Laços Imperfeitos

20 Como se livrar de um adolescente apaixonado


Notas iniciais
(Glória. Ou Emily) Oi, gente. Nossa, o capítulo veio lindo e no prazo, amem a Yasmin. Eu ainda não estou de férias, mas, essa semana que vem eu vou estar muito menos ocupada e lascada do que nessa semana. O capítulo dessa semana é muito, muito importante mesmo pro rumo da história, prestem atenção. Qualquer mínimo detalhe é importante neste aqui. A Yasmin concluiu o sonho de um exército, então, aproveitem. Mas, como eu adoro dizer, aproveitem enquanto podem. Meu bom humor não vai durar muito... e eu vou trollar mais mil. Brincadeira. O capítulo foi betado mim, mas, se encontrarem algum erro, avisem. Boa leitura.

Capítulo Quinze: Como se livrar de um adolescente apaixonado

Rukia se sentia culpada. Muito, muito culpada. Não sabia ao certo como estava a situação “amorosa” de Renji e seu irmão. Mas, ao que tudo indica, não existia uma situação amorosa entre eles. Lembrava-se das palavras de Yoruichi-san constantemente: “Funcionará, mas, em longo prazo. Não espere resultados positivos logo de cara.”. É, só precisava de paciência... Suspirou alto, deixando o pobre Kurosaki mais preocupado que nunca.

Ichigo sabia muito bem que havia algo extremamente errado com a namorada, o irmão sinistro dela e seu amigo Renji. A depressão do último era tangível... Sério, pode parecer bizarro, mas, por algum motivo aterrador Renji parecia muito concentrado em algo. Como se estivesse maquinando algum plano, não que parecesse ter algum progresso nesse quesito... Mas, Ichigo conseguia até ver a fumacinha dos restos dos neurônios do ruivo queimando.

Enfim, o Senhor Coração de Pedra parecia mais desalmado que o normal. A quase inexistente expressividade que possuía, finalmente, havia se extinguido. Mesmo que pareça impossível, ele estava mais frio que o habitual. Por mais que Ichigo não fosse lá muito fã do cara, não é como não se preocupasse um pouco... Era até meio triste vê-lo daquele jeito...

Por último e mais importante: Rukia. Vivia suspirando, meio deprimida. Parecia perdida entre dar atenção ao ruivo ou ao irmão... E como o pobre morango ficava nessa história? Pois é, esquecido e negligenciado!

Ele precisava mudar essa situação... Não pense que ele é egoísta, ou algo assim. Com toda certeza, ficaria extremamente feliz em ajudar Renji ou até mesmo o Príncipe Insensível, mas, o ruivo não contaria nada e o Kuchiki menos ainda, eles nem se falavam. Rukia também se negava a contar qualquer coisa, o que até rendeu uma pequena briga. Nada que não tenha sido resolvido.

Bom, já sabia muito bem como animar e receber atenção da baixinha. Só era algo arriscado e extremamente constrangedor. Mas, era Rukia. E por isso faria qualquer coisa para espantar aquele humor deprimente... Já tinha o necessário, apenas precisava de um local adequado. Teria que pedir um favorzinho para certo ruivo tatuado.

...

– Nem ferrando. – O ruivo respondeu prontamente.

– Qual é, Renji? Pra que tanta maldade no coração? É só pela tarde, você vai trabalhar até. – Ichigo não era do tipo que implorava, mas, era por Rukia! – Por favor, não tenho ideia de nenhum outro lugar!

O outro suspirou longamente, pensando nos prós e contras...

– Tá bom, fica me devendo uma. – Como sempre um coração mole, tão manipulável...

Bem, até havia um lado bom nessa história! Com Ichigo e Rukia profanando sua santa casa, certo moreno estaria solitário em sua pobre mansão... Era perfeito. Exatamente o que precisava para tentar... O que ele ia fazer mesmo? Porcaria, digamos que Renji nunca pensou em formas de seduzir um milionário. Sabia que nas novelas as mulheres tentavam aquele truque de... Como era o nome mesmo?... Ah, golpe da barriga...

É, ele não tinha essa opção.

Como sempre, Renji achou que seria melhor agir do que perder tempo pensando em algum plano. Bom, com seus antecedentes essa era a opção mais inteligente. De qualquer forma, ele tinha certeza de apenas uma coisa: não ficaria sentado esperando!

...

