Laços Imperfeitos

19 Quem resiste a um bom desafio?


Notas iniciais
Olá, pessoal!!! Como estão?? Perdão pelo atraso do último capítulo, foi totalmente culpa minha... Sabe como é, apresentação de TCC, provas do técnico, provas da faculdade, atividades do curso de inglês... Ai ai, estava meio louca e totalmente sem inspiração! A Glória-san também estava cheia de trabalhos malignos e provas da escola... Enfim, estamos de férias - ou quase - e isso quer dizer que os capítulos serão postados corretamente aos sábados ou, dependendo dos comentários, quem sabe postamos mais extras?! Enfim, esse capítulo divoso e... surpreendente foi escrito pela linda e maravilhosa Glória-san e betado por mim. Qualquer erro avisem e, sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo quatorze – Quem resiste a um bom desafio?

O local de iluminação geralmente fraca, tão conhecido e que sempre trouxe segurança, estava agora lhe dando calafrios. Sabe-se lá por que. Estava acostumado a estar no quarto de Kyouraku desde criança, é verdade, mas – como dizer? – nunca esteve em situação minimamente parecida.

No dia em que Byakuya contou-lhe os seus mais profundos e angustiantes problemas, logo em seguida Kyouraku foi procurá-lo. E eles quase passaram do limite do aceitável de se fazer merda. Só isso.

Agora, quase estavam fazendo isso de novo. Pode parecer estranho o orientador/ psicólogo/ enfermeiro de uma escola estar na casa do diretor àquela hora, mas, para eles, antes do grande incidente, obviamente, era normal. A Ukitake trazia alguma dor, muito desconforto e talvez uma pontada de desejo desde algum momento, mas, ainda assim, era bom estar lá. Era seguro. Era. No passado mesmo.

Kyouraku disse que ia trocar de roupa e depois eles poderiam ver os filmes que queriam enquanto conversavam e bebiam saquê e logo voltaria. Era para, de acordo com as palavras de seu amigo, sentar e esperar a vontade, como se a casa fosse sua.

Suspirou. Isso era meio impossível, afinal. O cheiro de Kyouraku – algum perfume amadeirado, seu natural cheiro masculino e o saquê que tanto amava – estava impregnado em tudo, como uma marca.

Era paciente, não morreria por esperar, mas a ansiedade, mesmo assim, o corroía. Por que era tão esquisito estar na casa de Shunsui agora? Talvez isso se deva ao fato de que dois melhores amigos quase tenham feito sexo... É, talvez.

Arrumou os cabelos sedosos e absurdamente claros para trás da orelha, repreendendo-se mentalmente por não ter nenhum elástico para prendê-lo em mãos. Conformou-se em deixá-lo solto e xingar quem lhe deu a ideia de permitir que crescessem. Kyouraku. Certo, Unohana, sua namorada no tempo de estudante (hoje em dia, médica), também teve alguma participação nisso, porém, como foi Kyouraku quem teve mais relevância, iria se contentar xingando-o. Sim, isso mesmo.

Após alguns minutos de reflexão inútil por parte do enfermeiro, Kyouraku apareceu, trajando suas roupas mais confortáveis; ele nunca se importou em vesti-las na frente de Ukitake, até porque eles eram íntimos o suficiente para isso.
– Vamos? – Kyouraku perguntou de forma óbvia.

– Para onde? – Mas Ukitake não captou.

– Assistir ao filme.

– Ah, claro.

...

O filme foi escolhido na pressa e não a dedo, como seria normalmente. Logo que começou, mostrou o nome e o narrador fez seu trabalho. Ninguém se deu ao trabalho de prestar atenção, entretanto. Estavam conscientes demais de suas proximidades. Ukitake mexeu-se, de repente desconfortável. Kyouraku ou não percebeu ou não ligou.

Respirou fundo e tentou manter a calma. Não era tão anormal assim ter seu melhor amigo ao seu lado, quanta idiotice!

Devagar para não ter o menor movimento notado, praticamente arrastou-se até estar sentado no chão, de frente para a mesinha de centro, mas ainda assim longe da TV. Agora podia prestar atenção no filme. Teria sorrido satisfeito com seu sucesso em mover-se para longe do perigo sem ser notado... se tivesse realmente sido um sucesso.

Kyouraku moveu-se tão sorrateiramente quanto Ukitake achou que fez. Juushirou sobressaltou-se com a proximidade repentina e quase sem noção. Por que Shunsui não facilitava as coisas para todo mundo? O que aconteceu na enfermaria obviamente foi um erro. Certo?

– Hei... Kyouraku... – tentou chamar a atenção do amigo, o chamando. Este apenas lhe dedicou um olhar.

– O quê?

– Bem... – Ukitake tentou deixar claro o que era em sua voz, apenas. Não iria dizer o que era com todas as letras nem que sua vida dependesse disso! De jeito nenhum! Sorte a sua que amigos sentem essas coisas e entendem únicas frases.

– Ah, isso. – Podia não parecer para Juushirou, que sempre gostou de ver o bem nas pessoas, mas Kyouraku estava se fazendo de desentendido. – Eu consigo ver melhor daqui.

