Laços
3 Sobre tardes bonitas e encontros ferozes
Notas iniciais
Carregando um cesto imenso que continha material de primeiros socorros, Hinata andava por entre as pessoas que se empenhavam em reconstruir Konoha. Apesar de tudo, os moradores estavam aliviados que tudo tivesse corrido bem, que muitas vidas tivessem sido salvas. Estavam aliviadas por poderem contar sempre com alguém que os protegeria. Por poderem contar com Naruto...
Naruto. Ainda não o tinha visto aquela manhã. Hinata ruborizou ao pensar nele. Será que ele estaria esperando por ela para verem o sol se pôr? O entardecer que passaram juntos havia sido o dia mais bonito da vida dela. Hinata aceitara ir devagar com aquilo, e ter paciência com ele. Seria a melhor amiga e companheira que Naruto pudesse ter. Tentaria com muita vontade superar um pouco sua timidez. Afinal, não podia desmaiar sempre que estivesse com ele. Tinha certeza de que tudo caminharia para o melhor desfecho. E mesmo que as coisas não dessem certo, teria dado a si mesma a chance de acreditar. Teria ao menos tentado.
Sim, ela tinha medo de que não desse certo. Protegia seu coração, pois o medo era algo natural. Mas prometera a si mesma que iria tentar.
–Naruto-kun... – suspirou. Será que o veria logo? Será que Sakura iria demorar a chegar da Vila da Areia? Precisava conversar, e Tenten ria mais do que aconselhava. Precisava ter certeza de que estava avançando na direção de um bom desfecho. Passos incertos em meio a tantas incertezas...
–Hinata! Por que está levando algo tão pesado sozinha? Deixa eu te ajudar! – disse o loiro, aparecendo do nada e já pegando o cesto das mãos de Hinata. Ela sobressaltou-se com a voz de Naruto, e logo seu rosto assumiu aquele tom de vermelho característico dela.
–Na-Naruto-kun! Não precisa! Consigo levar... não se preocupe comigo!
–Que nada! – disse, sorrindo – Deixa comigo! Pra onde está indo?
–Para as barracas do Norte... Sakura-san não pode ir até lá hoje...
–É verdade... ela saiu em uma missão, não foi? Que mistério, chamarem ela assim, do nada... né?
–U-uhum...
Os dois agora caminhavam em silêncio. Naruto não sabia bem o que falar ou como agir depois do que dissera a Hinata na noite passada. Na verdade, não sabia bem o que estava fazendo. Queria fazer aquilo dar certo. Queria ir devagar... E, para sua surpresa, ansiava por aquilo. Ansiava pela companhia de Hinata. Ansiava pelo momento em que os dois contemplariam o por-do-sol do País do Fogo juntos...
Enfim chegaram ao seu destino. A barraca verde onde ninjas médicos aguardavam pelo material de primeiros socorros.
–Então... você vai ficar aqui?
–Hm... – grunhiu ela. Quando estava perto dele, seus pensamentos se embaralhavam e ela se esquecia de como falar. – Vim apenas deixar os medicamentos... Vo-você havia me pedido que... que procurasse seu colar. – falou ela, sem olhá-lo nos olhos. Rosada como um morango, ela não sabia como se comportar diante de Naruto.
–Quer saber? Tenho uma coisa mais legal pra gente fazer!
–O-o que?
–Treinar! – disse o loiro, um sorriso espalhando-se por seu rosto.
***
Treinar. Obviamente ele tinha perdido a noção e se desesperado, e aquela ideia surgiu do nada. Os outros tinham razão. Ele era mesmo o ninja mais imprevisível de todos.
Hinata olhava para ele nervosa. Não sabia o que Naruto queria com aquilo. Treinarem juntos? Na clareira onde ele a havia levado, Hinata observava ele se aquecendo, confusa e surpresa. Nos últimos dois dias tinha passado muito tempo ao lado dele. Mas não sabia por que ele queria treinar com ela, que era tão fraca se comparada a ele. A não ser que... Hinata passou de rosada à vermelha ao pensar na possibilidade de Naruto querer passar mais tempo com ela tanto quanto ela queria estar com ele.
–Yoshi! Estou pronto! Hinata? Você está bem? – perguntou, vendo que a garota nem se mexia, e seu rosto estava completamente corado.
–Si-sim! Estou sim! Mas, Na-Naruto-kun... tem certeza de que essa é... uma boa ideia?
