Laços
15 Sem você não sou humano...
Notas iniciais
Naruto corria. E enquanto via Konoha passar por ele como um borrão, seus pensamentos voltavam-se para as únicas cores capazes de colorir sua vida. O tom perolado daqueles olhos, o negror daqueles cabelos... ou o rubor daquela pele macia...
Embora corresse com todas as suas forças, parecia que aquele era o caminho mais longo que já percorrera em toda a sua vida. Não conseguia controlar o turbilhão de pensamentos e sentimentos que esmagavam seu coração, e tudo o que vivera com ela até aquele momento tomava sua mente.
Ela.
Lembrava-se da primeira vez em que viram, juntos, o sol se por, de quando pediu que tentassem, devagar, fazer parte da vida um do outro. Lembrava-se de quando dormiu nos braços dela, embalado pelo cheiro leve que apenas ela emanava. Lembrava-se das lágrimas acumuladas naqueles olhos perolados no dia em que ele sonhou com Sakura.
Lembrava-se do primeiro beijo que deram. A delicadeza dela moldando-se com perfeição à necessidade que ele tinha de mantê-la ao seu lado, seus dedos entrelaçando-se naqueles cabelos compridos, seu corpo tão colado ao dela que podia sentir os batimentos acelerados do coração da garota. Lembrava-se do ciúme enlouquecedor que sentira, do sofrimento na expressão dela quando lhe pediu para ficar longe...
Lembrava-se do horror que foram os dias que passaram longe um do outro. A dor cravou novamente suas garras afiadas em seus sentidos, e ele sentiu seu coração apertar, enquanto as lágrimas embaçavam sua visão. Mas, apesar da dor e das lágrimas, não parou de correr.
A lembrança daquela dor lhe apavorou de tal maneira que passou a correr ainda mais rápido. Lembrava-se de quando chegou ao limite que sua sanidade podia suportar, de quando deram seu segundo beijo... da necessidade desesperada que sentira de tê-la novamente ao seu lado, de ser tragado pelos lábios dela sem saciar-se nunca, de querer traze-la para ainda mais perto, porque nem toda proximidade do mundo parecia ser capaz de aplacar a dor que ardia pela ausência dela em sua vida. Lembrava-se de ter encontrado a paz no sorriso dela, nos braços dela. De ter encontrado o amor...
Lembrava-se da mágoa nos olhos dela quando ele a deixou novamente. Lembrava-se da dor o dilacerando lenta e dolorosamente, tragando-o em ondas de desespero. Sim, ele ficava desesperado estando longe dela. Não havia uma palavra melhor que “desespero” para definir o sofrimento que aquele vazio lhe provocava.
Ele corria. Corria como se sua vida dependesse de encontra-la, como se sua felicidade fosse possível somente se pudesse ser confortado pela segurança do abraço dela. Era naquela pele pálida e macia que ele queria ser envolvido, era no calor do corpo dela que ele queria ser aquecido. Sentiu seu coração aquecer também, quase explodindo com tantos sentimentos lhe invadindo de uma só vez. E enquanto corria, vez por outra apertava os olhos, fazendo as lágrimas que embaçavam sua visão escorregarem por seu rosto.
Como a vida era vazia sem ela...
Ela. Sempre foi ela. Não acreditava em como havia sido cego, estúpido e idiota, no quanto a havia feito sofrer. Vez por outra sentia suas pernas fraquejarem por conta da força e da velocidade inumana com a qual corria, mas não pararia.
Ele lutaria por ela. Não se deixaria vencer pelo medo ou pela dúvida. Ele lutaria por ela quanto tempo fosse necessário, e quanto tempo fosse necessário esperaria. E se ela lhe mandasse embora, ele não iria. Porque, ao contrário dela, ele não era tão altruísta a ponto de abrir mão do que sentia. Ele não seria capaz de deixa-la nunca mais, e prometeria isso a ela. E se ela não o perdoasse, ele imploraria de joelhos, com duzentos mil clones fazendo coro à seu pedido. E se ainda assim ela não o aceitasse de volta, ele estaria ao lado dela da forma como ela o aceitasse, pois ele agora sabia que não poderia viver sem ela.
