amava esse jeito insuportável.— Está tão bom aqui. Queria que esse momento nunca acabasse.
Nunca acabasse... Os olhos de Wilhelm brilharam com um pensamento. Ele fitou a esposa com um sorriso astuto, havia uma solução para esse desejo:
— É só não ir para a recepção.— Simples assim. Pelo menos Wilhelm achava simples, Katherine sinalizou que não.— Sua mãe cuidará de tudo, enquanto isso ficaremos aqui, aproveitando os prazeres de um bom banho.
— Para que isso pudesse acontecer eu teria que sair da banheira e avisar as minhas damas.— Mas que estraga prazeres! Fingindo irritação, ele virou o rosto, como uma criancinha mimada.— Não seja assim, Wilhelm, logo a noite chegará. Enquanto isso teremos de comemorar a paz com os holandeses.
— Seu avô deve estar exultante no túmulo.— Katherine assentiu sorrindo vitoriosa, para o desprazer dele. Não seria hoje que Anne ganharia uma irmãzinha.— Diga-me pelo menos quem estará presente, além dos seus tios Carlisle e Aberavon.
— Naturalmente estarão muitos Whigs, e alguns poucos Tories. Por isso devemos mostrar nosso melhor.— Principalmente agora que William Pitt, um Tory, era primeiro-ministro. A expressão de Katherine ficou então curiosamente sombria.— O duque de Bravandale também marcou presença.
Qualquer sorriso que houvesse em Wilhelm morreu agora com esse anúncio. O príncipe apoiou sua cabeça na banheira e gemeu dolorosamente. Oh Deus, o dumm não! Por que Katherine convidava ele para esses eventos? Por causa das regras sociais? Bravandale iria ficar o tempo todo encarando Katherine, perseguindo ela e irritando Wilhelm.
— Dumm desgraçado.— Foi um apenas murmúrio, que para a surpresa dele não foi repreendido pela marquesa. Wilhelm suspirou irritado.— Vamos ver se conseguirei suportá-lo.
— Mas é claro que vai. Também convidei os Devonshire, já que você e a duquesa são tão amigos.— Não havia ciúme algum na voz de Katherine, nunca tinha. Na verdade... era incômodo. Tão curioso...— O que foi, Wilhelm? Quer alguma coisa de mim?
Talvez não fosse o momento, ela estava longe de feliz, mas foi impossível. Um malicioso sorriso surgiu nos lábios de Wilhelm, seguido por um sugestivo olhar.
— Além de você? Nada em específico.— Uma piada que, para a tristeza de Wilhelm, apenas ele riu. O olhar irritado de Katherine sobre ele apenas aumentava.— O que Georgiana fez para você desgostar tanto assim dela?
Isso foi um erro, Wilhelm logo percebeu. A expressão da marquesa ficou fulminante, foi de angelical e demoníaca em segundos. Mas ele permaneceu a encarando inquisitivo... o que também foi um erro. Levantando da banheira, Katherine apontou para a saída.
— Ela nasceu! Agora saia daqui, volte para seu quarto.— Ela estava inflexível, não seria bom contradizê-la, mas... Wilhelm permaneceu sentado no mesm lugar.— Deixe-me sozinha.
— Não há toalhas para mim, Katherine.— A marquesa continuou imperturbável. Agora foi o príncipe que ficou irritado, então ele levantou.— Pois irei nu mesmo, afinal o que tenho a esconder?
O olhar de Katherine era quase enojado. Mas ela estava gostando, Wilhelm sabia que no fundo estava aproveitando essa bela imagem com prazer. A marquesa deu os ombros.
— Tenha pelo menos o decoro de usar a porta de conexão.— Sorrindo petulante, o príncipe saiu da banheira e depois do quarto. Vendo-se sozinha, Katherine sentou pensativa.— Bravandale ou Devonshire, quem seria pior?
Sem sombra de dúvidas era Bravandale. Abraçando seu próprio corpo, a princesa fechou os olhos com força. Não havia necessidade alguma de ficar preocupada, Wilhelm estaria com ela, ele a protegeria.
