Laços Sanguíneos
12 Epílogo
Três anos depois.
Bella POV.
Droga. Droga. Droga.
Mil vezes droga!
Respirei fundo, mais uma vez, tentando me livrar daquela sensação, e me olhei no espelho; eu estava extremamente cansada e enjoada, e tudo o que eu queria era dormir, mas não podia.
Lavei meu rosto e suspirei, saindo do banheiro e indo até o closet. Virei-me e me encarei no espelho enorme que havia ali. Eu não era do tipo que gostava de usar esse tipo de roupas, saltos e tudo o mais que agora eu usava, mas quando se tem uma cunhada como Alice, é impossível você ser capaz de escolher as suas próprias roupas.
Só que eu não estava me sentindo confortável daquele jeito. Não porque eu estava de saltos e tudo mais, mas a calça jeans estava apertada, a blusa branca que eu usava parecia deixar meus seios maiores... Além do desconforto em meu estômago.
- Merda de comida estraga – sussurrei, suspirando logo em seguida.
Saí do closet antes que eu me atrasasse e peguei minha bolsa na cama. Olhei o relógio; ainda eram nove da manhã. A reunião era só às nove e meia. Passei pelo quarto – agora reformado – de Anthony, só para me lembrar que Edward havia saído mais cedo e tinha o levado para a escola.
Edward...
Mesmo tendo se passado três anos, seu nome ainda era capaz de despertar tanto em mim! Sorri feito uma boba só ao pensar em tudo o que tinha acontecido ao longo desses três anos.
Nós nos casamos um ano depois de nos reconciliarmos. Na verdade, queríamos nos casar na semana seguinte, mas Alice disse que não teria tempo de organizar um casamento, então resolvemos esperar até que eu estivesse formada e com um emprego – minhas exigências, já que não queria depender do dinheiro de Edward.
Anthony agora tinha quase quatro anos e estava cada dia mais lindo. Ele tinha os cabelos de Edward e a boca, mas no resto era totalmente parecido comigo.
Desci as escadas devagar, porque saltos e Bella não combinavam, então...
Ri, lembrando de quando cheguei uma vez ao hospital, com o tornozelo torcido, e Edward apareceu de seu plantão, correndo. Ele tinha ficado tão lindo preocupado.
Cumprimentei Clarita, nossa empregada, rapidamente, recusando o café da manhã. Meu estômago só piorava e só de pensar em comida eu ficava ainda mais enjoada.
- Lembre-se de ir buscar o Anthony às duas na escola, ok? – disse a Clarita, antes de sair.
Nós tínhamos decidido que seria melhor se Anthony estudasse de manhã, já que eu trabalhava só até três da tarde. Clarita ficaria com ele só por uma hora, então eu chegaria e ela iria embora.
A reunião na escola foi chata e cansativa. Quando eu saí estava ainda mais enjoada e com uma dor de cabeça tremenda. Dirigi até em casa mais devagar que o costume. Assim que eu cheguei, um tufo de cabelos acobreados veio correndo em minha direção.
- Mamãe!
- Oi, meu bem – murmurei baixinho. Beijei sua testa levemente, quando o peguei no colo, mas logo o coloquei no chão.
- A senhora está bem, Bella? – Clarita murmurou, levantando do chão. Sorri quando vi os brinquedos de Anthony ali. Ele sempre nos fazia brincar com ele.
- Um pouco de dor de cabeça, Clarita – sorri. – Você pode ir, ok? Eu vou ficar com o Anthony agora.
Ela assentiu e se despediu da gente.
Eu dei um banho em Anthony, como sempre fazia, e fiquei sentada no tapete com ele, acariciando seus cabelos.
Ele estava quieto – o que era um milagre –, então, encostei minha cabeça no sofá e fechei os olhos...
- Mamãe? Mamãe?
- Hmmm? – Abri os olhos e só assim me dei conta de que havia dormido. – Oh, meu bem, me desculpe.
Ele riu.
- É só que ‘tá tade, mamãe. Cadê o papai?
Olhei o relógio; eram seis e quarenta. Edward estaria aqui a qualquer momento.
- O papai chega daqui a pouquinho, está bem?
Eu me levantei, sentindo-me ainda mais dolorida, por ter dormido sentada e com a cabeça apoiada no sofá. Estava ainda com a mesma roupa de hoje cedo, mas só poderia tomar banho depois que Edward chegasse.
Levei Anthony até a cozinha e o coloquei sentado uma cadeirinha própria para sua idade. Rapidamente esquentei o jantar dele e deixei-o comendo, enquanto terminava de preparar o de Edward.
Faltava só terminar de preparar o suco, então, peguei uma cadeira, e subi. Abri a parte de cima do armário e peguei o açúcar.
