Laços de Sangue
15 Toda a verdade
Quando Charlotte chegou em casa, beirando já pelas 04:00 am, tentou não fazer muito barulho. Se todos estivessem dormindo, Caspian principalmente, ela poderia evitar aquela conversa por mais algumas horas.
Não era que ela não quisesse saber como Caspian sobreviveu a aquela estaca em seu coração ou por que diabos ele não a procurou durante esses três séculos, mas agora que o assunto Madeline estava parcialmente resolvido, a ideia de conversar com seu marido até então morto a assustava.
Com um passo de cada vez ela rezava para que a madeira sob seus pés não rangesse. E ela conseguiu, mas ao virar na direção da cozinha deu de cara com os três vampiros e um híbrido fazendo um lanchinho.
—Merda. — resmungou.
—Estava tentando entrar na surdina? — Chris arqueou a sobrancelha.
—Claro. A Maddie precisa ter uma noite de sono tranquila, não acham? — mentiu, caminhando até eles.
—Como o idiota do Hardin ficou? — James questionou. — Conseguiu bater nele sem matá-lo? Considerando o quanto você odeia ele, essa parece ser uma tarefa difícil. —
—Quando eu saí ele estava sangrando, com uma perna quebrada e respirando. No entanto, se ele, por acaso, tiver morrido a caminho do hospital a culpa já não é minha. — deu de ombros, pegando a bolsa de sangue das mãos de Christian. — A Maddie comeu alguma coisa? — perguntou, bebendo um generoso gole do líquido vermelho.
—Preparamos um jantar para ela. Livre de qualquer coisa de origem animal. — Nicholas respondeu.
A ruiva assentiu e o silêncio reinou por alguns minutos.
—Ok, já que eu não posso adiar essa conversa para depois vamos colocar as cartas na mesa. — respirou fundo, secando a bolsa de sangue e encarando Caspian com os braços cruzados. — O que caralho aconteceu para você estar vivinho da Silva bem aqui na minha frente? —
—Tudo bem. Essa é nossa deixa. — James falou, segurando o braço do irmão. — Vamos, Chris. —
—Como você é chato, James. — resmungou enquanto era puxado escada acima pelo irmão.
—Eu… também vou deixar vocês sozinhos. — Nicholas falou, olhando para a irmã rapidamente antes de subir as escadas.
—Se quiser conversar sobre isso depois está tudo bem, Charlotte. — Caspian disse gentilmente.
—Não. Se eu enrolar vou querer desistir e eu não sou mulher de desistir. — suspirou. — Vamos, desembucha. —
—Tudo bem, mas para isso teremos que voltar para quando fui transformado. — falou, fazendo a ruiva assentir.
—Em 1483, sei. — ela puxou uma banqueta, sentando-se e cruzando as mãos sobre o balcão enquanto encarava o marido nos olhos. — O que tem? —
—Lembra que quando eu te contei que era um vampiro e, após o choque, você começou a fazer algumas perguntas e eu te contei como fui transformado? — Charlotte assentiu novamente.
—Uma bruxa te transformou. Sua tia, não foi? —
—Exatamente. Eu saí para caçar com alguns amigos e acabamos sendo atacados por um lobisomem. Apenas eu sobrevivi. — Caspian ficou em silêncio por um breve momento, recordando-se dos seus amigos mortos. — Quando me encontraram, eu mal me agarrava a vida e então minha mãe implorou para que minha tia me salvasse. — falou, cruzando as mãos sobre o balcão igual Charlotte. — Ela disse que não tinha jeito, que eu acabaria morrendo. No entanto, minha mãe lembrou de um feitiço que até hoje é proibido no mundo das bruxas. O feitiço de transformação em vampiro. —
—Sua tia acabou morrendo após realizar o feitiço e a sua mãe ficou como âncora, não foi isso? Desse e do Outro Lado. — indagou, franzindo as sobrancelhas levemente confusa ao tentar lembrar da história.