Em seus aposentos, o príncipe foi recebido por dois de seus cavalheiros, o marquês de Nondell e Richard Percy, o recém nomeado 1° barão Percy de Caled, que entregaram toalhas para ele se secar. Logo depois Wilhelm foi vestido e teve sua peruca empoada, estava tornando-se cada vez mais comum os jovens deixarem de usar peruca, apenas empoavam o cabelo, mas Wilhelm gostava do jeito de estava.
Não foi nenhuma tristeza receber ano passado a notícia que Lord Cottington não iria mais servir a Wilhelm como cavalheiro, muito pelo contrário, foi uma felicidade. O substituto do barão foi escolhido a dedo pelo príncipe, que gostou particularmente da honestidade ácida de Lord Percy, o irmão mais novo do 3° conde de Berland.
Mas, por algum motivo que não foi dito a ele, um terceiro cavalheiro teve de ser escolhido. Então, por indicação de Lady Cottington, essa escolha caiu sobre Robert Compton, o 1° conde de Wilmington. Agradável, amante da família e com pensamentos livres, embora tenha planejado casar seu filho mais velho com a filha única dos Cottington, Wilmington não alguém difícil de suportar. Pelo menos isso.
Assim que foi preparado, Wilhelm desceu para a sala de recepções, onde os convidados seriam recebidos logo mais, e encontrou a marquesa viúva conversando com os adiantados Barnander e Ricketts, que naturalmente fizeram uma mesura quando perceberam sua chegada.
— É uma alegria que você chegou, Wilhelm. Há algo que desejo pergunta: lembra-se do Rev. Ramsay?— Logo após as mesuras, a viúva perguntou docemente. Ramsay? Ele buscou em sua cabeça, haviam muitos Ramsay na Inglaterra.— Aquele padre anglicano protegido pelos Middleton.
— Ah sim, recordo-me agora. Vestido de preto, com uma cara triste e não muito bonito.— Talvez Wilhelm estivesse sendo tendencioso... mas que seja. A marquesa viúva assentiu.— O que teria ele?
Sorriso alegremente, a marquesa viúva preparou-se para falar, mas foi subitamente interrompida:
— Sim, mamãe, o que teria o reverendo de Sir Charles Middleton?— Era Katherine, que parando ao lado do marido, foi recebida com mesura.— Diga-nos, por favor.
— O Rev. Ramsay...
— Fez um folheto denunciando as atrocidades da escravidão nas colônias britânicas!— Ansioso com a notícia, Lord Barnander cortou a viúva e disse ele mesmo. Um folheto!? Wilhelm e Katherine se entreolharam surpresos.— E Ramsay ainda planeja publicar um segundo.
— Um reverendo anglicano? Por Cristo, ele não tem medo!?— Sentindo certo medo por Ramsay, Katherine perguntou.
Mas ela estava certa em ter medo. Foi muito corajosa essa ação, de fato, mas havia na Grã-Bretanha muitos comerciantes e fazendeiros poderosos que eram favoráveis a escravidão. Ao mesmo tempo que...
— Existem muitas pessoas contrárias a essa barbárie que é a escravidão, Katherine. Não é necessário ter medo.— Nada preocupada, a viúva respondeu. Wilhelm quase riu com isso... eles haviam pensado a mesma coisa.— Por do sorriso... É uma vitória, isso que importa.
— A escravidão ainda não acabou, minha senhora.— Agora realmente rindo, o príncipe respondeu. Imediatamente ele ganhou negativos olhares da marquesa viúva e seus amigos. Era desconcertante.— Foi apenas um folheto afinal... Outros já foram escritos antes.
Olhando para a esposa, Wilhelm buscou algum apoio. Mas ele simplesmente ganhou uma negativa ansiosa. Os abolicionistas decidiram então ignorá-lo.
— Uma vitória realmente, minha senhora! Um reverendo, um padre anglicano. Ele tem uma voz maior que aqueles quakers e evangélicos americanos.— As palavras de Barnander explicavam muita coisa.— Sir Charles também disse que William Wilberforce conheceu o Sr. Ramsay!
— E quem seria esse William Wilberforce?— Curiosa com o rumo dessa conversa, Katherine tirou as palavras da boca de Wilhelm.— Parece-me familiar, mas... não recordo quem é?
