Laços de Cristal
4 Capítulo 4 - A morte, o desespero... laços destruídos
Notas iniciais
Quando o dia amanheceu, todos já estavam se arrumando para ir embora.
– Finalmente hora de ir embora — disse Lara
Clarissa logo a olhou com reprovação
Miguel saiu de sua barraca estava com os cabelos desarrumado como alguém que acaba de acordar
– Alguém viu o Artur? Tenho a impressão de que ele não dormiu na barraca a noite toda…-disse
– Como assim? — perguntou Bernardo
– Ontem a noite, todos nós fomos deitar mas ele ficou do lado de fora, como eu dormi rápido acabei não prestando atenção se ele entrou ou não na barraca.
– Vamos esperar um pouco, pode ser que ele tenha acordado cedo pra caminhar um pouco, ele ficou bem chateado com a volta pra casa — disse Helena
– Talvez ele esteja apenas tomando banho na cachoeira, se despedindo… — disse Lara
– Vou até lá procurar por ele — disse Miguel
– Vai atrás do namorado — resmungou Lara
Miguel ignorou
– Então vamos todos, se ele não estiver na cachoeira a gente se divide e procura ao no entorno da floresta. — disse Clarissa
– Tudo bem… — concordou Miguel e todos foram para cachoeira
A cachoeira ficava a cinco minutos de caminhada do acampamento, enquanto andavam os amigos gritavam pelo nome de Artur.
Quando avistaram a cachoeira de longe, não viram nenhum sinal de Arthur ao redor.
Continuaram caminhando e até que viram Artur, boiando na cachoeira desacordado.
– Artur! — gritou Clarissa; — Socorro!
– Meu Deus! — começou a chorar Helena
– Não adianta gritar, ninguém pode nos ajudar aqui — disse Bernardo desesperado
Miguel estava gelado, imóvel e não conseguia pensar em reagir
– Tirem ele de lá — gritou Lara
Bernardo rapidamente se jogou na cachoeira e puxou Artur até a superfície.
– Ele tá respirando? — perguntou Lara aflita
– Não sei — respondeu Bernardo
Bernardo encostou seu ouvido perto do nariz de Artur e nada escutou
– Ele está respirando? — gritou Miguel aflito
– Acho que não… — respondeu Bernardo com um pesar
Miguel se ajoelhou ao lado de Artur e aplicou um movimento que talvez ajudasse a respira e pressionou seu tórax.
– E ai? — perguntou Helena
Miguel apertou o pulso de Artur e ficou pálido quando não sentiu nada
Clarissa começou a chorar
– Fala Miguel, fala alguma coisa — disse Lara
– Acho que está morto… — disse Miguel
Bernardo ficou chocado assim como todos os outros
– Não tem pulso, ele está gelado… — completou
– Não — disse Lara com choro nos olhos; — Será que ele se matou? Por minha causa? — gritou Lara desesperada
Clarissa abraçou a amiga tentando confortá-la
– Não sabemos se foi de fato suicídio — disse Miguel
– Por favor, Miguel. Você acha que algum de nós seria capaz de matar alguém? — perguntou Bernardo
Miguel abaixou a cabeça
– O que temos de fazer agora é procurar por socorro, alguém precisa caminhar até a cidade e pedir ajuda, não podemos ficar com o corpo aqui — disse Helena
– Helena tem razão, temos de chamar alguém — disse Clarissa
– São três horas caminhando… Não podemos carregar o corpo até lá — disse Miguel
– Bom, eu posso ir sozinho até lá e chamar ajuda — disse Bernardo
– É arriscado, se for alguem de fora que tenha matado o Artur é arriscado ir sozinho — disse Helena
– Mas também não podemos ficar sozinhos aqui na floresta enquanto a maioria vai — disse Lara, ainda abalda
– Então eu vou com Bernardo, enquanto Helena, Miguel e Lara ficam aqui — disse Clarissa
– Ótimo, vamos — disse Bernardo
– Sabia que vir sem celular poderia ser ruim, sabia… — disse Lara choramingando
– O que vocês precisam fazer agora é voltar para as barracas e ficar até nós voltarmos com a ajuda. — disse Clarissa
– Eu carrego o corpo até lá — disse Miguel, visivelmente arrasado
Clarissa e Bernardo foram correndo buscar ajuda, ainda era de manhã, provavelmente a ajuda estaria de volta até o fim da tarde.
Quando chegaram nas barracas, os outros amigos estavam visivelmente abalados, Miguel sentou ao lado do corpo do amigo e não parava de chorar, Clarissa e Helena assistiam a cena.
– Helena, acho que ele fez isso por minha causa… — choramingou Lara
– Todos nós estávamos visivelmente alterados ontem, não foi culpa de ninguém, se acalma — disse Helena abraçando a amiga.
A cada minuto que passava, Artur perdia a cor da vida, estava morto e sua morte seria um mistério para sempre.
Miguel começou a chorar do lado do amigo, e Lara foi confortá-lo.
– Não temos o que fazer, ele se foi… — disse
– Culpa sua! — gritou Miguel
– Minha? — perguntou Lara chocada
– Você fez a vida do garoto um inferno no jogo, você… — Miguel não conseguiu terminar a frase, sua garganta estava tomada por um choro doído
– Não é hora de brigas, parem — disse Helena
– Tem razão… — concordou Miguel
Os amigos sentaram ao redor do corpo de Artur que cada vez estava mais branco e gelado e esperaram até que chegasse o socorro.
Algumas horas depois, os outros amigos voltaram com a ajuda, os bombeiros logo colocaram o corpo de Artur na maca e levaram pela floresta a fora. Quando todos conseguiram sair da floresta, o sol estava começando a se por.
Ao chegarem na delegacia da cidade de Tombos, os amigos deram seu depoimento sobre o que havia acontecido no acampamento, inclusive as discussões que haviam tido.
Os policias levaram em conta que eram brincadeiras e brigas de amigos, e nenhum amigo saiu com risco de culpa pela morte de Artur.
Eles tiveram de se hospedar em um hotel da cidade, até que os pais fossem buscá-los no dia seguinte, o corpo de Artur já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal.
Na manhã seguinte, os pais dos jovens chegaram a cidade, a mãe de Artur chorara a noite toda. Desde o começo havia sido contra o acampamento, agora sabia o porquê.
– Meu filho… — chorava ela ao reconhecer o corpo no IML.
Os pais de Artur providenciaram todos os trâmites para realizar o translado do corpo de Artur de volta ao Rio de Janeiro para enfim, realizarem o enterro.
Cada amigo, no dia do enterro deu seu depoimento sobre Artur, as lágrimas eram sofridas e Miguel sentia um peso enorme por tudo que lhe causara, mas agora era tarde demais. Estava junto de Lara, que também estava com peso na consciência sobre tudo que tinha feito ao amigo no acampamento.
Miguel pedira a cópia do laudo da morte de Artur para seus pais, e entregar na faculdade. Quando se atentou a um fato que nem os próprios pais de Artur haviam prestado atenção.
No laudo dizia:
“Forte pancada na cabeça, causando leve traumatismo craniano, desmaio e afogamento”
Artur fora assassinado. Miguel se deu conta disso, e ao que tudo indica por um de seus amigos, pois não havia ninguém naquela floresta.
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