Laços

2 Sonhos que doem


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Geeeeente, agradeço a todos que comentaram e elogiaram a fic... Fiquei felizona! E peço que não deixem de comentar, dar sugestões, analisar, enfim! A opinião de vocês é mais do que essencial para o desenvolvimento desta trama. Bem, mas chega de enrolação, né? Boa leitura e nos vemos nas notas finais!

Naruto afastou-se de Hinata, preocupado com seu tom de voz. Os olhos perolados da moça o fitavam com seriedade, e Naruto surpreendeu-se com isso. Ela estava um pouco diferente de antes. Todos haviam amadurecido muito, mas Hinata, apesar de ainda demonstrar muita timidez, estava consideravelmente mais decidida com relação ao que queria. Ela havia decidido treinar e ficar mais forte, e assim o fez. Decidiu proteger aqueles a quem amava, e assim o fez. Naruto ponderava sobre isso nos segundos em que olhou no fundo daqueles olhos... um pouco confuso com a situação, deu um passo para trás, envergonhado por ter avançado na direção da Hyuuga daquela maneira.

–Desculpe! – falou, na vã tentativa de entender o que estaria se passando na cabeça dela. Por que ela o encarava daquela maneira? – Sei que você não gosta quando me aproximo desse jeito, do nada! – explicou, coçando a cabeça, completamente sem jeito.

–Não, Naruto-kun... – o que ela tinha que falar mesmo? Em algum lugar de sua cabeça, lembrava-se de Sakura lhe dizendo alguma coisa. Mas aquela lembrança parecia pertencer a uma era distante daquela... Corada de vergonha, Hinata sequer ouvia o que Naruto dizia.

Ao prestar um pouco mais de atenção no rubor de Hinata, algo estalou nos pensamentos atrapalhados de Naruto. Um pensamento que estivera evitando desde a luta contra o Pain...

“Estou forçando a barra”, compreendeu ele. “Eu não devia ter aparecido de supetão na frente dela, e ainda ter pedido que ela ficasse.”

–Sabe, Hinata, pensando bem, se você quiser ir para casa, eu posso procurar pelo colar sozinho! Afinal, eu sou forte, aguento o tranco... desculpe abusar de você pela minha preguiça, sei que você está cansada e... – Naruto divagava, sem conseguir parar. Não ousara pensar no que Hinata havia dito naquele dia.

Quando compreendeu que Naruto estava tentando fazer com que ela fosse embora, ela se deu conta de que ele devia ter entendido mau seu nervosismo, e sua coragem inicial foi sendo drenada.

–Tu-tudo bem, Naruto-kun... – Hinata o interrompeu — estou indo... Boa sorte na busca pelo... pelo seu colar.

Com os pensamentos paralisados pela situação constrangedora, Naruto raciocinava com dificuldade. Aquilo só podia acontecer com ele, afinal. Se já não era nenhum gênio quando estava calmo, imagine nervoso daquele jeito!

Percebendo que poderia magoar os sentimentos de Hinata, não sabia o que fazer. Mas e se pedisse que ela ficasse mais um pouco? E se...

–Hinata, olha – falou, fitando o horizonte. – O entardecer é tão bonito no País do Fogo... mesmo agora, com tudo assim, bagunçado e destruído. Você não acha?

Ela olhou para ele, surpresa com a doçura repentina em sua voz. Não teria forças para ir embora.

–Vem, senta aqui. – falou, sentando-se em uma rocha e apontando para um lugar ao seu lado. – Vem ver o Sol se pôr.

Por um segundo, Hinata ficou paralisada, esquecendo-se de como responder, de como fazer seu corpo se mover. E quando finalmente conseguiu sair de seu transe, encostou-se na rocha ao lado do loiro. Ele tinha razão. O entardecer ali era muito bonito.

Naruto não sabia direito o que estava fazendo. Apenas não podia magoá-la, e não sabia como NÃO fazer isso. Ao mesmo tempo, não conseguia pensar direito no que havia acontecido no dia daquela luta. Nunca admitira a possibilidade de uma garota como Hinata gostar dele. Sempre pensara em Sakura como aquela que ocuparia esse lugar em sua vida. Mas bem sabia que os sentimentos dela eram dedicados a outro...

