Laços de Sangue

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—Ela tem acesso a casa da prefeita. — disse Charlotte, assim que chegou em casa.

Já era noite e Dylan, Maddie e Caleb estavam conversando no sofá da sala sobre o primeiro dia de aula, mas a conversa perdeu o sentido assim que eles ouviram a voz de Charlie.

—Como assim? A prefeita convidou ela? —

—Claro. Ela chegou dizendo que era minha irmã. — deu de ombros, servindo-se de Bourbon.

—E você diz com essa tranquilidade toda? — Caleb indagou, arqueando a sobrancelha. — Achei que se importasse com a prefeita e os filhos dela. —

—Você quer que eu faça o que? Me descabele toda? Grite aos quatro ventos o quanto eu odeio a Amber? — bebeu um pouco da bebida, sentando-se no sofá e colocando suas pernas sobre as coxas de Madeline.

—Não foi atrás dela, foi? — a loira indagou.

—Não precisei. Ela estava na mansão dos Jones quando cheguei. —

—Sério? E como foi? Vocês gritaram uma com a outra? — Charlotte encarou Caleb com a sobrancelha arqueada. — O que? Se eu tivesse uma irmã vampira que matou meu marido, que me matou e que veio atrás de vingança, eu teria, no mínimo, enchido ela de porrada. —

A ruiva riu um pouco.

—Tive que fingir que estava tudo bem. Não queria levar meus problemas para a prefeita, então agimos como irmãs que não se vêem a anos. — suspirou, jogando a cabeça para trás. — Eu nunca quis tanto arrancar o coração do peito de alguém. Só perde para a vontade que tenho de arrancar o coração do seu namorado idiota, Maddie. —

A bruxa revirou os olhos, empurrando as pernas de Charlotte para o chão.

—Ela disse se estava aprontando alguma? Sei lá, alguma pista? —

—Não. Antigamente, antes de todo aquele lance de vampiro acontecer, ela não conseguia manter a boca fechada quando planejava algo. — bebeu mais um pouco do whisky. — Mas acho que dessa vez ela não vai me contar que o meu presente de Natal é um colar de melhores irmãs do mundo. — sorriu com sarcasmo, recebendo um revirar de olhos de Dylan.

—E o que vamos fazer? — Caleb questionou após um tempo.

—Vocês não irão fazer nada. Amber é problema meu. —

—Não vamos entrar nesse assunto de novo. Somos sua família, Charlie. — Madeline falou, segurando sua mão enquanto a olhava nos olhos. — E se ela quer nos usar para atingir você, temos que fazer alguma coisa. E juntos. —

—Eu faço de tudo para matar aula. — Caleb deu de ombros, recebendo uma almofada no rosto da parte de Maddie. — É brincadeira. A Charlie é importante para mim, me ajudou com a lua cheia inúmeras vezes. Não quero perder você, ruivinha. — sorriu, encarando a vampira.

—Eu irei usar minha licença de caçador para te ajudar a matar uma vampira. — Dylan falou, cruzando os braços. — E mesmo que você dissesse não, eu continuaria a trabalhar nisso por suas costas. —

—Vocês todos têm desejos suicidas. — murmurou, levantando. — Tudo bem, mas não iremos pensar nisso hoje. Já está tarde e vocês dois tem aula amanhã. — disse, olhando para Caleb e Maddie. — Embora eu goste de ajudar a Lucy, odeio organizar evento então só quero tomar um banho e dormir. Pensamos nisso amanhã, ok? —

Charlotte olhou para cada um deles, vendo-os assentir. A ideia de ver os três arriscando suas próprias vidas por ela não a deixava tranquila, mas não podia negar que o sentimento de saber que tem pessoas que estão dispostas a lutar por ela era reconfortante.

Talvez por ter vindo de uma família que acabou toda desfalcada, Charlie sempre achou que jamais encontraria pessoas dispostas a protegê-la.

***

As batidas na porta do quarto soaram leves.

Dylan entrou no quarto e encontrou Charlotte deitada de bruços na cama, encarando um ponto qualquer do quarto, perdida em seus pensamentos. O caçador deitou ao seu lado, ficando de frente para ela.

—Como você está? — a voz dele estava baixa.

—Bem. Por quê? — Charlie devolveu no mesmo tom.

—Porque são poucas as pessoas que descobrem que a irmã apareceu para se vingar e ficam bem. — deu de ombros.

—Estou bem, Dylan. Quando transformei a Amber já esperava que ela se vingaria um dia. — suspirou.

