Laços Impossíveis
10 Capítulo Extra - O outro lado [Parte 2]
Notas iniciais
N/A: As partes em itálico tratam-se de flashbacks.
O trecho a seguir conta a história dos capítulos 5 a 8 narrado por Kaname Kuran.
- Ela está em casa? – perguntou a voz feminina no outro lado do telefone.
- Sim, está no quintal com Aiko. – respondi apático.
- Creio estar tudo bem então. – Seu tom de voz de repente fica tenso. – Será que seria bom eu falar com ela? – estava indecisa.
- Acho melhor não. – falei com seriedade. – Não sabemos como ela irá reagir mais tarde. – tentei completar me justificando.
- Você está certo. Proteja ela Kaname! – ordenou minha mãe do telefone e em seguida desligou.
- Quem era? – pergunta Yuuki ao entrar na sala com Aiko nos braços.
- Um colega do escritório, nada para se preocupar. – e sorri para ela encobrindo minha mentira.
Não era a primeira vez que mentia, não era a primeira vez que nossa mãe ligava. Juuri e eu mantemos contato escondido, eu de Yuuki e ela de nosso pai. “Proteja ela Kaname!” Este era meu modo de protegê-la, sei que não era possível passar uma borracha no passado, mas o quanto menos eu pudesse fazer aquelas lembranças a atormentarem, assim eu faria.
O quão doloroso seria para Yuuki saber o que ocorria em Tóquio? Saber que nosso pai nos renegou e considerou nossa fuga como se fosse nossa morte. Mas será que também ela não desejaria saber de notícias? De sua amiga Yori talvez? Zero... Ela ainda pensava nele? Quantas vezes ele esteve em nosso caminho? E quantas vezes Yuuki o pôs lá? Ela sabia do meu ciúme, sabia como tocar em minhas feridas. Não, não era apenas ela, eu também a machuquei, mesmo que involuntariamente, eu feri a mulher que amo.
O som da festa era irritantemente alto, agora que Yuuki cumprimentava suas colegas sentia-me entediado e de certo modo nervoso. O local estava bastante cheio e aos poucos fui empurrado para mais perto da parede. Sayori ainda estava ao me lado e me estava ainda mais desconfortável com sua presença.
- Parece que Yuuki nos abandou. – Lhe ignorava, porém creio que não o bastante. – Isso não é bom? – perguntou levemente corada. O que ela pensava? Que todos os homens tinham interesse nela? Continuei a ignorar, como se não tivesse notado sua presença.
O que Sayori fez a seguir me impressionou mais ainda, ela tocou meu rosto com uma de suas mãos gélidas, virei meu rosto para ela, então ela me beijou ardentemente, estava artodoado, em choque com sua ousadia. Levei algum tempo para notar o estava acontecendo, então segurei em seus braços e forcei para que seu corpo se separasse do meu, empurrando-a, ela se assustou com minha reação.
- Então, por quê? – perguntou cabisbaixa.
- Wakaba eu não sinto nada por... – comecei a dizer, tentava me explicar.
- É ela não? – Me interrompeu. – Vejo como olha para sua irmã Kaname. Sabe que ela só irá sofrer com uma relação assim, não a machuque. – Ela serrou suas mãos em punho, tentava segurar o choro. Então ela havia feito aquilo para protegê-la?
- Eu não... – tentei desmenti-la, mas ela me interrompera novamente.
- Ei! Aquela não é Yuuki? – e apontou para o centro da pista de dança.
Senti meus olhos arderem, todo meu corpo estava em fúria. Fui na direção de Yuuki, em direção onde ela beijava ele, sem me importam com as pessoas no meio do caminho, as empurrando e ouvindo seus xingamentos. Ela o empurrou, mas já era tarde, o peguei pela camisa e lhe dei um soco no queixo, sem pensar, agindo como um animal. Um círculo já se formava a nossa volta, Zero cambaleou para trás e tentou revidar, porém concentrei toda a minha fúria nas mãos e lhe bati novamente, Yuki gritou, fiquei estático com seu grito de pavor, ela estava realmente assustada, os seguranças chegaram e apartaram a briga.
- Fique longe dela Kiryuu. – ordenei, antes que um dos seguranças me afastasse.
- Ficaria impressionado se dissesse que foi ela que me quis. – insinuava com um sorriso no rosto, como queria parti-lo em dois.
- Isso é verdade Yuuki? – meus olhos fixos nela. Não pude deixar de ouvir a provocação daquele...
- Erm! Bem... – enrolou, via em seus olhos, forcei me encarar. Como aquilo podia ser verdade?
Senti novamente a raiva pulsar dentro de mim, a peguei pelo braço força e arrastei para fora, agindo instintivamente, sem pensar, sem me importar com os olhos curiosos. Levei-a até um beco próximo, chovia e Yuuki chorava. Era este o efeito que tinha sobre você? Sofrimento.
- Não sabe o quanto é difícil para mim não é? – disse mais a mim mesmo que destinado a ela. Toquei seus lábios tremulamente. Ela, claro, não entendia. – Não faz sequer idéia do por que fui embora? – ela gesticulou que não. – Foi por você. – decidi falar, não esconderia mais aquilo que a tanto estava enterrado no meu peito, as pessoas começavam a perceber, ela não devia ser a última a notar.
- O q-que q-quer di-dizer com isso? – gaguejou, o quanto assustada ela estava?
