Laços

7 Capítulo 7


Não demorou para que a vida deles voltasse a normalidade. Molly escolhera deixar o que aconteceu no passado, e o que pareceu afastá-los acabou por juntá-los ainda mais — como se algo assim fosse possível acontecer.

– Achei que você fosse querer um daqueles bailes ridículos e ainda me faria dançar com você. — Eles conversavam sobre o aniversário de 15 anos de Molly que se aproximava, enquanto jogavam xadrez. Ela fez uma careta em se imaginar naqueles vestidos enormes.

– Como se você pudesse ser um bom príncipe.

– Poderia fingir ser um com perfeição. — Molly sorri quando ele pisca para ela, distraindo-a. — Xeque-mate. — Ela o encara boquiaberta, como? Não estava perdendo e...

– Você roubou, Jim! Cadê minha torre que estava bem aqui?

Molly cruzou os braços e o encarou emburrada, enquanto ele se desfazia em uma gargalhada.

– Idiota.

– Ei! Não me bata! — Jim se encolhe quando Molly se levanta para estapeá-lo.

– Eu devia fazer você engolir todas essas peças! – Como assim ele continua furtando suas coisas sem que ela perceba?

– Terá que me pegar primeiro!

– Volte aqui, James!

– Vocês dois! Parem de correr pela casa! AGORA! — Summer apareceu vindo da cozinha e deu de cara com os dois correndo por entre os móveis. Eles não deram muita bola para a ordem de Summer, apenas passaram por ele e, ainda rindo, saíram porta afora em direção ao quintal onde continuariam a brincadeira.

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– Quem diria... Você completando 15 anos e nós aqui, sentados no quintal da sua casa em um quase piquenique noturno.

Uma grande colcha havia sendo estendida no gramado e Molly havia providenciado algumas comidas e bebidas. Era a festa ideal para ela. Com Jim e ninguém mais.

– Você está reclamando? — Ela sorria para ele, que estava sentado de modo displicente, enquanto ela estava deitada olhando as estrelas no céu sem nuvens. — Se eu fizesse uma festa de verdade, quem poderia convidar além de você? Ninguém fala com a gente, Jim.

– É... Nisso você tem toda razão. Seria uma chatice e no fim eu estaria dando um braço para estar aqui nesse jardim.

Algo há de ser confessado. Molly não sabia exatamente quando nem como, mas já fazia algum tempo que ela se pegava pensando em como seria ter algo a mais com Jim. Às vezes a proximidade com ele deixava seu corpo quente e quando por acaso eles se tocavam, ela desejava que o contato durasse, que explorasse outras áreas. Molly sonhava em como seria beijá-lo e tudo que a impedia de tentar era o medo de jogar para o alto a amizade que eles tinham conquistado. Era difícil estar sempre com ele querendo algo mais, mas seria muito pior ficar sem vê-lo. E ela teria que se mudar de cidade para conseguir superar a vergonha caso falasse algo sobre seus sentimentos e ele não se sentisse igual.

– Molly, você está me ouvindo? Venha aqui, você está estragando meu papel. — Ela é retirada dos seus devaneios por um Jim em pé ao seu lado, demonstrando impaciência. Quando foi que ele se levantou? — Vamos! — Ele oferecia a mão e ela a segurou.

– O que você está fazendo, Jim?

– Oras, se não teremos uma festa de verdade. — Molly se surpreendeu quando ele a segurou pela cintura e deu início a lentos movimentos desajeitados. — Posso não ser um príncipe de verdade também.

O coração dela batia descompassado a cada movimento feito. Era engraçado como seu corpo se encaixava com perfeição junto ao dele. Não conseguiu pensar em nada para responder, sua mente parecia um infinito céu nublado. Tudo que ela conseguia ter consciência era da forma como ele a segurava e do contato que estavam tendo. Os olhos negros dele pareciam ainda mais escuros com a pouca iluminação e Molly não conseguia quebrar essa ligação, estava perdida. Completamente perdida.

Ela riu surpresa quando Jim a afastou para girá-la. Ao voltar para seus braços, ele estava sorrindo de forma triunfante.

– Quem disse que não posso ser um bom príncipe?

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Enquanto os dois dançavam no jardim dos Hooper, o pai de Jim aparecia na casa de Summer. Ele descobriu de alguma forma que Jim matou Carl Perkins e agora ameaçava contar tudo para a polícia, caso não pagassem a quantia que ele exigia. Só foi embora quando Summer começou a passar mal, deixando-o caído no tapete da sala com os sintomas de um enfarto.

Jim o encontraria mais tarde, quando voltasse da casa de Molly pensando na noite que tivera. Talvez Molly correspondesse ao que ele sentia, mas como descobrir? O sorriso dele morreu ao ver o corpo caído e sem vida de Summer. Ao seu lado, três palavras escritas em um papel. Possivelmente a única coisa que ele conseguira fazer antes de morrer.

“Seu pai. Fuja.”