—Sim. Como a minha transformação foi diferente, Charlotte, a forma para me matar também é diferente. — respondeu, chegando ao grande xis da questão e automaticamente ficando em estado de alerta para lidar com a reação da sua esposa. — Uma estaca de madeira cravada no meu coração me mata, mas apenas por ora. Eu costumo acordar alguns dias depois, mas como eu estava enterrado não tinha noção do tempo preso naquele caixão. Comecei a dissecar por causa da falta de sangue e só consegui sair de lá depois de uma semana e meia com ajuda da Genevieve e logo após… —
Caspian parou de falar ao notar que Charlie não estava mais o ouvindo. Ela mantém seus olhos nos deles, mas o duque sabia que ela não estava ouvindo mais nenhuma das suas palavras. Charlotte só conseguia ouvir um zunido insistente em seus ouvidos ao mesmo tempo que sentia toda dor e sofrimento pela morte do seu marido durante esses três séculos retornarem com tudo.
Era como se alguém estivesse lhe enfiando uma estaca de madeira por todo seu corpo repetidas vezes ou como se a Madeline estivesse fritando o cérebro dela sem parar.
—A Charlie vai surtar. Estou sentindo o surto dela vindo com todo esse silêncio ensurdecedor. — Nicholas comentou, andando de um lado para o outro no quarto de Christian.
—E vai surtar com razão, né? O duque devia ter contado essa parte crucial da transformação dele para ela! — o Garcia retrucou, sentado em sua cama com uma garrafa de whisky nas mãos.
—Gente, isso não parece certo. — James falou, sentindo-se mal por Nick e Chris estarem ouvindo a conversa de Caspian e Charlotte. — Se a Charlie souber que vocês estão xeretando, ela vai matar vocês. É uma conversa meio íntima, não acham? —
—O Caspian era meu amigo e cunhado. Eu mereço saber a história também, não? — o Downey falou levemente ofendido pelo Harrington não ter lhe contado sobre isso. — Porque ele foi transformado por bruxas, ele não morre com uma simples estaca de madeira no coração e o Caspian simplesmente não contou isso para a Chuck, esposa dele! —
—Não é como se a Charlie não fosse nos contar depois sobre como o marido dela voltou dos mortos. — o Garcia mais novo deu de ombros, tentando não demonstrar o quão surpreso estava pelo duque ter ocultado algo tão crucial da ruiva.
—Shhh. A Lottie está falando! — Christian falou, fazendo os dois calarem a boca e ouvirem a resposta da duquesa.
—Por que não me contou sobre isso? — perguntou em tom baixo, calmo, tranquilo.
E lá no fundo, Caspian sabia que isso não era um bom sinal.
—Charlotte… —
—Por que caralhos você não me contou sobre isso, Caspian? — o tom agora era mais bravo, decepcionado e raivoso.
O som da mão dela batendo no balcão da cozinha enquanto levantava assustou o duque, fazendo-o levantar da banqueta também e dar um passo para trás. E em outra ocasião Charlotte acharia graça daquilo, mas não hoje, não agora.
—Por que diabos você não me contou sobre isso? — esbravejou novamente. — Por acaso você tem ideia do quanto eu sofri durante todo esse tempo achando que você estava morto? Três séculos, Caspian! Três malditos séculos sofrendo pelo único homem que eu já amei durante toda a minha vida! Tantas e tantas noites em que eu acordei chorando porque tinha sonhado com você vivo e bem, com você do meu lado. Me abraçando, me beijando… — disse, sentindo seus olhos marejarem conforme sua respiração ficava ofegante. — Dizendo que me amava. — sussurrou, o olhando nos olhos e vendo que ele não estava em uma situação melhor que a sua.
A dor e a culpa tomavam conta do rosto de Caspian, mas mesmo assim Charlotte não se deixou abalar.
—Eu cheguei a ter ataques de pânico nos primeiros anos, sabia? Chega a ser engraçado uma vampira ter ataques de pânico, mas aconteceu. — riu sem humor, limpando com raiva as lágrimas que escorreram pelo seu rosto. — E eles só paravam quando eu bebia todo o sangue de alguém até não sobrar uma única gota. Você deve ter ouvido sobre a história de um vampiro que matou todos os moradores de três aldeias próximas a Transilvânia em 1670, não é? Incluindo as crianças. — o duque arregalou levemente os olhos, chegando a conclusão do que Charlie estava falando. — Pois é, Caspian, fui eu. Foi o pior ataque de pânico que eu já tive durante esses três séculos, porque eu simplesmente não conseguia parar de beber o sangue das pessoas mesmo estando satisfeita. Logo depois dessas aldeias eu fui para outra e eu quase matei todos os moradores novamente, mas o Nick apareceu e me ajudou. E depois eu tive que lidar com a maldita culpa. — ela soltou mais uma risada, balançando a cabeça. — E pensar que tudo isso poderia ter sido evitado se você, querido marido, tivesse me contado que você não morria com a porra de uma estaca no coração! — gritou, fazendo Caspian arquear a sobrancelha.