Enquanto bolava alguma história para enganar seu “nii-sama”, Rukia se perguntava qual seria essa incrível surpresa que o morango lhe preparara. Bom, sabia que não estava lhe dando a devida atenção, mas, com tudo que ocorreu não conseguia fazer nada para evitar sua melancolia. Se no final tudo desse errado entre Renji e seu irmão a culpa seria toda dela.

Enfim, achou melhor ligar logo para o Kuchiki mais velho. Seria triste não poder usar Renji como álibi, mas, Orihime servia da mesma forma.

– Aconteceu algo? – disse alarmado. Havia acabado de sair da faculdade e estava a caminho da escola de Rukia.

– Não, nii-sama. Eu liguei para perguntar se eu posso dormir na casa da Orihime. Sabe, ela passou mal no começo da semana e está tão desanimada... – Blefou, Inoue estava qualquer coisa, menos desanimada. Aparentemente, a relação de “amizade” com seu vizinho estava bem... amistosa.

O Kuchiki tentava arrumar alguma desculpa para negar o pedido da irmã... Mas, não encontrava nenhuma.

– Tudo bem.

– Poxa, nii-sama, ela realmente está tris... Desculpa, o que disse?

– “Tudo bem.” Você pode ir, amanhã cedo irei busca-la.

– ‘Tá... Obrigada, nii-sama.

Desligou o telefone ainda assustada. É, ele realmente não estava bem.

...

Final de expediente. Era agora ou nunca!

Rukia e Ichigo, provavelmente, continuavam a profanação de sua humilde casa... Enfim, não poderia reclamar, ele mesmo disse que demoraria muito para voltar. Não pense que ele é convencido ou algo assim, só havia tomado uma séria decisão: resolveria as coisas com Byakuya e não passaria de hoje! Sentia-se emocionado em pensar em Byakuya, assim, pelo primeiro nome... Parecia tão íntimo. Será que um dia poderia chamá-lo assim?

Balançou a cabeça como que para esquecer os devaneios. Uma senhorinha, no ponto de ônibus, afastou-se dele murmurando: “Esses jovens de hoje em dia”. Renji não deu muita importância ao comentário, já que seu ônibus se aproximava.

Era uma viagem longa. Finalmente, começava a se dar conta do que iria fazer. Na verdade, o que ele iria fazer? O que diria? Das outras vezes o Kuchiki foi falar com ele. Mesmo que para dizer que nada daquilo tinha sentido e para acabar com tudo. Ele sempre estava em sua casa. Lá era mais seguro. E agora? Levaria um grande fora — “Mais um”, corrigiu-se mentalmente...

Mais uma vez tentou deixar isso de lado. Como ele sabia – por experiência própria –, pensar muito sempre piorava a situação...

...

Byakuya encontrava-se em um estranho estado de apatia. Por Deus, ele havia tomado a decisão certa. Então, por que se sentia tão mal?

Na verdade, ele sabia. No fundo ele sabia que, de alguma forma, retribuía os sentimentos de Renji, mas, preferia pensar que o motivo era outro. Algo como o fato de Renji nunca ter tido uma família que o amasse. Não que seus amigos não sentissem grande afeto por ele, mas, não era a mesma coisa. Byakuya sabia o quão difícil fora perder seu pais, ainda assim, ele tinha Rukia e a certeza de que, onde quer que eles estejam o amavam incondicionalmente.

Renji nunca teve isso.

O pai o deixou antes que tivesse nascido e a mãe, simplesmente, não se importava. Ele teve uma infância tão difícil, foi muita sorte Rukia tê-lo encontrado. Era um garoto tão orgulhoso. Mesmo Byakuya tendo insistido em ajuda-lo, ele recusou. Quando alcançou idade suficiente, finalmente, conseguiu sua emancipação...

A campainha o trouxe de volta de seus devaneios... Quem poderia ser? Rukia, talvez. Teria esquecido a chave?

Infelizmente, ao abrir a porta, deparou-se com a origem de seus problemas do último mês.

– Olá, senpai.

Fechou a porta logo em seguida. Era uma alucinação... Sim, bastava ignorar.

– Oe, senpai!

Ignorar, era a melhor alternativa.

– Senpai! Eu preciso falar com você, é importante.

Ignorar...

– Por favor...

A força de vontade de Byakuya fraquejou. Aproximou-se da porta hesitante, mas, conteve-se no último momento. Sentou-se escorado a porta, sentindo que o outro fazia o mesmo do lado de fora.

