Notas iniciais
Galera é só uma experiência. Então não me xinguem nem me chutem. Preciso da opinião de vocês. Caso gostem, eu continuo a postar .Se não gostarem, bem, adoraria ouvir algumas sugestões construtivas, para continuar postando. Espero que curtam. :P Boa leitura :3 (Fiz algumas alterações no cap.)

Naquela noite, o vento estava forte e a chuva mais pesada do que pedras de gelo. Uma silhueta caminhava pela estrada deserta, a não ser pelos destroços de veículos e prédios. Parecia um cenário pós-apocalíptico. A ventania vinha sem piedade, fazendo com que a chuva piorasse cada vez mais. A silhueta, apenas parou de caminhar quando se deparou com um local iluminado. Aos seus olhos, parecia apenas mais uma miragem do que um lugar real. Algumas motos, ou partes delas, estavam paradas do lado de fora do estabelecimento. Um velho bêbado estava sentado na escadaria. Suas roupas estavam surradas e com respingos do que provavelmente seria seu próprio vomito. Em sua mão, havia uma garrafa de rum quase vazia. Desmaiado pela bebida, não notou quando a pessoa passou por ele adentrando ao bar. O lugar estava cheio. O cheiro era forte, uma mistura de cigarro, urina, perfumes baratos e bebidas alcoólicas. Parecia estar impregnado a tudo. Os olhares desconfiados se dirigiram para o desconhecido. Não levou nem três segundos para que o estranho voltasse a caminhar, deixando atrás de si um rastro de pegadas molhadas e pingos de água. Foi em direção ao bar se sentando na cadeira mais isolada. Sabia que estava sendo filmado por vários olhos a sua volta.

–Ei...- Um homem metade lagarto, com as vestes sujas de suor e comida, apareceu do outro lado do balcão chamando a atenção do estranho. O outro, apenas mexeu levemente a cabeça que era coberta pelo longo capuz.- O que vai querer?

Um breve silencio se formou. O estranho voltou a cabeça para a prateleira de bebidas atrás do lagarto, que ainda esperava uma resposta.

– E ai? Estou falando com você. O que quer?-Repetiu o lagarto impaciente.

–Murgar...- Uma voz doce interrompeu.- Deixa que eu atendo dessa vez? – A voz vinha detrás do homem. Era uma linda jovem, cabelos loiros ate os ombros e olhos amendoados, com um sorriso estampado no rosto.

Ele passou lentamente a língua comprida em volta de sua boca e encarou o estranho.

–Esta bem. -Disse por fim se retirando do lugar. A jovem se aproximou do balcão, deixando seus fartos seios, salientes pelo grande decote, aparecendo de forma sensual.

–Não ligue para o Murgar, ele nunca teve tem boas maneiras com novos clientes.

–Nikusui...-Sussurrou para a jovem.

A loira se surpreendeu, sentindo aquele nome invadir seus tímpanos os rasgando internamente. Aquela voz, ainda ecoava em sua cabeça. Sentia-se como se estivesse em um carrossel, revendo cada uma de suas mais sombrias lembranças. Voltando ao seu estado lucido, a loira sorriu sabendo de quem se tratava a sua frente.

–Eu devia ter adivinhado. Ninguém me chama por este nome a muito tempo. Achei que nem se lembrariam mais dele. Já que me "aposentei." -Ela sorriu discretamente continuando.

–Estou vendo que esta curtindo muito sua...-Olhou para os lados deixando seus lábios finos se curvarem num sorriso irônico.- "Aposentadoria."

A loira riu baixo.

–Podia ser pior. Eu poderia ter virado politica. -Disse piscando e indo ate a prateleira de bebidas. — Uma Shochu para você. – Disse segurando a garrafa mais velha e empoeirada, despejando cuidadosamente no pequeno copo sobre o balcão.
Uma poça de água se formava aos poucos em volta da forasteira que permaneceu em silencio.

–Preciso...

–É, eu sei. -Interrompeu a balconista. -Todos precisam de alguma coisa de mim. Por quê com você seria diferente? –Disse por fim lhe entregando a bebida. – Mas eu também preciso de alguma coisa das pessoas, certo? –Sorriu. — Essa fica por conta da casa. – Disse piscando.

