Laços de Sangue e Fúria

44 E A Verdade Te Libertará


Notas iniciais
Estamos chegando á reta final dessa história... snif Finalmente, pessoal, FINALMENTE saberemos a VERDADE!!! Vejam com seus próprios olhos. Boa leitura!!

–Rasgado?

Holmes estava surpreso, mas não por muito tempo. Quase instantanetamente, voltou a parecer natural. Talvez ele tenha encontrado rapidamente uma teoria que explicasse a estranha ocorrência.

–Isso é coincidência demais... – perguntava-se Richard. – Será que essa Marjorie Eccles nos antecipou?

–Provavelmente. – disse Holmes, pensativo, dando baforadas.

–Como?! – exclamava Esther. – Nenhum estranho adentrou à Baker Street nos últimos tempos!

–Essa mulher já se mostrou preparada e perigosa. – disse Holmes, levando a mão levemente a barriga. – Para uma mulher que invade bancos, invadir Baker Street e levar algumas páginas de papel é trabalho de criança. Além disso, ela pode ter mandado um terceiro qualquer para este serviço. Bom, podemos não ter mais as conexões, mas ao menos sabemos quem é essa mulher.

–E não foi apenas esse o fato estranho do dia. – acrescentou Esther. – Há uma carta endereça a você, Sherlock, e que estava em poder de Diane.

Holmes pareceu surpreso. – Em poder dela?

Esther entregou a carta a Holmes, que não parecia surpreso com seu conteúdo. Pelo contrário, estava muito satisfeito em finalmente obtê-la. Ele abriu o envelope, revelando uma carta de duas páginas e também uma fotografia.

–Essa carta – ele disse – é de um colega que tenho em Chicago, Inspetor Kennway. Ele me ajudou em uns dois casos, e de vez em quando eu lhe envio uma cópia de minhas monografias. E não me surpreenda que essa carta tenha estado nas mãos de Diane, pois ela é o assunto principal dessa correspondência.

Esther estava surpresa. Holmes continuou.

–Watson desconhecia seu próprio tio, Donald Watson, e sabia ainda menos de sua prima. Acabou aceitando essa situação muito fácil, e eu não pude impedir. Mas não iria me acomodar à situação, não mesmo. Por isso, mandei um telegrama à Kennway, pedindo maiores informações a respeito da moça.

Holmes desdobrou o papel e começou a ler o conteúdo da carta em voz alta.

Caro Mr. Holmes

Primeiramente, gostaria de cumprimenta-lo pela sua monografia sobre pegadas. Ajudou-me a resolver um caso complicado em Detroit e que me fez estar a bons olhos na Superintendência, e tenho certeza de que a mesma ainda será de bom uso.

Como solicitado por telegrama, estive fazendo esta investigação paralela a respeito de Diane e Donald Watson. Por sorte, soube que o xerife Armstrong, do condado de Santa Fé, cidadezinha do Texas, estava aqui em Chicago, com o intuito de ir à Boston. Tivemos uma conversa em um bar, e ele me contou sobre a chocante “Chacina do Rancho do Don”, como ficou conhecido o caso envolvendo as pessoas que você me pediu. Depois de três copos de cerveja, o xerife mostrou-se mais “receptivo” a uma conversa.

Ele me disse que no dia 16 de Maio de 1894, um colega de Don Watson, dono do Rancho do Don, passara ali em frente e notara o local mais quieto que o normal. Ele decidira adentrar ao rancho. O que encontrou foi um cenário devastador: muitos corpos. Todos foram abatidos a tiros. Alguns já estavam sendo devorados por coyotes e outros animais. A julgar por seu estado, deveriam ter sido mortos no dia anterior, embora nossa perícia não seja tão aplicada para precisar o horário. Dentro da casa, foi encontrado o corpo de Donald Watson, morto com um tiro no abdômen. Sua filha, Diane Watson, estava morta nos fundos da casa, com três tiros pelas costas. Mais à frente, estavam os empregados do local. Percebeu-se que houve resistência, pois parte dos empregados andava armado, mas não foram capazes de se defender. Todos do Rancho foram mortos. Nem mesmo mulheres e crianças foram poupadas.

Foram usados dois calibres diferentes: um deles, pertencente à espingardas sniper, e outro, de revólver, o que leva a crer que, no mínimo, duas pessoas realizaram o ataque.

