Oak City, Virgínia, Estados Unidos

Quinta-feira, 06:32 pm

—Eu estou começando a ficar preocupado. — Nicholas falou após sua ligação cair na caixa postal de novo. — Eu devia ligar para a bruxinha? —

—Maddie acabou de mandar mensagem dizendo que Charlie deixou ela em casa e foi falar com a prefeita. — Dylan respondeu, descendo as escadas. — Ela não vê a Charlie desde a manhã e não teve notícias desde então. —

—Então ela está com a prefeita? Eu não tenho o número dela. —

—Eu tenho. Eu ligo para ela. — disse o caçador, discando o número de Lucy.

—Vocês não estão se preocupando a toa? É a Charlie. Ela provavelmente ficou ocupada demais organizando o baile e ficou longe do celular. — James sugeriu, cruzando os olhos.

—Mais fácil ela jogar tudo a respeito dessa organização para o alto e sumir da cidade. — Dylan respondeu com um pequeno sorriso. — Prefeita Lucy? É o Dylan. —

—Oi, Dylan. No que posso ajudar, querido? —

—Eu queria saber da Charlie. Ela disse que iria falar com você, mas estamos ligando para ela há horas e não temos retorno. —

—Ah, a Charlie passou aqui no meu gabinete pela manhã. Pediu uns dias de folga da organização do baile e eu dei, porque ela merece e também não era tão necessário assim a presença dela nesses dias. —

—Então ela não está com você? —

—Não, ela me disse que pretendia sair da cidade um pouco. — Dylan encarou Nicholas que começou a resmungar pela casa. — Ela não avisou a você? —

—Não. Quero dizer, ela comentou que queria sair da cidade por uns dias, mas não avisou que seria hoje. — mentiu, coçando a nuca. — Mesmo assim, obrigado, prefeita. —

—O que precisar, querido. —

Dylan encerrou a ligação a tempo de Nick começar a xingar a irmã em alto e bom som.

—Ela saiu da cidade sem avisar a ninguém e com a Amber atrás dela! A Charlotte tem merda na cabeça, só pode! —

—Vocês tem alguma ideia de para onde ela pode ter ido? —

—Alguma cidade vizinha? Acham que ela iria muito longe? — James indagou.

—Olha, eu sei que ela precisava de um tempo longe de todo esse drama envolvendo o Caspian, mas sair da cidade sem avisar? Em um dia normal eu aceitaria isso numa boa, mas a Amber está por aí e ainda tem a situação da bruxinha! Ela sair da cidade quando a amiga está passando por um momento difícil como aquele com o ex namorado babaca? —

O som de notificação de mensagem chamou a atenção dos três. Dylan encarou o visor e suspirou, aliviado.

"A Charlie está aqui em New York comigo. Chegou agora a pouco então não se preocupem. E se ela perguntar, não fui eu quem avisou a vocês."

—É do Caleb. Ele disse que a Charlie está em New York com ele. — avisou.

—A Charlotte foi bater em New York? — o tom de voz usado por Nicholas fez James recuar um pouco para mais perto de Dylan.

Pelo que ele aprendeu durante esse século de convivência com a Charlie e o Nick, sabe que o temperamento dos irmãos Downey não é lá dos melhores.

—Pelo menos ela não está sozinha. — Dylan respondeu, tentando amenizar a situação.

—Quando ela voltar não vai ser a Amber quem vai matá-la, serei eu. — proferiu e então saiu de casa batendo a porta com força.

—Eles deviam trabalhar esse temperamento difícil com um terapeuta. — o Garcia comentou.

—A Charlie tentou nos primeiros anos que esteve aqui na cidade. Hipnotizou a terapeuta para lidar com o assunto sobrenatural com tranquilidade e não contar jamais seus problemas para ninguém e nem registrar as sessões. Só que não deu muito certo. — disse, fazendo uma careta ao lembrar do ocorrido.

—O que aconteceu? — perguntou, encarando o caçador.

—Ela matou a terapeuta. — respondeu, olhando para o vampiro que arregalou os olhos levemente, balançando a cabeça desacreditado.

—Se não funcionou com ela, com o Nick que não iria funcionar mesmo já que ele é metade lobisomem. — murmurou.

—Acho que a única coisa que funcionaria para acalmar esses dois é bebida e sexo. —

***

Manhattan, New York, Estados Unidos

Quinta-feira, 08:57 pm

—Celular do Garcia mais lindo, inteligente, gostoso e divertido. Pois não? —

Charlotte sorriu.

—Olá, Garcia mais lindo, inteligente, gostoso e divertido. — a ruiva ouviu uma pequena risada do outro lado da linha. — Como estão as coisas por aí? —

—Ah, está a mesma coisa monótona de sempre. Nenhum sinal da sua irmã psicopata, até agora não tive o prazer de ver sua obra de arte no rosto do humano babaca ex da bruxinha, James cortando meu barato nessa cidade, tentei conversar com o seu marido, mas ele não quis papo, ainda está recluso no quarto. Ainda está com a prefeita? Que horas você volta? —

Charlie franziu as sobrancelhas, sentando na cama do quarto de hóspedes do apartamento da mãe do Caleb em New York.

