Laços

4 Vamos nos arriscar!


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Agradeço pelo carinho e comentários que vocês tem deixado por aqui. São eles que me incentivam e inspiram a escrever, pois quanto mais vejo que vocês gostam, mais desesperada eu fico para disponibilizar capítulo novo. Sintam-se todos abraçados, vocês são demais! Ei, querem dica de trilha sonora para a fic? Ainda não tenho música específica para NaruHina, mas para os fãs da SasuSaku... aconselho que escutem a música do Staind, “Right Here”, e antes de lerem o capítulo, deem uma olhada na tradução. A letra da música é praticamente um resumo da relação turbulenta deles que tento retratar aqui. Deem sua opinião sobre a música! Prometi fortes emoções para este capítulo, então espero que gostem! Por favor, não se esqueçam de comentar, dar sua opinião, sugestão, e até mesmo de recomendarem a fic para os amigos! A autora-san agradece ;) Mas chega de enrolação, né? Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!

Sakura estava com as mãos amarradas nas costas, amordaçada. Aquela visão agitou algo dentro do coração de Sasuke. Não havia levado a rosada para a cachoeira. Depois do sonho da noite anterior, achava que leva-la até lá seria o mesmo que desafiar a sua sanidade.

Estavam em um espaço encoberto pela sombra das árvores. Apesar de ser cedo da manhã, pouca luz penetrava o local. Alguns poucos feixes da luz solar faziam o cabelo rosa de Sakura brilhar em meio a pouca claridade. Sua luz em meio às trevas do desespero.

Encostou Sakura em uma árvore, sentando-a na grama. Ela ainda estava desmaiada, o que fazia Sasuke pensar que havia acertado a garota com força demais. De forma impensada, havia golpeado a nuca de Sakura, aterrorizado pela possibilidade da rosada vê-lo alí. Talvez não estivesse pronto para aquele reencontro. Havia decidido que também não a levaria a seu acampamento e tinha certeza de que os outros não o encontrariam alí. Aquela situação já era familiar o suficiente para perturbá-lo; não iria levá-la aos cenários de seu sonho.

“Mas o que é que estou fazendo...”, pensava, nervoso. “Vamos, Sasuke, acorde!”, suplicava a si mesmo, com todas as suas forças. Ainda não estava convencido de que aquilo não era outro de seus sonhos. Sakura povoava as fantasias de Sasuke de forma insistente, de forma tão intensa e realista, que tê-la alí tão próximo confundia o Uchiha. Talvez fosse melhor acreditar que aquilo era um sonho, caso contrário iria perder a coragem.

Sasuke sentia-se sufocar aos poucos, como se sua garganta estivesse se rasgando, como se seu peito estivesse sendo esmagado. Tudo o que trancafiou vinha a tona enquanto observava Sakura. Desejava abraça-la, sentir sua pele contra a pele macia daquela mulher que o matava por dentro, mas que ao mesmo tempo era o único raio de esperança e bondade em sua vida.

Depois que deixou a vila, Sasuke passou seus dias atormentado pela culpa e pela saudade que o consumia. Tentando desesperadamente seguir em frente, sufocou sua humanidade. Congelou seu coração. Trancafiou suas emoções e lembranças em um lugar escuro de sua mente. Prometeu a si mesmo que jamais deixaria que as memórias que o remetiam à Naruto e Sakura lhe desviassem de seu objetivo.

Era um bom plano, afinal. Falsamente livre daqueles sentimentos, ele podia seguir com sua vida e alcançar sua vingança. Sem culpa, sem medo. Sem memória.

O tempo passou... Sasuke estava se saindo muito bem. Não pensava mais na vila ou em Naruto. Não pensava mais em Sakura. Mas a noite, quando não podia controlar sua mente, ela aparecia. Dilacerando seu autocontrole, rasgando seus nervos. Sakura era, sem dúvida alguma, parte da humanidade de Sasuke que ele tentava a todo custo sufocar.