Um fato aterrador desse caso foi a matança pura e simples, aparentemente sem motivações. Claro, há pistoleiros por todo o Oeste, e no Texas não é diferente. Foras-da-lei, que caminham por nossas estradas, saqueando bancos e ranchos, matando se necessário, mas costumeiramente levando riquezas. O grande problema é que, neste caso, nada de grande valor foi levado. Don Watson mantinha um cofre, que estava intocado quando encontramos. As jóias e roupas de sua filha, Diane, todas de valor, estavam no mesmo local. Havia também dinheiro em seu escritório. Nada foi levado. A única coisa estranha à vista foi um envelope aberto, porém sem conteúdo, lançado perto de Don Watson. Seu remetente era o Dr. John Watson. Seu pedido neste caso confirma minhas suspeitas de que ambos tenham sido parentes.

O caso tinha estarrecido o xerife, que pareceu disposto a encerrá-lo apenas com a captura dos executores, vivos ou mortos. Não estranhe o termo, Mr. Holmes, mas as coisas funcionam assim aqui na América: quando um homem executa crime tão cruel, ou mesmo os mais “comuns”, uma recompensa lhe é oferecida: maior, se entregue vivo ás autoridades, e menor se entregue seu cadáver.

Suspeitos para o crime já existem.

Um casal de forasteiros esteve no condado de Santa Fé por cerca de três meses. Um deles era um rapaz, de cerca de vinte e cinco a trinta anos, chamado Brian Manson. A mulher dele era estrangeira e se chamava Natasha Manson. Ambos se diziam interessados em comprar alguma propriedade e estavam em vias de fechar negócios com um rancheiro chamado Kleff, vizinho de Don Watson, mas no dia após o crime, o casal foi embora, sem dar explicações. Para a polícia, suas inúmeras visitas e passeios pelas propriedades de Kleff possibilitou que ambos conhecessem bem as cercanias da propriedade de Don Watson. A polícia investigou suas conexões, mas nada encontrou. Suspeita-se que as identidades sejam falsas.

As suspeitas se confirmaram quando encontramos as armas do crime. Uma carabina e um revólver calibre 38, dentro do riacho. Descobrimos, por meio do vendedor de armas no condado vizinho, que Mr. Manson andou comprando munição para estes dois calibres, o que reforçou nossas suspeitas. Também descobrimos, por testemunhas, que Mrs. Manson sabia atirar, tão bem quanto um homem.

Diante do meu interesse no caso, o xerife acabou me cedendo uma pista importante: trata-se de uma cópia de uma fotografia, que ele está utilizando para caçar os assassinos, e também para fazer o retrato-falado deles. Esta é uma fotografia tirada um mês antes do crime, em uma festa organizada na Igreja do condado. Marcadas à caneta, estão Don Watson, ao lado de sua filha, Diane Watson. No canto esquerdo, embora quase não aparentes e marcados à lápis, estão os Manson, suspeitos do assassinato.

Honestamente, Mr. Holmes, não sei se a descoberta desse crime envolvendo os dois nomes que o senhor me pediu tenha te surpreendido. De todo modo, caso tenha alguma pista que possa levar esse casal de criminosos à Justiça, vivos ou mortos, não hesite em me contatar. Se Don e Diane Watson eram mesmo parentes de seu amigo, creio que o bom doutor irá concordar comigo, quanto à importância de sua participação na investigação desse crime, que tanto deixou chocado a todos nós.

Respeitosamente,

Oscar Dunkey Kennway

Inspetor-Detetive

Polícia Metropolitana de Chicago

Quando Holmes terminou de ler e deixou a carta em um canto, encontrou Esther pálida, chocada, enquanto segurava a fotografia mencionada por Kennway.

Diante da falta de palavras dela, Holmes a chamou sutilmente.

–Esther?

Ela parecia em transe, ainda notando a fotografia, até por fim, deixar a foto cair sobre o chão, sendo imediatamente apanhada por Holmes. Seus olhos se voltaram para as figuras marcadas, e para seu estarrecimento, lá estava Diane Watson, marcada na foto, porém em uma perspectiva bem diferente da que esperava.

Na fotografia, havia a palavra "suspeita" sobre sua cabeça.

Demorou-se mais alguns instantes até que Esther falasse, em um tom nefasto.

–Há uma assassina em Baker Street.

Notas finais
Acho que é o fim do mistério, não?? Tem alguém vivo aí ainda?? KKKKK Será que consegui responder a algumas perguntas? Espero que sim!!! De todo modo, adoraria ver a reação de vocês quanto a esta reviravolta!! O que acharam?? Previsivel? Ou interessante? Por favor, deixem seus reviews!!! E um recado importante: a partir desse sábado, as postagens serão semanais (ou seja, apenas aos sábados) Tá complicado postar em dia de semana, espero que vocês me entendam. Mas eu garanto que posto quando eu puder. Não vou me ater ao sábado. Um grande bj!! E reviews, hein!!