—Posso fazer uma pergunta? Não precisa responder, se não quiser. — falou, recebendo um balançar de cabeça de Charlotte. — Por que não nos contou que sua irmã estava viva? Parcialmente viva, pelo menos. —

—Eu não queria preocupar vocês. Fazer com que andassem nas ruas com medo de estarem sendo vigiados pela minha irmã psicopata. — murmurou, o olhando nos olhos. — Se passou tanto tempo que, por um momento, achei que ela tivesse decidido viver sua imortalidade viajando, conhecendo novos amores ou que ela simplesmente não tivesse completado a transição. —

—Não teve notícias dela durante todo esse tempo? —

—Não. Não nos vimos nem uma única vez. — disse, pressionando os lábios, até que soltou uma risada nasalada. — Mas parece que ela andou me observando, pelo menos nesses últimos anos. Amber sabe que me importo com a Maddie, com a Lucy e seus filhos. —

—Nós vamos cuidar disso. Vamos dar um jeito nela antes que faça muita bagunça. — sussurrou, colocando sua mão sobre a de Charlotte. — Mas tem que me prometer que não nos deixará de fora apenas porque não quer que a gente se machuque. Sabemos quais riscos vamos correr, Charlie. —

—Não posso perder nenhum de vocês. Sabe disso, não sabe? —

—E não vai. Se cuidarmos uns dos outros, ninguém terá que morrer, Charlie. —

—Se morrerem, eu faço a Maddie ressuscitar vocês só para que eu mesma mate vocês de novo. —

—Acho justo. — comentou rindo. — Já que o tópico Amber foi resolvido por hora, como você está em relação aquele assunto depois de amanhã? —

—Ah, não. Todo ano você faz isso. — resmungou, puxando sua mão e sentando na cama. — Toda vez que o aniversário da morte do Caspian se aproxima você vem conversar comigo nesse tom, como se precisasse pisar em ovos para falar sobre o meu marido morto. Eu vou ficar bem, ok? —

—Ano passado você teve uma recaída e atacou as artérias dos moradores. Precisou de mim e da Maddie para te segurar. — lembrou, sentando também. — E esse ano, Amber está aqui. Sua irmã que causou a morte do seu marido, lembra? —

Charlotte o encarou.

—Eu vou ficar bem. — falou, pausadamente. — Não precisa se preocupar com uma possível recaída. Eu vou ficar bem. —

—Tudo bem. Eu vou me deitar. Boa noite. —

Dylan inclinou seu corpo para a frente, depositando um beijo na testa de Charlotte e levantando, caminhando até a porta e a abrindo.

—Sabe, você não precisa me beijar como se fosse um irmão mais velho ou algo assim. — Charlie comentou, brincando com a barra da sua camisola de cetim azul escuro. — Não essa noite, pelo menos. — sorriu com malícia.

O caçador sorriu, fechando a porta do quarto e caminhando de volta para a cama já retirando sua camisa durante o pequeno caminho.

***

—Maddie! Maddie! —

Hardin correu pelo campus da universidade atrás de Madeline, segurando seu braço quando a alcançou.

—Hey, está tudo bem? — perguntou assim que a loira parou de caminhar e o encarou. — Você não atende minhas ligações desde o festival. Eu fiz alguma coisa que te magoou? —

A Martínez ergueu a sobrancelha.

—Então você não lembra de ter dito que o evento que eu ajudei a organizar estava uma droga e que eu sou negligente com nosso namoro? —

—Eu disse isso? — perguntou confuso.

Madeline balançou a cabeça, soltando-se de Hardin e voltando a caminhar.

—Não! Não, não, não. — ele correu, parando na frente dela e segurando seus ombros. — Desculpa. Desculpa, pequena. É só que eu estava bêbado demais e você não tinha aparecido nem para me dar um beijinho e eu só… por favor, me perdoa. —

—Eu não sei, Hardin. Suas palavras realmente me machucaram naquele dia. — disse após um suspiro, cabisbaixa.

—Eu sei, eu sei. E acredite, eu me odeio por te fazer sofrer com as besteiras que eu falo, mas eu te amo demais, Maddie. — suas mãos subiram até o rosto da bruxinha, segurando-o para fazer ela o olhar nos olhos. — Por favor, perdoa esse tolo completamente apaixonado por você e apenas por você. —

Olhando para aqueles malditos olhos verdes, os quais Madeline amava tanto, ela não conseguiu prolongar a mágoa que estava do namorado por mais tempo. Apenas sorriu, balançando a cabeça positivamente e dando liberdade para que Hardin a beijasse.

E assim ele o fez.