–Claro que sim! Eu vi o quanto você ficou forte! Vamos! Não vou pegar leve com você, hein? Vou com tudo, fica esperta! – falou. Claro que iria pegar leve... Não queria perder o controle de sua força e acabar machucando Hinata. Preparou-se para receber os ataques dela.
Hinata pensou um pouco... aquela era uma ótima oportunidade para mostrar à Naruto que ela poderia ser sua parceira. Que tinha ficado forte, que tinha treinado... tudo para que pudesse protege-lo. Que poderia estar ao seu lado, em qualquer situação. Engoliu em seco e impôs timidamente suas mãos na posição de ataque. Avançou na direção de Naruto.
Naruto deixou escapar um sorriso torto enquanto Hinata avançava. Mas ao vê-la correndo para ele, o vento balançando seus longos cabelos negros, ele percebeu detalhes que antes lhe haviam passado despercebidos: como Hinata ficava linda com a luz do Sol batendo em sua pele, o quanto os olhos dela brilhavam inocentemente, o quanto sua pele contrastava lindamente com a cor de seus cabelos... a linha perfeita que traçava as curvas de seus lábios...
Hinata observava com atenção os movimentos de Naruto, e notou que de repente ele parou, abobalhado, pensando em sabe-se lá o quê. Resolveu aproveitar-se daquela distração. Querendo dar o melhor de si para impressioná-lo, deslizou o pé por entre as pernas dele, dando uma hábil rasteira na perna esquerda de Naruto. Hinata espalmou sua mão direita no peito de Naruto, golpeando-o com força moderada, mas suficiente para ajudar sua perna a derrubá-lo. Ele caiu de barriga para cima, os olhos arregalados de surpresa.
–Naruto-kun! Desculpe! Me desculpe, desculpe mesmo! – falou, vendo-o no chão fitando-a de um jeito estranho. Não compreendia como tinha conseguido derrubá-lo tão facilmente. Tinha se preparado para a defesa dele, mas esta não veio.
Ao perceber que Hinata estava assustada vendo-o caído no chão daquela forma, sorriu para ela, totalmente constrangido:
–Desculpe, Hinata... hehehehehehe! Acho que me distraí! Aliás, você ficou mesmo mais forte, não foi?
–Obrigada, Naruto-kun – agradeceu, deixando um tímido sorriso de satisfação escapar de seus lábios. – Kiba-kun e eu treinamos bastante... ele é forte e Akamaru também ajudou muito!
–Kiba, é? – perguntou o loiro. Perceber o carinho com que Hinata se referia à Kiba despertou um sentimento desconhecido em Naruto. Tentou se livrar daquele pensamento e voltou a sorrir. – Vem, me ajuda aqui! – pediu, estendendo a mão para que ela o puxasse. Hinata também estendia sua mão para ajuda-lo a levantar, quando o ouviu dizer...
–Vamos sair daqui pra comer alguma coisa, Hina? Já estou faminto...
Hinata soltou a mão de Naruto imediatamente, fazendo com que ele caísse novamente de costas para o chão.
–Ai! – gritou o loiro.
–Na-Naruto-kun! De-Desculpe! – suplicou Hinata, começando a se desesperar. A única pessoa que a chamava de Hina era Sakura, e porque as duas tinham ganhado muita intimidade uma com a outra por trabalharem juntas por tantos dias... Nem Tenten, de quem era mais amiga, a chamava daquela forma. Naruto a chamara pelo apelido de forma tão carinhosa que...
–Tudo bem! – riu o loiro, mais abertamente. Não sabia o que tinha feito para assustá-la, e começou a repassar sua frase mentalmente, enquanto levantava-se sozinho. Então percebeu que a chamara de “Hina”. Talvez ela não estivesse pronta para aquilo, ou só tivesse ficado surpresa. “Meu Deus...”, pensava. “Por que eu tenho que se tão idiota? Vou acabar assustando ela!”
–Então, está com fome! Está fraca de fome! – falou, percebendo que palavras sem sentido estavam saindo de sua boca. Iria acabar por deixa-la ainda mais envergonhada. -Vamos aproveitar e colocar nosso ramen na conta do Kakashi-sensei...
Hinata sorriu.
–Vem, Hina! – arriscou ele.
Ela sorriu e caminhou ao lado de Naruto, que lhe exibia um sorriso travesso.
Aqueles estavam sendo, realmente, os dias mais bonitos de sua vida.