– Senpai, não pode fingir que não está aí. – Renji teve um suspiro como resposta, mas, pelo menos pôde saber que ele estava bem próximo. – Sabe, senpai, hoje eu tomei uma decisão. Teremos uma conversa definitiva. Bom, só será definitiva se me der uma chance. Porque, eu não pretendo desistir de você.

Pensou ter ouvido algo, mas não conseguiu compreender. Como paciência não era umas das virtudes que Renji possuía, não conseguiu ficar quieto por muito mais tempo.

– Eu vou esperar aqui até que queira falar comigo... Não me importo de passar a noite aqui, só acho que Rukia estranharia.

Nossa, a situação estava mesmo difícil. Não conseguiu uma reação do Kuchiki nem apelando para Rukia... Bom, precisava de alguma ideia melhor.

Como ideias não eram seu forte, pensou que poderia irritá-lo ao ponto dele achar melhor ter logo a bendita conversa – não que ele soubesse do que se trataria a tal conversa. Tipo contar o final de algum filme... Bom, não sabia de nenhum filme que Byakuya pudesse querer assistir. Poderia imitá-lo, caso ele estivesse falando alguma coisa.

Ah, havia algo que poderia ser bem irritante, principalmente, vindo de um ruivo extremamente desafinado.

– Um elefante incomoda muita gente. Dois elefantes incomodam, incomodam muito mais... Três elefantes incomodam muita gente. Quatro elefantes incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito mais... Cinco elefantes incomodam muita gente. Seis elefantes incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam muito mais. Sete elefantes incomodam muita gente. Oito elefantes incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, incomodam, inco...

A porta na qual se encostava foi aberta num rompante, derrubando-o.

– É, incomodam mesmo. – Renji não conseguiu conter o sorriso que se espalhava por seu rosto. – Entre, antes que eu me arrependa.

Mesmo Byakuya parecendo mais irritado que o normal, o pobre ruivo não conseguia evitar a alegria que sentia. Era meio estranho, sabia que levaria um fora. Mas, tinha esperanças... Independente de sua irritação, a educação de Byakuya permanecia intacta, antes da fatídica conversa pediu que Renji se sentasse, imitando-o, mas mantendo uma boa distância.

– O que quer falar?

– Bom, na verdade eu não preparei nada. – Aí começava a parte difícil. Conseguiu a atenção que queria, porém, não sabia o que dizer. – Eu só me decidi que precisava tomar alguma iniciativa. Não consigo, simplesmente, aceitar que não podemos ficar juntos, senpai. Não posso aceitar que aquele tenha sido o último beijo... Não posso conviver com você me ignorando... Eu sinto falta de quando pegava no meu pé e jogava a culpa de tudo que a Rukia fazia em mim. Sabe, você é muito importante para mim, não posso perdê-lo também.

Era tão idiota. Pretendia chegar à mansão e seduzir o Kuchiki e o máximo que conseguiu foi falar um monte de baboseira e chorar feito uma criança de cinco anos. Renji notou, assustado, a aproximação de Byakuya, e foi ainda mais assustador quando o abraçou tentando acalmá-lo. Na verdade, piorou tudo.

Sentiu que liberava as lagrimas de anos... Na camisa de algodão egípcio do Kuchiki mais velho. No entanto este não parecia se importar, continuava acariciando lhe os cabelos e, por vezes, beijando-lhe o topo da cabeça. Após uma pequena eternidade, finalmente, Renji se acalmava. Ainda assim, não tirou o rosto do peito de Byakuya e, felizmente, este não reclamou.

A sensação de ter a atenção total de alguém era tão boa, nunca havia se sentido tão... protegido e amado. Mesmo que Byakuya não o amasse.

– Senpai?

– Sim. – Por algum motivo, o moreno continuava acariciando os cabelos vermelhos. Renji o abraçou mais forte, afundando mais o rosto em seu peito, como se a qualquer momento ele pudesse desaparecer.

– ‘Tou começando a me sentir mimado.

– É bom se sentir assim.

– Senpai, você pode me mimar mais um pouco?

– Tudo bem.

– Senpai?

– O quê?

– Pode... me dar uma chance? – Dessa vez a resposta demorou, tanto que Renji pensou que não receberia uma.

– Tudo bem.

{...}

Notas finais
E então? Suposições? Opiniões? Uma coisa macabra está para acontecer... Digam o que acham, por favor.