Laços Imperfeitos

15 Extra - Se o Pica-pau tivesse comunicado à polícia, isso não teria acontecido...


Notas iniciais
Oie, pessoal!!! É a Mogami aqui o/.... Como estão??? Devem ter imaginado que essa semana não teria especial, haha. É que esse tem data e tal. Ha, devem saber do que estou falando... Enfim, esse cap todo especial foi escrito pela linda e maravilhosa Glória-san e betado pela minha humilde pessoa, qualquer erro só avisar... Acho que é isso... Boa leitura!

Extra – Se o Pica-pau tivesse comunicado à polícia, isso não teria acontecido...

Rukia estava eufórica. Mentira, isso é eufemismo. Ela estava em um estado desconhecido por qualquer ser humano normal que tenha mais o que fazer na vida do que dar pulinhos e manipular as pessoas. Dia 31 de outubro estava chegando e isso queria dizer uma coisa: Halloween! Ou melhor, festa!

Não que a data fosse comemorada no Japão, infelizmente, mas os filmes americanos que assistiu, verdadeiramente instigaram a vontade da pequena em organizar uma brincadeira com direito a tudo: fantasias, doces, música. Enfim, tudo mesmo.

Claro, antes de tudo, deveria conseguir a aprovação de Byakuya, o que seria totalmente mamão com açúcar. Ele estava na biblioteca, bem provável. Desde que os pais morreram, ele passava mais tempo lá que o normal. Rukia tinha o pleno conhecimento de que aquele era o lugar preferido de seu pai em todo o mundo. Talvez seu irmão se sentisse próximo dele naquele lugar...

Ela respirou profundamente e pôs no rosto a costumeira expressão de quem não quer nada. Bateu na porta com delicadeza. Em pouco tempo, a voz grave e profunda de Byakuya soou.

– Entre. – E ela o fez. Aquele lugar se tornava esquisito desde a última noite... Rukia deu um sorriso malicioso que passou despercebido facilmente.

– Nii-sama...

– Sim? – Ele desviou o olhar dos livros e focou-se na menina.

– Sabe, dia 31 é Halloween e...

– Não. – Ele a cortou. 'Tá, como assim? Não é do feitio de seu nii-sama interromper uma frase sua. Já foi, na verdade, hoje em dia não mais.

– Mas...

– Rukia, você pedirá pra dar uma festa? – Byakuya foi direto e objetivo. Eita, quanta frieza.

– Bom, sim? – O que devia ser uma afirmação saiu mais como uma pergunta.

– Você se lembra da última festa que eu deixei você fazer? – Rukia sorriu amarelo e deu de ombros em um gesto leve. – Pois eu lembro.

31 de outubro do ano anterior

A fantasia muito imbecil estava em sua cama, fazendo conjunto e perfeitamente arrumada. Rukia escolheu. Por ele, sinceramente, iria com suas roupas casuais apenas para vigiar as crianças. Sua irmã começou com essa... brincadeira inocente de criança com uma semana de antecedência, mas Byakuya não estava certo se estava certo. Talvez estivesse errado por não estar certo se estava certo. ‘Tá, deixa quieto.

Mas, por favor, pra que tanta coisa? Seria o correto deixar que ela fizesse um evento daquela magnitude? Comprar tanta coisa? Pra que isso? Tudo bem que algumas brincadeiras inocentes e infantis deveriam ser permitidas, então, respirou fundo e decidiu que participaria apenas para não decepcionar a garota, que desde o seu aval para a festa, não deixou seu humor cair uma só vez.

...

As luzes eram fortes e coloridas. Completamente desnecessárias na opinião do Kuchiki mais velho. A música eletrônica era idiota. O Buffet não era tão atrativo. E a fantasia era estúpida. Fale o que quiser, Byakuya até podia parecer um velho reclamão, mas estava certo. Era tudo ridículo!