***
Shikamaru caminhava distraído, analisando alguns documentos que tinham sido encontrados em meios aos escombros. A reconstrução da Vila da Folha já tinha avançado bastante. Mas a situação política do País do Fogo não andava nada boa. As decisões do senhor feudal poderiam comprometer seriamente o destino de Konoha.
Foi tirado de seus devaneios pela voz de Naruto, perto da barraca de Ichiraku, novamente acompanhado de Hinata. Aquela situação o incomodava. Preocupava-se com Naruto e com Hinata. Admirava o loiro mais do que admitia aos outros, e sabia que Hinata era, de certa forma, deslocada no que dizia respeito às relações sociais. A Hyuuga não conseguia lidar com muita desenvoltura com as pessoas com aquela timidez que lhe impedia de viver as melhores coisas da vida. Mas não iria se envolver mais com aquilo. Não era da sua conta, afinal.
–Eeeeeeei! Você está fazendo errado, Tenten! Não tá vendo que virando o prato desse jeito você acaba derramando um pouco? Não pode desperdiçar o ramen do Ichirako, tá louca? Pra comer esse ramen você tem que ter habilidade, tem que ter técnica... – delirava o loiro.
–Sai daqui, Naruto! – Tenten tentava desvencilhar-se dos gritos escandalosos de Naruto. Quando o assunto era ramen, aquele cara pirava. – Saaaaai! Ou vou derrubar esse ramen quente na sua cabeça!
–Não pode desperdiçar! Esse ramen é especial, feito com todo o cuidado pra que o sabor seja maravilhoso!
Hinata ria.
–Naruto-kun... deixe a Tenten comer sossegada antes que ela fique brava!
Shikamaru suspirou. Mas algo a frente chamou sua atenção. Um pouco distante dalí, Kiba fitava a barraca de Ichiraku com a cara amarrada. Akamaru repousava ao lado dele. Shikamaru aproximou-se:
–O que está fazendo aí, sentado nessa folga toda? Sua mãe já te liberou do serviço?
Kiba não deu atenção à provocação. Não estava com humor para gracinhas.
–O que é que você tem?
–Nada. Sai da frente – disse, empurrando Shikamaru. Com ele na sua frente, não podia ver Naruto próximo a Hinata daquele jeito.
–Ei! – Shikamaru o cutucou. Seguindo o olhar do amigo, viu que ele observava Hinata, comendo e conversando animadamente ao lado de Naruto e Tenten. –Está vigiando a Hinata?
–O quê? Que insinuação é essa? Claro que não! – falou, ficando ainda mais carrancudo. Seus sentimentos estavam explodindo de forma selvagem em sua mente. – Apenas queria saber pra onde aquele baka do Naruto estava arrastando a Hinata hoje pela manhã. – falou. Pelo seu tom de voz, Shikamaru percebeu que Kiba estava mesmo de péssimo humor. – Agora eles treinam juntos – bufou ele.
–Então você estava mesmo vigiando ela.
–Eu já disse que não! Só que... ela costumava treinar comigo. Agora está pra cima e pra baixo com ele, até treinar juntos, eles treinam. E ele agora deu pra chamar ela de “Hina” – Kiba agora cuspia as palavras, irado.
–Mas que saco, essa história... como você acha que ela vai se sentir se souber que você anda seguindo ela pra tudo quanto é lugar?
–Já disse que não estou seguindo ninguém! Só estava preocupado com ela!
–E por que não disse isso pra ela? Em vez de ficar espionando a garota?
–Para de dizer que estou espionando ela, cara! Já disse que não estava fazendo isso! E como é que eu ia dizer algo assim pra ela, idiota?
–“Hinata, estou preocupado com você”. Simples assim. Não seja tão problemático.
Kiba estava se irritando com aquela conversa. Se Shikamaru não parasse de lhe encher, iria calar a boca dele na base da porrada.
–Ou você poderia dizer: “Hinata, estou com ciúmes de você”. – continuou Shikamaru — Também é muito simples.
–Corre, Shikamaru. – Disse Kiba, cerrando os punhos, sorrindo com ironia. – É melhor você correr.
–Não se preocupe, já estou indo. Com a Hokage-sama em coma, está tudo tão desnorteado... as coisas andam complicadas demais. E você ainda me vem com essa história... que saco. – falou, também ficando mau humorado ao perceber que, ultimamente, seus amigos andavam todos se comportando de maneira estranha. – Pare de querer se meter na vida da Hinata ou pode acabar magoando ela. – Avisou, antes de sair dali.