Ela se moveu. Abrindo os olhos confusa e lentamente, tentava se nortear. Vasculhou sua memória em busca dos últimos acontecimentos, alguma pista que pudesse explicar onde ela estava. A lembrança do criminoso morto aos seus pés fez com que arregalasse os olhos, desperta.

Teria gritado, mas logo se deu conta da mordaça que lhe impedia a fala. Tentou mover-se, mas suas mãos estavam amarradas. Ainda mais confusa, Sakura agora procurava o inimigo. Tinha certeza de tê-lo visto cair aos seus pés, morto por alguém que não havia conseguido ver. Alguém...

Sakura procurou o outro provável inimigo que a tinha levado àquele lugar. Mas o que viu fez com que a rosada sentisse o sangue em seu corpo parar de circular.

Uchiha Sasuke estava sentado um pouco distante dela, fitando-a com cautela. Seu olhar era inexpressivo.

“Sasuke?! Sasuke-kun está aqui?! O que aconteceu?! Ele me salvou?! Por que estou presa?! Ele irá me matar?!”, pensava, sem conseguir controlar seus pensamentos. Pensava em todas as possibilidades que pudessem tê-la levado até ali. Nenhuma delas lhe parecia plausível o suficiente.

Sasuke levantou-se, andando em direção a rosada. Ergueu sua espada na direção de Sakura.

Ela fechou os olhos, esperando que a morte lhe viesse rápida pelas mãos do homem que amava.

***

Naruto despertou devagar, envolvido em um aroma delicioso. O aroma dela. A lembrança de ter adormecido no colo de Hinata fez com que o loiro abrisse os olhos com um terno sorriso nos lábios. Continuou onde estava, sem pretensão alguma de sair dali naquele momento. O colo de Hinata dava a Naruto a sensação de pertencer àquele lugar. Como se sempre estivesse ali, tendo seu sono velado e embalado por ela.

Mexeu as mãos, tentando aconchegar-se mais no colo da Hyuuga. Tinha certeza de que estava com uma das mãos entrelaçada à de Hinata antes de dormir. Lembrava-se vagamente do carinho dela em seus cabelos enquanto afundava feliz na inconsciência. Notou que ela estava completamente imóvel, com as mãos na grama.

“Droga!”, pensou. “Você precisa ir devagar, idiota! Devagar!”. Levantou-se lentamente, ainda um pouco sonolento. Fitou Hinata, já pensando em como desculpar-se por qualquer idiotice que tivesse feito para fazê-la sentir-se desconfortável e envergonhada.

Já havia anoitecido, e a lua cheia iluminava a cidade.

–Hinata... – começou. Mas ela observava o céu. Não estava vermelha. Ela virou o rosto na direção de Naruto, que ainda estava muito perto. Seus rostos quase encostavam um no outro. Sorriu um pouco para ele, sem conseguir disfarçar a tristeza em seus olhos.

Havia deixado uma ou duas lágrimas escaparem aquela tarde, enquanto Naruto dormia em seus braços. Logo se dera conta de que estava agindo como uma tola; tinha prometido ser paciente. Ele tinha sido honesto com ela desde o inicio, nunca havia mentido. Quando aceitou Naruto em sua vida, Hinata sabia dos sentimentos do loiro por Sakura. E mesmo assim, se permitira tentar. Será que valia a pena? Será que um dia, Naruto poderia olhar para ela como olhava para Sakura? Será que algum dia ocuparia o lugar de Sakura nos sonhos de Naruto?

Tratou de afastar aqueles pensamentos. Não queria ocupar o lugar de Sakura. Queria um lugar no coração dele que fosse dela. E Hinata podia sentir que Naruto estava mais aberto à ela. Perguntou a sí mesma quantos golpes seu coração poderia suportar. Por Naruto? Não sabia dizer.

A tristeza nos olhos de Hinata não passou despercebida à ele. Não sabia qual o motivo daquilo. Não conseguia lembrar-se de nada que poderia tê-la deixado triste. Achou que quando visse o rosto da morena, ela estaria vermelha e até um pouco assustada. Mas triste?

