Laços
26 Um novo dia!
Notas iniciais
Os momentos tristes não mudam quem você é,
eles mostram o seu verdadeiro eu.
...
O corpo despertava de uma noite turbulenta, pesadelos horríveis, mas não quis abrir os olhos e encarar a realidade. Tinha certeza de uma coisa que de duas uma, ou estava no paraíso ou estava no inferno. Mas se sentia mais viva do que nunca, mas teve medo de abrir os olhos e encontrar escuridão ou quem sabe outra vez os corredores do hospital e ver a si mesmo morrendo gradativamente sem poder fazer nada.
“- Eu fui mandando aqui... para te dar uma nova chance...” – a voz de Gabriel despertou mais seus sentidos, uma nova chance? Talvez fosse por isso que se sentia mais viva, sorriu e abriu os olhos lentamente recebendo de bom grado a claridade que entrava pela janela de cortinas abertas frente a cama aonde estava deitada. Quando seus olhos se acostumaram eles vagaram pelo quarta, um tremor se apossou de seu corpo.
Assustada se sentou em um pulo e de olhos arregalados.
— Como isso é possível? – Não conseguia acreditar no que via, chorou muito. Sua cabeça latejou com tantas lembranças vividas.
— Hinata... – a chamaram, Hinata olhou para a porta trancada o coração batia acelerado. Conhecia aquela voz, mas já fazia muito tempo que não a ouvia, seria um sonho? Seria um pesadelo? – Hinata por favor responde, estamos preocupados com você. – as lágrimas desciam por sua face, em um misto de medo e alegria, saiu da cama tropeçando em seus próprios pés para chegar até a porta abrindo a e se encontrando com aquela face. Paralisou tamanha era sua insanidade, estava louca isso era a única explicação palpável para seu caso, havia ficado louca.
— Ha-hanabi? – a voz falha, a garota a olhava como se tivesse duas cabeças, não entendia o porquê agia assim. Hinata só podia ter se drogado, ou pior estava pegando a idiotice de Naruto.
— Hinata, até parece que viu um fantasma... – Hanabi zombou da irmã mais velha que chorou a abraçando forte, Hinata sentia e corpo da caçula nos braços de novo, sentia o cheiro do perfume de rosas que ela adorava.
Estava louca com total certeza, mas queria viver essa loucura para sempre.
As duas ficaram abraçadas por alguns longos minutos, até Hanabi a solta lá e leva lá até a cama. Hinata sabia que agia estranho e que Hanabi não estava entendo a situação, mas ela tão pouco entendia como estava ali outra vez, como e quando fora parar no quarto onde cresceu? Como de uma hora para outra voltou a ter dezesseis anos e sua rmã estava viva? O que tinha acontecido com o que até então era real? Sua mente estava uma bagunça.
— Eu tive um sonho ruim... – acariciou o rosto da irmã, a garota estava com um vestido amarelo claro e um lenço enfeitava sua cabeça, Hinata se lembrava daquele lenço. Presente de Hiashi quando Hanabi teve que raspar sua cabeça, se lembrava o quanto choraram pela vaidade da irmã.
— Papai vai me levar para mais uma sessão... voltamos logo. – assentiu, Hanabi logo a deixou sozinha no quarto que a assustava agora.
— Eu não entendo. – ela se olhava no espelho tentando entender o que parecia inexplicável. A face de menina refletida no espelho, os cabelos azulados no meio da costa mostrava sua vaidade de menina, as curvas ainda tão imaturas pela idade.
— Existe uma explicação Hinata.
— Gabriel... – Hinata olhou novamente o homem em sua frente. – Eu não consigo compreender, o que houve? Como aconteceu? Eu-eu... essa não é minha vida, não mais... não entendo.
— Lembra que eu disse que existem mistérios entre o céu e a Terra que você não poderia imaginar? – ela assentiu, se lembrava disso. – O que aconteceu com você agora é como um sonho. Essa é sua nova chance, a chance de fazer diferente dessa vez. Mudar algumas coisas e encontrar o seu final feliz.
— Essas lembranças da minha vida? São coisas que não aconteceram ainda?
— Aconteceram, mas agora você pode usar suas lembranças para mudar seu destino. A vida é uma questão de escolha Hinata e só fazer a certa.
— Por que eu?