As crianças estavam bem felizes, de qualquer forma. Menos Yoruichi, aquela inconveniente. Ela o estava perturbando desde que colocou os pés em sua casa. Maléfica... Olhar para ela o irritava (o sorriso cínico e olhar malicioso, além do comportamento depravado que eram más influências para Rukia. E ela não parava de lhe encher o saco) profundamente. A fantasia de mulher gato caia perfeitamente nela. Ridículo. Rukia estava em algum lugar, fantasiada de anjo, coisa que combina perfeitamente com ela.

O problema é que a menina estava acompanhada de um moleque fantasiado de demônio e a única coisa que poderia reconhecer na criatura era os cabelos tingidos de laranja. Coisa mais sem noção... Além disso, os perdeu de vista. Renji estava comendo em algum lugar (se Byakuya não fosse um homem controlado, riria da fantasia de espartano do outro. Se bem que de certo ângulo até fazia algum sentido...), nenhuma surpresa até aí. Então, o jeito era sentar e vigiar, como único adulto responsável (Yoruichi e aquele namorado esquisito dela não contavam nem um pouco) do lugar.

– Byakuya-bou,... – Irritante! –... qual a dessa fantasia? – E a morena riu de forma tão idiota quanto ela mesma. Byakuya franziu as sobrancelhas. Ela era a única que conseguia irritá-lo. Byakuya se olhou, muito consciente de seu estado. O cabelo solto de forma proposital e estrategicamente bagunçada, o fraque, as luvas, o terno... Era um mordomo e tanto*. E Rukia ainda o obrigou a usar lentes carmesim com a desculpa de que sem elas acabaria a magia e a graça da fantasia. Quais as das lentes ele não entendeu mesmo. Mas Yoruichi provavelmente sim, pois deu um sorriso que o assustou até os ossos. Aquela mulher era macabra. Depois, com a voz que ela julgava arrepiante (era mesmo), falou pausadamente:
– Ah, Byakuya-bou, a noite será longa. – E seria mesmo...

O problema de Yoruichi é que ela era sua prima. Sua prima três anos mais velha que sempre se achou mais adulta por isso e sempre adorou se aproveitar desse fato. E isso estava se estendendo. Há anos tentava chegar a Rukia, mas Yoruichi impedia de alguma forma. Estava quase começando a achar que Rukia estava mancomunada com essa louca extravagante. Porém, ela com certeza não seria capaz de uma idiotice desse calibre. E isso foi prolongado...

Duas longas horas.

A maldita festa perdurava por duas torturantes e estúpidas horas. Alguma coisa estava estranha e o moreno não tinha um bom pressentimento sobre isso. As crianças estavam agitadas demais até para crianças e Byakuya começava a achar tudo muito fora de seu controle, o que era enervante. Tinha que dar um jeito de acabar com aquilo. Mas alguma parte de sua mente se recusava em concordar com o irmão malvado que ia assumir e acabar com a festa da irmãzinha. Que nunca dava festas.

Deixaria a pobre ser anfitriã por mais algum tempo. Aproveitar a oportunidade. Só ia ter mais um evento daquele porte na mansão dos Kuchiki no próximo ano.
Claro, se Byakuya previsse o futuro, não diria isso.

...

Rukia teve o cuidado de pedir a comida perfeita, Renji tinha que admitir. Okay, okay, ele não podia falar nada. Naquela festa muito esquisita (lembrava a própria Rukia no geral), apenas a comida lhe interessava. E estava ótima, se quer saber. A música e a dança não era atrativa para certos sedentários, as luzes eram um adereço inútil, os morcegos e as abóboras não assustavam ninguém... A baixinha deveria ter sido mais criativa! E com certeza, nada de interessante aconteceria pelo resto da noite.

Claro, se Renji previsse o futuro, não diria isso.

...

Rukia sorriu maliciosamente e Ichigo acenou que não com a cabeça. O garoto realmente não era adepto a esse tipo de coisa, apesar de a aparência dizer o contrário. E ele não tinge os cabelos, pelos céus! Então, voltando ao presente...

– Rukia, eu realmente acho que você deveria parar com essa idiotice. A festa está boa o suficiente! – Ele a olhou melhor. Os olhos muito grandes, de um violeta intenso que contrastavam com o rosto de traços minimalistas. Os cabelos lisos (quando eram mais novos e mais imaturos, adorava tirar com a cara dela e dizer "do boi lambeu". Até o dia que ela lhe socou) e curtos, a expressão sempre pervertida que todos viam, menos o Soberano do Ártico. Procurou algum traço de sensatez, e não se decepcionou quando não encontrou.