No minuto em que olhou Hinata nos olhos, sabia que o que ela queria conversar dizia respeito ao que ela havia lhe dito naquele dia. Ele não se permitia pensar nisso. Talvez aquilo fosse um engano. Talvez ela tivesse confundido as coisas e não conseguisse definir seus sentimentos de amizade por ele. Talvez, ela estivesse se referindo a um amor fraternal, compartilhado entre amigos, que nada tinha a ver com as idéias de Naruto. “Afinal, olha pra ela...”, pensava, enquanto o céu escurecia. E como ela era linda! Aquilo nunca havia passado despercebido por ele... por ninguém da vila! A doçura dela, de certa maneira, o desconcertava. O que uma garota como a Hinata iria querer com alguém como ele? Sim, Naruto estava se convencendo de que tudo aquilo era um mal entendido. Depois estariam chamando ele de idiota por ter pensado bobagens com relação a Hinata.

–Naruto-kun... já está ficando escuro... é melhor... é melhor eu ir. – disse. Nunca mais iria falar de seus sentimentos para ele. Obviamente, ele estava sendo gentil com ela por ela ser um laço importante para ele. Eram amigos, afinal...

Hinata estava se levantando quando ouviu a voz animada de Naruto:

–Ei, Hinata, você já comeu o ramen do Ichiraku? – perguntou, os olhos brilhando.

Hinata sorriu.

–Não... acho que não...

–Que pena, viu? É o melhoooooor de todos os ramens, e o de porco é tão bom, é tão quentinho e até te deixa mais forte! – falou, sonhando. – Sabe, se a gente andar um pouco, chega até a barraca dele... ele tá fazendo ramen para os moradores, aí você vai poder provar!

–Na-Naruto-kun... é melhor deixar pra o-outro dia...!

–Nããããão, que nada, você vai gostar, pode apostar! – disse, já pegando a mão de Hinata e correndo na direção de onde ficava a barraca do cozinheiro. Hinata o seguiu como se estivesse sendo guiada na direção do paraíso ao lado do garoto de seus sonhos.

***

Shikamaru andava o mais rápido que podia, com aquela “muleta problemática” que o atrapalhava aonde quer que fosse. Pelo rumo que os acontecimentos estavam tomando, uma crise política estava prestes a estourar no País do Fogo, e ele precisava conversar com seu pai a respeito. Não tinha um bom pressentimento sobre aquilo.

Em meio a sua pressa, algo o fez parar. Era uma voz escandalosa que fazia graça para uma moça que ria docemente daquelas palhaçadas.

–Nééééé, Hinata? – perguntava Naruto. A luz contra o tecido da barraca deixava a mostra a silhueta escura de dois jovens sentados com pratos na mão. Naruto gesticulava exageradamente na direção de Hinata – Não é o melhor ramen que você já comeu na vida? Pode dizer, diz aí, eu não tô certo? Né? Né, Hinata?

Shikamaru revirou os olhos. “Por todos os Kages, como ele é hiperativo... nem toda a vontade do fogo do mundo pode com um cara problemático assim...”

–Sim... Naruto-kun, é sim... é uma delícia!

–Eu disse! – gritava o loiro, animadíssimo.

Shikamaru nunca havia visto Hinata rir daquele jeito. Ela ria e ria, e ria mais ainda das bobagens de Naruto. Obviamente, Shikamaru sabia dos sentimentos que ela nutria pelo loiro. Mas nunca imaginara que ela fosse ficar tão próxima dele. Imaginava qual seria a cor de seu rosto naquele momento, com Naruto tão perto dela.

Parado ali, de frente aquela barraca, Shikamaru concluiu que aquela situação poderia ser perigosa para ambos. “Afinal, como foi que Hinata teve coragem de sair para comer com ele?”

–Shikamaru!

Ele olhou na direção da voz que gritava seu nome.

Era Sakura.

Ela e Hinata andavam muito próximas. As duas estavam cuidando da saúde das pessoas da vila, e Sakura contava principalmente com a ajuda de Hinata. Shikamaru pensou rapidamente sobre aquela situação. “Que saco.”, reclamou mentalmente. Estava prestes a se meter no tipo de situação de que menos gostava: a vida dos outros!

–As coisas melhoraram no Sul. Amanhã cedo estarei partindo para o Norte, para levar os medicamentos que os ninjas da Vila da Areia nos mandaram. Quando tudo isso acabar, teremos muito o que agradecer ao Gaara.