–Hinata... está tudo bem?

–Sim. – ela respondeu. Lutava contra as palavras que queriam sair em forma de acusação. Não o faria passar por aquilo. Não era culpa dele. “Ele nunca mentiu”, lembrou a si mesma. Lembrava de Naruto lhe pedindo por paciência. Tentava controlar a tristeza em seu peito antes que novas lágrimas rolassem.

Ainda perto demais, sem ter saído totalmente do colo de Hinata, Naruto tocou o rosto dela. A maciez daquela pele o desconcertou por um minuto.

–Fiz alguma coisa errada? – perguntou baixinho.

–Não, Naruto-kun... – respondeu ela, perdendo a concentração ao sentir o toque de Naruto.

–Desculpe ter deixado você presa aqui. – ele sorriu com carinho para ela – Quer andar um pouco? Prometo que hoje não vou fazer você comer ramen de novo – brincou.

–Melhor não... quero... quero ir para casa.

Definitivamente havia algo errado. Hinata estava distante, e sua expressão tristonha dava a Naruto a impressão de que ela estava escondendo algo. Não quis pressioná-la.

Ela não estava alheia à doçura na voz de Naruto, nem ao toque carinhoso que ele depositava em seu rosto. Apenas queria ir para casa, pois passar algum tempo sozinha a ajudaria a tirar aqueles pensamentos da cabeça. Ele pedira por paciência. Mas ele não sabia que ela esperava por ele há tantos anos...

–Quer que eu te acompanhe? – perguntou ele, com medo da resposta de Hinata.

–Tudo bem...

Ele levantou-se e estendeu a mão para ajuda-la a levantar-se também. Os dois caminhavam em silêncio.

Naruto se sentia estranho. Em pouco tempo, Hinata estava ganhando um novo significado para ele. Incomodava-o de maneira avassaladora que ela estivesse, por algum motivo, magoada. Mas não conseguia se lembrar de nada que pudesse ter feito. Apenas dormira. Isso era tudo.

A porta de madeira do lar provisório dos Hyuuga estava diante deles.

–Boa noite, Naruto-kun... – disse ela, preparando-se para entrar.

Como em um déjà vu, Hinata sentiu a mão de Naruto segurando seu braço.

–Espera. Me diz o que eu fiz.

–Você não fez nada, Naruto-Kun. Não se preocupe comigo... Está tudo bem.

–Não, não está nada bem – ele continuava, ainda falando baixinho. – Pode não parecer pra você Hinata, mas eu estou sentindo meu coração mudar. Está acontecendo tudo muito rápido, e mesmo com medo e meio confuso, eu não desacelerei isso. Não dei pra trás. Ver você assim me deixa... angustiado. Quero que divida seus sentimentos comigo. O que quer que eu tenha feito pra magoar você, juro que não fiz de propósito. Estou te deixando entrar na minha vida. Me deixa entrar na sua também.

Paralisada, ela sabia que não devia falar nada. Compreendia que o que sentia não era nada mais do que tolice, e que apenas o faria se sentir culpado por algo sobre o qual não tinha controle. Não devia falar nada, sabia que não devia mas...

–Eu sei que você ainda gosta da Sakura-san... – começou, as palavras que havia sufocado por toda a tarde enquanto Naruto estava em seus braços saindo involuntariamente.

Naruto baixou seus olhos.

–Não entendo. – falou, constrangido e confuso pelas palavras de Hinata.

–Naruto-kun... é melhor eu entrar. Deixa isso pra lá, não é nada...

–Não. Continua, eu quero saber o que eu fiz pra te deixar assim.

Sem saber ao certo como continuar, e sabendo que ele não lhe deixaria entrar se ela não falasse a verdade, suspirou. No íntimo, sabia que o certo era ser honesta com ele, assim como ele havia sido com ela.

–Naruto-kun... você se lembra... se lembra com o que sonhou essa tarde, enquanto dormia?

Naruto achou aquela pergunta estranha. Será que ela estava tentando mudar de assunto?

