Laços

9 Capítulo 9


Notas iniciais
O último!

É impossível negar que Molly o esperou. Por dias, semanas, meses. Era com esforço que ela ia para a escola todos os dias, sabendo que não encontraria Jim. Se antes poucas pessoas falavam com ela, agora era ela que não queria a proximidade de ninguém. Muitos tentaram reaver sua amizade, mas logo ficou claro que era apenas pelo interesse de saber o que tinha acontecido a Jim.

Foi só quando ela se mudou para Londres e deu início a sonhada faculdade de Medicina que sua vida começou a mudar. Foi quando ela conheceu Tom... Ok, talvez sua vida não tivesse mudado tanto assim e ela continuou preferindo estar sozinha.

– Nós podíamos jogar alguma coisa. — Era um dia frio, muito mais frio que o normal em Londres. Tornava-se impossível sair de casa para o quer que fosse e Molly já estava cansada de ficar sem fazer nada.

– Jogo? Você só pode estar brincando comigo. — Não, ela não estava. E o pensamento de que Jim aceitaria qualquer tipo de jogo a invadiu como um raio. Fazia tempo que ela não sentia tanta falta dele como agora. Olhando pela janela, para uma Londres nublada e chuvosa, ela se perguntava por onde ele andava. Se ainda estava vivo e se... Se ainda pensava nela.

– Não. Não encoste nisso. — Irene se abaixava para pegar algo no quarto, em meio as roupas jogadas no chão. Um sorriso cínico passou por seu rosto ao ver o que havia caído do bolso da calça dele.

– Ora, James, um homem com você guardando um laço de cabelo com desenho de gatinhos?

– Eu falei para você soltar. — Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, James segurava seu braço e o olhar dele a aterrorizou por alguns instantes. Tentou sorrir para quebrar o gelo que de repente havia se formado.

– Vamos lá, James, é só um...

– Saia.

– Não estrague...

– Saia!

Vendo a fúria que se desenvolvia por trás dos olhos dele, Irene terminou de se vestir e se retirou sem dizer mais nenhuma palavra, sabendo que havia perdido um cliente.

James sentou-se na cama quando ela saiu, girando o laço entre os dedos e lembrando do dia em que o pegou. Um dia, quando tudo tivesse resolvido, ele voltaria para devolvê-lo.

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– Eu não vejo a hora de terminar minha especialização.

– Céus, Molly, você quer mesmo trabalhar com mortos!

– Eles dão bem menos trabalho.

Molly andava de forma rápida pelos corredores e conversava com Charles, seu colega plantonista. O pronto socorro do hospital estava lotado e eles não paravam um instante sequer. Agora mesmo a tinham deslocado para área infantil e ver crianças doente partia o coração dela. Principalmente porque sim, ela se lembrava de Jim e de como ele sofrera anos atrás.

– Oi, Rachel. Me conte o que está acontecendo com você. — Uma pequena menina de 6 anos com grandes olhos castanhos e rosto manchado por lágrimas encarava Molly de maneira assustada. A mãe fez menção de falar algo, mas Molly a calou com um olhar, deixando que a criança falasse.

– Eu estava brincando com a Jenn, então eu subi em um muro e cai. Minha mãe disse que era para eu não subir, mas eu desobedeci e agora meu braço está doendo.

– Vamos olhá-lo?

Molly percebia que Rachel tentava esconder a dor que sentia, mesmo que as lágrimas escorressem. Provavelmente ela não havia quebrado o braço, caso contrário a dor seria muito maior. A cena comovia Molly e seus olhos embaçaram ao observar o laço que estava no pulso dela, com desenhos de gatinhos. Não era o seu, mas era idêntico. As lembranças se apoderaram de Molly e ela precisou se controlar para não demonstrar — muito — todas as emoções que estavam ali, em volta dela.

– Bonito o seu laço. Quando eu tinha um pouco mais que a sua idade, eu tinha um igual. — Molly acalmava a menina enquanto mexia o braço dela e constatava que não houve fratura, apenas uma luxação.

– Eu sei. — Rachel confabulou com Molly, fazendo-a erguer a sobrancelha em dúvida. — O moço que me deu esse disse que ele pegou o seu quando vocês eram crianças.

– O que? — Molly sentia seu coração bater descompassado e não conseguia assimilar exatamente o que a garota estava falando.

– Ele me contou que você o curou e que me curaria também. E que faz muito tempo que vocês não se veem, por isso ele me pediu para dizer a você que se ainda quiser encontrá-lo de novo, ele vai estar te esperando naquele restaurante grande que fica naquele prédio altão, como se chama mesmo mamãe?

– The Shard.