Shikamaru ouvia em silêncio. Desviou o olhar de Sakura voltando novamente seus olhos para as duas silhuetas que conversavam animadamente na barraca de Ichiraku.

Sakura acompanhou o olhar dele, e viu Naruto movendo os braços e fazendo gestos espalhafatosos, provocando tímidas risadas em Hinata. Um sorriso espalhou-se pelo rosto da rosada.

–Foi você quem a aconselhou a fazer isso?

O tom sério de Shikamaru fez com que o sorriso de Sakura desaparecesse. Olhou para ele com a expressão marcada pela interrogação.

–O que quer dizer?

–Olha, é um saco ter que me meter na vida dos outros mas... resumindo, a Hinata é frágil, e o Naruto é louco. Ela gosta dele. E ele... bem, você sabe de quem ele gosta.

–Aonde quer chegar?

–Por que você a encorajou a se aproximar dele dessa forma?

Não havia escapatórias para a pergunta de Shikamaru. Sem que ninguém lhe contasse nada, ele já sabia que Sakura era a única pessoa que poderia ter encorajado Hinata a se aproximar de Naruto. Mas a pergunta dele também lhe soava como uma acusação. Por que ele desconfiava de Sakura?

–Porque ela gosta dele. Há motivo melhor? O Naruto pode muito bem se apaixonar pela Hinata. Olhe para ela... ela é encantadora.

–É mesmo? Ótimo que você esteja torcendo por ela. Mas por um momento me pareceu que você estivesse tentando empurrar o Naruto para a Hinata, porque se a possibilidade de o Sasuke voltar se concretizar, você não saberia como afastar o Naruto da sua vida sem magoá-lo.

–O... o que?!

–Não estou te acusando, Sakura. Você pode ter feito isso de forma inconsciente, mas quero que, por favor, considere essa possibilidade. Caso as coisas não ocorram como o esperado, todos vão sair magoados dessa história, e a tristeza deles estará sobre seus ombros.

Sakura engoliu em seco. Será que havia agido de forma errada?

Sim... admitia que havia dias em que pensava que seus laços com Naruto estavam cada vez mais estreitos, e que não haveria maneira fácil de se afastar dele. Seu coração pertencia a outro. Mas não pensou que sua atitude com relação a Hinata pudesse ter consequências tão desastrosas.

Mas ao ouvir a maneira escandalosa com que Naruto arrancava risos de Hinata, seu coração se tranquilizou.

–Caso as coisas não saiam como o esperado... sei que Naruto não iria magoar a Hinata. Aquele baka tem o dom de fazer a gente acreditar que as coisas podem dar certo, você não lembra do que a Hokage-sama dizia?

Shikamaru suspirou. Sakura não compreendia a proporção que aquilo poderia tomar. Espera só o líder do clã Hyuuga saber que Hinata andava na companhia do garoto da kyuubi...

–Tudo bem, Sakura. Você é quem sabe. Agora eu preciso ir ver o meu pai.

–Tudo bem. Boa noite, Shikamaru... e descanse! Amanhã vou examinar você!

“Ain! Essa garota querendo torcer a minha perna pra lá e pra cá de novo... vou ter que arranjar alguma coisa ainda mais problemática do que ela pra me ocupar amanhã e fugir disso... que saco.”, pensava Shikamaru, afastando-se o mais rápido possível dali antes que Sakura resolvesse adiantar sua consulta e examiná-lo alí mesmo.

***

De frente para a porta de madeira do que seria o lar provisório do clã Hyuuga, – gentil e cansativamente construído por Yamato – Naruto deixava Hinata, sem saber como despedir-se. Em certos momentos do caminho de volta do Ichiraku até a casa dela, Naruto pensava no dia que tiveram juntos e considerava que aquela poderia ser a sua vida. Ao lado de alguém que talvez gostasse dele tanto quanto ele gostava de Sakura, poderia muito bem deixar os dias passarem e se deixar ser... amado. Mas não tinha certeza de nada. Negava-se a aceitar que alguém como Hinata pudesse nutrir sentimentos desse tipo por ele. Negava-se a aceitar que pudesse magoá-la.

Valeria a pena arriscar?

