Laços de Cristal
2 Capítulo 2 - O acampamento, a amizade… o vinho
2 semanas depois
Artur estava em frente ao seu espelho, se olhando, pensando em tudo que estaria por vir. Sua mochila, estava pronta ao seu lado. Chegara o dia do acampamento. Ao longo dos dias, havia aprimorado suas idéias, faria de tudo por Miguel, mesmo que para isso tenha que matar Lara.
Seu celular tocou, era Miguel. Seu coração acelerou em um ritmo frenético. Atendeu.
– Oi — disse
– Vou passar pra te buscar, meus pais vão levar a gente de carro pra rodoviária — disse
– Vou estar esperando na porta, em quanto tempo você chega aqui?
– Em uns 20 minutos
– Vou terminar de arrumar minhas coisas e desço — e desligou o telefone
Quando Miguel chegou à casa de Artur, ele estava na porta de entrada com sua mãe, esperando.
– Meu filho, cuidado. Não vá fazer nada imprudente — disse a mãe de Artur
Artur lhe retribuiu com um sorriso
– Você me conhece — respondeu
A mãe de Artur acenou para os pais de Miguel que estavam dentro do carro, e partiram para rodoviária.
Quando chegaram lá, o restante do grupo já estavam a sua espera. Artur pareceu achar que Lara cutucou Clarissa por os dois estarem chegando juntos, mas ignorou.
– Prontos? — perguntou Clarissa
– Mais do que nunca — respondeu Helena
– Não acredito que estou fazendo isso! Cinco — longos — dias numa floresta, longe das minhas roupas prediletas, internet, celular — resmungou Lara
Bernardo passou o braço pelo pescoço de Lara
– Você é tão velha as vezes… — e lhe deu um beijo no rosto
– Vocês são tão naturistas as vezes — respondeu com deboche
– Lara, você é essencial nesse acampamento. Sem você não teria graça — disse Artur
Lara o ignorou
Todos subiram no ônibus e se alocaram em seus respectivos lugares e se dividiram em pares: Lara e Clarissa; Bernardo e Helena; Miguel e Artur.
Estava de noite, eles queriam chegar a Tombos, cidade do interior de Minas Gerais logo pela manhã. A euforia do começo de viagem, fez com que alguns passageiros reclamassem do barulho, afinal, estava caminhando para madrugada. Após isso, não demorou muito para que alguns dormissem no ônibus.
Restando acordados apenas Miguel e Artur.
– Animado? — perguntou Miguel
– Sim… — respondeu fitando a janela
Os dois estavam sussurrando no ônibus para que ninguém os ouvisse.
– Por que você deu a idéia de um acampamento? — perguntou Miguel
– Sempre quis fazer isso… Aproveitei o calor e voilá — disse com um sorriso forçado
Miguel se ajeitou na poltrona e encostou a cabeça no assento.
Artur olhou pra ele, e não conseguia esconder o quanto gostava dele
– Você sabe que é impossível… — disse Miguel
E Artur voltou a fitar a janela
Miguel pôs a mão na perna de Artur que tremeu com seu toque, após isso Miguel virou para encarar o rosto de Artur, e Artur havia entendido o que Miguel queria.
Se certificou de que todos no ônibus estava dormindo, abriu a calça de Miguel e satisfez seu amigo mais uma vez.
Depois que o dia amanheceu, não demorou muito para que chegassem na rodoviária de Tombos, cidade do interior de Minas Gerais. Todos com suas respectivas mochilas gigantes de acampamento.
– Tão cedo e já está tão abafado — disse Lara limpando o suor que já brotava em sua testa
– Essa é intenção do acampamento, se livrar desse inferno — disse Artur
– Preferia continuar pegando algumas meninas da faculdade, mas quem sabe essa acampamento não seja bom — disse Bernardo
– Quem te viu, quem te vê, o nerd pegador. — disse Miguel tando um tapa no peito do amigo
– A trilha fica a uns 10 minutos daqui. Podemos pegar um taxi até a entrada da trilha, de lá nós entramos na floresta.
– Pelo menos um taxi pra aliviar — resmungou Lara
– Meu Deus! Como reclama! — brincou Helena
Não demorou muito para que conseguissem os taxis.
Logo que estavam na porta da trilha, Helena perguntou:
– Quanto tempo até encontrarmos um lugar?
– Temos que andar aproximadamente 3 horas até encontrar o lugar perto da cachoeira para nos dar um conforto maior.