Kiba apenas observava Hinata de longe, refletindo sobre o que Shikamaru dissera...
–Vem, Akamaru! Vamos trabalhar! – disse, levantando-se. Deixar que aqueles pensamentos se esvaíssem junto com o suor de um dia de trabalho talvez fosse a melhor solução para esquecer-se daquilo que o atormentava.
***
Silenciosamente, aproximou-se das árvores para esconder-se. Observava Sakura seguir apressada, desviando-se das possíveis armadilhas do caminho. Seu coração queimava. Não sabia exatamente o que fazer.
“Mas o que o Kakashi-sensei estava pensando ao me mandar em uma missão maluca dessas? Como é que eu vou chegar em tão pouco tempo à Vila da Areia quando tenho que me desviar de todas essas armadilhas ridículas?”, pensava, irritada. Konoha era onde devia estar. As pessoas estavam precisando dela lá. E sabia perfeitamente que Shizune não estava recuperada o suficiente para assumir seu lugar. Mas a ordem de Kakashi era clara. A situação devia ser mesmo grave...
Parou. Havia alguém por perto.
–Apareça logo! Não posso perder tempo com brincadeiras de esconde-esconde! – gritou para o vazio. Sua voz ecoava por entre as árvores, espantando algumas aves.
Algo parecido com o desespero começou a invadir a mente de Sasuke.
“Fui descoberto?”, questionava. Não estava pronto para um encontro com Sakura. Sonhar com ela já o deixava completamente perturbado, vê-la ou falar com ela não seria tarefa fácil. Seu plano era observá-la e saber o que ela procurava ali, se seguia seus rastros. Evitaria confrontos. Poderia lidar com qualquer inimigo, mas não achava que conseguisse lidar com Sakura. Se perdesse o controle, poderia fazer algo de que se arrependesse. Saberia conviver com a dor de ter magoado seus sentimentos, mas não com a culpa de ter machucado seu corpo. Mas os olhos de Sasuke arregalaram-se ainda mais quando viu cinco shurikens indo na direção da rosada.
Sakura rebateu todas com uma kunai. Seus olhos verdes vasculhavam a área com cautela.
Sasuke estava surpreso. Havia mais alguém ali, e essa pessoa estava prestes a atacar Sakura. Talvez devesse ter deixado Suigetsu acabar com aquilo de vez. A angústia que Sakura lhe causava era algo aterrador. A mera lembrança de que a havia deixado deixava-o a beira de um colapso. Estava perdendo o controle de si, isso estava cada vez mais claro. Até mesmo seus sonhos lhe remetiam à ela.
Ele afastou aqueles pensamentos, ficando atento ao inimigo.
–Vamos, saia logo! Já disse que não tenho tempo a perder aqui!
Como ninguém respondia, Sakura aguardou a próxima investida do inimigo. Quando outras shurikens vieram em sua direção, ela sorriu, satisfeita.
–Então você está aí! – disse, socando com força o chão, fazendo-o se abrir na direção de onde havia vindo o ataque.
Sasuke equilibrava-se, ainda mantendo distância e cautela. Sorriu com o exagero de Sakura; ela devia mesmo estar apressada para chegar a algum lugar.
Mas o inimigo era rápido. Antes que Sakura pudesse defender-se, ele apareceu por trás, prendendo suas mãos.
–Oi, bonitinha? O que faz em um terreno tão perigoso? Não sabe que por aqui anda muita gente mal intencionada? – ironizou, rindo maliciosamente. Pegou sua espada. Sakura estava sem defesa. – Que tal você vir comigo quietinha? Não se preocupe... depois de tudo, vou matar você tão rápido que sequer terá tempo de se lamentar.
“Já chega”, desesperou-se Sasuke. Aquilo já tinha ido longe demais. Ao ver aquele homem tocando Sakura, lhe machucando os pulsos, com o corpo colado ao dela... achou que fosse enlouquecer. Tomado pela ira, sem parar para medir as consequências de sua ação, transpassou sua espada no corpo do criminoso.
O homem caiu, e Sakura não sabia por quê. E quando estava prestes a se virar, foi golpeada na nuca e perdeu os sentidos, antes que pudesse ver quem a tinha salvado.
Sasuke segurava a rosada. Precisou de um minuto para convencer-se de que não estava sonhando novamente. Sakura estava em seus braços. Era real.
Sem saber exatamente o que fazer, olhava para ela desmaiada, indefesa. Era melhor levá-la dalí.
