Laços de Cristal
3 Capítulo 3 - O jogo, as verdades… a discórdia
– A gente pode usar a lanterna, quem a luz focar deverá ser a pessoa perguntada ou desafiada — disse Bernardo
– Perfeito — respondeu Lara
– Eu giro — disse Helena; — Clarissa pergunta ou desafia Helena
Os outros do grupo fizeram um som de suspense.
– Helena… — começou Clarissa
–... Verdade — interrompeu
– Então vamos lá… Diga pelo menos uma pessoa daqui que você tinha tido vontade de transar.
E todos se chocaram com a pergunta. Helena ficou vermelha.
– Bernardo — respondeu
– E por que você não me disse isso ontem? Artur, hoje eu divido barraca com Helena.
– Larga de ser safado
– Minha vez de girar — disse Miguel; — Helena pergunta para mim.
– Verdade ou desafio? — perguntou
– Desafio — respondeu
– Beije uma pessoa da roda que você sempre quis pegar — disse
Miguel lentamente caminhou até Clarissa e lhe deu um mega beijo
O restante do grupo todo aplaudiu a cena.
– Uau — disse Clarissa; — Por essa eu não esperava… Bom, minha vez.
– Eu pergunto para Artur — disse Lara
Artur gelou
– Verdade ou consequência? — perguntou
– Verdade — respondeu Artur
– Por que você não se assume? — perguntou Lara
Artur gelou. Ele preferia tomar um tiro no peito, ou morrer queimado vivo, se afogar num lago sem gritar por socorro do que passar por esse momento. Todos o olhava com dúvida, inclusive Miguel e isso o machucou ainda mais, tinha se doado tanto por ele nunca tivera nada em troca, mas não ligava pra isso.
– Assumir de que? — perguntou Artur tentando disfarçar o tom da voz e descontrair
– … que você é gay? — terminou Lara
– De onde você tirou isso? — perguntou Artur
– É visível. Você não se relaciona com garotas desde que eu te conheci, nunca fala sobre elas… E sempre te vejo observando Miguel.
– Mentira… Você sabe que isso é mentira…
– E você sabe que isso é verdade…
A roda ficou em silêncio, todos esperavam uma resposta de Artur que respirou fundo e disse:
– Por medo… — começou
– Medo? — perguntou Helena
– Medo de não ser aceito, medo do que eu poderia sofrer, medo de tudo que seria desconhecido pra mim — respondeu
Todos continuaram em silêncio
– Medo desse silêncio… — continuou
– Acho que deveríamos conversar sobre isso outra hora, mas Artur. Eu continuo te amando… — disse Bernardo
– Eu também — completou Clarissa
– Obrigado — disse Artur; — Eu giro.
– Miguel pergunta para Lara — disse Clarissa
– Verdade ou consequência? — perguntou Miguel ríspido
– Verdade — respondeu
– Por que você é invejosa a ponto de detonar o Artur pra toda roda desse jeito?
– O quê? Você tá maluco? De onde você tirou isso? Pirou! — gritou Lara
– É verdade! — disse Miguel
– Tá defendendo seu namorado, é? — perguntou Lara
– Namorado? — gritou Miguel
– Chega! — gritou Bernardo; — Eu vou girar essa porra dessa lanterna, e quem cair vai responder sem briga, sem discussão e sem nada.
Miguel e Lara se recolheram em seu canto e finalizaram a discussão.
– Artur pergunta pra Lara — disse Bernardo
– Verdade ou consequência?
– Verdade
– É verdade que toda essa revolta, foi por que o Miguel te rejeitou? Assim como rejeitou Helena? — perguntou Artur
– Não me mete nisso! — gritou Helena
– Ele é gay! — gritou Lara; — Quer saber? Não brinco mais disso, até porque eu sou bonita demais pra ter sido rejeitada por um homem de verdade. Só gays fariam isso.
Lara terminou seu discurso e voltou para sua barraca
– Vacilo — disse Bernardo pra Artur
– Eu não ia deixar aquilo barato — respondeu; — Vou para minha barraca.
– Eu vou com você — disse Miguel
Artur se encheu de alegria, mas não demonstrou
– Não. Vão pensar que você tem um caso comigo, melhor ficar com outra pessoa.
– Eu não ligo pro que vão dizer, eu sou hétero e ponto.
E os dois entraram na barraca enquanto os demais ficaram do lado de fora comentando a brincadeira.
– que situação — disse Clarissa
– Eu que puxei a brincadeira… — sussurrou Helena
– A culpa não foi sua, relaxa — disse Bernardo; — Vamos, eu durmo com você hoje.
– Só me restou a Lara, vou ver como ela está.
– Boa noite — disseram
Na barraca de Miguel e Artur, os dois estavam em silêncio.
– Desculpa, eu não queria…
Miguel interrompeu Artur pondo o dedo em sua boca.
– A culpa não foi sua… Lara é uma invejosa.
– Por favor, se afaste, não quero te complicar mais
Miguel subiu em cima de Artur e lhe beijou
– Miguel… para…
E pela primeira vez, Miguel satisfez Artur, como ele queria.
Na barraca de Helena e Bernardo, os dois já estavam nus, eles sabiam o que queriam um com o outro naquele momento.
Bernardo havia levado camisinha em sua carteira, por precaução como ele mesmo diz, e Helena cedeu a beleza de seu amigo e os dois transaram.
Clarissa estava pensando em tudo o que havia acontecido. Artur se assumira gay; Miguel, o garoto na qual ela sempre fora afim estava com a fama de ser gay também, mas ao mesmo tempo havia lhe beijado de forma tão doce que não consegue confirmar essa informação.
– Clarissa, tira esses olhos de esperança… — sussurrou Lara antes de se virar e dormir
– Ele me beijou… — sussurrou, virou para outro lado e dormiu com brilho nos olhos.
No dia seguinte, o clima ainda pesava diante dos amigos. Já era o terceiro dia de acampamento.
– Eu acho que vou querer ir pra casa — disse Clarissa; — Pra mim o clima acabou.
– Concordo — disse Lara carrancuda.
– Poderíamos ir amanhã, ajeitávamos as coisas hoje e amanhã pela manhã partiríamos — disse Bernardo
– Pode ser — disse Miguel
Artur permanecia calado
– O que você acha Artur? — perguntou Clarissa
– Vocês são maioria. Estou com vocês — respondeu
– Vamos fazer mais uma fogueira hoje a noite para nos despedir da floresta, conversar e tentar recuperar toda energia positiva que existia aqui. — disse Bernardo
O dia passou lento, todos permaneciam em suas barracas. Artur estava se pegando em segredo com Miguel dentro da barraca, enquanto Bernardo e Helena fazia o mesmo, enquanto Clarissa e Lara conversavam sobre coisas aleatórias. Depois, foram tomar banho pelados pela ultima vez na cachoeira.
Artur pensava sozinho que tinha mais motivos agora para matar Lara e precisava fazer isso rápido, pois todo acampamento seria em vão.
Quando a noite caiu que os amigos se reuniram mais uma vez em frente a fogueira, conversavam apenas sobre seus passados e soltavam algumas risadas. Bernardo era o protagonista, sempre fazendo os outros rirem com seu alto astral.
Depois disso, todos se recolheram para suas barracas e Artur permaneceu do lado de fora.
– Preciso agir rápido — sussurrou; — Preciso matar Lara hoje a noite.
– Por que você quer fazer isso? — disse uma voz
– Porque sim — respondeu Artur com ira e viu que era hora de por a mão na massa.
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