– Isso mesmo. Você está chorando porque ele pegou o seu lacinho? Mas ele prometeu devolver e eu acho que você deveria ir buscar. Eu sempre quis subir naquele prédio.

Molly enxugou as lágrimas que insistiam em cair e sorriu para a menina. Viu que a mãe dela também tinha os olhos inundados por lágrimas não derramadas e sussurrou um obrigado.

– Sim, acho que ele não merece ficar com meus gatinhos, não é mesmo? Agora vamos cuidar desse seu braço e acabar com essa dor.

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O dia pareceu demorar um mês, mesmo com diversos pacientes para serem atendidos e Molly andando para todos os lados a cada instante. Teve que reforçar sua concentração, já que a cada pouco sua mente teimava em viajar para longe.

Parecia que seu estômago daria um nó quando ela saiu do hospital e correu para o apartamento para se arrumar. Seu coração martelava em seu peito e imagens de Jim rodopiavam em sua cabeça.

Quando o táxi parou na frente do hotel, Molly saltou procurando Jim em todos os rostos. O mundo a sua volta pareceu estancar quando ela o viu vindo em sua direção. Ainda era o mesmo a qual ela se lembrava, com a única diferença de alguns anos a mais.

Não havia pessoas em volta e eles não estavam em um lugar elegante quando Molly se jogou em seus braços. Era como se estivessem de volta ao jardim onde passaram tantos dias juntos.

– Ei, Molls. — Ele retira uma mecha do cabelo dela que caíra em seu rosto e a prende atrás da orelha, demorando mais que o necessário nesse gesto. Ela pode ver em seu pulso o antigo laço que ele pegou de seu bolso em um passado distante, que agora parecia cada vez mais presente.

Assim como no primeiro beijo deles, ela não pensa muito antes de diminuir a distância entre eles e beijá-lo. Dessa vez Jim não se surpreende como antes, e afundando a mão pelos cabelos dela a segura firmemente, enquanto ela fecha as mãos em sua cintura.

– Senti sua falta também. — Eles ficam abraçados por um longo período até se lembrarem de que não estão no jardim da casa dos Hooper ou de Summer. — Aceita jantar comigo?

Molly assente e os dois caminham de mãos dadas para dentro do hotel.

– Você vai me devolver isso? — Ela desliza um dedo pelo laço preso ao pulso dele. Jim sorri enviesado para ela.

– De jeito nenhum, eu disse que era meu. Isso foi só um jeito de fazer você vir me ver.

– Como se você precisasse disso. — Molly revira os olhos, fazendo-o sorrir.

O jantar passou com Jim contando — quase — tudo que havia acontecido com ele desde que partira. Quase tudo porque ele não entrou em detalhes de como eliminou seu pai e como multiplicou em várias vezes a quantia que Summer havia deixado de herança. Aliás, foram esses muitos cifrões que impediram eles de serem expulsos do hotel ao começarem uma sequência de beijos e tropeções até o quarto em que Jim estava hospedado.

Ele a encostou na porta enquanto procurava o cartão e tentava encaixá-lo para abri-la. Molly o distraía e deixava a missão mais difícil enquanto beijava-o e descia os lábios por seu pescoço, ouvindo-o suspirar. Quando a porta se abriu, ele a empurrou para dentro e fechou-a novamente atrás de si.

Os dois se olharam por um momento antes que Jim avançasse sobre ela e devolvesse lentamente a provocação que ela fez no corredor.

– Diga para mim, Molly. Repita o que eu não deixei você dizer quando fui embora, mesmo que não seja mais verdade. — A voz dele era suplicante enquanto seus lábios desciam pelos ombros de Molly, abrindo o vestido que ela usava.

– Eu amo você... — A voz dela não passa de um sussurro que enviava arrepios para o corpo dele. — E por mais que pareça loucura, ainda é verdade. Sempre foi verdade.

Ele parou o que estava fazendo para olhá-la. Sim, sempre foi verdade. E sempre esteve ali, pairando na vida deles.

– Acho que eu sinto o mesmo desde o dia em que você me fez brincar de mímica. — As palavras saíram baixas e quase inaudíveis, mas Molly já sabia o que precisava saber e voltou a beijá-lo, deixando que ele terminasse de tirar suas roupas.

Jim nunca mais precisou ir embora de Londres, exceto nas vezes em que ele a levou junto.

Eles se mudaram para uma casa com um grande jardim e não é raro vê-los deitado sobre o gramado rindo de alguma brincadeira infantil. Sim, Jim ainda pegava as coisas de Molly sem que ela notasse só para deixá-la embasbacada e Molly ainda o desmontava só com um olhar persistente. Ou com um beijo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até a próxima! ^.~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!