Laços de Cristal

5 Capítulo 5 - A carta, traição... segredo


Notas iniciais
Último capítulo

Foi então que Miguel desabou na cadeira

– Será? Assassinado? — sussurrou

Miguel desesperado, foi até à casa de Artur e explicar toda a situação, logo a mãe de Artur caiu no choro.

– Não acredito que alguém possa ter feito isso com ele — disse a mãe dele

– Calma querida, ainda não temos prova. A pancada na cabeça pode ter sido um tombo na cachoeira, um escorregão que pode ter causado…

Foi então, que Miguel contou tudo que havia acontecido no acampamento, sobre o jogo, sobre o caso dos dois, sobre as provocações de Lara.

– Gay? — perguntou a mãe de Artur

– Você também, Miguel? — disse o pai de Artur, contendo um certa repulsa em seu tom de voz

– Nós… mantínhamos tudo em segredo. Não queríamos manchar minha reputação e nem a reputação de Artur, mas como eu disse, ele acabou se envolvendo demais e…

– Como não percebi isso antes? — perguntou a mãe indignada, o pai de Artur estava com os braços envolvendo a mãe. Os dois estavam em uma cena típica de conforto emocional.

Miguel abaixou a cabeça

– Então, precisamos investigar o que aconteceu de fato, mas continuo não crendo que alguém dos amigos de Artur tenha tido capacidade de matá-lo, seria crueldade demais.

Os pais de Artur então, entraram com um recurso de investigação do que havia acontecido com seu filho.

Todos os amigos, foram chamados para prestar depoimento do que havia acontecido. A essa altura, Miguel havia revelado sua homossexualidade, e foi quando Lara sorriu debochada para Clarissa, consumando sua suspeita.

Os dias se passaram e nada de encontrarem algo de suspeito entre os amigos. Os policias insistiram na idéia de que Artur havia escorregado, batido com a cabeça na pedra da cachoeira, ocasionando um traumatismo e desmaiando, caindo na cachoeira se afogando. Depois de alguns meses, os policiais puseram fim ao caso, alegando apenas que Artur havia escorregado nas pedras. Os amigos acabaram se distanciando, os laços haviam quebrados como cristais, não haveria conserto, nem remédio.

Bernardo, tentava manter o bom relacionamento com todos, e até funcionava. Sempre fora muito simpático e gentil para que os outros amigos se distanciassem dele.

Lara, estava seguindo sua vida e mantinha amizade com Clarissa.

Helena aparecia esporádicamente, parecia que a morte de Artur havia lhe causado muito sofrimento e foi sumindo do circulo social dos amigos aos poucos.

Miguel, assumira sua homossexualidade inclusive para seus pais, e para todas as pessoas a sua volta, e ao invés de ser o galinha com as meninas, passou a ser galinha com os meninos e sua agenda era interminável, sempre tinha um correndo atrás dele.

Bernardo havia passado um e-mail para todos os amigos, marcando um encontro com todos eles, estava com saudades e queria tentar reconstruir os laços perdidos. Todos os amigos confirmaram, com exceção de Helena, e os amigos já imaginavam.

Passado alguns dias, chegou o dia do encontro. Os amigos estavam rindo, conversando e soltaram algumas lágrimas ao lembrar de Artur e o quanto ele gostaria de estar ali naquele momento. Eles estavam em uma praça, reunidos, quando a mãe de Helena chegou.

– Meninos… — chegou ela com os olhos marejados

E a mãe dele Helena explicou para os amigos que encontrou a filha morta, enforcada no quarto há semanas atrás, com uma carta por dentro de sua blusa, e ela quis esconder tudo que havia acontecido pelo que estava escrito na carta, os amigos chocados com a revelação da mãe, logo abriram a carta para entender o que havia acontecido:

“Tantas confusões…

Tantos desencontros, encontros e encontros forçados. O que explica a morte de Artur, um encontro forçado e a minha, um desencontro, emocional, eu diria.

Meus grandes amigos, que depois dessa carta provavelmente me odiarão por toda a vida de vocês, não poderia conviver com tal culpa, é doloroso demais.

Tudo começou quando ouvi uma conversa de Artur com Miguel nos corredores da faculdade. Artur, ingenuamente, dizia a Miguel que Lara suspeitava do amigo e Miguel, arrogante dizia que não ligava para tal fato. Artur continuou a questiona-lo, quando acabou dizendo como ficaria a relação dos dois. Foi o suficiente para confirmar que os dois eram gays.

Meu instinto egoísta acabara de ser aflorado naquele momento. Entendi o motivo de Miguel ter me rejeitado várias vezes, sempre com a mesma desculpa de que eu era infantil, mas ao mesmo tempo, não entendia o motivo de ele ficar com diversas garotas além de mim, me sentia rejeitada. Voltei para casa nesse dia arrasada e destroçada. Queria matar Miguel.

Quando Artur sugeriu o acampamento, entendi que seria uma ótima oportunidade de desmascarar Miguel na frente de todos e lavar minha honra… a essa altura, eu já não teria honra alguma.

No acampamento, sugeri a brincadeira do verdade e consequência, sabendo que Lara aproveitaria do jogo para destruir toda a reputação de Miguel, como acontecera. Estava satisfeita, Miguel estava arrasado e eu estava fazendo pouco de como Artur estaria se sentindo naquele momento. Na mesma noite, peguei Artur pensando sozinho na fogueira, quando ouvi nitidamente que ele queria matar Lara, quando o questionei e ele apenas respondeu: porque sim.

Logo após isso, nós brigamos e ele confessara que todo acampamento teria sido invenção para matar Lara e ficar com Miguel, além de vingar tudo o que ela teria feito. Quando meu egoísmo falou mais alto novamente, e um surto de ciúmes, inveja, loucura… Peguei uma das lenhas da fogueira e bati com força na cabeça de Artur fazendo-o desmaiar, o arrastei até a cachoeira e de lá o joguei para que morresse afogado. Voltei para o acampamento e dormi tranquilamente. Eu sou uma pessoa horrível. As semanas se passaram, e a investigação não foi encontrando dados suficientes para incriminar qualquer um de nós. Porém, eu já estava profundamente arrependida do que havia feito, e a única solução que eu encontrei para isso, do meu jeito egoísta, foi me igualar a Artur nesse apagão da vida.

Não lhes peço perdão. Não sou digna disso, entreguem essa carta a quem merecer saber da verdade. Aqui eu me despeço, deixo meu sentimento saudoso para com todos vocês e observarei esses laços frágeis que foram destruídos naquele acampamento, e esperar que eles se solidifiquem novamente.

Adeus,

Helena”

Notas finais
Espero que tenham gostado da história. Suas críticas, sugestões serão sempre bem-vindas da forma que vierem (e-mail, mensagens privadas, comentários...) Caso queria saber algo além da história, bater um bapo ou outra coisa, segue meu e-mail: hugoamorims@gmail.com Obrigado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!