Vasculhou sua memória. Lembrava-se da sensação das mãos dela acariciando seu cabelo, de seus dedos entrelaçados... nunca havia se sentido tão seguro, tão leve.

Vasculhou mais fundo. Depois de afundar mais no sono, lembrava-se vagamente de sentir que alguém o abraçava. O cenário foi ficando mais claro em suas lembranças. Uma casa, onde uma mulher o esperava chegar. Ao entrar ali, Naruto sentia o abraço de boas-vindas e o calor do corpo de alguém cujos cabelos rosados balançavam-se com o vento...

–Sonhei com a Sakura-chan... – sussurrou, compreendendo.

Hinata assentiu. A tristeza ainda estava presente em seus olhos.

–Como você... como você sabia? – perguntou Naruto, o peso da culpa fazendo seus ombros arriarem.

–Você chamou por ela enquanto sonhava. – respondeu ela, calmamente.

Como podia ser tão idiota, inconsequente, estúpido? Como podia chamar pela Sakura enquanto estava nos braços de Hinata? E como é que aquilo havia acontecido? Desde que começara a passar seus dias na companhia de Hinata, mal lembrava-se de Sakura. Não entendia como poderia ter sonhado com ela.

–Hinata, me desculpe... – implorou. –Sou um idiota, idiota! – disse, batendo a mão na testa com força. Não aceitava que tivesse sido tão estúpido a ponto de magoá-la daquela maneira. –Me perdoa, eu sou um estúpido! Não quis te magoar, me desc...

Hinata segurou as mãos de Naruto.

–Pare com isso. Não é culpa sua... Eu sabia dos seus sentimentos antes de começarmos com isso. Você foi honesto comigo, e me pediu por paciência... Por favor, não se culpe por isso.

–Não, você está errada. – falou ele, transtornado. –Você não sabe dos meus sentimentos, nem eu sei mais o que estou sentindo. – tudo o que Naruto sabia era que não queria perde-la. Não compreendia direito quão profundamente seus laços com Hinata cravavam seu coração. Tudo estava uma bagunça em sua mente. –Só sei que não quero te magoar. Não quero ser o causador dessa tristeza nos seus olhos. Então, se você quiser... – as palavras saiam difíceis – se você quiser que eu não te procure mais... eu vou entender.

–Na-Naruto-kun... eu...

–Mas antes de me mandar embora... tem algo que eu preciso fazer. – disse ele.

Sem pensar muito, Naruto deu um passo na direção de Hinata, colando seus lábios nos dela.

Os olhos de Hinata, ainda arregalados de surpresa, fecharam-se lentamente enquanto ela se rendia ao abraço do loiro. Os lábios dele eram quentes e macios, e moldavam-se com perfeição aos dela. Intensamente, Naruto colava seu corpo ao de Hinata, no maior dos atrevimentos, na maior das ousadias. Sua mão entrelaçava-se aos cabelos da morena, sem força, sem pressa. Não era necessário que ele impusesse sua vontade com sua força; a delicadeza de Hinata moldava-se com perfeição ao desejo e amor que cresciam devagar no coração de Naruto sem que ele soubesse como.

***

A morte não veio.

De olhos fechados, tudo o que podia perceber eram suas mãos livres. Abriu os olhos devagar, e viu Sasuke de pé na sua frente, guardando a espada. Restos da corda que lhe amarrava espalhavam-se pela grama.

Confusa, e ainda um pouco chocada, ela ergueu-se. Sem tirar a mordaça, moveu-se na direção de Sasuke. Sua mente começava a se libertar do torpor que a confusão lhe causara, e ela estava plenamente consciente de que o homem que a havia deixado, o homem por quem chorava todas as noites, o único homem que ocupava seus pensamentos e seu coração estava bem alí. Tão perto...

Um chute atingiu o estômago do Uchiha. O impacto inesperado fez com que ele se dobrasse de dor e arregalasse os olhos de surpresa. Antes que pudesse se erguer, um soco atingiu seu rosto. A força da rosada fez com que ele voasse de encontro a uma árvore.