— Por que aquele não era seu fim, não era os planos que Deus tinha para você... por isso Ele te deu uma nova chance... aproveite-a. – Hinata sorriu, por anos acreditou que Deus a havia abandonado, mas ali estava ela tendo uma nova chance de fazer diferente, a mudança começaria exatamente aonde tudo começou a dar errado. Na sua adolescência. – Quando suas atitudes forem diferentes da vida que conhece, suas lembranças se perderam para sempre e tudo não passara de um sonho de uma noite.
— Menma?
— Hinata, os acontecimentos são os mesmo... você que tem que escolher novos caminhos, se fizer igual tudo seguira o seu rumo e terminara da maneira que conhece.
— Será o meu fim... – sussurrou fitando o chão. Gabriel sumiu.
Olhou no relógio, ainda era manhã e sabia exatamente que dia era aquele. Faltava apenas dois dias para sua ruína escolar, teria que tomar uma atitude. Trocou de roupa, pegou sua bicicleta e correu o mais rápido e se embrenhou na floresta, encontrou Shion vasculhando a cabana. Estava em busca da câmera que colocará lá.
— Oii Shion... – apareceu assustando a garota que pulou sem graça a encarando.
— Hi-hinata... o que faz aqui tão cedo? – estava nervosa, não queria que ninguém visse a câmera escondida.
— Perdi o sono e quis dar uma volta e resolvi vir até aqui, mas e você? Não costuma vir aqui de manhã não é mesmo?
— Realmente não... estava querendo me distrair... – as duas se sentaram e conversaram a loira até se esqueceu do que fazia antes e quando partiu para casa já era hora do almoço. Hinata aproveitou que estava sozinha e procurou a câmera a encontrando logo. Assistiu, o choque de se ver em momentos íntimos fora o mesmo, mas o impacto e dor que causara não fora de longe o que aconteceu de verdade. Apagou o que deveria ser um momento só dela e de Naruto, mas deixou que Shion visse como ele a beijava apaixonadamente. Todos que vissem aquilo saberiam o que houve depois dos beijos, mas ninguém veria. Hinata deixou a câmera no mesmo lugar e partiu para casa sendo recebida por Hiashi, ela o abraçou forte tamanha sua saudade. Hiashi ficara sem graça de inicio, mas logo cedeu, Hanabi havia contado que ela estava estranha e emotiva. Passou a tarde grudada nos dois, cada coisa que acontecia remetia uma lembrança diferente. Quando subiu pra o quarto para dormi, pensou no vídeo que assistira na cabana, mas não conseguia se lembrar como sabia? Se esforçou ao Maximo, mas não se lembrava nem o que havia no vídeo e muito menos o que a segunda tinha de tão importante.
Se esqueceu.
...
Cada músculo de seu corpo demonstrava tensão, sabia que algo ruim aconteceria, mas não se lembrava o que era. Talvez ela já tivesse mudado esse fato e então o real já não era mais real. Quanto mais pensava nos acontecimentos, mais se sentia louca. De frente a escola, suspirou e entrou, percebeu todos os olhares sendo direcionados a ela junto de risinhos.
— Isso me parece familiar. – pensou, entrou na sala, sabia que havia algo que tinha se esquecido, e esse era o motivo de todo aquele alvoroço e sabia que brigaria com Naruto por isso.
Mostraram o vídeo e um pequeno flash se fez presente na memória, se sentiu envergonhada e fingiu chorar. Precisava ficar sozinha, mudar algo, mas antes faria semelhante. Naruto apareceu sorrindo, ela o olhou espantada. A imagem dele mais velho invadiu sua mente, ele era lindo e ficaria mais lindo ainda. Foco Hinata.
— NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO NARUTO. – gritou aos prantos.
— Fiz o que? – perguntou confuso por que ela chorava daquele jeito. Ele havia acabado de entrar na escola, notou alguns olhares e risinhos de alguns alunos, mas não deu muita moral. Sempre o olhavam assim, pois muitas garotas eram apaixonadas por ele.
— Eu não merecia isso Naruto... – disse saindo correndo.
— Você é um idiota. Você não lembra vou refrescar sua memória. – disse furiosa entregando a ele o celular ele assistiu o vídeo e arregalou os olhos.
— Eu não fiz isso. – disse e entregou o celular para Sakura e saiu correndo atrás de Hinata, sabia exatamente onde ela estaria, na cabana, o lugar onde eles se refugiavam a anos para brincar e passarem as horas, e se esconderem dos problemas era para a cabana que corriam. Atravessou a pequena área verde chegou na cabana, entrou, Hinata estava sentada abraçada nos joelhos com a cabeça escondida, aquilo machucou o coração dele.