E quanto mais corria, mais sentia-se enlouquecer por aquele vazio. Ela o completava de maneira tão intensa e verdadeira que não acreditava que tivesse demorado tanto tempo para perceber.
Ela.
–Naruto! – ouviu alguém chamar. – Aonde vai com tanta pressa?
Mas ele não parou. Tudo o que via e ouvia era distorcido pela ânsia que tinha de encontra-la. Continuou a correr, como se não existisse nada nem ninguém mais importante em sua vida. Como se os braços dela fossem seu lar... o verdadeiro lugar para onde tinha que retornar.
A lembrança dos braços dela quase lhe fez fechar os olhos, para sonhar um pouco acordado, mas se parasse a dor novamente o dominaria.
Continuou em disparada, indo na direção da única pessoa capaz de sanar todas as suas angustias, aplacar toda a sua dor, e lhe apontar o único caminho possível para a sua felicidade.
–O que deu nele? – perguntou Kiba, enquanto Ino e Chouji andavam distraídos ao seu lado. Naruto sequer havia se virado para ver quem o chamava.
–Deixem o Naruto. – pediu Iruka, aproximando-se do trio, acompanhado de Neji. Fitava o loiro correndo de maneira desesperada, a expressão mais séria que já havia visto em seu rosto. –Ele tem assuntos para resolver.
Kiba logo compreendeu, e não pôde evitar se sentir um pouco triste. Mas, para sua surpresa, não estava tão triste quanto achou que ficaria. Finalmente achar o que Hinata procurava durante todos aqueles dias lhe deu a certeza de que aquele era um jogo perdido para ele. Mas sentia, pouco a pouco, seu sentimento por ela se transformar em algo diferente, um carinho especial, como se ela fosse... uma irmã mais nova, que ele protegeria e cuidaria acima de tudo. Nos últimos dias, ele se sentia estranho, como se seu coração estivesse abrindo espaço para um sentimento novo. Via uma certa loira maluca caminhando distraída à sua frente, e não pôde deixar de sentir um frio percorrendo sua espinha.
“Ah, não...”, pensou, o desespero tomando sua mente. “Só pode ser brincadeira...”, reclamou.
Ino se virou para ele.
–Vai ficar aí, cachorro, ou vai andar logo? Eu quero ir ver a Tenten!
Uma veia saltou da testa do Inuzuka.
–Loira... pare de me chamar de cachorro, ou eu vou dar você de comida no canil do meu clã. – sibilou ele.
Ela seguiu, sem dar muita atenção às ameaças de Kiba. O Inuzuka sabia que não adiantava discutir com ela, mas Ino conseguia lhe tirar do sério.
–Por que querem ver a Tenten? – perguntou Neji.
Kiba olhou para ele, corando imediatamente até a raiz dos cabelos. O Hyuuga estava ajudando Iruka com os ajustes na academia que havia sido reconstruída.
Chouji observava aquela situação sem entender nada, e preferiu não se envolver. Continuou caminhando, devorando suas batatas. E quando elas acabaram, ele tirou outro saco do bolso, e recomeçou a comer, sem querer ter tempo para falar nada.
–Por que? Você está indo para lá também? – perguntou Ino, descarada.
Neji olhou para ela com a expressão confusa. Ela já sabia que os dois haviam tido um encontro, por que estava sendo tão irônica?
–Não. Estou acompanhando Iruka-sensei. – respondeu, ainda deslocado.
–Hum... – grunhiu a loira. –Achei que você estivesse indo conferir se Tenten precisa de ajuda com algo... Talvez com alguma coisa que não seja tão apertada...
Kiba engoliu em seco. Aquela cena povoaria para sempre seus mais obscuros pesadelos. Olhou para os lados, percebendo que não havia como fugir daquela situação.
Ino pagaria por aquilo, um dia.
–Do que está falando? – questionou o Hyuuga, sem entender nada.
–Sabe, você até pode usar os dedos novamen... – ia continuando ela, até que Kiba tapou-lhe a boca com a mão, num ato de desespero.
–Chega, Ino! – implorou.
O Hyuua estremeceu.
