Laços Sanguíneos
3 Capítulo Dois
Edward POV.
Os dias se seguiram rapidamente. Bella estava se adaptando bem; ela realmente levava jeito com crianças.
Eu passava as noites com meu filho, admirando-o, pensando em como seria no futuro. Eu faria questão de estar ao lado dele a todo o momento de sua vida, acompanhando seu crescimento.
Ele podia não ser o meu filho de sangue, mas eu nunca deixaria de amá-lo por causa disso.
Na terceira semana que Bella estava lá, consegui um dia de folga. Foi em cima da hora, por isso não teve como eu avisá-la. Ela não fez questão de ir embora quando soube.
- Não se preocupe, Edward – disse-me. – Eu já disse que gosto de ficar aqui. Além do mais, eu não tenho nada para fazer até o horário da faculdade.
Ela não me deixou cuidar do Anthony também, exigindo que eu descansasse. Eu não sabia explicar o porquê, mas gostava de vê-la cuidando dele, alimentando-o, dando banho... E ela sempre conversava com ele. Era simplesmente maravilhoso ver o modo que os olhinhos castanhos do Anthony ficavam presos no rosto de Bella. Ele parecia gostar dela.
- Você leva jeito – sorri.
- É – corou.
Bella era uma mulher linda. Estava no último ano, cursando literatura inglesa, e tinha bolsa integral. Ela ficaria comigo por um ano e disse que depois me apresentaria a outra babá.
Anthony completou quatro meses no dia 28 de novembro. Ele estava crescendo, ficando cada vez mais lindo – e mesmo não sendo meu filho biológico, muitos diziam que ele se parecia comigo.
Alice sempre aparecia aqui em casa, trazendo mais roupas e mais brinquedos. Eu via Bella sorrindo por isso, embora não entendesse direito o por que; eu já me acostumara com o jeito de Alice. Ela simplesmente amava fazer compras para todo mundo.
Bella ficava comigo no sábado até quatro da tarde. Eu não trabalhava, mas usava esse tempo para trabalhar nos casos dos pacientes que necessitavam. Porém, me recusava a passar das quatro; eu tinha um filho e ele precisava de mim.
Bella POV.
Anthony ficava a cada dia mais lindo. Ele já completara quatro meses, os cabelos escureceram um pouco – apesar de continuarem claros – e ele estava perdendo roupas muito rápido.
Não que isso fosse um problema, claro. Alice não deixava que o menino repetisse uma peça de roupa, e eu me via quase chorando por isso – ele estava com uma família ótima, tendo uma vida que eu nunca seria capaz de oferecer. Estava sendo bem cuidado, amado, e eu podia ficar perto dele, curti-lo um pouco.
Eu estava louca para contar a verdade logo, mas tinha medo. Medo de que Edward não me deixasse ficar perto do meu filho, medo de que eu o perdesse para sempre.
À medida que os dias foram passando, às vezes eu achava Edward familiar demais, como se eu o conhecesse de algum lugar. Julguei que fosse de um hospital – minha coordenação motora era péssima.
Eu me via perdida em seus orbes verdes, seu cabelo cor de bronze – familiar, apesar de não ser comum. Era como se eu o conhecesse de algum lugar.
Eu usava os domingos para continuar a buscar informações do pai de Anthony – eu não achava justo que ele não soubesse do filho, embora tivesse medo de que o recusasse –, sem obter sucesso, porém.
As coisas não eram fáceis, eu estava confusa, perdida, com medo e sozinha. Não tinha a quem recorrer, nenhum parente, nem mesmo um grande amigo. Eu nunca fui uma pessoa muito social na faculdade. Então, eu não tinha ninguém para conversar, confiar ou pedir conselhos.
Era nessa hora que eu mais sentia falta de meus pais.
Sentia falta do modo que meu pai se preocupava em silêncio, saudade do jeito inocente de minha mãe.
E pensar neles – meus pais e Anthony – era o que me dava forças ao deitar, ao me levantar, e lutar. Eu precisava dar uma vida digna ao meu filho, precisava que ele tivesse orgulho de mim. E precisava honrar a memória de meus pais, também.
Por isso, eu não pestanejava ao levantar todo dia cedo de manhã. Era com prazer que eu me arrumava, ansiosa, e corria para a casa de Edward. Porque eu veria meu filho – mesmo que ninguém soubesse que ele era meu – e teria a oportunidade de passar um dia com ele.
Ao chegar lá, eu sabia que tudo seria recompensado, só de vê-lo ali, os orbes castanhos – os meus olhos, os olhos do avô – me fitando. No futuro, eu esperava que tudo desse certo, que meu bebê pudesse me entender.