—Chris, onde você está? —

—Como assim onde eu estou, Lottie? Estou na sua casa, te esperando com um jantar delicioso. São turistas da Grécia, acredita? —

—Não, não acredito. E sabe por quê? Porque o Caleb mandou uma mensagem para o Dylan avisando que estou aqui em New York com ele. — falou, levantando da cama e andando pelo quarto já sentindo a raiva crescer. — Então onde você está, Chris? —

—Você está em New York? — perguntou surpreso.

—Não gosto que me respondam com outra pergunta e você sabe disso. —

—Christian, ela não está aqui, mas disseram que ela pode estar Ottawa. —

Charlotte parou de caminhar pelo quarto, não acreditando no que tinha acabado de ouvir.

—Essa é a voz do Caspian? —

—Caspian? Que Caspian? — o vampiro fez-se de desentendido.

—Christian, vocês saíram de Oak City mesmo com a vida do Caspian ainda ligada a da Maddie? — perguntou, novamente naquele tom calmo e sereno que tanto o Harrington quanto o Garcia sabiam que não era um bom sinal.

—Veja bem, Lottie, nós saímos da cidade justamente por causa disso. Você mandou o duque dar um jeito de encontrar a mãe dele para poder desfazer o feitiço, não foi? Então, nós dois viemos juntos procurar pela sua sogrinha. —

—Vocês dois? Sozinhos? —

—Se quiser ir com a gente podemos passar para te buscar em New York, é caminho. Qual sua localização, sweet child? —

—Se eu ver vocês por aqui, taco fogo nos dois já deixo avisado. —

—Ei, isso é injusto já que o único que morrerá serei eu. — protestou, ouvindo a ruiva respirar fundo.

—Onde vocês estão? —

—Filadélfia. — Caspian quem respondeu. — Mas foi uma pista inútil. Disseram que ela saiu daqui faz alguns meses a caminho de Ottawa. —

—Por que não usam um feitiço de localização? —

—Ela usa um feitiço que impede que outras bruxas a localizem, igual você e o Nick. — o duque respondeu novamente. — Nunca dá uma localização precisa. —

—Hum. Vê se não morrem. — disse simplesmente, encerrando a ligação.

—Quem era? — Caleb perguntou, entrando no quarto todo arrumado. — Eu ouvi sua voz irritada, mas não entendi nada. Espera, você ainda não está pronta? —

—Eu só preciso ligar para o Dylan e termino de me arrumar. — murmurou, procurando o número do caçador na sua lista de contatos.

—O que aconteceu? —

—Chris e Caspian estão viajando por aí atrás da minha sogra. — respondeu, levando o celular até a orelha enquanto chamava. — Eu sumo por umas horinhas e ninguém me conta mais nada. — resmungou.

—Você praticamente fugiu, ruivinha, esperava o que? — riu, sentando na poltrona e recebendo uma travesseirada na cara da vampira.

—Charlie, onde você está? — a ruiva revirou os olhos.

—Não banca o sonso que eu sei que o Caleb te mandou uma mensagem dizendo que estou aqui em New York. O idiota esqueceu o celular desbloqueado nas mensagens em cima da mesa. — encarou o amigo que se encolheu.

—Droga. — o lobisomem resmungou da poltrona.

—Não podia ter mandado uma única mensagem avisando? Sério? — o caçador indagou.

—Do mesmo jeito que vocês me mandaram uma mensagem avisando que o Christian e o Caspian saíram da cidade atrás da mãe do Caspian? — rebateu.

—Char… —

—Não quero saber. Eu liguei só para avisar que a Maddie não tem ideia de que a vida dela está ligada ao do Caspian, ok? Então, conte a ela. —

—Ah, não. Não, não, não. Isso é assunto seu, da Maddie e do Caspian. Ela não tem que saber por mim. — falou, fazendo a Harrington respirar fundo. — O primeiro que chegar na cidade que conte a ela. Por que você não contou, Charlie? —

—Depois do episódio de ontem ela merece um dia de descanso dessa história toda de vingança. — suspirou. — Ela pode se proteger sozinha, mas por via das dúvidas pede para o Nick ficar de olho nela, ok? Ele é mais velho que a Amber então se por algum acaso ela for atrás da Maddie, a força de um híbrido será suficiente. —

—O Nick não está muito feliz pela sua pequena viagem e eu não sei se enfrentar um híbrido poderoso irritado com um pedido seu é a melhor… —

—Ou você pede isso a ele ou conta a Maddie que a vida dela está ligada a do Caspian. —

—Ok, eu falo com o Nick. — Charlie sorriu. —Quando você volta? —

—Daqui dois dias. —

—Charlie! —

—Vê se não morrem. —

Charlotte encerrou a ligação encarando Caleb que apressou em pedir desculpas pela mensagem.

—Relaxa, lobito. Sabia que você acabaria avisando a eles mesmo. — deu de ombros, abrindo uma das inúmeras sacolas de compras sobre a cama.