–Vocês estavam espiando! – acusou, de olhos arregalados.
Chouji e Iruka se entreolharam, completamente perdidos naquela conversa.
–Foi ela! – explodiu Kiba – Ela que obrigou a gente a ir! –disse ele, sentindo Ino lhe dar um tapa na cabeça – Ai!
–A gente?! Ainda tinha mais?! – perguntou Neji, entrando em pânico.
–A Hinata também estava lá... – confessou ela.
–Sua... eu vou matar você, Yamanaka! – ameaçou Neji, o constrangimento corando sua face. –O que vocês viram?!
–Não conseguimos ver nada... só ouvimos você e ela... bem... depois que vocês dois... bem... enfim... nós amarramos a Ino e saímos correndo de lá. – disse Kiba, já completamente corado também.
–Eu estava ajudando-a a tirar aquele vestido ridículo que você obrigou ela a usar, Yamanaka! Ficou preso no pescoço dela, e estava apertado demais para sair! – exaltou-se.
–O QUEEEEE?! O MAIOR BABADO DA VILA DA FOLHA FOI ISSO?! NÃO ACREDITO! –reclamou ela, obviamente decepcionada.
–Viu o que é que dá vigiar a vida dos outros? –avisou Kiba, sentindo-se aliviado. Não havia presenciado nada demais, no final das contas, e dava graças por isso.
Constrangido demais, Neji saiu dali a duras pisadas, fazendo Kiba e Ino rirem como dois cumplices.
Iruka suspirou.
“Essa geração está amadurecendo, afinal...”,pensou.
Para ele, o tempo havia passado depressa demais.
Ele enfim parou. À sua frente estava o grande portão do clã Hyuuga, e ele podia sentir sua mente vacilar com o stress psicológico. Mas não pararia.
Se aparecessem guardas para tirá-lo de lá, ele derrotaria todos, e se não o deixassem entrar, ele invadiria. Derrubaria todas as portas e desafiaria quem se pusesse em seu caminho, mas chegaria até ela.
Respirando com dificuldade por conta do esforço exagerado que fizera correndo até ali como um louco, ele reuniu todo o oxigênio de que era capaz, e preparou-se:
–HINAAAAATAAAAAAAAAA!
Não veio ninguém.
–HINAAATAAAAA! – insistiu. Mas não vinha ninguém.
Preparou-se para invadir o local e ir atrás dela.
O portão se moveu.
Ele arregalou os olhos, seu coração martelando forte dentro do peito.
Tenten apareceu.
–Ela não está aqui. – falou.
–Aonde ela foi? – perguntou, sentindo novamente os cacos de sua expectativa cravarem-se com força no peito.
Tenten olhou para ele e sorriu.
–Ela disse que estaria no lugar onde tudo começou, para que lá tudo terminasse ou recomeçasse. Disse que você saberia onde encontra-la.
Ele sabia.
–Obrigado, Tenten! – gritou, já de costas para a garota, correndo para longe dali.
Sim. Ele sabia exatamente onde encontrá-la.
Ela fitava o horizonte, de pé, sob a árvore que selava suas lembranças mais bonitas. Tinha a expressão tranquila, e apesar de tudo, apesar da dor, apesar do vazio, apesar da desilusão... Ela esperava.
Esperava por ele.
Esperava por ele, como sempre fizera, pacientemente, sofrendo em silêncio, sabendo que ele era o único capaz de fazê-la feliz. Aguardava ali, naquele local onde tudo começou.
Lembrava-se das sensações etéreas que o loiro lhe provocava quando estava por perto. Ao abraça-lo, ela sentia-se como se estivesse em casa, num jardim familiar, iluminada e aquecida pelo sol. Sim, ele era como o sol, fazendo brilhar todos os caminhos que havia trilhado até então. Seu cheiro era como sentir a terra molhada depois de um dia de chuva, era como andar descalça na relva, era como... um raio de luz. E esperaria, porque desde que ele partira, sua vida não passava de noites escuras e frias. Sem vida, sem calor, sem brilho, sem sensações. Apenas escuridão e vazio...