— Um amigo do jovem William Pitt. Ele é membro do parlamento por Yorkshire.— E Lady Barnander também estava animada, muito diferente da entediada Lady Ricketts.— Imaginem as oportunidades!
— Talvez essas conexões acelerem o fim da escravidão.— Fazendo destoar mais ainda, o visconde Ricketts comentou animadamente.— Poderíamos até formar um...
— Philip, sejamos um pouco mais realistas, por favor. Não seremos nós que vamos libertar os escravos, mas sim os políticos da Câmara dos Comuns.— Oh Josephine, tão sincera. Uma risada ameaçou sair da boca de Wilhelm.— Então vamos esperar. Talvez o...
— Para você que não entende, de fato pode...— Ricketts realmente iria responder? Isso estava perfeito.
Quem visivelmente não estava achando isso engraçado, fora os envolvidos, era Katherine. Wilhelm sentiu ela enrolando seu braço no dele. A marquesa tomou o controle da situação:
— Discussões tolas são tão... desagradáveis. Vamos parar.— Era uma ordem, não pedido. Lord e Lady Ricketts rapidamente calaram-se.— Vou receber os convidados agora. Depois conversaremos melhor, mamãe.
Todos assentiram em concordância. Logo Wilhelm estava em pé, recebendo pessoas que ele, em sua maioria, nunca lembrava o nome.
*****
Sorrindo como um anjo, enquanto Wilhelm estava sério como um guarda do rei, Katherine recebia os convidados da sua recepção em comemoração à Paz de Paris. Como havia sido dito antes, os convidados eram whigs e tories. Se não fosse desaconselhável, ela também teria chamado o primeiro-ministro, claramente por cortesia.
Naturalmente alguns dos parentes dela também estavam presentes. Mas como eram poucos na Inglaterra, não faziam diferença alguma. Graças ao Cristo, ou talvez não, a maioria morava no continente.
O sorriso de Katherine era persistente e parecia não ter fim. Mas a chegada do duque de Bravandale e sua mãe ameaçaram a continuidade dele.
— É muito bom recebê-los em Hampton Court hoje, Sua Graça.— Após as mesuras, Katherine comentou encarando a duquesa viúva. Mas também era necessário comprimentar Bravandale, o que ela fez, com certa dificuldade:— Estou muito feliz em vê-lo... Sua Graça.
— Eu... você está linda, Katherine.— Ele amava dizer que ela era linda. Mas, para o desapontamento de Bravandale, Katherine assentiu friamente.— Poderíamos depois...
— Estamos muito honrados pelo convite, Sua Alteza Sereníssima. Acho que nunca estive na sua casa em Hampton Court.— Graças ao Cristo, a duquesa interrompeu.— É melhor entrarmos logo. Não quero ficar congestionando a entrada.
A duquesa viúva de Bravandale entrou na sala, deixando para trás James. Ele ficou encarando Katherine, desejando falar mais alguma coisa. O maior desejo da marquesa era mandá-lo entrar logo, expulsá-lo acima de tudo, mas a educação vinha primeiro:
— Deseja algo, Bravandale?— Fria, mas nem tanto. Desconcertado James, ela perguntou.— Caso não, saia e...
— Quero conversar com você, em particular. Existem assuntos que...— Aproximando-se, o duque tentou pegar na mão dela. Katherine afastou-se com rapidez, até mesmo assustando Wilhelm.— Talvez seja melhor num momento mais... calmo.
— Se todas as minhas seis damas de companhia também estiverem presentes, com certeza.— A sugestão desagradou o duque. Quando ele tentou falar, a princesa o calou:— Você está congestionando a porta, Bravandale.
Havia na voz da marquesa dureza e frieza o suficiente para afastar James? A julgar pela expressão ferida dele, sim. Fazendo uma leve mesura, o duque entrou na sala, não sem antes direcionar a Wilhelm um olhar desafiador, que foi respondido com um frio como o gelo. Quando acabou, o príncipe encarou curioso ela.
— O que foi...— Mostrando que não queria falar disso, a marquesa virou a cara. Nunca era um assunto agradável.— Eu ainda irei descobrir o motivo disso.