–Bem... – falou, com a voz um pouco trêmula. Talvez estivesse pegando aquele hábito de Hinata, o que quase o fez sorrir. – Deixo você aqui.

Hinata olhava docemente para ele. Que tarde maravilhosa tiveram juntos! Por um momento ela pôde sonhar que seria possível passar a vida ao lado dele. Mas nenhum pôr-do-Sol dura tempo suficiente para alimentar aquela fantasia tola.

–O-obrigada, Naruto-kun...

Nunca seria capaz de seguir os conselhos de Sakura. Jamais poderia falar de seus sentimentos por ele uma vez mais. Talvez a rosada tivesse razão: o único motivo por ela ter sido capaz de arriscar tudo naquele dia, foi a constatação de que o inimigo era forte demais para ser detido por ela, e provavelmente lhe tiraria a vida.

Pronta para entrar, ela virou-se sem conseguir dizer mais nada. E, mais uma vez naquele dia, sentiu a mão de Naruto impedindo que ela fugisse dele.

–Hinata...

–Na-Naruto-kun?!

Naruto falava em uma voz sussurrada, sem conseguir olhar para Hinata.

–Hinata... você sabe que eu gosto da Sakura-chan... não sabe?

Hinata estava em estado de choque. Olhou para ele, o desespero ganhando cada vez mais território em sua mente.

–Naruto-kun, você... eu sei! Vo-você não precisa se explicar...

–Me deixe terminar – falou, ainda em um tom sussurrado, ainda sem fitá-la nos olhos.

Sabia das consequências de sua escolha quando decidira que, de qualquer maneira, iria trazer Sasuke de volta. Ele era seu melhor amigo, a pessoa que o havia reconhecido, aquele com quem havido construído laços impossíveis de serem rompidos. Sabia que trazê-lo de volta implicaria na possibilidade de Sakura iniciar um relacionamento com ele. Mas não podia suportar a tristeza nos olhos de Sakura toda vez em que ela pensava em Sasuke. Os laços de amizade que o Time 7 tinha eram mais importantes que qualquer sentimento egoísta que ele pudesse ter.

Foi com isso em mente que Naruto resolveu agir de forma idiota. Sim, porque para ele, aquela era a coisa mais idiota que já havia feito em toda a sua vida. É claro que Hinata não gostava dele daquela maneira. É claro que ela iria esclarecer as coisas quando ouvisse o que ele tinha a dizer. É claro que logo todos iriam saber e dizer mais uma vez o quanto ele era idiota e desengonçado.

E é claro, havia a possibilidade de aquilo ser verdade. Havia a mínima possibilidade de alguém como Hinata amar alguém como Naruto. E era nessa mínima possibilidade que Naruto apostaria tudo aquela noite.

Criando coragem, ele continuou:

–Hinata, não sei se posso fazer os meus sentimentos desaparecerem. Sei apenas que... que você me faz bem. Que... que eu consigo imaginar nós dois, no futuro, admirando o sol se pondo em Konoha. Posso me imaginar sendo feliz ao seu lado. Posso me imaginar tentando te fazer feliz...

Era quase impossível de ouvi-lo, e não é porque ele estivesse falando muito baixo... mas sim porque o coração de Hinata martelava tão forte em seus ouvidos que fazia com que a voz de Naruto quase desaparecesse. Não conseguia compreender direito o que ele dizia. Não conseguia falar nada. Esquecera-se até mesmo de como ficar vermelha... não sabia para onde tinha ido o sangue de seu corpo.

–Se você deixar, Hinata, eu posso fazer parte da sua vida. Posso me acostumar com o seu riso, com a sua companhia... Podemos construir uma vida. Se você deixar, eu posso caminhar ao seu lado, e podemos ser felizes juntos. Seja como amigos, seja como...

Antes que Naruto pudesse terminar sua frase, Hinata o abraçou. Num gesto involuntário, ela simplesmente atirou-se nos braços de Naruto, sentindo finalmente seu sangue voltar a circular em seu corpo e concentrar-se em seu rosto. Mais quente que seu rubor eram os braços de Naruto que a enlaçavam, recebendo-a em sua vida. Ele apoiou levemente o rosto no pescoço de Hinata, fechando os olhos, inspirando o aroma que aqueles cabelos e aquela pele emanavam. Ele poderia se acostumar com isso. Poderiam tentar... não poderiam?