Alice agora não ficava mais comigo. Edward tinha uma empregada, então eu só ficava por conta das coisas de Anthony – e eu amava isso. Enquanto ele dormia, eu ficava lendo ou estudando, sempre próxima a babá eletrônica ou até mesmo lia sentada na poltrona do quarto dele. De vez em quando, Esme, a mãe de Edward, aparecia, para visitar o neto.
Eu já conhecia todos da família. Emmett – primo de Edward – e sua namorada Rosalie, Alice e Jasper, e Esme e Carlisle. Todos completamente agradáveis. Isso me deixava feliz; Anthony teria uma boa família, caso algo desse errado ou acontecesse algo comigo.
Assim que Edward chegava, eu me despedia com pesar de meu filho – embora tivesse certeza de que o veria no dia seguinte – e seguia para a faculdade. Lá eu estudava com afinco. Eu precisava de boas notas, nunca poderia me dar ao luxo de perder a minha bolsa integral.
Os dias se seguiam assim. Eu estava amando ser babá do meu filho, amando poder passar um tempo com ele.
E eu somente esperava que nada desse errado.
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Era um sábado e eu iria precisar ficar aqui até mais tarde.
Edward tinha um caso importante para analisar, então ele não poderia terminar tudo até as quatro da tarde. Eu não estava triste, pelo contrário; cada minuto com Anthony era precioso.
Então, já eram cinco horas e eu tinha acabado de trocar a fralda do Anthony e estava com ele na sala, no colo, assistindo a um desenho na TV. Meu filho estava no meu colo e olhava para a TV com os olhinhos brilhando, como se entendesse tudo o que estava acontecendo. Eu ria, principalmente quando ele balbuciava, como se quisesse conversar comigo.
- Você gosta de desenhos, não é, bebê? – ri. Era simplesmente maravilhoso ficar ali com ele.
- Você realmente leva jeito com crianças. – Eu não tinha percebido que Edward tinha chegado, mas não me assustei. Somente sorri, corando. – É adorável assistir vocês dois juntos.
- Sim. – Eu esperava que ele continuasse pensando nisso quando descobrisse toda a verdade. – Eu amo crianças. Pretendo dar aulas para elas depois que eu me formar.
Ele sorriu e se sentou ao meu lado. Anthony olhou para ele com curiosidade, sorriu um sorriso banguela e voltou a prestar atenção na TV, balbuciando. Eu ri novamente.
- Você vai precisar de folga no Natal, Bella? – Edward me indagou, sorrindo.
- Não. – Meu sorriso morreu, a medida que eu me lembrava de como os natais costumavam ser quando meus pais estavam vivos; esse seria o terceiro natal que eu passaria sozinha.
- Algum problema? – Ele realmente parecia interessado.
- Eu passarei o natal sozinha – sorri sem humor algum.
- Ah... Seus pais não moram aqui?
- Meus pais faleceram em outubro do ano retrasado... E eles eram filhos únicos e meus avós também faleceram...
- Eu sinto muito – disse-me. Eu sorri.
- Não sinta – dei de ombros. – Embora eu tenha ficado chateada e tenha sofrido, e muito, por um tempo, eu sei que eles estão bem, onde quer que eles estejam.
- Se quiser, Bella, você pode passar o natal conosco – sorriu. – Eu vou trabalhar só até o dia vinte e depois volto só dia dois de janeiro.
- Não precisa, sério – ri. – Eu gosto de passar o natal quietinha. E se você precisar, não me importo de trabalhar nesses dias. Eu gosto de ficar aqui.
- Tudo bem, você quem sabe. – Levantou-se e sorriu de novo. – Eu só vou tomar banho e você poderá ir, Bella.
- Tudo bem.
Sábado era o dia que eu menos gostava, porque eu não veria o Anthony no domingo. Um dia longe dele era muito para mim. Eu não queria perder nenhum minuto.
Então, eu esperei que Edward saísse do banho, despedi-me de Anthony e fui para casa.
Edward POV.
Bella era realmente agradável. Ela tinha um carinho e cuidado especiais com meu filho, e eu sentia que ela era confiável, que era seguro deixar o meu bem mais precioso aos cuidados dela.
Era domingo, eu não a veria hoje, e não entendia porque estava ansioso para que a segunda chegasse e eu a visse. Não seria muito, claro. Eu só a veria quando chegasse do trabalho e quando saísse do banho, antes de ela ir embora... Mas eu veria.