- Por que ficou com aquele cara? – precisava saber primeiro, mas ela não me respondeu. – Yuuki? – a persuadi.
- Por que ficou com a Yori? – jogou em minha cara. Ela podia esta com c... Não.
- Eu não quis aquilo Yuuki, ela começou a me beijar. – tentei lhe explicar.
- Yori não é assim. – Tem razão, ela não é assim.
- Por que beijou o Kiryuu? – voltei a perguntar.
- Não diga besteiras. – Ainda sem me responder, ela tentou se soltar, então acabei a imprensando mais contra a parede. Agora minha teoria sobre seus ciúmes parecia mais plausível, por que me tentava esconder o motivo?
- Yuuki você me ama? – a pergunta saiu automaticamente.
- É claro que amo. – respondeu rapidamente, mas não era esse tipo de amor de qual falava. Minha cabeça dava voltas, o que ela sentia realmente? Eu precisava saber.
- Ele não é a melhor pessoa para você. – Falei rispidamente, meu lado egoísta tomando conta de meu corpo.
- Certo! ENTÃO QUEM É?
- Eu.
Então a beijei intensamente, forçando seu corpo contra o meu, colocando todos aqueles sentimentos guardados neste ato. O quão odioso eu era. Soltei-a ao notar o quão longe eu estava indo. Comecei a rir de mim mesmo, dessa minha alma nefasta e indigna. “Isto não está certo não é?”. Eu era repugnante por querê-la envolver deste modo.
- Está tudo bem, vamos arranjar uma solução para isso. – disse me abraçando, seu corpo estava quente apesar do frio que fazia.
Confissões foram feitas, atos esclarecidos. Ela me amava e mesmo que não o tivesse posto em palavras, eu entendi, compreendi finalmente que aquele sentimento era mutuo e pude me permitir sentir um ínfimo de felicidade. Aquela que me ensinou a palavra “esperança” foi você Yuuki. Mas eu não podia me permitir a isso... pecado. Quantos problemas essa relação nos traria?
- As pessoas desconfiariam, elas nos olhariam com horror, nunca poderíamos andar de mãos dadas, você suportaria isso Yuuki? – toquei em seu ponto fraco propositalmente. – E tem a nossa mãe... – e acabei falando demais, vi o medo em seus olhos.
- Nossa mãe? – afirmei com um gesto.
-- No dia em que você adormeceu em meu quarto, eu a levei para sua cama... – Parei, essa não era a confissão certa a fazer. – Entenda Yuuki, você era um anjo, tão linda! Deixei que meus lábios tocassem os seus.
- Me beijou.
- Sim. – não podia mais mentir.
- E nossa mãe viu.
- Sim. – agora não poderia mais desmentir.
Ela parou de respirar, seu corpo estava imóvel e aquilo me assustava, ela não estava bem, definitivamente.
- Yuuki, você está bem? Quer que eu te leve para casa? – comecei a sacudi-la.
- Não, não, Não, NÃO! – era a única palavra que murmurava. De repente se pôs de pé e para minha surpresa começou a correr.
- YUUKI, YUUKI... – comecei a chamá-la quando percebi que sumia do meu foco de visão. Era essa sua solução? Fiquei por alguns momentos parado, sem reação. O que estava fazendo? Ela estava indo embora, escapando de minhas mãos novamente. Levantei-me e tomei uma atitude, entrei no carro e comecei a procurá-la.
“Não me deixe assim preocupado”, pensava ao procurá-la em meio à chuva grossa. Para onde poderia ter ido? Para casa? Fui em direção a nossa casa, tomando cuidado para que meus pais não notassem o carro. Olhava para os lados constantemente em busca de um vestígio de Yuuki. Próximo a nossa rua, numa pequena pracinha, havia um corpo imóvel no chão. Saí na chuva e lá estava ela, desmaiada. A peguei nos braços e levei para a casa. Abri a porta e passei segurando Yuuki sobre os olhos espantados de Haruka e Juuri.
- O que aconteceu? – exclamaram ambos juntos.
- Ela desmaiou. – disse simplesmente enquanto subia as escadas.
- E por que esta toda encharcada? – perguntou meu pai, nos seguindo juntamente com Juuri.
- Quando saíamos, ela caiu e escorregou batendo a cabeça forte na calçada. – pensei numa desculpa rápida, que a meu ver não era nada coerente. Eles se entreolharam arregalando os olhos e fizeram um gesto negativo com a cabeça, sabia exatamente o que haviam pensando: “típico da Yuuki”. – Vou deixá-la aqui. – disse a colocando sobre a cama. – Pode cuidar dela mãe? – me virei para ela sério.
- Claro. – seu tom era maternal e preocupado. A deixei sobre seus cuidados e me retirei. No quarto me tranquei e deixei meu corpo escorregar na parede. Eu era altamente venenoso.
- E a febre? – perguntei a décima vez a Yuuki.
- Ainda está alta. – disse ela calmamente. Como ela podia ficar calma naquele momento? Sentia meus nervos pulsarem.
- Que maldição! – bufei. – Irei ligar para aquele médico novamente. – e me virei em direção ao andar inferior quando Yuuki me parou.
Aiko estava doente desde a noite passada. Quando acordamos e formos ver o motivo de não ter descido para o café da manhã, percebi que ardia em febre. Logo me vi em desespero. Gritei para Yuuki que correu escada acima do grande sobrado e calmamente mediu a temperatura de nossa filha. Foi ela que tomou o telefone de minhas mãos quando gritava com o médico.