A outra apenas pegou copo e o bebeu lentamente. Repousou o copo novamente ao balcão e olhou em volta.

–Onde podemos falar?

Nikusui suspirou, fez um sinal para o banheiro feminino. A estranha terminou sua bebida e foi ate o banheiro. A loira fez um sinal com os olhos para Murgar que assentiu com a cabeça. Enquanto esperava a balconista, a mulher encapuzada olhou atentamente para o banheiro que estava imundo e pichado. Uma das luzes de fundo piscava constantemente. Ficou em estado de alerta quando escutou alguns gemidos suspeitos. Com cautela foi se aproximando do local da onde vinham os gemidos. Ao chegar na terceira cabine, se deparou com duas mulheres fazendo sexo.

–Oi, quer se juntar a nós?-Disse a morena entre um gemido e outro.

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma quarta voz invadiu o local.

–Ela esta comigo meninas. — Nikusui disse animada enlaçando a cintura da outra.

–Hum...Se mudarem de ideia, vamos ficar por aqui mais um tempo. –Disse a ruiva que introduzia seus dedos na morena que gemia de dor e prazer. A balconista sorriu e levou a estranha para a ultima cabine. Fechou a porta e ficando frente a frente com a outra.

–Como me encontrou aqui?- Nikusui perguntou quase num sussurro.

–Era só pensar no lugar mais grotesco, que você com certeza estaria nele. –A outra disse friamente.

A loira riu baixo e sussurrou no ouvido da outra.

–Então teve trabalho, não foi? O mundo inteiro é grotesco.- Riu sarcástica enquanto colocava as duas mãos na parede impedindo a fuga da outra.

–Eu não vim aqui para perder tempo. Apenas vim buscar algumas respostas... –A outra foi interrompida com um dedo em sua boca.

–Shiiu...Ainda não estamos a sós.- Nikusui apertou um azulejo meio rachado na parede atrás da encapuzada, fazendo com que uma pequena passagem se abrisse.- Venha comigo.

As duas, entraram pela pequena passagem que estavam mal iluminada. Não demorou para que a mesma se fechasse atrás delas, deixando o lugar completamente escuro.

–Cuidado com a escada.- Alertou a Nikusui.

Desceram por uma escada caracol, chegando a um comprido corredor. A iluminação era feita por tochas que iam ascendendo conforme Nikusui passava por elas. Andaram por uns dois minutos, ate que chegaram a uma grande porta de madeira escura. A loira sussurrou umas palavras em outro idioma que fizeram a grossa porta se abrir, revelando uma espécie de escritório.

Nikusui retirou o avental e se sentou na cadeira atrás de uma grande mesa, que ficava quase no centro da sala. Uma gigantesca estante com vários livros, de tamanhos e formatos diferentes, estava ao lado direito da mesa. Tão próximo que Nikusui poderia pegar um livro se esticasse o braço.

–Sente-se, por favor. –Disse a balconista para a encapuzada, apontando para a cadeira a sua frente.

Sem resposta, Nikusui percebeu que a outra estava observando discretamente os livros da prateleira .Sorriu e disse:

–A resposta que você procura não esta ai, eu garanto. Eu apenas os guardo como...Meras lembranças.

Por um segundo não houve reação, ate que sacudindo o sobretudo resolveu se sentar.

–Agora que estamos seguras, podemos falar de negócios. A menos é claro que não seja sobre o que aconteceu...Você sabe muito bem que não posso ajudar em nada sobre aquilo. -Disse Nikusui arrumando os óculos que acabara de colocar. Quem a visse agora, não diria que era uma balconista.- Mas se for sobre outro assunto.- Abaixou um pouco seus óculos revelando a obscuridade em seus olhos que se tornaram tão negros quanto a noite. — Terei o maior prazer em fazer um acordo. -Sorriu maliciosa.

–Trago informações de Kanagawa.- O clima mudou, fazendo a loira estreitar os olhos e desfazer o sorriso. A coloração dos olhos voltou a tonalidade amendoada.

–De Kanagawa? Não vou lá a muito tempo. O que me conta? –Questionou.

–Não lhe direi nada, ate que me conte tudo o que sabe sobre a Yomi e o que aconteceu naquela noite.

–Não sei de nada. – Respondeu Nikusui tranquila. – Aliais...Suas “pistas”, não nos levaram muito longe, certo? –Debochou a loira arrumando seus óculos se recostando na cadeira.