—Meu Deus. Achei que viraria churrasquinho. —

—Não seja dramático. —

—E você não seja muito vaidosa. A boate não vai ficar esperando pela gente a noite toda. — disse ao notar que a ruiva ia para a terceira sacola, procurando uma roupa que gostasse.

—Ah, vê se não enche. —

***

Ottawa, Província de Ontário, Canadá

Sexta-feira, 07:20 am

—Por favor, me diz que ela está em algum hotel cinco estrelas daqui. Se eu tiver que passar mais seis horas dentro de um carro com você, eu me jogo do carro em movimento. — Christian reclamou, recebendo um suspiro do duque.

—Não será de um carro em movimento e sim um avião. —

—Ah, não. Ela está em outro continente, sério? — ele jogou a cabeça para trás. — Por que eu fui me oferecer para te acompanhar nessa busca? —

—Achou que encontraríamos ela na primeira parada? —

—Você não? — o olhou, cruzando os braços.

—Ela é uma bruxa de quase 600 anos, Christian. Sem contar que ela também serve de âncora para esse e o Outro Lado. Então eu vou te perguntar de novo: achou mesmo que encontraríamos ela na primeira parada? — arqueou a sobrancelha, também cruzando os braços.

—Agora que eu parei para pensar. A sua mãe tem que aparência? Porque ela não é uma vampira e está viva a quase seis séculos! —

—Quando a encontrarmos, não comente sobre a idade dela, por favor. Não vai querer irritá-la, acredite em mim. — falou, abrindo a porta do carro e entrando no mesmo.

—Ok, mas como ela envelheceu? Ela envelheceu alguma coisa durante todo esse tempo ou conservou o corpo de quando foi transformada em âncora? — perguntou, entrando no carro também e encarando o duque.

—Que aparência você acha que ela tem? —

—A aparência de uma velha, obviamente. Já encontrei algumas bruxas de séculos passados que conservaram seus corpos durante o tempo, mas o relógio ainda assim continuava girando para elas. E sua mãe está viva a quase seis séculos. —

Caspian soltou uma risada, voltando seu olhar para frente.

—Vai engolir suas palavras quando a ver. —

—O quê? Vai me dizer que ela continua uma top model, sei lá? —

—Você verá. Agora anda, para o aeroporto. Não se preocupe, eu pago as passagens. —

—Eu que não iria pagar. Já basta os gastos com a gasolina. A propósito, espero que sejam passagens para a primeira classe. — falou, dando a partida no carro. — Minha bunda merece um assento confortável com um bom espaço para as pernas e comida das boas. —

—Eu devia ter escolhido o James para me acompanhar. — Caspian murmurou.

—E onde que o James sabe se divertir? Você teria o deixado para trás na primeira parada, acredite. — respondeu. — Para onde vamos agora? —

—Praga. —

—Tá de sacanagem. Não podia ser Londres ou a Itália? Quem sabe até a França. — reclamou novamente, fazendo o Harrington revirar os olhos.

—Como é que a Charlotte te aguenta? — questionou, o encarando.

—Ah, duque, ficaria surpreso ao saber a resposta para essa pergunta. — disse com um sorriso cafajeste.

Caspian balançou a cabeça, voltando a olhar para a estrada e o silêncio se instalou por alguns segundos.

—Há quanto tempo vocês se conhecem? —

—Desde 1916. Eu estava atacando a carótida de algumas mulheres em um bar na Romênia quando ela apareceu. — respondeu, um sorriso aparecendo em seus lábios quase que automaticamente. — Acredita que ela teve a audácia de fingir ser uma humana que estava incrédula com um cara mordendo o pescoço de uma mulher qualquer? E eu, idiota todo, fui até ela e a "hipnotizei" para não gritar e nem se assustar. Quando tentei mordê-la, ela rapidamente me imobilizou e me prendeu contra a parede mais próxima. Acabamos virando amigos. Apresentei ela ao meu irmão e nós três passamos os anos 20 juntos mundo afora. —

—Devem ter sido anos divertidos. — comentou com um pequeno sorriso ao imaginar Charlotte na década de 20.

—E foram. Para onde a Lottie vai, ela leva a diversão consigo. — suspirou, parando em um semáforo. — Eu vou ligar o rádio. —

—Ah, não. O caminho inteiro você quem escolheu as músicas. — protestou, virando para encarar o Garcia.

—Que mentira, duque. Eu te deixei escolher uma vez. —

—Justamente. Uma vez. Estamos viajando a quase um dia inteiro e você só me deixou escolher a música uma única vez. —

—E você escolheu Guns N' Roses. Agora eu quem te pergunto: como que a Charlotte te aguentava? —

—Eu vou te jogar desse carro em movimento. — ameaçou.

—Adoraria ver você tentar. — Christian desafiou.

Os sons da buzinas dos carros atrás do Evoque de Christian fez eles pararem de discutir e colocassem o carro em movimento. Até o caminho para o aeroporto a rádio permaneceu desligada.