- Calma Kaname, ele acabou de sair daqui e acabou de dar o remédio, eles levam tempo para fazer efeito. – disse brandamente. – Não precisa se preocupar, é comum crianças ficarem doente.
- COMUM?! – meus olhos se arregalaram, para mim era um mundo desconhecido, aquilo poderia ocorrer mais de uma vez?
- Shiii! Irá acordá-la! – e me arrastou para fora do quarto de Aiko. – Nunca foi criança? – confesso que apaguei boa parte desses momentos ruins de minha mente. – Com o que está preocupado?
- E se ela ficar dias assim? E se não for apenas uma doença física, mas psi... – a campainha tocou nos interrompendo.
- Não diga besteiras. De onde tirou essa idéia? – falou em tom de deboche, como poderia ser tão cabeça de vento? Você mesma ficou dias de cama e não era uma simples febre...
Estava em frente ao quarto de Yuuki, gostaria de vê-la, saber como estava, porém me faltava coragem. Ela estava de cama a algum tempo e estava realmente preocupado, a presença de um tio, até então para mim desconhecido, me fez ficar em alerta.
- Não menospreze o que ela tem passado, não é uma doença que se pega, mesmo que ficar boa parte da noite na chuva tenha contribuído... – o tom de voz duro vinha de uma voz que para mim não era familiar. — ...ela está neste estado porque quer permanecer assim. – Então...
- Então é psicológico? – era a voz de Juuri, seu tom de voz era trêmulo.
Estava em choque, não pude ouvir mais nada do que falaram. Eu era o motivo de sua doença, eu era o causador, eu era... o culpado. Era apenas nisso que pensava. A porta se abriu e vi o homem de olhos estranhamente diferente, me encarar, mas os meus estavam voltados para ela. Yuuki começou a chorar, confirmando minhas suspeitas. Era apenas minha culpa. E todos sabiam, todos entendiam, porém o que me deixava triste era saber que ela estava triste, que ela sofria. Nunca deveria ter me confessado, nunca!
Já faziam quase uma semana que Yuuki estava doente e eu havia tomado minha decisão. Eu tinha que deixá-la. Por vezes ela gritava durante a noite, brigava com todos da casa e se recusava a comer. Queria ter o poder de retirar toda essa dor dela. Nada mudaria se eu continuasse naquela casa, pelo contrário. E agora eu sabia que eu era o motivo de sua enfermidade, aquilo me torturava de tal modo que não achava outra saída. Esperei que meus pais chegassem e durante o almoço falei:
- Precisarei voltar para Londres? – não tirei os olhos do meu prato, eu remexia a comida com uma colher, mas não conseguia engoli-la.
- Por quê? Pensei que faltassem ainda uma semana para ir. – meu pai estava transtornado.
- Tem um novo caso, não posso recusar. – continuei sem olhar-lhe nos olhos.
- Mas, e sua irmã... – ele perguntou alterando a voz levemente, Haruka deu um soco na mesa e não conseguiu terminar sua frase.
— Querido se acalme! – minha mãe interveio. – Se ele diz que é importante... Veja bem, no que Kaname poderá ajudar? – e me lançou um olhar felino, sabia que compreendia e mais ainda, lançou-me em seguida um olhar terno e soube que ela concordava.
Sabia que meu pai se sentia mal com toda aquela situação, nunca havia passado por isto e se sentia um péssimo pai. A campainha tocou e Rido estava novamente em nossa casa, podia ver os olhos de Haruka arderem, eu sabia o que ele pensava, eu já vira aquele olhar no irmão de minha mãe, sentia o desejo por trás deles e os ciúmes por trás dos olhos de meu pai. Perguntava-me como seria a história deles, mas me perguntava ainda mais como seria a minha. Via meu futuro no semblante de meu tio.
Yuuki teve um acesso durante a tarde e tiveram que ceda-la. Eu parecia um fantasma que andava de um lado para o outro da casa, porém não ousava atravessar a porta do quarto dela. No dia seguinte uma das empregadas informou que ela ainda dormia, fiquei aflito. Consegui dormir durante a tarde e quando acordei não havia praticamente ninguém na casa, fui a cozinha, na sala, na garagem, encontrei meu pai no corredor estava de terno e arrumando sua gravata.
- Onde estão os empregados? – perguntei atônito.
- Os dispensei. — falou simplesmente. – Eu e sua mãe precisaremos sair, avisarei a Yuuki, se ela o chamar pode atendê-la?
- Sim. – respondi sentindo um nó se formar em minha garganta.
- Por que mesmo não avisa? Poderia ir até o quarto dela? – olhei para a porta de seu quarto no corredor e tremi, serrei os punhos tentando manter meu corpo instável.
- Acho melhor o senhor. – fui formal.
- Hum! – ele me olhou desconfiado. – Está bem!
Após alguns minutos meus pais saíram de casa, nós estávamos sozinhos... sozinhos.O quanto isso me incomodava? Mais do que desejava, fui até a cozinha beber algo, minha garganta estava seca. “Só precisava passar por mais esta noite” pensei, “amanhã tudo estará terminado”. Senti um nó na garganta e este nó apertou mais. Yuuki entrou na cozinha como um furacão, ela estava de camisola e seus olhos estavam vermelhos, antes que pudesse fazer algo ela meu deu um tapa na face com tal força qual achei que nunca teria. Senti minha pele arder.