— Hinata eu juro por tudo que é mais sagrado eu não filmei nos dois. – ele suplicou se aproximando dela com cuidado. Hinata o abraçou forte escondendo o rosto na curva de seu pescoço. – Hinata... – ele sussurrou a abraçando.
— Eu sei que você nunca faria isso... e Naruto, eles não viram nada naquele vídeo. – ela o encarou e sorriu, ele ficou confuso.
— Então porque gritou comigo? – ela riu sapeca.
— Para todo mundo ver que eu sou brava. – fez bico e Naruto a beijou com carinho.
— Hinata eu já fiz muita merda com você, te ofendi, te chamei de mentirosa... mas eu não acho isso de você, nunca achei... eu dizia por que achava que você não gostava de mim, não do jeito que eu quero que goste.
— Eu sei... você disse que amava aquele dia, me ama?
— Eu acho que te amo Hinata.
— Eu também acho que te amo Naruto. – se beijaram outra vez, sentindo o doce sabor dos lábios um do outro. Sorriam entre um beijo e outro. Mas a pergunta que assombrou Hinata, mesmo que nada exposto estivesse sendo exibido naquele vídeo, aquilo ainda traria problemas a ela, principalmente em sua família tão tradicional.
— Hina... quando seu pai souber, ele vai querer me matar.
— Ele não pode matar o pa... – ela o encarou por um momento assustada com suas próprias palavras. – pa-paixão, minha paixão. – tentou se corrigir, ele levantou uma sobrancelha encarando a, mas nada disse apenas a beijou outra vez. Estar como Hinata, era provar do paraíso mesmo em meio ao inferno.
...
Hinata correu para casa e contou ao pai o que havia acontecido.
— Sei que te decepcionei papai, mas eu não posso mudar isso... – os olhos demonstravam arrependimento, pois doía muito ver aquele olhar de decepção nos olhos de seu pai.
— O Naruto que filmou? – a voz rouca carregava ódio.
— Não... ele nunca faria isso comigo, ele me ama.
— Hinata minha filha como pode ter certeza disso? Vocês não sabem o que é amor.
— Talvez não mesmo, mas sabemos o que é confiança e eu confio nele cegamente papai.
— Quando o conselho souber que você se deitou com um homem antes do casamento, isso será o fim da nossa família. – quando Hiashi disse aquelas palavras, outras coisas vieram em sua mente, Kaguya. Esteve preocupada em fazer diferente em relação a Naruto que se esqueceu completamente daquela bruxa. Mas sabia aonde encontrar as provas que incriminassem Kaguya e faria isso sem que ninguém soubesse. Afinal quem acreditaria nela se contasse o que houve em sua vida e de como sabia de tudo.
Hiashi estava nervoso, decepcionado. Sua filha se entregara a primeira paixão que teve e isso custaria muito. Quando entrou no conselho, após ser chamado já sabia o motivo. Hinata se negou a ir junto, disse que não queria ouvir desaforos e nem ser humilhada o que com certeza aconteceria, ele sabia, conhecia aquele clã como a palma da mão.
Hinata foi expulsa do clã, Hiashi quase pirou. Sempre fez de tudo para proteger as filhas, mas fora incapaz de protege lá contra o clã, mas agradeceu a Deus por Hinata não estar naquela sala ouvindo aquelas humilhações, Hiashi não aguentaria ver sua filha ser humilhada mais do que já estava, afinal todos a olhavam com olhar de reprova.
Quis leva lá para longe, mas ela e Hanabi se negaram a sair de Konoha. Mas o que estava o deixando de cabelo branco, era as cartas anônimas que começou a receber com o passar dos dias, contando um passado escuro de sua vida. Alguém sabia de toda a tramoia Hyuuga e estava o alertando sobre Kaguya, mas ela nem era vista na cidade. Então começou a investigar por contra própria o paradeiro daquela mulher e do clã junto, já que as cartas lhe davam informações exatas sobre algo mais sujo do que já vira na vida.
Descobriu que Kaguya estava mais perto do que imaginava, os filhos dela estavam crescendo dentro do clã com apoio de um dos conselheiros. Pediu ajuda a Madara Uchiha que sabia da história.
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