Laços
6 Capítulo 6
– Jim?
Os dois estavam sentados no antigo balanço na casa dos Hooper. As aulas do resto daquela semana haviam sido canceladas para o funeral de Carl e agora Molly se balançava pensativa enquanto Jim esperava o que ela tinha a dizer.
– Você teve algo a ver com isso?
Molly o olha quando a resposta demora a vir e o sorriso enviesado que estampa seu rosto diz muito mais coisas que quaisquer palavras.
– O que? Não é como se ele valesse alguma coisa.
– Jim!
Sem saber o que pensar ela vira-se para frente, encarando a casa no fim do jardim. Jim havia mesmo feito isso?
– Ei, ei, ei. Olhe aqui. — Quando ela não o faz, ele se levanta do próprio balanço para se colocar na frente dela, agachando-se até ficar na altura dos seus olhos. — Não foi à toa, ok? E não foi só pelo o que fez por você, apesar de só aquilo ser um bom motivo. Depois do que aconteceu eu andei vasculhando a vida dele e descobri alguns casos de abusos, onde as meninas não quiseram denunciar por medo. Quando uma das garotas tentou falar alguma coisa, ele matou o cachorro dela e o deixou exposto em frente à sua casa. São motivos suficientes para não se habitar mais esse mundo.
– Jim... As coisas não funcionam assim, pelo amor de Deus. — Molly esfregava os olhos sem acreditar em tudo que estava ouvindo e sem saber o que pensar sobre toda a história.
– No meu mundo funcionam.
– Você está me excluindo dele... — A voz dela é baixa e tudo que ela consegue ver é o abismo que de repente se formou entre eles. Molly encara a grama a seus pés enquanto ouve Jim suspirar.
– Não, Molls, eu estou deixando-o aberto para que você entre. — A resposta dele a surpreende, como se os lados do abismo começassem a se mover devagar para uma nova aproximação.
– Como você...
– Não insista nesse assunto, Molly. Eu não vou dizer mais nada além do que já contei. Você não precisa saber. — Ela conhecia o suficiente sobre ele para saber que insistir não levaria a nada, então apenas assentiu.
– Você pode ir agora?
– Molls...
– Por favor, Jim.
Com um último olhar para ela, Jim levantou-se para ir embora pensando pela primeira vez que talvez seus atos tivessem custado mais do que ele previra.
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Não demorou mais que três dias para que Molly se visse sentada nos degraus da sacada de Summer. Ela não chamou ou bateu à porta, apenas sentou-se ali e ficou até que Summer se assustou ao sair e se deparar com ela.
– Ele não vai mudar, Molly. — Foi tudo que disse enquanto se sentava ao lado da garota.
– Eu sei. Finalmente eu sei.
– As marcas estão gravadas de forma muito profunda nele, causadas pelos abusos físicos desde que ele consegue lembrar e, possivelmente, de antes disso. – Summer parecia se perder em seus próprios pensamentos enquanto falava, atraindo a atenção de Molly. — O senso de justiça que ele tem é diferente de todos nós. A vida o fez assim. Não demorou muito para que eu percebesse que por mais que eu fizesse, nunca tiraria isso dele. Essa queda por violência e desprezo por vidas que ele acha que não valem a pena está nele, é parte do que ele é. — Molly olhava fixamente à frente, ouvindo o que Summer tinha a dizer. Ela sabia que era tudo verdade, Jim não era igual a todos. — Confesso que me surpreendi quando ele deixou você se aproximar, mesmo que eu tivesse forçado a barra no início. E essa casa está um inferno desde que você o mandou embora. Não sei como o estou aguentando, ele está extremamente azedo. — Summer ri e Molly não consegue fazer qualquer coisa que não seja acompanhá-lo. — Enfim, ele não é uma má pessoa, Molly, mas também não é bom. Entenderei qualquer decisão que você tome... Talvez eu tente afogá-lo caso você o abandone de vez, porque acho que não vou aguentar. Mas tirando essa parte, acho que ficarei bem.
Sorrindo ao dizer isso, Summer levantou-se e com um aceno saiu pela rua, deixando-a sozinha com seus pensamentos. A decisão não demorou a vir, fazendo-a se levantar e adentrar à casa.
Encontrou-o revirando uma gaveta de roupas, com os cabelos bagunçados e parecendo irritado.
– Summer! Eu não estou achando a camiseta que quero usar! — A voz é alta, como se ele esperasse que Summer o ouvisse. — Onde está essa porcaria? SUMMER! Cacete, onde você se meteu?
Jim só se virou ao ouvir a risada de Molly que se divertia ao ver como ele estava visivelmente mais insuportável do que já era.
– Ah... Oi, Molly.
– Oi. — Ela ainda sorria e viu apreensão passar pelos olhos dele, aguardando qual reação ela teria com tudo que tinha acontecido. — Podemos brincar de mímica?
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