—Acha que você foi a única que sofreu durante todo esse tempo, Charlotte? Sim, eu errei em não te contar a respeito de como eu morria, mas você falando assim parece até que eu fiz de propósito. —
—E onde você estava, hein? Por que caralhos você não me procurou assim que saiu do caixão, hum? — indagou, aumentando o tom da voz esquecendo que toda essa gritaria poderia acordar Madeline.
—Porque até uns dias atrás eu tinha a total certeza que você estava morta, inferno! — gritou de volta, respirando fundo enquanto passava as mãos pelo cabelo comprido.
—O que? Como assim achou que eu estava morta? Por que diabos você passaria três séculos acreditando nisso? — questionou confusa.
—Quando Genevieve me desenterrou e me tirou do caixão eu… —
—Espera, espera. Genevieve? A governanta do castelo? — perguntou, arqueando a sobrancelha. — Você está me dizendo que aquela velha mal humorada sabia que você não morria com uma estaca de madeira e eu, a sua esposa, não sabia? — o Harrington fechou os olhos, se preparando para mais uma onda de gritaria da ruiva. — Não, espera. — murmurou, fazendo o moreno a encarar um pouco confuso. — Se aquela velha sabia que você não estava realmente morto por que… — a sua fala ficou presa na garganta quando finalmente chegou a conclusão. — Aquela velha vagabunda sem escrúpulos! Como eu odeio aquela mulher! — xingou, começando a andar pela sala enquanto ainda xingava a governanta de todos os nomes possíveis.
—Charlotte? — chamou, ainda confuso.
—Ela me ajudou a procurar pelo seu corpo que a Amber jogou na floresta, ela me ajudou a organizar um enterro, ela me ajudou com tudo, Caspian. Tudo! — respondeu, sentindo sua cabeça doer de tanta raiva. — Ela sabia que você não estava morto e não me contou. Ela até chorou dizendo que tinha perdido um ótimo patrão! —
—Charlotte… a Genevieve foi quem me disse que você estava morta. — falou, chamando toda atenção da ruiva, que ainda xingava a governanta, para si.
—Como é? —
—Assim que eu saí do caixão e me alimentei, a primeira coisa que perguntei foi sobre você. Onde você estava, como você estava… e ela me disse que você estava morta. —
—Como é que é? — repetiu, ainda mais desacreditada do que estava ouvindo.
—Ela tinha provas. Atestado de óbito, o médico que fez a autópsia do seu corpo, testemunhas, uma lápide com o seu nome no cemitério de Nova Orleans no mausoléu dos Downey… — falou, aproximando-se da sua esposa. — Genevieve me contou que você não suportou todo sofrimento que minha morte te causou e por isso acabou tirando sua própria vida. — confessou, a olhando nos olhos enquanto segurava suas mãos.
—Sabe que eu jamais faria isso. — falou, dando um passo para trás e soltando-se do toque dele.
—Vai me dizer que durante todo esse tempo nunca cogitou fazer isso? Porque eu sim, inúmeras vezes. — disse, fazendo com que Charlotte baixasse a guarda por um momento.
—Isso só me faz odiar mais ainda aquela mulher. Por que ela fez isso? O que ela ganhou com isso? — perguntou, dando as costas para o Harrington e indo até sua mesa de bebidas. — Ela sabia sobre você então ela queria ser transformada? Não, ela era velha. Ninguém iria querer ser transformado para parecer um velho durante a eternidade. —
Ela levou o copo com whisky até seus lábios, mas não bebeu o líquido. Encarou Caspian com os olhos semicerrados, o que causou um erguer de sobrancelha nele.