Resolveu que estava na hora de ser honesto com Sakura. E também consigo mesmo.
Era hora de resolver as coisas entre eles.
***
–Mas o que diabos Uchiha Sasuke está fazendo aqui? Para onde estava levando Sakura?
A ninja seguia seu caminho, a testa vincada pela confusão e preocupação. Não sabia o que fazer. Não poderia enfrentar Sasuke, pois tinha certeza de que ele não estava sozinho. Viu claramente quando o Uchiha golpeou Sakura, induzindo a rosada ao desmaio.
Ponderou sobre o que tinha visto e sobre as habilidades do inimigo. Uchiha Sasuke. Um ninja renegado. Mantinha uma misteriosa relação com a Akatsuki. Tinha certeza de que andava acompanhado e de que seus parceiros eram fortes.
Sim, era melhor seguir para Konoha e avisar aos outros.
Ela continuou, apressada. Sua ida a Konoha, antes sem uma justificativa muito plausível, agora ganhava real importância.
***
Naruto olhava ternamente para a garota à sua frente. De costas para ele, ela utilizava o byakugan, na tentativa de achar o colar do loiro. Estava muito ciente do olhar dele sobre ela. Estava ciente de seu sangue concentrando-se em seu rosto e circulando precariamente pelo resto do corpo. Será que algum dia superaria as sensações que a proximidade de Naruto lhe provocava?
–Ei, Hina. Vem descansar. – Chamou ele, com ternura. Não entendia exatamente como Hinata estava mexendo tanto com ele. Queria estar perto dela, e só aquilo não bastava. Queria sentir a textura daquela pele clara, que ele agora imaginava ser tão macia. Mas era tão bobo e atrapalhado! Tinha medo de fazer algo que a assustasse. Tinha medo de avançar com aquilo e ficar ainda mais confuso. Devagar... precisava ir devagar para não se confundir.
Hinata desfez o byakugan e olhou para ele. Arrepiava-se toda quando ouvia ele a chamar de “Hina”. O olhar de Naruto agora a desconcertava mais que o habitual. Algo estava mudando. Devagar, mas ela sentia. Sentou-se na grama, encostando-se em uma árvore. Naruto aproximou-se dela, sentando ao seu lado.
Os dois fitavam o horizonte, admirando o entardecer que era somente deles. Por um momento, Naruto olhou para Hinata, e viu que aquele céu rosado pelos últimos raios de sol do dia tinham a cor do rosto dela. Como ela era linda...
Ele sentia-se tão cansado... Passara a manhã ajudando na reconstrução das casas, e logo encontrou Hinata. Havia passado o restante do dia com ela. E que dia! Nunca achou que pudesse ter um dia tão leve. A delicadeza de Hinata coloria seu dia com tons perolados... como a cor dos olhos dela. Bocejou.
Sem se preocupar, pegou a mão de Hinata. Seus olhos pesavam... estava exausto...
Ao sentir a mão de Naruto na sua, Hinata ficou paralisada. O céu havia desaparecido, a árvore onde estava encostada também. Não pôde ver mais nada. Apenas sentia o calor da mão do loiro na sua, o carinho com que ele entrelaçava seus dedos nos dela.
–Ei, Hina... – falou baixinho – obrigado por passar o dia ao meu lado. O céu está bonito, né? Ele tem... – bocejou – ...ele tem a cor do seu rosto.
Tendo dito isso, caiu no sono, apoiando-se levemente no ombro de Hinata.
–Naruto-kun...
Superando seus medos, Hinata atendeu ao impulso que lhe dizia para cuidar daquele loiro desmiolado. Apoiou gentilmente a cabeça dele em seu colo, suas mãos ainda entrelaçadas.
Que dia perfeito! Hinata estava feliz. Muito mais do que feliz. Não sabia como explicar aquele sentimento desconhecido que a invadia, que lhe dizia para ser corajosa, para não temer, para deixar Naruto entrar de vez em sua vida.
Com a mão livre, acariciava os cabelos de Naruto, como se ninasse seu amor. Seu grande amor. Seu primeiro e único amor. De vez em quando, Hinata ouvia ele resmungar. Ela apenas sorria, emocionada por estar ali com ele. Tão desajeitado, tão corajoso...
–Sa... Sakura-chan... – resmungou Naruto, em meio aos seus sonhos.
Hinata afastou sua mão dos cabelos dele como se tivesse levado um choque.
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