- Papai!
Eu me virei, ainda na cadeira, e com o pote de açúcar na mão, sorrindo imensamente. Eu podia estar enjoada, cansada e com dor de cabeça, mas era só sentir a presença de Edward ou ouvir seu nome, que lá estava eu, sorrindo.
- Ei, garotão. – Ele abaixou e deu um beijo na testa de Anthony, bagunçando seus cabelos logo em seguida. Anthony sorriu continuando a comer. – E, você, senhora? Subindo em cadeiras com salto?
Eu ri.
Edward pegou o açúcar e o retirou de minhas mãos, colocando-o na mesa que havia ali. Depois ele me pegou pela cintura e me desceu.
- Oi – sorri.
- Oi, meu bem. Senti sua falta.
Ele me deu um selinho demorado e se afastou, quando ouviu as risadinhas do nosso filho.
Eu fiquei com Anthony enquanto Edward tomava banho. Ajudei-o com o dever de casa enquanto Edward comia, já que eu não estava com fome. Mal tinha comido o dia inteiro, mas o estômago não ajudava.
- Pronto – murmurei. – Vá dar boa noite para o seu pai enquanto eu guardo suas coisas.
Ele correu até a cozinha e eu ri ao ouvir parte de sua conversa com Edward. Escovei os dentes de nosso filho, coloquei seu pijama e esperei que ele dormisse.
Quando voltei para a cozinha, Edward terminava de lavar seu prato. Eu o abracei por trás e senti seu cheiro.
- O que foi, Bella? – murmurou, se virando. Percebi sua expressão preocupada. – Você não quis jantar comigo...
- Ah... Eu só estou meio enjoada e com dor de cabeça. Tudo o que comi hoje voltou, então...
Eu tinha pensado em mentir, mas Edward era tão preocupado quando se tratava de alguém que ele amava, que achei melhor contar a verdade de uma vez.
- Por que não me ligou, Bella? – perguntou, afastando-me e começando a me aliviar. – Quando foi que você vomitou? Quantas vezes?
Eu ri.
- Edward, é só um mal-estar, ok? Eu só preciso descansar.
Ele tentou me examinar, mas eu disse-lhe que precisava de um banho.
E é claro que o resto da noite tudo o que eu fazia, Edward estava ali, me avaliando.
_
Acordei muito cedo no outro dia e agradeci por ser uma sexta. Eu saía do trabalho duas horas mais cedo e era o dia de folga de Edward. Levantei-me e vi que faltavam quinze minutos para Edward acordar. Com fome, fui até a cozinha e comi alguma coisa. Aproveitei e preparei uma bandeja para Edward, levando para nosso quarto.
- Amor – murmurei. – Acorda...
Ele sorriu, ainda de olhos fechados, e se virou.
- Bom dia – riu. – Que milagre, você acordar antes de mim.
- Eu acordei com fome – dei de ombros.
Eu dei-lhe um selinho e arrumei sua bandeja. Edward sorriu e começou a comer. Eu peguei uma torrada sua e coloquei na boca.
Não foi uma boa ideia. Uma vontade louca de vomitar tomou conta de mim e eu corri para o banheiro, ouvindo Edward me chamar.
Ajoelhei-me diante do vaso sanitário e vomitei tudo o que tinha comido. Percebi que Edward segurava meus cabelos e falava alguma coisa, mas eu não estava ouvindo. Só queria que aquele mal-estar passasse.
Eu escovei os dentes e lavei o rosto.
Edward insistiu, mais uma vez, que eu fosse examinada, mas eu lhe prometi que se não melhorasse até a tarde, eu iria deixar.
Nós acordamos Anthony e o arrumamos. Edward o levou para a escola, já que eu trabalhava só às nove e meia. Tomei um banho e arrumei-me rapidamente. Ainda era cedo, mas eu queria ir ao médico – sem que Edward soubesse – antes de ir trabalhar.
Liguei para Alice e pedi que ela fosse comigo ao médico. Ela prometeu que não contaria ao Edward, então eu lhe disse que passaria em sua casa dentro de alguns minutos.
Alice e Jasper haviam se casado tinha quatro meses. Ela só trabalhava na parte da tarde, então eu dirigi até a sua a casa e quando cheguei, ela já estava me esperando.
- Confie em mim? – perguntou, assim que entrou no carro.
- Confio, por quê? – Eu a olhei, tentando entender o que se passava na cabeça dela.
- Ótimo – riu. – Vá até o consultório da Dra. Lee, então.
Confusa, apenas concordei.
Edward POV.
Bella era teimosa.
E, no passar desses três anos, cada dia eu via que não podia existir uma pessoa mais teimosa do que ela.