- Idiota! – seus olhos cobertos de raiva e angustia. – Incessível, egoísta... – ela tinha razão, nunca teve tanta percepção, agora ela via o que realmente era.
- E-eu – não sabia o que dizer, me enrolei.
- Como pode? Ir embora novamente sem me dizer nada. – “Não entende?”
- Era necessário. – disse convicto.
- NECESSÁRIO O DIABO! – ela gritou me surpreendendo, estava realmente doente a tanto tempo? – Você ia fugir, simplesmente. – “Sim eu ia.” – Como acha que ficaria? Eu, eu... – ela chorava sem conseguir completar as palavras, queria abraçá-la, dissipar toda a sua dor. Eu não podia, não devia.
Todas as coisas que dizia, tudo que contra-argumentava, ela não entendia? Não conseguia perceber que queria protegê-la? Ela ainda estava fraca, cambaleou para o lado e a segurei, a coloquei na bancada da cozinha, estávamos próximos em demasiado. Eu estava me culpando, eu era o culpado, não via isso Yuuki? Ela era teimosa, insistente, contou-me seus segredos...
- Naquele dia, eu não estava bêbada... – então ela já me amava? Por que isso é tão frustrante? Yuuki estava magoada, triste, parecia tão frágil. Eu a abracei. Abracei aquela boneca de porcelana que estava prestes a se quebrar, lhe disse palavras gentis. Ela se agarrou em mim, ficamos ainda mais perto um do outro, perigosamente próximos, seria eu que faria tal boneca ruir?
- K-Kaname – sua doce voz me chamava, a soltei e a encarei, não esperava por suas palavras. – Permita-me ao menos esta noite, eu ser sua, mesmo que seja errado, mesmo que isso nos condene, ao menos uma vez... não... nós não seremos como irmãos. – ela me beijou no pescoço e logo após na boca, seu beijo era quente e intenso, a correspondi, eu almejava por aquilo, desejava aquelas palavras, eu a deseja. Mas ela tremia, tinha medo, a soltei sem hesitar.
- Você tem certeza disso? – tinha algo que me incomodava.
- Sim.
- Mas seria sua primeira vez, certo?
- Sim.
- E mesmo assim...
- Sim. – ela não hesitou, em nenhum momento enquanto a interrogava. — Acho que todas as meninas sonham que seja com a pessoa que ama e jamais pensaria em outra pessoa a não ser você. – aquilo me convenceu.
Por um momento pensei em desistir, não comprometê-la, mas o desejo queimava a minha carne, deixei-me levar, fui a sua direção. Ela envolveu minha cintura e passei a mão pelo seu corpo, a beijei fervorosamente e Yuuki correspondeu. Eu estava me condenando, eu estava a condenando, mas nosso amor ardia no peito e a pele ansiava pelo contato. Sorri maliciosamente olhando em volta, estávamos na cozinha, Yuuki sobre a bancada, a peguei no colo e vi seu rosto se tingir de vermelho. Ela me provocou com um beijo em meu pescoço, enrijeci com seu ato. A deitei em minha cama, deitei sobre ela, sem soltar completamente meu peso.
- Yuuki? Eu te amo.
- Eu também te amo. – disse após beijar os meus lábios com um sorriso no rosto.
Tentei ao máximo ser carinhoso, delicado, queria que aquela noite ficasse marcada em sua mente, uma doce lembrança. Quando acordei, ela já não estava lá, já sentia falta do seu cheiro e espaço ao meu lado. Era tão fácil me acostumar com sua presença. Corei ao me lembrar da noite passada, apenas ela conseguia me deixar constrangido a tal ponto.
Era o dia que a deixaria, precisava ser forte, teria que pensar sobre como seria futuramente. Arrumei-me e a encontrei na parte de baixo da casa junto de meus pais, não acreditaria que encontraria tão cedo, sorri apático, tentando não pensar em que logo estaria em um avião, indo para outro continente. Porém eu tive que ir, deixá-la, não seria eternamente, mas ainda doía. Quando passei pelo portão de embarque, meus olhos se encheram de lágrimas, meus olhos ficaram vermelhos, não consegui evitar.
- Senhor? Está tudo bem? – perguntou uma das começarias de bordo.
- Sim. – sequei meus olhos. – Está feito. – disse a mim mesmo. “Mas quais seriam as conseqüências de nossos atos?”
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- Kaname-kun?
- Maria-chan? – reconheci a pequena mulher de cabelos lilases que me chamava.
- Ora, ora, então é você mesmo. E lembra-se do meu primeiro nome, que meigo. – disse com sua voz infantil.
- Kaname, quem é esta? – Yuuki me cutucou com uma cara enciumada, Aiko estava em seu colo brincando com seus cabelos.
- Desculpe-me, não as apresentei. Yuuki, está é Kurenai Maria, trabalhávamos juntos. – ela apertou as mãos de minha colega e a olhou de cima a baixo, estava sendo inconveniente.
- Prazer em conhecê-la. – Maria a cumprimentou animadamente sem notar o olhar analisador de minha mulher. – E quem é esta pequena? – perguntou sorrindo para Aiko.
- Está é... – não consegui concluir.
- Aiko, minha filha com Kaname. – disse sordidamente, me interrompendo.
- Ah entendo! – ela expressou dúvida e Yuuki a olhou triunfante. – Então era por ela que suspirava, fico feliz que uma pessoa tão linda tenha conseguido aquecer esse seu coração. – suas palavras me surpreenderam e muito mais a Yuuki, ela ficou sem palavras, totalmente desconcertada.