– Ichigo, cala a boca. Será apenas uma brincadeira. Além disso, eu estou fazendo, não você, pateta.

– Eu sou teu cúmplice desde o momento que sei e não conto, babaca. – Ele suspirou e revirou os olhos. Como sua amiga conseguia ser tão inconsequente?

– Sai daqui e finge que não viu. – Ela foi rude, mas parou com o momento "casal de amigos que se querem e não assumem" para olhar ao redor. Quando percebeu que ninguém se interessava por eles, trocou o ponche de frutas vermelhas por uma bebida semelhante que estava debaixo da mesa, mas muito, muito suspeita. – Ah... Essa festa vai ser louca.

Claro, se Rukia previsse o futuro, não diria isso.

...

Byakuya estava cansado da companhia de Yoruichi e aquele namorado tosco dela. Ambos que, pra combinar, vieram de mulher gato e homem morcego (o que não combinava muito com o dito cujo, talvez contrabandista, muambeiro ou até sacoleiro... Faria muito mais sentido!). Kami, ser brega tem limite... Há muito tempo estava parado ali com uma cara de tacho mais acentuada que o normal para ele, então foi em caminho ao Buffet. Ali havia doces – que na opinião de Byakuya eram muito sem graça – e salgados. Entre eles, os tacos mexicanos apimentados dos quais gostava. O ponche de frutas vermelhas parecia bom, então, não tinha problemas entupir seu corpo com aquele açúcar todo. Foi ironia. E sim, ele sente a necessidade de explicar.

Claro, se Byakuya previsse o futuro, não faria isso.

...

Depois de um tempo e muitas doses de “ponche”, Hisagi via tudo com fantasmas ao lado. Desculpe o trocadilho, mas até o seu senso de ridículo parecia trêmulo agora. Algo muito esquisito estava acontecendo, olha... Estavam usando um dos milhares quartos espalhados pela casa e no calor do momento, nem se deram ao trabalho de olhar a quem pertencia. Claro, seu melhor amigo, Kira Izuru, estava fazendo companhia. Por algum motivo bizarro pra caramba, estavam ambos tontos. Então, para não ter que saírem da festa mais cedo, resolveram esperar um pouco no dito quarto, sentadinhos na cama. Obviamente, os créditos dessa ideia genial se devem a Hisagi, esse exemplo de inteligência para humanidade. Azar de Kira se ele é facilmente manipulado pelo moreno com a tatuagem esquisita.

– Você está melhor? – O loiro em sua fantasia de grego (ligeiramente sem graça e sem criatividade) olhou para o outro, este que estava fantasiado de morte.

– Eu vou melhorar logo. – O que não era mentira, o fato de estar utilizando o quieto e imóvel na cama, sem se deixar levar pela onda de excitação que preenchia o andar inferior, fazia o mundo girar menos. Sorriu para tranquilizar o outro. O que deu totalmente certo. Kira estava em um impasse interno. Ver Hisagi ali estava lhe dando uma vontade intensa de fazer uma besteira que terminaria, provavelmente, no desastre do século. Mas, teria que arriscar.

– Hisagi...

– Hum? – O outro falou preguiçosamente.

– Você sabe que alguém batizou o ponche, né? – Perguntou o óbvio.

– Provavelmente.

– E sabe que contrabandearam para dentro saquê sem que Rukia soubesse?

– Sei.

– E sabe que eu bebi? – E bebeu mesmo. Mas, diferente de Hisagi, já passou por essas quebradas mais vezes e era muito mais resistente ao álcool. Ou seja, era tudo uma desculpa sem noção.

– Sim...