– Conforto? Você quer que eu 3 horas? Com essa mochila pesada, deteriorando toda minha beleza pra dizer que vamos ter um conforto? — gritou Lara
O grupo caiu na gargalhada
– Nem Helena que é a caçula reclama tanto e nem eu que sou o mais velho — disse Bernardo
– Ai fica quieto — disse Lara
– Vamos logo antes que não consigamos chegar antes de anoitecer… — disse Clarissa
– O quê? — berrou Lara
– Brincadeira…
Depois de longas 4 horas de caminhada, o grupo conseguiu chegar no ponto perfeito para armar o acampamento, próximo de uma cachoeira.
– Eu fui enganada, 4 horas andando — disse Lara resmungando consigo mesma
– Pelo menos chegamos — disse Helena
– Vamos montar nossas barracas — disse Artur
– Você ainda me paga seu… seu…
Artur apenas deu de costas
Eles demoraram cerca de 2 horas para armar todas as barracas. Procuraram seus sacos de dormir, e deixaram tudo arrumado.
– O sol tá se pondo… — disse Artur
– Antes de dormir, eu trouxe uma garrada de vinho para comemorarmos o acampamento- disse Bernardo
Todos olharam para Lara esperando um comentário mal-humorado
– Estou quieta — respondeu
Foram armadas 3 barracas e os amigos se dividiram em duplas para dormir
– A gente pode ir revezando as pessoas com quem dividir a barraca — disse Miguel
– Acho uma boa — concordou Bernardo
– Hora de beber! — gritou Helena com a garrafa de vinho na mão
Depois de acabarem com a garrafa de vinho, alguns do grupo foram se deitar alterados.
– Eu estou indo… dormir...porque… sim — disse Miguel e entrou na barraca, Clarissa o acompanhou
Artur se mordeu de ciúmes e acabou dividindo a barraca com Helena, enquanto Bernardo fez isso com Lara.
Artur estava focado em conseguir o que queria, ainda ia matar Lara, ele teria 4 dias para isso.
Quando amanheceu, todos saíram de suas barracas com um começo de ressaca
– Ainda bem que eu trouxe só uma garrafa de vinho — disse Bernardo
– Galera, vamos à cachoeira tomar um banho — disse Artur
A cachoeira ficava a apenas uns 15 metros longe da barraca, o que não daria uma caminhada de 5 minutos.
– Essa água deve estar um gelo — disse Lara
– E está — disse Miguel tirando toda sua roupa, ficando nu e se jogando na água
– Meu Deus, eu preciso ver isso — disse Helena
Clarissa mordiscou os lábis e Lara ficou encarando aquela imagem
Enquanto Miguel nadava nu na cachoeira se divertindo, Artur observava suas amigas com muito ciúme.
– Está gelada mas está uma delícia, pulem — gritou Miguel
– É pra já — disse Bernardo, tirando sua roupa e pulando nu na cachoeira também
Artur que não queria ficar pra trás, também tirou sua roupa e se jogou nu na cachoeira. Na vez das meninas, Lara gritou:
– Virem o rosto pra lá!
E os meninos assim fizeram, e as três tiraram sua roupa depressa antes que eles se virassem novamente e pularam na cachoeira.
Depois do banho, os meninos foram procurar lenha pela floresta enquanto as meninas preparam alguns petiscos para assar na fogueira que fariam a noite.
– Você viu o Miguel? — comentou Clarissa; — Lindo demais…
– Como uma pessoa pode ser tão perfeita? Aquela barriga toda desenhada… aquea barba crescendo…
– Qual é, nem acho o Miguel tão bonito assim — disse Helena
Clarissa e Lara fuzilaram a amiga com o olhar
– Como? — questionou Lara
– Não acho… Prefiro o Bernardo — disse
– Bernardo é lindo mesmo, mas o Miguel é de longe mais bonito — disse Lara
– Parem que eles vem vindo — disse Clarissa
E os meninos voltaram carregando lenhas, todos estavam sem camisa, Clarissa suspirava a cada sorriso de Miguel.
– Tudo que conseguimos — disse Miguel
– Ótimo… Vamos esperar a noite para nossa fogueira.
Logo quando anoiteceu, os meninos acenderam a fogueira e todos se sentaram ao redor dela.
– Está meio frio aqui — disse Clarissa
– Eu te esquento — disse Bernardo abraçando ela
Clarissa soltou um sorriso constrangida
– Gente… — disse Helena; — Vamos jogar verdade ou consequência?
– Verdade ou consequência? Mas por que? — perguntou Artur
– Vamos… Não tenho nada a esconder mesmo… — disse Bernardo
Miguel e Artur se entreolharam e Lara percebeu.
– Então vamos ver se alguém aqui esconde alguma coisa — disse Helena animada
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