Pela boca de Katherine que não sairia essa descoberta. Aquelas duas noites em Berkeley Hall renderam pesadelos o suficiente, não era bom relembrar. Mas, por causa dessa cena com James, Katherine e Wilhelm acabaram calados, recebendo os convidados apenas com sorrisos e poucas palavras. Até que as pessoas pararam de chegar.
— Onde estão os Devonshire?— Katherine encarou sarcasticamente o marido com a pergunta. Ela deveria saber?— Você não disse que convidou eles?
— E convidei, mas em momento algum disse que eles confirmaram.— Essa confirmação nunca saiu da boca dela. Talvez achando isso engraçado, Wilhelm deu uma curta risada irônica.— O duque tem várias propriedades para administrar e a duquesa... nem deveria tê-la convidado depois dela trocar beijos por votos.
Wilhelm riu em resposta. Ele achava engraçado? Talvez isso que tenha custado a vitória dos whigs, se bem que entre Fox e Pitt... Dispersando essa "traição", Katherine encarou com seriedade o marido, que sorriu petulante.
— Você deve estar muito satisfeita, não?— Com o que exatamente? Levantando uma sobrancelha, a marquesa mostrou confusão.— Não se faça de tola para mim como faz com os outros. Você sabe muito bem do que estou falando, Katherine.
— Dos Cavendish? Pois muito bem, não vou dizer que estou decepcionada. Sabe que não gosto dela.— Georgiana Cavendish era um irritante raio de sol brilhando na sociedade, sempre fazendo moda, e o duque não era melhor.— Os trato bem apenas por gratidão, se estou aqui é, em parte, por causa deles.
— Não seria por causa da riqueza e influência deles?— Muito ofendida, Katherine encarou Wilhelm. Mas que petulante! Ele sorriu desafiador.— Vai negar?
Com toda certeza. Os Tudor-Habsburg não precisava do dinheiro dos Cavendish, e muito menos da influência deles! Sugerir o contrário era ofensivo. Katherine não iria deixar assim, ela iria responder... mas antes que qualquer coisa pudesse ser dita, o barão Pembroke foi chamado para anunciar alguém. Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Wilhelm.
— Ore a Deus que sejam o Harrington, ou não dormiremos juntos essa noite.— Ele riu engraçado, mas logo parou quando viu a seriedade nos olhos dela.— Dúvida?
— Veremos se você resistirá a mim.— Sorrindo presunçoso, Wilhelm respondeu. Agora foi Katherine que riu com graça, mas só até um sorriso satisfeito voltar aos...— Sugiro que olhe para a entrada.
Oh, por Cristo! Georgiana e William Cavendish entraram na sala de braços dados. Mas que desgraça! Pela conveniência, Katherine colocou um amplo sorriso no rosto, ao mesmo tempo que, pegando a mão do marido, a apertou com força.
— Você é insuportável, Wilhelm.— Ele riu, parecia até um elogio.
— Suas Graças, o duque e a duquesa de Devonshire!— Lord Pembroke anunciou o casal, mas eles não foram os únicos a sair daquela porta... Os olhos de Katherine arregalaram.— Junto de Lady Elizabeth Foster!
Não! Isso não era possível! O aperto de Katherine aumentou na mão do marido, tão forte que Wilhelm gemeu de dor. Devonshire não pôde ter feito isso... ele trouxe a amante para a casa da marquesa de Bristol! O que as pessoas iriam pensar dela!? Não, Katherine não iria passar por essa humilhação.
Percebendo que Wilhelm estava prestes a ir na direção dos Devonshire e... Lady Elizabeth, Katherine puxou o marido para trás e fez ele voltou para dentro da sala com ela. Pego de surpresa, o príncipe nem mesmo conseguiu falar alguma coisa, apenas se deixou levar. Quando chegaram ao fim dessa "fuga", eles estavam com as damas e cavalheiros.
— Então Devonshire trouxe a amante?— Olhando para trás, na direção do trio, Lord Percy comentou duramente.— Será que ele não tem vergonha!?