–Na-Na-Naruto-kun...!!! eu... eu... eu te...

Naruto apertou mais seu abraço, interrompendo Hinata.

–Não diga isso para mim novamente, está bem? Pelo menos não agora. Ainda não mereço ouvir isso. Tenha um pouco de paciência comigo, tudo bem?

Hinata assentiu. E antes que pudesse ver ou ouvir qualquer coisa, o desmaio que reprimira durante todo o dia finalmente veio.

Sentindo-a amolecer em seus braços, Naruto sorriu levemente. Sem ser percebido, entrou na casa dos Hyuuga com Hinata nos braços, colocou-a sobre o que julgou ser o lugar onde ela dormia, e foi embora.

***

Sakura queria atirar-se em uma cama e dormir. Estava trabalhando como uma louca, e precisava de descanso. Seus braços e pernas latejavam. Estava abusando de sua energia, mas a vila precisava dela. Não podia desapontar sua mestra.

Quando estava prestes a se deitar, ela ouviu passos perto de sua barraca. Era Kakashi.

“Mas uma hora dessas? Será que aconteceu alguma coisa?”, pensou, preocupada, e sem paciência de esperar que ele chegasse de fato até a barraca, ela saiu para ir ao encontro dele.

–Kakashi-sensei! Aconteceu alguma coisa?

–Infelizmente, Sakura, tenho uma missão para você.

–Missão?

–Sim. Precisamos que você vá até a Vila da Areia e traga o Gaara para cá.

–Mas kakashi-sensei! Isso é impossível! Não vê o estado em que está a cidade? Precisam de mim, aqui!

–Nenhum de nós está em condições de partir em uma missão, Sakura. E Shizune já está recuperada. Ela irá assumir enquanto você estiver fora. Você é nossa única opção.

–Shizune-senpai não está em condições de assumir meu lugar!

–Sakura... É uma ordem. Você é a única que pode ir busca-lo. E preciso que você realize a missão em três dias.

–O quêêêêê?! Três dias?! Mas isso é impossível! Como é que eu vou chegar até a Vila da Areia em três dias?! E afinal, por que vocês precisam tanto do Gaara aqui?

–Não há tempo para discutir. Você parte hoje mesmo. – ordenou, entregando-lhe um pergaminho. –Entregue isso a ele. Aqui tem todas as informações necessárias para que ele compreenda a urgência com que precisamos da presença dele em Konoha.

Sem ter como discutir uma ordem dada por Kakashi, Sakura fitou o pergaminho, confusa e pensando em como chegaria à Vila da Areia e voltaria escoltando o Gaara em três dias.

–Sim, senhor!

***

Sasuke caminhava em direção à cachoeira que ficava a poucos metros de seu acampamento. Enfim havia conseguido esquivar-se das investidas de Karin e de suas variações de humor. A convivência com aqueles três com quem andava era mais exaustiva do que ele jamais ousara imaginar antes de sair em busca deles.

O stress era tamanho que sequer pensou em voltar para sua barraca aquela noite. Há alguns dias, pensamentos incômodos insistiam em invadir sua mente sem que ele soubesse o porquê. Passara anos reprimindo tais sentimentos... não iria permitir que aquilo lhe perturbasse o sono novamente. Concentrou-se na frieza da água que corria sem fronteiras na cachoeira à sua frente, e fez dela seu escudo. Havia trancado seu coração ao sair da vila. Deixara seu melhor amigo sem ter a oportunidade de lhe dizer o quão forte eram os laços que tinham formado juntos. E também havia deixado para trás algo que lhe doeu por várias noites em que não conseguiu dormir na mansão sombria de Orochimaru. Havia deixado...

Agachou-se, mergulhando as mãos na água escura que refletia a imensidão do céu noturno. Mas algo fez com que Sasuke interrompesse o fluxo intenso de seus pensamentos. Uma presença. Uma presença cautelosa, que esgueirava-se para espioná-lo... desde quando?

Teria percebido se alguém os estivesse seguindo. Aquela pessoa, quem quer que fosse, não deveria estar em seu encalço há muito tempo.

Em um gesto aparentemente despreocupado e inconsciente, levou um pouco de água ao rosto. Quando abriu os olhos, eles estavam diferentes; Seu sangue Uchiha falava mais alto ao menor sinal de ameaça.