Ela se sentia mal e nunca me contava. Eu me sentia como um inútil, porque, como médico, eu deveria cuidar da minha mulher e do meu filho, certo? Do Anthony eu cuidava; quando ele resfriava, tinha uma virose ou algo do tipo. De Bella eu até cuidaria – se ela me contasse que estava passando mal.
Eu cheguei super cedo em casa naquela sexta-feira. Almocei o que Clarita preparou e a dispensei. Fui tomar banho e fiquei analisando alguns casos até que desse duas horas. Dirigi até a escola de Anthony e o esperei.
- Papai!
Eu sorri imensamente ao ver meu garoto correndo em minha direção. Peguei-o no colo e beijei sua testa.
- Ei, garoto – ri. – Como foi seu dia?
- Ótimo! – sorriu. Eu o coloquei na cadeirinha no banco detrás e voltei a dirigir para casa.
Dei-lhe um banho assim que chegamos em casa e alguma coisa para ele comer. Depois, nós nos sentamos no chão de seu quarto e começamos a brincar. Percebi que Bella já deveria estar em casa, ela geralmente chegava uns dez minutos depois que eu e Anthony, mas nada.
Preocupado, peguei meu celular e disquei para ela.
- Oi, amor – cantarolou.
- Ei – sorri. – Onde você está?
- Com Alice. – Eu não a estava vendo, mas podia jurar que ela estava revirando os olhos. – Ela me arrastou para fazer compras. Eu já ia te ligar para avisar.
- Claro – ri.
- Chego daqui a pouquinho, está bem? – murmurou. – Ah, Rose pediu para levar o Anthony para dormir com ela hoje. Eu disse que ia te ligar e perguntar. De acordo com ela, David está muito sozinho.
- Por mim tudo bem – dei de ombros, embora ela não pudesse ver. – Que horas ela vem?
- Ela me disse que passaria aí até as cinco, no máximo.
- Vou olhar com o Anthony se ele vai e arrumo tudo. Eu te amo e não demore. Quero examinar você e não aceito não como resposta.
Bella riu.
- Eu também te amo. Mande um beijo para meu pequeno e diga que amanhã cedinho eu vou buscá-lo, porque sei que vou morrer de saudades.
Eu ri.
- Tudo bem. Até logo, meu bem.
- Até!
É claro que Anthony concordou em ir, então eu deixei tudo preparado para ele. Foi Emmett quem o buscou, dizendo que Rose ficara em casa com o filho único deles – David. Ele era um ano e alguns meses mais novo que Anthony.
Fiquei sozinho até as seis, quando Bella entrou em casa cheia de sacolas nas mãos.
- Oi – riu.
- Ei – sorri também. – Que felicidade é essa?
- Eu prometo que conto logo, está bem?
Bella não quis que eu a ajudasse com as sacolas e subiu, dizendo que já desceria. Eu a esperei, impaciente, sentado no sofá, e logo ela voltou, com uma caixinha nas mãos.
- O que é isso? – perguntei, puxando-a pela cintura. Bella riu e caiu no meu colo.
- Abra – disse apenas.
Estreitei meus olhos para ela, mas fiz o que pediu. Retirei o laço e abri a tampa.
E meus olhos se arregalaram.
Porque ali, dentro daquela caixa, havia uma roupinha de bebê, branca com amarelo, e um par de sapatinhos brancos. Sorri.
- Você...
Mas não consegui terminar a pergunta, porque tudo se encaixava. O sono, o cansaço, os enjoos.
- Meu bem, você está grávida! – ri, beijando-a.
- Sim! – sorriu. – Eu não queria te incomodar e fui a uma médica hoje, por indicação de Alice. Eu estou com oito semanas.
- Ai, Deus!
Eu apenas a beijei mais uma vez, porque palavras não eram suficientes para expressar como eu me sentia.
_
Dois meses depois.
Novembro. Dentro de dois meses Anthony completaria quatro anos e dentro de três Bella e eu completaríamos três anos de casado.
Hoje eu me encontrava bastante ansioso. Bella estava grávida de quatro meses e alguns dias, e, se déssemos sorte, poderíamos saber o sexo hoje.
Todos estávamos ansiosos por uma menina, já que haviam dois meninos na família. Anthony ficou com um pouco de ciúmes no começo, mas agora estava animado com a chegada de seu irmão/irmã.
Tivemos que enfrentar aquela conversa de ‘da onde vinham os bebês’ e eu ri muito ao ver Bella corando.
- Bella, meu bem – gritei –, vamos nos atrasar!
Ela saiu do closet, linda, sua barriga já grande.
- Você está linda! – sorri, indo abraçá-la.
- Estou gorda – murmurou. Eu sorri ainda mais.
- Meu bem, é normal – ri.