Conversamos por um tempo, quando Maria se retirou devido um compromisso, ela havia se casado e estava grávida de dois meses, seu sorriso era mais radiante. Após sair da defensiva, Yuuki encontrou nela uma amiga. “Ela ainda se lembrava”, pensei.
- KA-NA-ME-KUN! – Maria falava meu nome como em uma música.
- Não me trate tão intimamente. – fui ríspido.
- Você é tão frio. – fez um bico. – Não teria que soletrar seu nome se não suspirasse pelos cantos. – tinha um tom de voz malicioso.
- Quem está suspirando? – corei.
- Você. Está apaixonado Kaname-kun?
- Eu já te disse para...
- Não importa. Tem alguém no telefone, quem falar com você. Acho que seu nome era, algo como Kiryuji.
- Kiryuji? Não conheço ninguém... – parei, eu me lembrava de um nome parecido. “Poderia ser? Por que ele ligaria? Yuuki?” tive medo de meus pensamentos, peguei o telefone tremulamente. – Kiryuu? – perguntei incerto, mas ainda consegui vacilar ao ouvir a voz do outro lado da linha.
- Surpreso Kuran? – a voz do Zero me causava ânsia.
- Um pouco. Como conseguiu meu número? – tentei manter a calma no meu tom.
- Com seu amigo Takuma. – “Por que ele lhe daria meu número?” – Sei que possui muitos questionamentos, mas devia se perguntar sobre sua irmã.
- Yuuki. – meus olhos saíram de órbita. “Então era mesmo sobre ela!” – O que aconteceu com ela? – minha voz se alterou levemente.
- Antes Kaname, deixe-me fazer-lhe uma pergunta. – se referiu a mim intimamente. – Não tem vergonha? Ceder deste modo, deveria ser você o mais forte, não mediu as conseqüências? Incesto, você é nojento, o pior. Destruiu a vida dela! – acusou, as palavras lhe saíam com esforço, como se não fossem bem digeridas.
- Chegue logo ao ponto Kiryuu. – gritei.
- Você parece nervoso. – era sarcástico. – Ontem Yuuki me procurou, nós fomos a um motel juntos. – “Por que?”
- Você... – gruni.
- Não fizemos nada, antes que solte os cachorros. Nem permitiria, ela parecia assustada. Eu só quero a felicidade dela. – sua voz abatida pela tristeza, a amava tanto assim? Não entendia. Suas palavras duras eram um grande peso que caía em meus ombros, porém podia ser pior. – Ela está grávida Kaname e acho que não preciso mencionar quem é o pai.
Deixei o telefone cair sem me preocupar em colocá-lo no gancho. Meus olhos saíam de foco, minha respiração era descompassada, cambaleei para o lado, Maria me não permitiu que caísse.
- Kaname? Kaname? Está bem? Diga algo.
- Preciso viajar. – minhas mãos sobre os olhos.
- O que? – disse sem entender, porém não a respondi, não dava atenção a suas palavras.
Kiryuu tinha razão, eu destruí a vida dela. Essa idéia me atingiu do pior modo, me angustiava. Não pude evitar que as lágrimas caíssem e que o desespero me assolasse.
Comprei a primeira passagem para a cidade de Tóquio, no caminho pensava em uma solução, se é que haveria outra solução. Fugir. Quando cheguei a cidade aluguei um carro e fui a casa de meus pais, ainda era cedo, mas eles já deviam ter saído e Yuuki estaria saindo para o colégio, tinha que ser rápido e o fui, o bastante para encontrá-la de saída. Sua reação foi como esperava, ela caiu de joelhos quando meu viu e em seguida chamou meu nome. Senti a tensão me percorrer com a pronúncia de meu nome, Yuuki estava partida por dentro, tinha o dever de tomar uma atitude, a que fosse melhor para nós e a criança. Criança. Dava para acreditar nisso? Enquanto carregava minha irmã para seu quarto e dava explicações a empregada apenas isto me vinha a mente, ali havia um bebê, meu filho. “Ou filha”, pensei.
Entramos em seu quarto e ela foi ao banheiro, estava tonta e enjoada, por quanto havia passado? Estava cansado, a gravata parecia bastante apertada e o quarto abafado, já fazia um dia que não dormia. Yuuki sentou-se na minha frente, estávamos em silêncio, eu tentando recobrar o fôlego e ela ainda com náuseas. A empregada entrou com a água que havia pedido e insistia em se meter, pedi para que fosse discreta e tentei ser educado, quando finalmente nos deixou. Me ajoelhei a sua frente e peguei suas mãos, eu sorria, tentando lhe passar confiança, quando eu mesmo não possuía estrutura, porém me pareceu reconfortada. Instintivamente a beijei, tão ardentemente como se fosse o último e era assim que sentia, que poderia ser o último.
- Está se sentindo melhor? – perguntei após nos separarmos ofegante. Ela gesticulou afirmativamente. – Irá mentir para mim? – ela tremeu.
- Kaname, eu, e-eu, eu... – gaguejou.
- Está grávida, eu sei. – apertei mais suas mãos, estava tenso.
- Como? – estava confusa. Está pergunta que não queria responder, a despistei com uma resposta qualquer. – O que faremos? Se nosso pai souber e ele vai saber... Ele, ele... – ela estava aflita e o desespero carregava a sua voz. – Ele irá dar um jeito de abortar esta criança.