— Eles são amantes!? Parece ser uma dama tão educada.— Pelo que parecia, Wilhelm não sabia a história. Ela não parecia educada, mas sim era.— Então expulse ela, Katherine.
— Em uma situação normal eu faria isso, sem dúvida alguma, mas não hoje. Por acaso você não ouviu quem ela é, Wilhelm?— Confusão tomou conta dos olhos dele. Katherine suspirou e olhou rapidamente para os três.— É Lady Elizabeth Hervey, filha do conde de Bristol. Uma dama da alta sociedade.
A condição de amante, ainda mais do duque de Devonshire, não a tornava necessariamente um pária na sociedade. Essa informação surpreendeu o príncipe, tanto que ele voltou a encarar os Devonshire e Lady Elizabeth, até que Katherine pegou a mão do marido e o fez desviar.
— Lady Elizabeth deixou o marido, John Thomas Foster, quando descobriu que ele tinha um caso com a empregada dela.— Lord Nondell contou a história que todos sabiam, menos o príncipe. Assim como o marquês, Katherine negou com a cabeça.— Bem, quem é a amante agora?
— Ela e a duquesa são amigas, mas compartilham o mesmo homem.— Completamente enojada, Grace acrescentou.— Pobre Georgiana, com uma amiga dessas não é necessário inimigos.
— Você esqueceu de dizer que ela mora com os Cavendish em Devonshire House, Grace.— Lady Monmouth finalizou as informações.— Por Deus, estão vindo em nossa direção!
Com o aviso da baronesa, Katherine e Wilhelm colocaram expressões mais amistosas no rosto e voltaram-se ao trio que se aproximava. Que Deus os ajudasse nesse momento... Até o final dos comprimentos, os mais básicos possíveis da parte dela, nenhuma palavra dura ou em forma de repreensão foi dita. Mas durou pouco e a noite ocorreu sem maiores problemas.
Ao final da noite, após as conversas, o jantar, mais conversas, café e conversas... Lady Baster sentou ao cravo e começou a tocar para Lady Pembroke cantar, normalmente seria Josephine, mas por causa de uma discussão com o marido ela estava indisposta. Seria uma ótima distração enquanto a noite não acabava.
— Grace realmente nunca foi um rouxinol, mas talvez ela seja um beija-flor.— Por um momento o sangue de Katherine gelou ouvindo essa voz. James estava atrás dela.— Bess toca divinamente.
— Toca sim.— Isso a marquesa não iria discordar. A resposta alegrou por um momento Bravandale, mas foi rápido.— E os beija-flores cantam?
A frieza usada por Katherine, cada vez mais comum referindo-se ao duque de Bravandale, apertou o coração dele, era perceptível. Ela não ligava nenhum pouco.
— Não sei exatamente.— Claro que não. Negando com a cabeça, a marquesa evitou olhar nos olhos do "amigo". Mas James não desistiu:— Eu... desculpe por não ter vindo mais. Confesso que tenho certo medo do seu marido.
Os olhos de Katherine arregalaram e ela encarou James horrorizada. Alguma coisa deveria estar errada, ele nunca falaria isso... Era quase suspeito.
— Por que ter medo sendo que você é mais forte?— O duque deu os ombros. Estranho isso... Voltando-se novamente para as amigas, Katherine perguntou:— Já viu meu pequeno Robert?
—... Não... fiquei muito surpreso com o nascimento dele, na verdade. Eu não esperava por isso.
Por que seria? Berkeley Hall era a resposta? Katherine e Wilhelm eram casados e amavam os prazeres da carne, era natural que eles tivessem filhos.
— Mas nasceu e estamos muito bem. Talvez... quero ter mais, muito mais filhos, todos os dias tentamos até.— Dessa vez ela encarou Bravandale, buscando saber qual seria a reação dele.
James sorriu, não o melhor sorriso, mas era um. Talvez... ele finalmente tivesse superado. Mesmo não tendo certeza, um alívio tomou conta de Katherine e ela voltou a olhar para frente... Percebendo isso, o duque de Bravandale direcionou ao distraído Wilhelm um olhar cheio de ódio, que logo tornou-se um sorriso desdenhoso...
Katherine ainda seria dele... querendo ou não, ela seria...
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