—Quando vocês se conheceram? — perguntou.
—O quê? —
—Você e a Genevieve. Quando e como se conheceram? —
—Em 1613, em um baile, eu acho. Por quê? —
—Ela gostava de você, não era? —
—Sim, mas o sentimento não era recíproco e eu deixei isso bem claro quando ela me pediu para trabalhar como governanta e… —
—Pensava em me contar algum dia que a Genevieve tinha algum interesse amoroso em você? — arqueou a sobrancelha.
—Você nunca fez do tipo ciumenta, querida, e deixou bem claro que não queria saber sobre romances passados. —
—É verdade. — murmurou. — Eu devia era ter pedido para você hipnotizar ela para pedir demissão quando tive a chance. — resmungou, bebendo seu whisky.
—Charlotte, ela era uma bruxa. Hipnose não funcionaria com ela. — disse com um sorriso de lado.
—Eu sabia! Ela tinha mesmo uma pegada semelhante a bruxa do João e Maria. Ah, mas eu vou pedir a Maddie para invocar o espírito dessa bruxa mequetrefe e tirar essa história a limpo. — falou, sem se dar conta do olhar que recebia de Caspian. — Eu passei três séculos inteiros sofrendo por um homem que estava vivo e bem. A propósito, por que você não foi atrás do Nick? Preferiu acreditar na palavra de uma bruxa, um médico, várias testemunhas, um atestado de óbito e uma lápide? — indagou, encarando o marido e sentindo seu corpo esquentar ao perceber o olhar penetrante que recebia até alguns segundos atrás.
—Eu fui atrás dele, mas nunca consegui encontrá-lo. Ninguém nunca tinha ouvido falar de um híbrido, o que me fez estranhar bastante porque o Nicholas não é o tipo de pessoa que costuma não se gabar por algo que ele tem e os outro não. — a ruiva murmurou um "é verdade", enchendo seu copo novamente. — E eu não tinha o sangue ou algum pertence dele para fazer um feitiço de localização. —
—E nem iria funcionar. Durante todo esse tempo usamos bruxas para impedir que outras bruxas nos localizassem através de algum feitiço de localização. Precaução, né bebê? —
Os dois ficaram em silêncio por um tempo, apenas encarando um ao outro algumas vezes enquanto a ruiva bebia seu whisky. Até que Caspian deu alguns passos a frente, apoiando-se no encosto do sofá.
—Então nós estamos… —
—Como você morre? — interrompeu, não querendo ouvir o fim da pergunta do marido.
—O quê? —
—Como você morre, ora essa. Tem que ser uma estaca com um tipo de madeira especial? Sei lá, madeira de freixo? Salgueiro? —
—Está planejando me matar, Charlotte? — arqueou a sobrancelha, sorrindo.
—Olha aqui, eu tenho o direito de saber a resposta para essa pergunta, ok? Eu deveria ter essa resposta desde o século XVII! — respondeu, fazendo o duque rir levemente.
—A minha tia conseguiu fazer o feitiço, obviamente, então ela ligou a minha vida a vida da 23° geração da sua linhagem. — disse, novamente ficando em alerta e se preparando para a reação explosiva de Charlotte. Isso passou despercebido pela ruiva.
—Vigésima terceira geração? Como sua tia morreu e sua mãe não podia mais ter filhos eu achei que a linhagem dos Harrington tinha morrido com a gente. — falou, levemente confusa.
—Não, Charlotte, você perdeu uma parte dessa história. — disse, respirando fundo. — A minha tia foi uma filha fora do casamento. Minha avó teve um caso com um bruxo Martínez. —
—Martínez? A mesma linhagem da Maddie? — falou, confusa. Até que Charlie balançou a cabeça repetidamente, entendendo do que se tratava. — Não, não, não. —
—Charlotte… —
—Não! — ela se aproximou de Caspian. — A Maddie? Jura? Está me dizendo que você só morre quando a Maddie morrer? — sussurrou, tentando não correr o risco da própria Madeline ouvir essa parte da conversa. — Mas que merda! Como a gente desfaz essa ligação? Tem que ter um jeito, porque se a Amber souber disso vai ser como matar dois coelhos com uma cajadada só. —
—Eu não sei como desfazer. —
—O quê? — gritou. — Como você não sabe desfazer um feitiço que te envolve? Pelo amor das minhas botas, Caspian! — ralhou, jogando os braços para o alto incrédula.