– Isso é bom. – Kira se aproximou lentamente, observando cada mínimo detalhe do rosto do outro. Os olhos castanhos muito sinceros, os lábios de desenho que lembravam vagamente o desenho de um coração, os cabelos arrepiados e sempre vítimas daquele descaso eterno, a pele com um bronzeado saudável e por fim... por fim o motivo de seu contínuo tormento. Aquela estúpida tatuagem que lhe fazia ter vontade de chorar sempre que a via. Fechou os olhos e franziu a testa, muito puto no momento.

E Hisagi mal viu a aproximação, coitado.

Os lábios de Izuru cobriam os seus de forma suave e hesitante, quase temerosa. E por um momento ele não soube o que fazer. Ficou parado, sentindo aquele toque que por pouco tempo foi unilateral. Retribuiu lentamente, mas ainda com dúvidas martelando em sua cabeça.

Os lábios de Kira eram doces e ao mesmo tempo não eram. Tinham gosto de saquê. Graças a Kami poderia culpar algo por isso amanhã. O beijo tímido evoluiu para carícias ousadas, onde praticamente mapeavam o corpo um do outro.

A posição meio envergada na qual Kira se encontrava não era nem um pouco confortável. Ainda assim, não reclamou. Sentia as caricias de Hisagi com grande alegria, ficando extremamente satisfeito quando este lhe puxou pelas coxas para que pudesse se sentar em seu colo. O ósculo teve fim devido à falta de ar (eles estavam respirando errado. Sabe como é...), mas, Hisagi seguiu com os beijos ofegantes para o pescoço do amigo, enquanto suas mãos o acariciavam desajeitadamente.

Kira tentava conter seus ofegos ao mesmo tempo em que seus dedos se atrelavam aos cabelos do moreno. Hisagi abandonou o pescoço do amigo voltando para os lábios deste, ao passo em que o beijava sentia as mãos do loiro tremerem enquanto começava a livra-lo da fantasia totalmente preta. Não perdeu tempo, levantando a “saia” idiota que o outro vestia, puxou-o para mais perto, sentindo certo contato mais íntimo entre eles. Levando em consideração o estado catatônico de excitação em que ambos se encontravam, era bem provável que acabariam levando aquilo até o fim...

Mas, na cabeça de Hisagi, aquilo não estava certo. Amava Kira como seu irmão, o irmão que não teve. Queria parar, queria dizer o quanto o amava, mas não daquele jeito, nunca daquele jeito. Estava gostando dos beijos e dos toques, pois, querendo ou não, era biológico. A testosterona era um hormônio inconveniente às vezes... Pelo menos, estava certo disso. Ou não. Porque em outro caso, aquele seria um ato deliberado de traição. Estava quase parando com o que faziam quando a porta foi aberta em um rompante.

Na soleira, como se fosse uma sombra maligna, estava o Senhor Sub-Zero com sua aura malvada e fria mais marcante que o habitual.

Oh, shit.

...

Bem, depois, Byakuya foi até onde estava o DJ, pegou o microfone e parou a festa com uma voz que não permitia discussões. Rukia ficou chateada? Oh, sim. Ichigo tirou com a cara dela? Oh, sim. Byakuya proibiu festas? Oh, sim. Foi traumático, pode acreditar...

Atualmente

– Você entende agora?

– Sim, senhor... – Rukia estava chateada. É, quem diria que seu irmão levou aqueles pegas de seus amigos tão a sério? Ela sempre se surpreendia com ele. Mas, não existiam realmente problemas. Devia era tentar uma festa de natal, como no ocidente!

– Nii-sama...

–Você vai pedir uma festa de natal como no ocidente, por acaso? – Ele novamente desviou o olhar dos livros e Rukia fez uma cara estranha, suspirando em seguida.

– Ia não, nii-sama. Ia não.

{...}

Notas finais
um mordomo e tanto*: Pra quem não entendeu, ele foi fantasiado de Sebastian *u* (Sebby-chan pros íntimos) de Kuroshitsuji. Anime perfeito, super recomendo. O que achararam da festinha inocente da Rukia???? Comentários fazem autoras felizes, sintam-se livres para compartilhar suas preciosas opiniões... Sábado tem cap novo, tá em processo de "betagem", mas já comentei que vai aparecer gente nova, palpites?? Enfim, beijocas e até a próxima...