Sakura o fitava, respirando fundo, um pouco trêmula. Ainda com a mordaça, foi andando na direção de Sasuke, que a olhava sem compreender nada. Por que ela o estava espancando daquela maneira? Desde quando ela era tão forte? Quase lhe quebrou os dentes!

–O que está fazendo?! – perguntou. De todas as reações que pensou que Sakura teria ao lhe ver, não achou que ela o faria de saco de pancadas. Deveria estar descontando tudo o que sofrera por causa dele. Se fosse esse o caso, Sasuke pensava que aquela surra era mais que merecida.

Sakura não tirou a mordaça para responder. Enquanto Sasuke se levantava, outro chute atingiu-lhe a barriga. Outro soco vinha em sua direção quando ele finalmente segurou a mão de Sakura com firmeza, virando o braço da rosada para trás e derrubando-a no chão.

Ele se ajoelhou e prendeu os braços dela junto ao chão. Com o rosto sobre o da rosada, mantinha seu corpo na direção contrária ao dela, sobre a grama. Sakura tentava se desprender da força de Sasuke, debatendo o corpo, os olhos vidrados no rosto dele. A posição em que ele estava fazia com que Sakura o visse de cabeça para baixo.

Ele tirou a mordaça dela com a boca, para não correr o risco de Sakura se soltar. Não sabia se aguentava outro soco ou chute dela.

–Vou perguntar novamente: o que pensa que está fazendo?!

–Estou seguindo a linha de raciocínio do Naruto. Vou levar você de volta para Konoha, nem que seja na base da força bruta. E isso eu tenho de monte. – disse, exibindo um sorriso amargurado.

–Você tem que admitir que seguir o raciocínio do Naruto não é uma atitude inteligente – respondeu, irônico.

–Mesmo assim, preciso tentar – disse, erguendo o corpo. Suas pernas enlaçaram o pescoço de Sasuke, arremessando-o para longe. Correu até ele, pronta para arrastá-lo pelo pescoço de volta ao País do Fogo. Não havia mais missão, Gaara ou Vila da Areia. Cega pelo impulso, não conseguia pensar em nada que não fosse levar Sasuke de volta.

Ela não lhe daria tempo para falar nada. Compreendendo o descontrole de Sakura, ele sabia que precisava pará-la antes de falar qualquer coisa.

No minuto em que Sakura correu em sua direção, Sasuke adiantou-se e atirou uma kunai na direção da rosada. A mira perfeita do Uchiha fez com que Sakura ficasse presa pela manga da blusa à uma árvore, a kunai rasgando um pouco sua roupa. Sem se deixar abater, soltou-se sem dificuldade, mas aquilo era só uma distração. Antes que pudesse perceber, a perna de Sasuke vinha por trás, tentando derrubá-la novamente. Sakura não deixou.

Outro murro acertou em cheio o rosto de Sasuke.

Claro que ele não lutaria a sério com ela. Sim, houve momentos em que o desespero quase o fez assumir que a melhor decisão seria matá-la. Assim, não passaria seus dias consumido pela culpa e pela saudade. Sabia que seus sentimentos por ela eram um tanto obsessivos. Não se controlava. Seus sonhos denunciavam sua obsessão e faziam seu corpo ansiar pelo dela.

Sakura avançava novamente em sua direção.

–Sakura, me escute! – pediu, desviando-se de um chute que partiu uma árvore ao meio. A Haruno não parava. Sabia que se perdesse tempo, ele iria sumir de novo, iria deixa-la. Não importava que seus sentimentos fossem insignificantes para ele. Nem que ele a odiasse, ou a achasse irritante. Iria levá-lo de volta, o faria perceber que Konoha era seu lar. Diria a ele que seus dias eram acinzentados desde o dia em que ele partira. Não se importava de ele não querer saber daquilo. Diria a ele que sua vida perdera um pouco o encanto, e que sem sua mestra e Naruto, não teria conseguido passar pelos dias. Diria a ele que cada minuto em que o sentia mais longe de casa fazia sua ausência ecoar dolorosamente em seu coração. Diria tudo aquilo depois de lhe dar uma boa surra, e fazê-lo entender na base da porrada que Konoha era seu lugar.