Ergueu-se. Ainda de frente à cachoeira, lançou sua voz para a presença que se escondia entre a escuridão das árvores:

–Quem está aí?

Não houve resposta. Ele virou um pouco a cabeça na direção das árvores atrás de si.

–É melhor mostrar a cara se não quiser morrer. – avisou.

Mesmo assim, Sasuke ouvia apenas o barulho da água. Ele virou-se de forma impaciente, pronto para estilhaçar as árvores quando viu algo que o fez parar. O vento fazia balançar um cabelo rosa que emoldurava um rosto marcado pelo choque. Olhos verdes e familiares estavam arregalados em sua direção.

–Sakura?!

***

Sasuke chegou ao acampamento sem se preocupar em não fazer barulho. Como karin não havia detectado aquilo? Como aquela garota havia passado despercebida de seus sentidos?

Sem piedade, Sasuke jogou Sakura perto de sua barraca. A essa altura, a rosada havia sido amordaçada e suas mãos estavam amarradas em suas costas. Sem ter como se apoiar, Sakura caiu no chão num baque surdo.

O Uchiha não olhava para ela. Aquilo não podia estar acontecendo. Achava que já havia superado aquele sentimento ridículo que um dia pensou sentir. Mas bastou Sakura aparecer em sua frente para lhe confundir os pensamentos e prejudicar seu senso.

Sasuke também sentia algo parecido com medo. Seria por medo que não a encarava? Sim... sabia que esse era o verdadeiro motivo. Não queria ver a acusação naqueles olhos verdes.

Irritado pela confusão mental, ele puxou bruscamente a mordaça de Sakura. Quando a viu, sequer deu tempo para que ela pudesse dizer seu nome. Agarrou-a na intenção de imobilizá-la, sem deixar que ela falasse qualquer coisa que pudesse confundi-lo ainda mais. Precisava manter seus pensamentos fixos em seu objetivo. Nada mais importava. Seria frio, como a água daquela cachoeira que refletia o céu noturno. A frieza era seu escudo.

–O que você quer?! – sussurrou – O que está fazendo aqui?! Esteve me seguindo?! Desde quando?!

–Sasuke-kun! Por favor, me deixe... – mas antes que sakura pudesse terminar sua frase, uma kunai estava em seu pescoço.

–Não teste sua sorte, Sakura. Não me faça perder a paciência. Apenas responda ao que eu lhe perguntei.

Ela engoliu em seco.

–Estava a caminho da Vila da Areia. Preciso entregar um pergaminho importante ao Gaara. Konoha está precisando de...

–E onde está o pergaminho? – perguntou, impaciente. Aquela história não lhe parecia plausível. Por que ela havia escolhido aquele caminho? Não era o mais fácil para chegar até a Vila da Areia. Muito pelo contrário, era cheio de criminosos e armadilhas, e as pessoas evitavam ao máximo passar por ali. Por isso mesmo ele havia escolhido aquela rota.

–No bolso... – respondeu ela, sentindo a lâmina apertar-se mais contra seu pescoço. Sasuke revirou o bolso de Sakura. Sim, o pergaminho estava lá. Mas não perdeu tempo lendo-o. O conteúdo não lhe interessava. Apenas queria saber se ela falava a verdade.

Por que ela havia aparecido alí? Será que os pensamentos de Sasuke a trouxeram alí? Afinal, nos últimos dias, não parava de pensar... em tudo o que havia acontecido até então. E nela. Pensava nela. Não se permitia admitir. Repreendia a si mesmo sempre que notava seus pensamentos tomando rumos perigosos, que poderiam fazer com que ele perdesse o foco. Mas não estava conseguindo mais evitar aqueles pensamentos. Eles agora o invadiam com força. Sentia o peito apertado, como se tudo aquilo que manteve preso durante todos aqueles anos estivesse prestes a lhe dilacerar de dentro para fora.

Sasuke baixou a kunai.

–Tomei este caminho pois é o mais rápido. Na atual situação, não posso arriscar ir pelo caminho mais seguro. Isso iria me atrasar.

Na atual situação? Do que ela estava falando?

Não conseguia dizer nada. Os pensamentos vinham em enxurrada, atrapalhando seu raciocínio.