–HINAAATAAAA! – o grito fez com que ela se virasse. Viu o loiro correndo na sua direção, e parando à sua frente, ofegante pela corrida. Os olhos azuis a fitavam de maneira intensa, a expressão de Naruto vincada de seriedade. Ele respirava fundo, pelo cansaço, e para tentar manter o controle. Ela também o encarava.
Ele deu um passo a frente. Ela não se moveu.
O vento que soprava ali fazia os cabelos dela dançarem, e cada vez que piscava, Naruto não conseguia acreditar que finalmente estava ali. Compreendeu que aquela pequena distância entre eles ainda era suficiente para fazê-lo sofrer, para fazer seu coração agitar-se de forma desesperadora. Deu outro passo, enquanto ela apenas o fitava, sem se mover um milímetro sequer.
–Eu... voltei. – começou ele.
Ela então assentiu. Sim, ele havia voltado.
Ele deu outro passo.
–“Onde tudo começou e onde tudo irá terminar ou recomeçar...” –citou ele.
Foi a vez de Hinata dar um passo a frente. E outro.
E outro.
E quando já estava próxima a ele... o abraçou.
–Não importa... apenas estou feliz que... tenha voltado. – ela falou, finalmente. –Não importa... porque eu já acalmei meu coração. E apesar de estar doendo muito, como se mil kunais estivessem me atravessando... eu estou pronta... pra te deixar... ir.
As palavras de Hinata lhe provocaram uma nova onda de dor. Algo formigou em sua mente, deixando-o desnorteado por um minuto.
–Do... do que está falando?! – disse, quase gritando.
Ela baixou o rosto, sem conseguir encará-lo mais.
–Estou pronta para... dizer adeus. E te libertar.
Ele agarrou os pulsos de Hinata, forçando-a a chocar-se contra a árvore.
–Não! Olhe para mim! Não vou a lugar algum sem você, será que você não vê?! Não percebe que não consigo viver sem você?! – gritou ele. –Não percebe que a sua ausência é como um inferno pra mim?!
Ela o fitava, surpresa com aquela reação. Mas apesar da dor, ela estava pronta para encerrar aquilo. Estava pronta para dizer adeus.
–Estou pronta para isso, Naruto-kun... Não quero... não quero ficar entre você e...
–Sente isso? – ele perguntou, colocando a mão de Hinata sobre seu peito. A Hyuuga se encolhia, sem ter para onde fugir da fúria que Naruto demonstrava ao ouvir suas palavras de despedida. Não compreendia aquela situação. –Está sentindo?! – insistiu ele – Parece a você que estou pronto para ouvir um adeus?! Está sentindo o desespero que está dentro de mim, apenas por pensar que você quer ir embora?! Que quer desistir de mim?!
–Naruto-kun, eu...
–Não posso, Hinata, não posso! Não posso deixar você ir! – falou. Os olhos de Naruto diziam a Hinata que ele estava perdendo o controle. Ela deu um passo a frente, mas ele novamente a forçou contra a árvore, segurando com força seus pulsos. –Não sou forte o suficiente para viver sem você! Então não me peça para te deixar ir embora, não me force a ouvir palavras de despedida! Não me diga isso, porque sou egoísta demais pra conseguir te deixar ir embora da minha vida!
–Naruto-kun, você... nunca teve certeza sobre o que sentia... Não posso prender você à uma possibilidade incerta, porque você... você não me vê como...
–Só vejo você, Hinata! Não enxergo mais nada, não penso em mais nada! É você a minha paz, e o meu desespero, é por você que estou enlouquecendo! – gritou, colando seu corpo com força ao da morena. Ela estava de olhos arregalados, a surpresa tomando sua expressão. Estava pronta para despedir-se dele, mas o que ele estava fazendo? Toda a calma e tranquilidade que ela construíra naqueles dias em que ele esteve longe estavam desmoronando, e fazendo crescer dentro de si o sentimento que tentava esquecer.
–Eu só vejo você, e lembrar que te magoei, que te fiz sofrer, me mata por dentro... mas eu não vou conseguir, Hinata... se você desistir de mim, eu não vou conseguir... – sussurrava, as lágrimas acumulando-se novamente em seus olhos.