–Eram pistas faltas.- Falou seria.- Alguém que sabia de mais, passou mensagens avisando para os outros demônios sobre o que eu queria. Me fizeram seguir na direção contraria. — Fechou os punhos. -Contudo, eu cheguei ate alguém...

–A quem chegou? — Perguntou curiosa e debochada.

A outra deu um leve sorriso por baixo do capuz e sussurrou.

–A você, Nikusui.

–Hum. Todos chegam a mim afinal sou "a ponte" que liga a muitos lugares. Mas não a todos. — Nikusui disse suspirando.- Então vejamos. Vamos supor, que eu saiba de alguma coisa. –Coçou o queixo. — O que eu ganharia em troca, se eu te falasse o que sei?

– Não te mando de volta para o inferno.

A loira não conteve um riso e continuou.

–Presta atenção.- Falou tomando um ar mais serio.- Você não esta numa historia de contos infantis. Além do mais, você mais do que ninguém já devia saber em quem pode ou não confiar. Não é, Black?

Aquele nome ecoou na sala trazendo um súbito silencio. A outra apena olhou por baixo do capuz e disse:

–Você sabe que eu posso te destruir agora mesmo.

A outra riu.

–Mas não é uma feliz coincidência? Eu também posso.- Sorriu maliciosa. — Ou você acha que eu tenho medo de você? Sua reputação, é tão grande quanto a minha. — Sorriu.- Não se esqueça disso, minha querida e desmemoriada, Black Rock Shooter. – A outra ficou inquieta na cadeira. –A mais temida e “perigosa” caçadora de demônios. -Riu debochando. – Me fala. Como tem sido viver sem saber ao certo quem você realmente é? É como cair aos poucos no inferno?

Black avançou sobre Nikusui ficando debruçada em cima da mesa a segurando pelo pescoço com uma mão.

–Eu deveria meter uma bala no meio da sua testa. Mas prefiro que você me diga tudo o que sabe sobre minhas memorias. – Retirou seu cordão o jogando em cima da mesa. A loira olhou para o pequeno objeto e sorriu sarcástica.

–Se me soltar, fica melhor para eu olhar, não acha?- Nikusui disse num tom infantil.

Brutalmente, Black a empurrou para trás soltando seu pescoço, mas quase fazendo sua cadeira virar.

–Gentileza nunca foi seu ponto forte, não é mesmo?- Disse a loira estalando o pescoço e arrumando os óculos tortos enquanto se arrumava na cadeira.

–Encontrei isso no quarto de Yomi, em meio as cinzas. – Black fez uma pequena pausa.- Estava sujo de sangue, já seco. – A loira olhou o cordão de prata mais atentamente. Sem encostar nele, o examinou cuidadosamente reparando em cada detalhe. Era uma estrela de cinco pontas dentro de um circulo.

–Hum...Que curioso.

–O que?

–Hum, bom eu...Tenho minhas suspeitas mas não é algo que eu possa dizer, certo. — A outra apenas a olhava impaciente, ate que a loira voltou a falar.- Tem certeza de que achou mesmo esse cordão em sua casa?

–Sim.

Nikusui respirou fundo e continuou.

– Não posso afirmar a ‘’quem’’ ele pertence, mas...- Fez uma breve pausa. -Seja quem for, é alguém que possui um poder muito além do esperado. –Ela pegou uma caneta para segurar o cordão e examina-lo de mais perto. – De fato, isso sim é uma pista. — Sua caneta começou a derreter e o cordão caiu na mesa. — E uma pista verdadeira. -Disso sorrindo encarando a caneta que terminava de derreter em seus dedos.

Black pegou o colar e o colocou de volta no pescoço.

–Deveria tomar mais cuidado com o que usa.

–Porque?

–Existe trevas nesse objeto. Pode acabar corrompendo seu coração.- Entrelaçou os dedos sobre a mesa. –Oh, é mesmo...Você não tem um coração. É tão oca quanto eu. – Riu.

Com um rápido movimento, Black salta sobre Nikusui sacando sua katana escondida embaixo do sobretudo, pressionando sua lamina em seu pescoço.