–Sasuke-kun, por favor... olhe para mim. Por favor!

–Eu não disse que você podia falar! – exaltou-se. A voz aveludada de Sakura apenas dificultava tudo. Precisava calar a voz em seu peito que lhe dizia que ter deixado a vila foi um erro. E que seu sentimento por ela... sempre por ela... que aquele sentimento que ele tentara desesperadamente sufocar era mais forte que sua vontade de esquecê-la.

–Por favor, volte! – pediu ela, sem querer perder tempo. Não sabia se um dia Naruto conseguiria convencê-lo a voltar. Mas ele estava alí, por qualquer milagre que fosse, ele estava ali bem a sua frente, e jamais se perdoaria se perdesse aquela oportunidade. – Não estou pedindo que volte por mim, sei que sou insignificante para você... mas volte por você. Você sabe que é lá que está a sua vida, a sua família! Sasuke-kun, volte para nós!

–Cale a boca, Sakura! – disse, contendo-se para não gritar. Àquela altura, não queria acordar ninguém. Ninguém podia vê-lo naquele estado.

–Não, não vou me calar! Por mais que você me odeie, não me calo! Você precisa voltar... eu preciso de você, Sasuke-sun! Nós precisamos de você!

Sasuke reprimiu o impulso de fazê-la se calar. Havia um impulso mais forte, que falava mais alto ao seu coração. Num ato descontrolado e desesperado, Sasuke apoiou sua testa na de Sakura. Os olhos da rosada arregalaram-se de surpresa, e as lágrimas que estivera contendo até agora ameaçavam rolar.

–Você não entende mesmo, não é, sua idiota? Nunca entendeu! Nunca entendeu o verdadeiro motivo de eu ter deixado a vila, deixado vocês... – Sasuke ofegava, não iria mais conseguir se conter. As palavras explodiam em sua mente, em sua boca. -Sakura...

Sakura não se movia. Sentada, de mãos atadas, com o rosto de Sasuke grudado ao dela, não conseguia raciocinar. Não conseguia pensar. Não conseguia falar. Sequer respirava.

–Sinto muito ter ido embora, Sakura... Sinto muito ter te desapontado... ter te deixado!

Agora as lágrimas dela caiam descontroladas. Não entendia. O que ele estava dizendo? O que ele queria com aquilo? O que aquelas palavras significavam? Ele voltaria? Ele a estaria manipulando?

Sasuke tremia. Estava descontrolado. Sabia que reprimir seus sentimentos e pensamentos por tantos anos era um truque mental perigoso. Psicologicamente, estava devastado. Não conseguiria mais continuar com aquilo. Não enquanto Sakura estivesse ali, para confundir-lhe a mente. Já havia chegado longe demais para desistir. Todo o estrago já estava feito. E mesmo assim... ousou arriscar. Seus braços enlaçaram a cintura de Sakura, na tentativa de traze-la para mais perto. Depois de tanto tempo, aquilo ainda não lhe parecia perto o suficiente. Sakura ofegava também, e seu hálito doce deixava as dores de Sasuke dormentes. Deixava sua racionalidade dormente. Apenas seu coração estava vivo, alerta como nunca, batendo feroz, martelando em seus ouvidos. Aproximou os lábios dos dela, no desejo de tê-la mesmo que fosse uma última vez em seus braços. Quando finalmente decidiu-se, investiu ferozmente para a boca de Sakura, envolvendo-se no calor que lhe fazia esquecer da água que refletia o céu noturno, e de seu escudo de frieza.

***

Sasuke levantou-se sobressaltado, ofegando, completamente suado. “Mas que diabos de sonho foi esse?!”, pensou.

Respirou fundo para recuperar o controle de si. Estivera sonhando com Sakura todas as noites. Havia levado tanto tempo para trancafiar os pensamentos sobre Sakura em um lugar escuro e distante de seu inconsciente e sentia que estava perdendo a habilidade de reprimir tais emoções. De nada adiantaria treinar e planejar se não superasse aqueles sentimentos que, vez por outra se esgueiravam para fora de seu esconderijo e estilhaçava seus nervos. Os sonhos com Sakura doíam. Sempre que sonhava com ela, lembrava-se de tudo o que havia passado, de tudo o que achou que fosse verdadeiro e não era, de tudo o que havia feito na esperança de acabar com as mágoas que lhe consumiam... tudo em vão. E pensar nela não lhe dava conforto. Muito pelo contrário. Sonhar com ela apenas lhe deixava mais angustiado. Sentia que se não se controlasse logo, iria ser sufocado pelo desespero.