- Eu sei. – Fez careta. – Vamos? Eu realmente estou ansiosa.
_
Palavras nunca seriam capazes de expressar o que eu estava sentindo naquele momento.
Porque eu, ali, ao lado de Bella, segurando sua mão, e ouvindo – apesar de eu conseguir visualizar bem – a médica dizendo o sexo do nosso bebê...
Era uma menina.
Uma menina.
E agora nossa família estava completa.
_
Quatro meses depois.
- Bella, por favor – pedi pela milésima vez –, se sente.
- Eu estou ótima, Edward – retrucou.
Bella tinha, há dois dias, completado nove meses. Estávamos certos de que nossa filha, Anne Marie Cullen, iria nascer logo, senão teríamos de apelar para uma cesariana.
Eu insistia para que ela repousasse, mas ela não me escutava, insistindo que estava bem e continuava a fazer o que estava fazendo antes.
Nesse momento todos nós estávamos na casa da minha mãe e Bella andava de um lado para o outro, sempre rindo e conversando. David e Anthony estavam brincando com meu pai e Emmett. Minha mãe estava conversando com Alice e Bella. E eu estava sentado no sofá, tentando convencer a minha mulher a fazer o mesmo.
Alguns minutos depois, ela veio em minha direção, as mãos nas costas e fazendo caretas.
- O que foi? – perguntei, ajudando-a a se sentar. – Alguma dor?
- Nas costas – deu de ombros. – Pontadas... Mas não se preocupe, eu venho sentindo isso tem uns dois dias.
Suspirei.
- Fiquei quietinha, está bem? – murmurei, acariciando sua barriga volumosa. – Você sabe que eu me preocupo com você.
Ela riu.
- Eu sei, meu bem, mas... – Ela fez uma careta enorme e respirou fundo.
- Bella...
- Estou bem, juro.
Nas próximas horas eu a observei de perto, sempre vendo-a se curvar um pouco de dor. Fomos para casa sem Anthony – ele iria dormir na casa de Rose – e tudo parecia estar normal, até que Bella foi ao banheiro e voltou com o rosto mais pálido do que o costume.
- A bolsa... – sussurrou. – Edward, a bolsa estourou.
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Três horas depois Bella e eu estávamos no hospital, esperando que ela tivesse dilatação suficiente, para que pudéssemos trazer Anne ao mundo. Eu estava nervoso, segurando a mão de Bella. Tudo bem que eu era médico, mas parecia que eu tinha me esquecido de tudo ao saber que minha filha estava nascendo.
Então, ouvi o choro.
Eu cortei seu cordão umbilical e tive o prazer de segurá-la no colo. O choro dela foi se acalmando aos pouquinhos enquanto eu a levava até Bella. Uma câmera estava ali por perto; uma enfermeira filmava o parto para nós.
E quando ela abriu os olhos... Tão verdes como os meus... Eu sorri como um idiota.
E mais tarde, quando Anthony veio ver Bella e conhecer a irmã, e quando a enfermeira trouxe Anne para amamentar pela primeira vez...
Eu me senti completo.
Porque, enfim, eu tinha minha família completa.
Eu tinha Bella, que surgira em minha vida de uma maneira que eu nunca poderia imaginar, fazendo-me apaixonar assim que a vi, tirando-me do sério... Poderia ter tudo sido diferente, mas não foi. Ela era a minha esposa, a mãe de meus dois filhos, e tudo estava como deveria ser.
- Eu te amo – murmurei, sorrindo. Ela abriu um sorriso cansado para mim.
- Eu também, meu bem. Muito.
Eu tinha Anthony, que entrara em minha vida de uma maneira totalmente diferente da que eu pensava que seria. Eu planejava me casar e ter filhos, mas o Anthony chegou primeiro. E em nenhum momento eu deixei de amá-lo. Ele, que naquele momento estava inclinado para ver a irmãzinha – que se parecia tanto comigo –, estava sorrindo, e eu sabia que tudo o que passamos tinha valido a pena.
E agora tínhamos Anne, nosso anjinho. Uma gravidez que me pegou totalmente de surpresa, mas que me deixou muito feliz. Eu acho que poderia ter uns dez filhos com Bella e em todas as vezes me encontraria ali, sorrindo feito um idiota. E eu tinha certeza, ao olhar naqueles olhos verdes de nossa menina, que eu faria de tudo por ela. Assim como faria por Bella e por Anthony.
Minha família.
Era engraçado pensar em tudo o que ocorrera, o que tivemos que percorrer e passar por cima para chegarmos ali.
E eu não mudaria nada do passado. Porque foram os laços sanguíneos que uniram Bella e eu. E, além deles, agora tínhamos o amor.
E seria assim para sempre.
Eu, ela e nossos bebês.
Nossa família.
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