– Voltamos ao começo? Isso esta ficando entediante. Você me causa muitos prejuízos, principalmente as minhas "cascas humanas."- Reclamou a loira sentindo seu pescoço rasgar lentamente. — Por que isso sempre acontece quando conversamos? Você realmente não gosta de mim? -Emburrou a cara fazendo bico.-

–A muito quero acabar com você. Vai se arrepender de me fazer andar em círculos.

A loira sorriu

–Jamais conseguira sair deste lugar com vida. Mas se sair... Você não tem nem ideia do que vem por ai.

– Já cansei de perder meu tempo. Eu sei que foi você que espalhou para os quatro cantos do mundo que eu estava atrás do meu passado, e de quem matou minha Yomi. Alguém quer me impedir de encontrar as respostas e você, sabe muito bem quem é. –Black disse se aproximando. –Só não te matei porque acidentalmente, acabou me levando a algo real. –Disse aproximando o cordão da loira que tentou recuar. Black a puxava de volta e pressionava a lamina em seu pescoço, começando um grande corte. O sangue negro escorria pela lamina fazendo Nikusui rir. — Agora, diga o nome!

– Alguém esta muito encrencada. — A lamina foi mais a fundo fazendo com que o sangue escorresse com mais intensidade. -Você simplesmente escolheu um demônio impossível de matar. Ou será que...O demônio escolheu você? –Ela riu. – Um conselho de “amiga”. Não busque o que passou. Não importa o que você faça. Essa batalha, você NUNCA vai vencer. Estava escrito nas paginas negras com sangue.

–Se tem algo que eu deteste mais do que demônios, é que me digam o que eu devo ou não fazer!

O sangue escorria pelos quatro cantos da mesa, começando a pingar no chão. A loira fechou os olhos e riu com vontade.

– Você realmente não se lembra de nada não é? Incrível o tamanho do poder que ela tem.

–Ela?-Black não conteve uma reação de surpresa.

– “Tudo terminou no início.” – Ela disse com um sorriso enigmático.- Reze para... “Deus”- Cuspiu ao dizer esse nome.- Talvez te ajude. -Black forçou mais a espada estava quase atravessando todo seu pescoço e o sangue não parava de jorrar. A loira gargalhava freneticamente. -Idiota...Uma espada normal não me mata caçadora, já se esqueceu disso?

A outra sorriu por baixo do capuz e sussurrou.

–Uma espada não... Mas eu sim. — Uma chama azul saiu por baixo do capuz percorrendo toda a extensão de seu braço direito. Logo se alastrou pela lamina da espada a envolvendo com uma chama azul.

Antes de poder dizer qualquer coisa, Nikusui teve sua cabeça decepada. Seu corpo sem vida, caiu no chão virando cinzas logo depois. O sangue também sumir. O crime perfeito.

A lamina da espada voltou a sua cor normal sem qualquer vestígio de sangue. Black embainhou sua espada e uma pequena caidinha de metal com uns botões. Ligou o pequeno aparelho e voltou para o corredor. A caixinha dentro da sala começou a apitar, logo uma explosão destruiu toda a sala e o bar a cima. Os corpos dos demônios mercenários que estavam a espera de Black a mando de Nikusui, foram jogado para os lados e havia sangue por todos os cantos. Pequenas explosões de cinzas aconteceram segundos após as mortes. Alguns cadáveres que ficaram pelo chão, eram de humanos bêbados . O cenário era de fogo, sangue e morte. Apenas uma silhueta era vista encarando as chamas. Black tomava em mãos seu cordão e o encarava com os olhos vazios. Decidiu dar uma volta pelo local antes de partir. Examinou os corpos para ter certeza de que não havia tido sobreviventes. Foi quando um barulho de metal acabou chamando sua atenção. Ela segurou sua catana prestes a saca-la. A fumaça aos poucos foi se abaixando, revelando uma tampa de bueiro que girava provocando o som . Algumas pegadas de sangue ainda não apagadas pela chuva foram vistas indo ate o bueiro. Black se aproximou encarando o local úmido e escuro. Olhou para os lados, podendo ver as chamas que dançavam sobre alguns dos cadáveres. Em seguida, pulou para dentro do bueiro, desaparecendo na escuridão.

Notas finais
É isso ai galerinha, espero que tenham gostado.Aguardo a opinioes de vocês.Comentarios Arigatö! o/