- Não repita isso. Nada vai acontecer. – suas palavras me feriam. É claro que não permitiria tal coisa. – Eles sequer saberão.
- Minha barriga esta crescendo Kaname. E mesmo que não notassem, o colégios os informara semana que vem.
- Então temos pouco tempo. – concluí. Yuuki parecia confusa e desorientada. – Te levarei comigo. Pedirei ao nossos pais que venha para Londres comigo, como oportunidade de estudo. – expliquei.
- E se eles recusarem?
- Vai dar tudo certo, confie em mim. – e a abracei, ela precisava de todo o apoio. – Posso senti-lo? Quero dizer, o bebê. – falei após um tempo, ela fez um sinal de afirmação. Toquei incerto, com medo de machucar o bebê, besteira eu sei, mas a felicidade me deixava bobo. Era errado eu me permitir sentir isso? Comecei a conversar com a criança idiotamente. – Você precisa descansar. Deite-se um pouco. – me levantei, Yuuki me segurou e compreendi me deitando ao seu lado. – Vai dar tudo certo. – repeti a envolvendo.
- Como pode dar certo quando se está grávida do próprio irmão. – falou tristemente, estava chorando. Beije-lhe a testa, a bochecha até encontrar sua boca, beijando-a mais ardentemente.
O que era aquela sensação? Quando faz tudo tão intensamente como se estivesse a ponto de perder? Mas eu estava, tudo pode piorar, tudo. A porta se rompeu e lá estava meu pai, com olhos em fúria, ele havia nos escutado, tudo indicava.
- Peguei dois ratinhos incestuosos. – que humor negro, tudo desabaria. Por quanto tempo aquela frase ecoou em minha mente? Não, ela esta impregnada em minhas lembranças. Ela me deu um soco e cambaleei, vi quando pegou Yuuki pelos cabelos. Ele estava dominado pela raiva. – Não esperava isso de você Yuuki, não da minha menina. – Senti uma pontada de dor, não consegui ouvi-la. – Pai? AINDA TEM CORAGEM DE ME CHAMAR DE PAI! – gritou. – A sua traição doeu muito mais em mim. Incesto. – acentuou a palavra com nojo.
- Não a culpe por isso. – me pronunciei. – eu sou o responsável.
- Claro que é! Afinal ela não fez essa criança sozinha. Você era meu orgulho Kaname, ORGULHO! Eu desconfiei quando a empregada havia me dito que havia chegado, por que voltaria? Por ela, claro. Como não percebi antes? Fui um cego, um tolo. Meus dois filhos, embaixo dos meus próprios olhos. Deveria ter feito o mesmo que seu avô, tê-la trancado e o mandando para longe. – ele estava quase arrancando os cabelos de Yuuki.
- SOLTE-A! – senti a raiva me dominar, isso não devia acontecer, a situação sairia ainda mais do controle. – Por favor! – tentei me controlar.
Haruka a soltou e Yuuki caiu sobre a cama, ela então se levantou e se aproximou, ele relutava com as lágrimas, não queria chorar na nossa frente, aquele homem inabalável que conhecíamos não existia mais. Minha irmã se aproximava mais, queria que parasse, lhe lancei um olhar de alerta, mas ela continuou. A segurei e ela se soltou, o tocou e Haruka estremeceu, ele sentia nojo de nós. Ele a pegou pelo queixo, forçando a olhá-lo, Yuuki fechou os olhos com força e então percebi o que estava acontecendo, o braço de Haruka estendido, porém alguém foi rápido. Rido havia entrado no recinto e o impedido antes de mim, senti um alívio momentâneo. Meu pai bufou e eles começaram a se encarar.
- O que esta acontecendo aqui? – perguntou Juuri ao entrar no local.
- Aconteceu Juuri, que será avó, meus parabéns. – bateu palmas de modo irônico.
- Yuuki não me diga que... É do Kaname? – perguntou imprudente.
- Então você sabia. – ele se viu enganado, Juuri era mais perceptiva, mas não ter contado a ele, foi um golpe que não suportou. – TODOS sabiam, menos eu. – Yuuki tentou em vão defendê-la. — Mesmo assim, por que ela não me confidenciou? Não, permaneceu calada, permitiu que isso ocorresse. Por que Juuri? Sabe que a culpa é sua! – ele estava inconformado e não teve clemência nos argumentos, nossa mãe estava acuada, derrotada. — A culpa é do SEU SANGUE! ESSE SEU SANGUE AMALDIÇOADO E IMUNDO. – eu sabia. È meio clichê dizer isso, mas o modo como Rido olhava para Juuri, as histórias obscuras de todas as famílias... eram eles.
- NÃO DIGA ISSO! – Juuri gritou.
- Ainda não superou o passado? Ela o escolheu afinal. – disse após gargalharam friamente, ele entendia de certo modo minha dor.
Quantas revelações e acusações sugiram? Inúmeras, era nítida a raiva nos olhos de Haruka e Rido, amando a mesma mulher, porém apenas um era livre para amar. Uma história que não relacionava a mim e Yuuki, mas estava ligada a nós indiretamente. Maldição. Poderia realmente se tratar de algo genético? Não importava, não teríamos o mesmo fim, não deixaria, tinha que haver um modo. Haruka estava sendo mesquinho, frio, distante, quem era aquele homem? Tão diferente de meu pai. Havia perdido a cabeça, a serenidade. Um som de estalo ecoou, Juuri dera um tapa naquele que ainda considerava um pai.