—Obrigado, pequena. Eu amo você. — sussurrou, beijando todo o rosto pálido de Maddie. — O que acha de ir lá para casa hoje? Meus pais vão viajar e eu posso cozinhar para você como mais um pedido de desculpas. — deu seu melhor sorriso galanteador.

—Eu não sei, Hardin. Não gosto da ideia de ficar sozinha com você na sua casa. — falou, acariciando o rosto dele.

—Será apenas um jantar, pequena. O que acontecer depois será apenas se você quiser. — disse, encostando sua testa com a dela e beijando seus lábios mais uma vez. — Topa? —

—Tudo bem. — concordou com um sorriso pequeno.

Hardin a beijou novamente, um beijo quente e ávido. Se afastou com um enorme sorriso no rosto e foi embora.

—Por favor, não me diga que perdoou ele só por causa daquela desculpinha fajuta. — Caleb falou atrás dela, a fazendo pular com o pequeno susto que levou.

—Que susto, Caleb! Não pode fazer isso quando a irmã maluca da Charlie está por aí querendo nos fazer mal. —

—Tem razão. — murmurou, passando seu braço pelos ombros dela. — Mas voltando a desculpa do seu namorado idiota… você caiu mesmo nessa? — indagou, começando a caminhar com ela.

—O Hardin fala muita besteira quando está bêbado. — o defendeu, dando de ombros. — Ele está arrependido. —

—Maddie, é sério. Quando você vai perceber que esse amor que o Hardin diz sentir por você é tóxico e doentio? —

—Caleb, você sabe muito bem que eu não gosto quando você, Charlie ou o Dylan falam mal do meu namoro. Eu conheço o Hardin muito bem, sei que ele me ama de verdade. — falou firme, encarando o amigo que suspirou.

—Só não diga que não avisamos, Maddie. — sussurrou, beijando a têmpora dela e se afastando, indo para o outro lado do campus.

***

—Charlie, será que você poderia atender a porta? Estou ocupado fazendo o jantar. — Dylan gritou da cozinha.

—Você está na cozinha e eu no andar de cima! É sério isso? — Charlotte gritou de volta do seu quarto.

—Talvez você devesse cozinhar então, o que acha? — devolveu no mesmo tom, mexendo alguma panela que estava no fogo.

—Eu estava ocupada, ok? Não é porque sou uma vampira de 376 anos que sou uma desocupada. — reclamou, descendo as escadas.

—E o que você estava fazendo? —

—Eu estava terminando de ler Moby Dick. — Dylan a encarou com a boca aberta.

—Você disse que ia fazer uma coisa que a prefeita pediu a respeito do Dia da Fundação! — ralhou, vendo um sorriso aparecer nos lábios de Charlotte.

—Ops. —

O caçador jogou o pano de prato que estava em seu ombro na direção da ruiva que desviou facilmente, indo até a porta quando a campainha tocou novamente incessantemente.

—Já estou abrindo, inferno! — reclamou, abrindo a porta e franzindo as sobrancelhas, confusa. — Mas o que diabos vocês estão fazendo aqui? — perguntou, arqueando a sobrancelha.

—Nos deixa esperando por quase cinco minutos e é assim que nos recebe? — o mais alto retrucou, também arqueando a sobrancelha.

Charlotte notou que os dois irmãos parados na porta da sua casa carregavam duas malas atrás de si. Uma placa de alerta vermelho piscava em sua cabeça com os dizeres bem grande: "Isso tem dedo da Amber".

—Charlie, quem é? — Dylan apareceu atrás dela, após pegar o pano de prato que jogou na ruiva do chão. — Ah, os irmãos Garcia. — sorriu. — O que fazem aqui? —

—Gente, para que isso? — Christian indagou. — Se for para a bruxinha não reclamar com vocês por ter nos convidado, era só ter falado isso na mensagem que nos mandou e fingíamos que viemos sem convite. — finalizou, revirando os olhos.

—Do que estão falando? Que mensagem? — o tom de voz confuso de Charlotte fez o sorriso do rosto de James desaparecer.

—Ok, por que estou sentindo que a mensagem que recebemos de você nos convidando para passar um tempo aqui em Oak City não foi mandada por você? — falou, fazendo a ruiva respirar fundo, abrindo mais a porta.

—Porque eu não mandei mensagem nenhuma para vocês. — respondeu. — Dylan, convida eles para entrar, por favor? — pediu, voltando para a sala e abrindo uma garrafa de whisky, despejando o líquido em um copo.

—Podem entrar. — o caçador convidou, fechando a porta assim que eles entraram e deixaram as malas no hall de entrada.

—Por que o caçador que tem que nos convidar? Achei que a casa fosse sua, ruivinha. — disse Christian, pegando o copo com whisky que Charlotte levava aos lábios e bebendo um gole.