Avançava desesperada, seus chutes e socos acertando o ar enquanto Sasuke se desviava de seus golpes.

–Está doendo em você? – perguntou ele.

–Não estou machucada – respondeu, sem parar de investir contra ele.

–Por dentro. Está doendo em você?

Sakura parou. Que pergunta era aquela?

Desviando-se dos golpes dela, Sasuke não percebeu que estava sendo encurralado contra outra árvore. Mas agora ela estava parada a sua frente, a confusão evidente em sua expressão.

–Está doendo em mim também. Está me dilacerando de dentro pra fora, e eu não consigo mais continuar sem te dizer a verdade. Está doendo demais te desejar todas as noites ao meu lado, está doendo que eu tenha tentado te apagar da minha mente com tanta vontade que não consigo me lembrar direito do teu cheiro, da tua risada. Está doendo, Sakura! – gritou, perdendo totalmente o controle. Àquela altura, seu escudo de frieza não importava mais. Se não deixasse aquelas palavras sairem, iria enlouquecer.

A voz de Sasuke ecoava por entre as árvores, enquanto Sakura procurava o sentido nelas. Obviamente tinha perdido o juízo. Estaria delirando? Ou aquilo era real? Sasuke estava tentando distraí-la para fugir novamente. Sim, era isso. Era nisso que Sakura acreditava.

Sem se deixar abater pelas palavras que julgava serem mentirosas, Sakura moveu seu punho cerrado na direção de Sasuke. Ele agarrou sua mão antes dela acertar seu peito.

–Para! Para e escuta! Olha pra mim! Eu preciso de você! Estou enlouquecendo, Sakura! Estou enlouquecendo e preciso de você! Você é a humanidade que resta em mim!

Os olhos verdes piscaram como se ela despertasse de um transe. Os olhos de Sasuke não mentiam para ela. O corpo crescido do Uchiha estava diferente, o rosto marcado pela amargura e pelo amadurecimento, mas os olhos dele eram os mesmos do menino que conhecera na Academia Ninja, os mesmos por quem arriscara a vida no time sete. O desespero cedia lugar à compreensão que invadia a mente de Sakura. Os olhos dele tinham desespero. Tinham medo. E tinham pressa.

O joelho de Sakura moveu-se para o estômago de Sasuke.

–Isso é por você ter deixado a vila! – gritou, acertando Sasuke com raiva. – Isso é por ter decepcionado o Naruto! – rosnou, acertando-o novamente. – E isso... – disse, a voz embargada, as lágrimas começando a rolar por seu rosto – Isso é porque está doendo em mim também! – concluiu, grudando ferozmente seus lábios nos de Sasuke. Ele abraçou Sakura com força, enquanto a pressão do corpo dela no dele fez com que suas costas acertassem em cheio a árvore atrás de si. A puxava para mais perto, mais perto, com uma sede voraz sufocando-o incontrolavelmente. Ainda não era perto o suficiente. Precisava dela, dentro dela era seu lugar. As lágrimas de Sakura agora se misturavam as suas que desciam silenciosamente por suas pálpebras cerradas. O desejo selava seus lábios e corpos como se não houvesse mágoas, passado, presente ou futuro.

Notas finais
Oi! Geeeeeente, vocês gostaram? Estou ansiosíssima para saber da opinião de vocês! Fico maluquinha quando vocês me contam suas emoções ao ler os capítulos... fico lendo e pensando: “eu queria que você ficasse assim mesmo, leitora-san!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Quais os palpites de vocês sobre a ninja que viu o Sasuke levando a Sakura? Gostaram da música? Não se esqueçam de comentar, dar sugestões e até mesmo de recomendar a fic para os amigos! A autora-san aqui agradece! ;) Prometo que o próximo capítulo sai logo, loguinho, então aguardem! Bjks!