- Nunca mais diga isso. – ela estava trêmula, chorava descontroladamente. Não notava estar magoando a pessoa que mais lhe importava? Ele tentou reconfortá-la e vi resquícios do seu verdadeiro eu. Não aquele eu adormecido e raivoso.
No momento eu apenas era um mero observador, Rido não estava confortável e foi autor da quebra de clima.
- Agora há coisas a serem feitas, gostaria de examinar Yuuki.Terei que levá-la a clínica. – Haruka permitiu, mas retornou a ser áspero. – Se quiser leve sua filha. Irei no meu automóvel. – Rido parecia indiferente, quem poderia saber o que se passava em seu íntimo?
Fiz menção de segui-los, mas Juuri me segurou sem eles perceberem.
- Você fica. – falou autoritária. Queria contestá-la, não deixaria que ela simplesmente fosse, mas seu olhar duro me fez recuar, afinal ela também não permitiria que lhe fizessem algum mal.
O que iria ser de nós agora? Uma solução. Juuri foi com eles e fiquei sozinho, tempo o bastante para pensar, mas nada saía, nada plausível ou possível ao menos. Se eles ao menos deixassem ela ter esta criança, espero que Haruka seja sensato, mas ele estava louco, enfurecido. Esses pensamentos me matariam, algumas horas e não haviam voltado. De repente meu pai entrava com sua filha nos braços, meus olhos saíram de foco.
- O que aconteceu com ela? – perguntei imediato.
- Desmaiou.
- Por quê? – o instiguei.
- Creio que não gostou das notícias. – colocou Yuuki no sofá. – Sobre o aborto.
- Aborto? – senti meu sangue ferver.
- Você não será contra. Até mesmo seu tio concordou. Após um tempo é claro – “Aquele desgraçado”, quis gritar.
- Eu jamais concordarei com isso. – trinquei os dentes.
- NÃO SEJA IDIOTA. – falou firme. – Acha que eu permitiria. Não pensa nas conseqüências Kaname? Pode até mesmo ser preso se isso vazar. – me ameaçou. Não podia ser, ele me denunciaria. — Vejo compreendeu. Afinal entende muito melhor de leis do que eu. Sua irmã é menor de idade, além do parentesco, o que vez pode ser considerado abuso. E lhe digo mais uma coisa. Se continuar a se opor eu mesmo o denunciarei. – Ele faria mesmo isso? Fiquei imóvel.
- Mãe, gostaria de ir pro meu quarto. – a voz era de Yuuki. Desde quando estivera acordada? O quanto estaria sofrendo? O que havia feito a ela?
Me sentia um miserável, um ingênuo e tolo, sentia minhas mãos atadas, mesmo que fosse preso ele prosseguiria, a fuga era a única solução. Mas como? Como tirar uma menina menor de idade do país. Deitado pela última vez em minha cama, o celular começou a tocar no criado mudo, o número não estava em minha agenda, quem poderia ser?
- Alô? – perguntei cauteloso.
- Kaname? – conhecia aquela voz. – Rido Kuran, seu tio amado. – foi irônico.
- Soube que concordou em abortar a criança que Yuuki espera. – o ataquei de forma ácida.
- Sim. Mas por um bem maior. – ele parecia tranqüilo, a que ponto chegaria sua insensibilidade? – Ela me pediu ajuda, para fugirem.
- Quer dizer que o aborto é uma fachada. – falei após ligar os pontos.
- Você é esperto Kaname. – me parabenizou.
- E como pode nos ajudar?
- Eu tenho alguns contatos. Sendo sua irmã menor de idade e praticamente impossível sair sem permissão de Haruka ou Juuri, então ela precisa crescer, se é que me entende.
- Falsificar documentos? – o entendia.
- Se não se importar.
- Se isso nos tirar do país. – estava convicto.
- Terça-feira, uma e meia, no meu escritório. Serei o anjo da guarda de vocês. – riu e logo após desligou. E de fato ele seria.
“Vai dar tudo certo!”, me convenci. Arrumei minhas coisas, coloquei um bilhete embaixo da porta de Yuuki, lhe confortando e fui para um hotel, esperando ansiosamente que a semana passasse.
No dia combinada, apareci pontualmente no local marcado. Rido me passou todas as instruções e me mostrou os documentos, eram boas réplicas, tínhamos grandes chances. Meu tio saiu para esperá-los, quando chegaram e reconheci a voz dela meu coração começou a palpitar. Era grande o poder que ela tinha sobre mim. Então a porta se abriu e lá estava ela, minha razão, Yuuki estava de costas para mim, a abracei fortemente, ela se virou e meu deu um selinho e então voltei a abraçá-la.
- É tudo muito lindo, mas vocês precisam se apressar. – Rido interrompeu. – Aqui Yuuki, esta é sua identidade e passaporte. – e lhe entregou.
- Falsificou documentos. – seus olhos se arregalaram.
- Yuuki, que tipo de métodos achou que poderíamos usar? – perguntei de modo entendesse quão tolo era seu espanto.
- Agora vão. – Rido nos apressou, estava apreensivo.
Saímos pela porta que ele me havia indicado anteriormente. O carro estava a nossa espera, fui na frente enquanto Yuuki agradecia nosso tio. Segurei a mão dela quase que todo o momento, estava tenso e necessitava de seu calor. O aeroporto estava lotado e avião demorava, haviam muitas pessoas e policiais no local, apesar do grande número ser uma vantagem, estava desconfortável, sai para ver o horário do vôo convencendo Yuuki a me esperar onde estávamos, porém não cheguei a ver isto, Rido estava me ligando e o motivo não era algo bom, eu sabia.