—E a casa é minha. — resmungou, enchendo outro copo. — Coloquei ela no nome dele quando o convidei para morar comigo. Evita que vampiros indesejados e que não sabem se servir sozinho entrem e saiam quando bem entenderem. — sorriu para o moreno, bebendo um pouco do líquido em seu copo. — E, Dylan, a comida está queimando. — avisou, quando começou a sentir o cheiro de queimado.

—Ah, que droga! — resmungou, correndo para a cozinha e mexendo o conteúdo da panela.

—Charlie, se não for pedir muito, poderia nos explicar porque recebemos uma mensagem sua que não foi enviada por você? — James questionou após um tempo.

—Amber. Tenho total certeza que a mensagem foi enviada por ela. — respondeu, virando o líquido do copo.

—Amber sua irmã do mal? A que matou o Caspian, que você a transformou e blablabla? — Charlotte assentiu, respondendo Christian. — Uh, parece que viemos em uma época divertida. — sorriu, com o copo nos lábios.

—Espera aí. Ele já sabia que a Amber estava viva? — a voz de Dylan soou inconformada da cozinha.

—Chris é fofoqueiro e enxerido. Descobriu sozinho. — deu de ombros.

—Conheça os problemas familiares dos seus amigos. Por exemplo, os da Lottie eu já sei de cabo a rabo, então não tem nada que me surpreenda da parte dela. — Christian falou. — Já você, pequeno caçador, eu sei que você respeita muito seu pai, que também é um caçador, contudo, você não disse a ele que sua melhor amiga é uma vampira e que você dorme com ela todas as noites. — sorriu para o homem na cozinha que o encarou com a sobrancelha arqueada. — O único parente vivo da bruxinha é a avó dela, e a Alice é um amor então não tem com o que se preocupar. Logo o problema familiar da bruxa loira é o namorado idiota e abusivo que… —

Christian foi interrompido por uma faca adaga pequena fincada em seu ombro. Olhou na direção de Charlotte com a cara fechada. A ruiva sorriu, caminhando com seu copo na mão até ele.

—Não faça todos te odiarem por bancar o babaca, amor. — disse baixinho, puxando a adaga do ombro dele e deixando sobre a mesa de centro.

—Era uma das minhas camisas favoritas, sabia disso? —

—Você fica melhor sem ela. — jogou uma piscadela na direção dele.

A campainha tocou novamente, fazendo Charlotte revirar os olhos.

—Por Deus. Isso aqui virou a casa da mãe Joana? — resmungou, deixando seu copo seco na mesa de bebidas atrás do sofá e indo até a porta.

—Olá, minha vampirinha favorita. — Caleb sorriu, entrando e beijando o rosto de Charlie. — Estou atrasado? Pelo cheiro, parece que o jantar ainda está no fogo. —

—Cadê a Maddie? — Charlie perguntou quando notou que não tinha mais ninguém do lado de fora. — Ela não vinha com você? —

—Ah, ela não avisou? Hardin chamou ela para jantar na casa dele. —

—E ela nem para avisar? — Dylan questionou da sala de jantar, arrumando a mesa. — Tínhamos combinado de jantar os quatro juntos hoje! Eu preparei comida vegana só por causa dela! —

—Jura? Não levou nem dois dias direito para ela perdoar o babaca? — Charlie suspirou, caindo no sofá ao lado de Caleb.

—Charlie. — sussurrou baixinho. — Quem são eles? — perguntou, olhando para os irmãos Garcia no outro sofá.

—São James e Christian. — ela sussurrou de volta. — Dois irmãos vampiros então não adianta sussurrar. — ela sussurrou com um sorriso, recebendo uma revirada de olhos.

—Então é isso que você tem feito, ruivinha? — Chris suspirou entediado. — Janta com adolescentes e sobrevive a sua irmã psicopata? —

—A propósito, o fato do meu irmão fofoqueiro saber sobre sua irmã não significa que eu sei. — James falou após um tempo em silêncio. — Eu achava que sua irmã estava morta, que você a matou em 1666. —

Charlotte respirou fundo, jogando a cabeça para trás.

—Vou ter que explicar tudo de novo. —

—Explica no jantar. — disse Dylan, levando as travessas para a mesa de 10 lugares na sala de jantar.

—Finalmente. Eu estou morrendo de fome. — Caleb falou, sentando a mesa.

Os três vampiros também sentaram e serviram-se enquanto eram colocados a par do assunto Amber.

Notas finais
Comentários são bem vindos e contribuem com a continuação da história.