Levantou-se e foi andando em direção àquela cachoeira. Sim, aquela mesma. Já havia sonhado com ela. Já sentia a dor apunhalando seus sentidos. E quando sentiu o vento frio da noite lhe chicotear o rosto, olhou com tristeza para as árvores atrás de si. Mas não havia ninguém ali. Ele estava acordado, afinal.

A águas que refletiam o céu noturno continuavam a correr.

***

Tenten ria, ria alto, quase chorava. Contorcia-se toda ao lado de Hinata.

–E o que você fez quando ele te abraçou?

–Eu... eu desmaiei. – respondeu Hinata, arrependida até o último fio de cabelo por ter contado o que acontecera para Tenten. Ela teria falado com Sakura, mas soube que ela partira para a Vila da Areia, e que se tudo corresse bem, em breve estaria de volta. Precisava conversar com alguém, ter certeza de que o que havia acontecido era real. Naruto lhe pedira para tentarem... lhe pedira para ser paciente com ele. Ela concordara com aquilo de bom grado; era mais do que esperava, mais do que poderia pedir.

Tenten soltou outra gargalhada. A amiga não era muito de ter conversas de menininhas. Mas era uma boa amiga, e Hinata precisava tanto conversar...

Quando enfim Tenten parou de rir, olhou para Hinata com um olhar brincalhão.

–Então, Hinata... parece que você está namorando!

–Não! – apressou-se Hinata – Não é nada disso ainda, Tenten... Naruto propôs que tentássemos... vamos fazer as coisas devagar... isso ainda não é um namoro. E prometemos que se não desse certo... continuaríamos amigos!

–Claro, claro... mas veja pelo lado bom, Hinata. Ele quer tentar. Quer fazer dar certo. Quem diria... o baka do Naruto sendo o maduro da situação.

Hinata sorriu. Lembrou-se do bilhete que ele havia deixado perto dela enquanto dormia.

“Venho te ver amanhã. Preciso mesmo achar meu colar, a vovó deve acordar logo e vai arrancar meu couro se souber que o perdi... Podemos ver o Sol se pôr de novo. Ontem percebi que ele não é a única coisa que deixa Konoha mais bonita e alegre.

Uzumaki Naruto”

Ela esperava ansiosa por mais um dia juntos, por mais um pôr-do-sol... Pela companhia de Naruto... Será que aquilo daria certo?

***

Na manhã seguinte, Karin invadiu a barraca de Sasuke como se alguém tivesse morrido. Ele levantou-se com dificuldade, não dormira nada na noite anterior. E lembrar dos motivos por trás de sua noite insone apenas fez seu peito doer um pouco mais.

–Sasuke! Tem alguém se aproximando daqui! Vamos logo embora!

–Pode ser apenas um criminoso, karin. Pare com esses alardes desnecessários – disse, deitando-se novamente.

–Não, Sasuke! Esse chakra que estou sentindo... Eu já o conheço. É de uma das pessoas que estavam atrás de nós antes de você lutar com seu irmão. É o chakra daquela garota de cabelo rosado.

Sasuke levantou-se sobressaltado. O que diabos era aquilo? Coincidência? Duvidava. E não podia admitir que seu coração estivesse ligado ao de Sakura daquela maneira. Será que ela corria perigo?

–Quer que eu mande Suigetsu atrás dela? Posso acordar aquele desgraçado, inútil, ridículo e intrometido agora mesmo. Ele vai acabar com ela em um minuto.

–Não – falou Sasuke, sem saber direito o que iria decidir. Acabou seguindo seus impulsos. – Eu mesmo vou acabar com isso. – decidiu, por fim.

Notas finais
Oi! Esse capítulo ficou ainda maior que o outro, eu sei... desculpem, mas me empolguei! rsrsrsrs E aí? Gostaram? Não se esqueçam de comentar, e se quiserem, recomendar a leitura dessa fic aos amigos. A autora-san aqui agradece. Disponibilizarei o próximo capítulo logo, loguinho, então aguardem! Bjks!