—Era o século XV, Charlotte, a Madeline só nasceu no século XX. Por que eu iria me preocupar com isso cinco séculos adiantado? — perguntou, também em um sussurro.
—E como a gente vai descobrir isso agora, hum? A sua tia que fez o feitiço está morta e a sua mãe está… você por acaso teve notícias da sua mãe durante todo esse tempo? —
—Ela aparecia para me visitar de século em século. Ou era de década para década, não me recordo bem. —
—De década em década? Caspian, eu estou a um passo de enfiar uma estaca no seu coração por pura raiva, tem noção disso? — ameaçou, vendo um sorriso aparecer nos lábios do marido. — Está rindo de que? Porque esse seu sorrisinho aí só está me dando mais raiva. —
—Eu realmente senti falta disso. — confessou, ainda com um sorriso nos lábios. — Tanta falta, Charlotte. —
—Não me vem com essa. — disse após um tempo em silêncio. — Você aparece na minha casa depois de três séculos inteiros enquanto eu achava que estava morto, me diz que também passou esses 354 anos acreditando que eu estava morta, me conta que a sua vida está ligada a da minha melhor amiga e que você não tem ideia de como desfazer essa ligação, e agora diz que sentiu falta desses meus surtos e sabe-se lá mais o que! — ela ergueu o dedo em riste para Caspian. — Eu não tenho psicológico para isso, ok? —
—Eu sei qual joia foi usada para selar a ligação, se isso ajuda você a se acalmar um pouco. — disse.
—Se você me disser que é uma joia que foi vendida e está, sei lá, enterrada com o cadáver de alguém em outro continente eu juro que… —
—Está no seu pescoço. —
Charlotte baixou o olhar lentamente até o colar antigo de prata em seu pescoço, pegando-o entre seus dedos e passando o polegar pelo cristal de safira azul. Lembrou de Caspian ter lhe dado o colar logo após a noite de núpcias, dizendo que era um presente muito importante que representaria todo amor que ele sentia por ela e pedindo que jamais o tirasse do pescoço.
—Agora eu entendo porque nunca precisei mandar ele para restauração. Tinha feitiço próprio. — murmurou. — Você confia demais em mim. E se eu tivesse vendido ou perdido esse colar? Já imaginou o sufoco que seria encontrá-lo? —
—É claro que eu confio em você, Charlotte, eu te amo. —
Durante esses 300 anos, Caspian só sonhava em poder ter a chance de dizer essas palavras novamente para sua amada esposa e não para uma lápide. E durante esse mesmo tempo, Charlotte só queria ouvir essas três malditas palavras saírem da boca do seu único amor nem que fosse uma única vez.
—Eu… eu vou para o meu escritório. — a duquesa falou após um bom tempo em silêncio.
—Charlotte. — ele segurou sua mão, fazendo-a encará-lo. — Não quero que pense que eu vim aqui para forçá-la a voltar comigo. Eu apenas precisava te ver nem que fosse uma última vez. Contar a verdade e tirar todo o sofrimento futuro que viria se você continuasse a acreditar que eu estava morto. Você merecia a verdade. —
—É, eu merecia toda a verdade desde que você me contou que era um vampiro. Isso teria poupado séculos de sofrimento tanto para mim quanto para você. — disse com toda mágoa evidente em seus olhos e voz. — Pode continuar aqui em casa. Usa o quarto do Caleb, é no final do corredor a direita. Tem bolsa de sangue no freezer no porão. Não quero correr o risco da Amber descobrir que você está vivo e tentar te matar de novo. Do jeito que ela é, vai acabar descobrindo que sua vida está ligada a da Maddie e isso é a última coisa que eu quero. — puxou sua mão, livrando-se do toque do duque e subindo a escada.
Sentiu o olhar dele em suas costas enquanto caminhava pelo corredor até seu escritório. E apenas quando ela já estava no cômodo foi que ela permitiu que as lágrimas viessem com tudo.
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