– Ah, sim... – Ukitake proferiu, sentindo-se ridículo. Por que não pensou nisso antes? O clima nada favorável se instalou sem remorsos. Afastou-se mais de onde Kyouraku sentava, todavia, não sentiu que a distância aumentou.

Por que será?

O filme estava completamente perdido para Juushirou, este que não prestava mais atenção em nada a não ser o ritmo suave da respiração do outro. O modo que os ombros mexiam de acordo com a respiração era hipnotizante. Mudou seu foco novamente para a tela a sua frente, mesmo que não a visse de verdade. A boca estava seca e as bochechas estavam quentes. Em um movimento ingênuo e sem maldade, passou a língua pelos lábios.

Ouviu o som da respiração do outro novamente, mas ainda mais profundo que antes.

– Você faz de propósito? – A voz de Kyouraku parecia grave e diferente... de alguma forma.

– O quê? – Ukitake sentiu medo em responder.

– Eu estava disposto a me controlar por você, que provavelmente me odeia agora. – O menor arregalou os olhos. Que estava acontecendo? – Mas você não ajuda, que droga... – Ele se encontrava perigosamente perto, e Ukitake não se achava capaz de pará-lo. – Se quiser que eu pare, apenas diga... – o moreno sussurrou o pedido quase a contra gosto. Em seguida, plantou um beijo casto no pescoço alheio. Ukitake estremeceu.

– Kyouraku... – o que seria uma negativa saiu mais como um gemido.

– Diga apenas um simples "pare"... e eu paro. – Os beijos desceram ao colo, ostentado pela camiseta com os três primeiros botões abertos. Ukitake fechou os olhos de forma apertada e balançou a cabeça em sentido de negação. Já estava quase sentindo o arrependimento pelo o que estava prestes a fazer.

Calou a boca de Shunsui com um beijo de deixar qualquer um ofegante. Suas bocas estavam comprimidas uma contra a outra, mas não se sentiam confiantes para prosseguir. Ou apenas Ukitake, pois Kyouraku logo estava com as mãos passeando no corpo esbelto. Os cabelos longos eram incríveis ao toque desde sempre. Tirou-os de seu caminho e passou a beijar o ombro, a curva do pescoço, o maxilar e a bochecha, partindo novamente para a boca. Puxou o outro para seu colo, passando as mãos pelas costas definidas na medida do possível. Os músculos, mesmo que delicados a vista, eram definidos e rijos ao toque. Desceu mais. Chegou ao cós da calça e parou por ali, aproveitando os toques hesitantes que o outro lhe proporcionava.

Os lábios pálidos em seu pescoço, em sua bochecha, em sua boca. As mãos elegantes em seus cabelos, os sons pecaminosos liberados por ambos. Era tudo melhor do que os dois imaginaram. Logo Ukitake lhe ajudou a tirar a camiseta verde folha por cima da cabeça, com impaciência que não lhe era comum. Sentou-se nas coxas do moreno e começou a desabotoar a própria camiseta.

A tez alva parecia convidativa demasiadamente ao toque. O abdômen era mais atraente ainda. Passou as mãos por ali, para memorizar o formato dos músculos, a textura da pele. Ukitake mordia os lábios com força, o suficiente para deixá-los corados. Inclinando-se para frente, Kyouraku colou seu tronco ao de Juushirou, abraçando-o. Logo, desceu novamente as palmas pelas costas claras. A pele era quente ao toque. Estava tocando por dentro da cueca, indo em direção à entrada alheia... quando levou um tapa no braço que parou seus movimentos.

– O que está fazendo? – indagou ingenuamente Juushirou.

– Bem, você sabe... Se eu não te preparar, vai doer. Muito.

– E...? Eu não achei que seria eu a enfrentar a dor. – Por algum motivo, ainda se surpreendia com Ukitake e sua esquecida capacidade de usar o cinismo.

– Eu confesso que não cogito passar pela dor... – Kyouraku devolveu no mesmo tom.

– Ah, que ótimo. – Ukitake se apoiou nos ombros do amigo, levantando-se. O filme ainda rolava solto, esquecido, o coitado. Ukitake pegou sua camiseta e concluiu enquanto a vestia de novo: – Eu vou para casa.

– Por quê? – Kyouraku, por outro lado, não se moveu.

– Porque não fico com quem acha que serei o passivo. Engraçadinho...

– E eu serei? – a voz de Kyouraku soou indignada.

– Eu é que não. – Ukitake caminhou a passos largos até a porta.

– Duvido. – Mas, logo estancou ali. Quem Kyouraku pensava que era? – Em duas semanas, você estará gemendo meu nome na minha cama, comigo dentro de você. – Kyouraku sorriu maliciosamente e Ukitake corou, mas não perdeu o ar de desafio.

– Ah, meu caro... Eu te terei de tal forma que não conseguirá andar no outro dia.

– Onde e com quem você aprende essas expressões que não combinam com você? – perguntou irritado.

– Com os melhores. – Blefou e saiu, deixando para trás um Kyouraku frustrado.

{···}

Notas finais
Surpreendente, né?? Ai ai, esse Ukitake... Comentários fazem bem para a alma e inspiram as autoras... Bom, acho que é só. Bjs e até a próxima...