Anthony estava dormindo – eu tinha acabado de alimentá-lo – e eu estava na sala com Alice e minha mãe. Elas sempre vinham aqui, ficavam babando no meu filho.
- A Bella é uma garota agradável – mamãe disse e eu tirei os olhos da TV pela primeira vez e a olhei com os olhos semicerrados.
- Por que está me dizendo isso, mãe? – indaguei-a.
- Porque sim. – Deu de ombros, sorrindo. – Ela tem um carinho muito especial com o Anthony, Edward. Quando ela se casar e tiver uma família, ela vai ser uma boa mãe. Você podia convidá-la para passar o Natal conosco. É claro que ela deve trazer a família dela.
- Eu chamei – sorri. – Mas ela não aceitou. Ela disse que gosta de se manter quieta no Natal. Não tem pais; ela me disse que eles faleceram no ano retrasado.
- Nossa! – Alice disse, os olhos arregalados. – Coitada. Eu vou tentar convencê-la a vir passar o Natal aqui. Podíamos ir visitá-la agora, que tal?
- Acho que não é prudente irmos assim, sem avisar – eu disse. – E se ela não quiser vir passar o Natal aqui, Alice, temos que respeitá-la.
- É claro – sorriu. – Ela seria uma boa parceira para você, Edward. Imagina? Ela já ama o Anthony, seria uma excelente mãe, e poderia lhe dar mais filhos.
- Nem venha, Alice – revirei os olhos. – A Bella é só a babá de meu filho. E eu tenho certeza de que ela pensa em mim somente como seu patrão. E, de qualquer maneira, ela vai embora no ano que vem. Então, por favor, não venha com isso.
- Eu não vou falar mais nada – riu.
Eu apenas assenti, dando o assunto por encerrado.
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No dia seguinte, tudo estava bem calmo no hospital. Eu estava indo visitar alguns pacientes na UTI neo-natal e depois poderia ir para casa.
Assim que entrei lá, vi uma enfermeira mostrando um bebê para um pai que estava no corredor, observando tudo do vidro. Ele tinha um sorriso triste no rosto.
- O que aconteceu? – perguntei.
- Ah, a mulher dele faleceu no parto – murmurou a enfermeira.
- Claro – assenti. – Pode ir tranqüila, Caddy, eu vou pegar leite materno para ele e dou.
- Obrigada, Dr. Cullen.
Depois de alimentá-lo, fui até a lista de doação. Era sigiloso, as pessoas não sabiam quem doava leite materno – apenas os médicos e enfermeiros tinham acesso a essa lista.
E, ali, vendo todos os nomes, congelei.
Porque o nome Isabella Marie Swan estava ali. Minha babá. A babá do meu filho.
Saí dali o mais rápido possível e fui até a minha sala. Avisei a secretária que iria ir embora.
Eu precisava saber o que estava acontecendo.
Precisava saber por que Bella não me contara que tinha um filho e por que nunca mencionara sobre ele.
Bella POV.
O Dr. Cullen iria chegar daqui a meia hora e eu estava dando banho no Anthony. Ele mantinha os olhos castanhos abertos, as mãozinhas fechadas em punho batendo na água da banheira, que se espalhava, molhando-me toda. Eu sorria ainda mais vendo o sorriso banguela dele, enquanto ele balbuciava e soltava gritinhos alegres.
Na hora de sair do banho, geralmente ele soltava uns resmungos, mas logo depois parava. Enxuguei-o, passei a pomada, coloquei a fralda e o agasalhei bem. Dei leite para ele e me lembrei que antes de ir para a faculdade, deveria passar no hospital e deixar o leite que eu sempre doava lá.
Depois que o Anthony dormiu, decidi ir ler um pouco, até o Dr. Cullen chegar.
Eu estava na sala, quando escutei o barulho da porta se abrindo e estranhei. Edward chegaria só daqui a quinze minutos.
- Oi, Bella – disse ele, sorrindo um pouco.
- Ah, oi – sorri também. – Você chegou mais cedo hoje.
Ele se sentou na poltrona que ficava em frente ao sofá que estava e me encarou, hesitante, como se quisesse perguntar alguma coisa.
- Bella... – murmurou, mas depois se calou.
- Algum problema, Edward? – indaguei-o. Eu estava realmente curiosa.
- Bella, eu... – suspirou. – Hoje eu estava na UTI neo-natal e fui ver os registros de doação de leite materno, e...
Congelei.
Droga!
Ah, meu Deus!
- E seu nome estava lá – disse lentamente.
- Sim – mordi o lábio inferior.
- Você... Por que você não me disse que era mãe, Bella? Por que você nunca comenta nada do seu filho? E onde ele está?
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