- Seu pai descobriu e contatou a policia. Lamento Kaname! – o celular escorregou de minhas mãos involuntariamente, me agachei rapidamente para pegá-lo, tinha que agir normalmente e principalmente tinha que tirar Yuuki daqui. Eu seria preso e ela perderia o bebê, droga! O que faria? – Yuuki, precisamos ir! – disse a pegando pelo braço quando a encontrei.
- O que aconteceu? – mas não pude explicar. Dois policiais nos abordaram.
- Com licença. Poderia ver suas identidades e passaportes, por favor. – pediu educadamente.
- Yuuki, não aqueles. – falei baixo em seu ouvido, tentando alertá-la. Por sorte ela havia compreendido, pena que isso não nos salvaria. Eles nos encararam, os caçadores acharam suas presas. Se afastaram um pouco e conversavam entre si, oportunamente expliquei. – Nosso pai descobriu. Tsc. Ele cumpriu a promessa, nos denunciou. – meu corpo estremeceu.
- Kuran Kaname não é? – confirmei. – São irmãos. – confirmei novamente. – Tem permissão dos pais da menor para viajar? – Claro que não tinha. Senti-me sufocar, estava tudo acabado, impotente, só um milagre nos...
- Kaname? Yuuki? – minha mãe apareceu do nada. – Algum problema senhor? – se dirigiu ao policial.
- Bem, é que... Eles não possuem uma permissão. – estava desorientado, não tanto quanto eu. Ela tirou um papel da bolsa e apresentou a eles. – Desculpe-nos o incômodo. – falaram após analisar o pedaço de papel e se retiraram
- Vocês são loucos. – era uma afirmação. — Fugir assim, o que pensam que aconteceria. Seu pai está louco, como explicarei isso a ele. E se não tivesse forçado Rido a me dizer onde estavam imaginem como estariam agora. Você preso e você mocinha numa sala de aborto qualquer. – nos reprimiu. Porém não era onde estávamos, ela havia nos salvado, novamente um anjo havia entrado em nossas vidas.
Juuri e sua filha desataram a chorar, busquei água para ambas. Yuuki perguntava sobre ela e Rido. Tinha pena dele, eu sabia em parte o que sentia, apesar que amor dele não havia desenvolvido e seria sempre frustrado. Me via através dele, esse seria meu destino lógico se tantas pessoas não interferissem. Era sortudo. Dotado de grande sorte e carinho de outras pessoas. A chamada para o portão de embarque nos pegou de surpresa, minha mãe abraçava novamente a filha.
- Eu te amo. – carinhosamente. – E cuide bem dela. – se dirigiu a mim, me advertindo. – E te amo também. – e começou a chorar. A abracei.
- Obrigado por tudo. Eu te amo mãe. – disse infantilmente e honestamente. Seria ela a minha maior perda.
- Vocês fizeram suas escolhas afinal. Adeus! – suas últimas palavras. A dura despedida. Um dia a veríamos novamente?
O quanto havíamos deixado para trás? É permitido a pessoas como nós ter um final feliz? Saudades, daqueles que deixamos quando tivemos que partir. Seria permitido revê-los novamente?
- Quem estamos esperando Kaname? – perguntou Yuuki novamente.
- Estamos aqui a eras papai. – Aiko também estava impaciente.
- Já disse, é surpresa! – e apertei o queixo da pequena levemente. – Não irão arrancar nenhuma informação. – elas me olhavam maliciosamente. – E não, ataque de cócegas não irá funcionar. – as adverti. – Estamos num aeroporto sejam educadinhas. – falei como se ambas fossem crianças e de certo modo... – Está atrasado. – disse olhando o painel. Esperei pacientemente e sob insistentes perguntas durante meia hora.
- Desembarque do vôo 7890 vindo de Tóquio pelo portão 6. – anunciou a companhia.
- Chegou. – sorri, os olhos curiosos de Yuuki e Aiko me vigiando. Fomos ao portão de embarque, elas estavam curiosas.
- Quem é Kaname? – perguntou Yuuki pela milésima vez antes de chegarmos ao portão.
- Tenha calma. Ela está aqui furtivamente. – então a avistei e apontei para a senhora de cabelos longos e castanhos.
- Ai meu Deus! – Yuuki colocou a mão sobre a boca.
- Quem é mamãe? – perguntou nossa filha sem entender o porquê a mãe chorava.
- Sua avó Aiko! – delicadamente falei em seus ouvidos, seus pequenos olhinhos se arregalaram.
Todas se abraçaram e choraram muito. Havia combinado as escondidas este encontro, mamãe inventará uma desculpa para estar longe por uma semana do país e eu tive que encobrir os telefonemas além de preparativos. Ela se aproximou de mim e me abraçou e retribuí, uma lágrima descia pelo meu rosto e limpei antes que uma delas visse.
- Estou feliz! – susurrou em meus ouvidos. Se a pessoas como nós não é permitido felicidade, não saberia dizer o que estou sentindo. – Você cuidou dela muito bem.
Notas finais
Já esta com saudades, fica não D’: Acompanhe minha FIC NOVA, também de VK: http://fanfiction.nyah.com.br/historia/52400/Vampiros_Bons_Nao_Existem_
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