O rosto dele estava próximo demais, seu corpo colado demais... Hinata sequer respirava. O loiro a apertava contra si com força, como se não fosse deixa-la ir de jeito nenhum. Sua expressão era... a expressão de alguém que implorava.
–Por favor, Hinata... por favor! – implorou – Por favor, não desista de mim... de nós! Eu fui um idiota, um estúpido, e sei que talvez eu não mereça o seu amor, mas agora eu sei... que não posso viver sem poder te tocar, sem poder sentir seu cheiro... – sussurrou, enquanto apoiava o rosto no pescoço da Hyuuga, aspirando o perfume que lhe deixava louco.
Hinata quis empurra-lo, desvencilhar-se de seus braços, mas ele novamente a segurou com força. Ela tinha se preparado psicologicamente para ouvi-lo dizer que havia feito sua escolha.
Que amava Sakura.
Mas agora ele lhe dizia tudo aquilo, e ela não conseguia acreditar. Estaria sonhando... ou tendo um cruel pesadelo, que iria esmaga-la com a dor da saudade quando ela acordasse?
Ele enroscou uma das mãos na nuca da morena, os dedos entrelaçando-se naqueles fios negros dos quais ele sentia tanta falta de tocar... as lágrimas que rolavam deixavam o pescoço da Hyuuga molhado, enquanto ele subia e colava seus lábios no ouvido de Hinata.
–Não posso viver sem você, Hinata... por favor, acredite em mim, eu não posso! – sussurrou.
–Na... Naruto-kun, o que...
–Preciso ouvir você dizer que sente minha falta, nem que seja um pouquinho, preciso te ouvir dizer que ainda... me ama... porque sem você, sem o seu amor... eu não sou humano. Sem você, não resta nada de mim além dessa besta que habita aqui dentro, sem você eu não... sei mais como existir. Então, por favor, por favor, não me... deixe!
–Eu... –tentou ela. Uma das mãos de Naruto ainda lhe segurava com firmeza, e ela ainda sentia os batimentos acelerados do coração do loiro... nunca o vira tão descontrolado em toda a sua vida. Mas ouvir aquilo... era tudo com o que ela sonhara durante toda a sua vida, tudo o que ela sempre quis. E agora que finalmente acontecia, ela tinha medo de acordar e perceber que tudo não passava de ilusão... ou de que ele fosse embora novamente. Ela então reuniu toda a coragem que tinha e voltou a falar:
–Eu senti muito a sua falta... como se as horas não passassem, como se cada minuto pulsasse dentro de mim ecoando o vazio que você deixou... –ela tocou o rosto do loiro, sentindo que o coração dele acelerava ainda mais, quase explodindo. Agora ela também chorava. –E passei as noites apavorada pela possibilidade de você... não... voltar...
Ele continuava com o rosto apoiado na pele de Hinata, trêmulo, enquanto a abraçava com ainda mais força, como se ela fosse fugir ou desaparecer. Suas lágrimas também desciam enquanto escutava aquilo, e sentia que a insanidade latejava em sua mente e em seus músculos para tomar posse de sua consciência.
Ele pressionou Hinata ainda mais fortemente contra a árvore e seu corpo, apoiando uma das mãos livre no tronco, com tanta força que parte da casca marrom se esfarelou. Precisava manter o controle, precisava ouvi-la.
–E preparando meu coração pra te dizer adeus e te deixar livre pra conhecer o verdadeiro amor...
–Não existe ninguém que possa ocupar esse lugar na minha vida que não seja você, Hinata. – interrompeu ele.
–Então... por favor... fique! E não vá embora nunca mais! – pediu, enlaçando a nuca de Naruto. –Por favor, fique... porque... você é o único a quem eu sou capaz de amar, Naruto-kun... e desde que você fique, eu sei que posso ser plenamente feliz... por ter você ao meu lado...
Ele então apoiou sua testa na dela, o rosto tão próximo que era desnorteador olha-la daquela maneira.
Alí estava a cor daqueles olhos perolados que coloriam seus dias com a paz que somente ela poderia lhe dar.
–Você já me tem, Hinata... já sou completamente seu... e apenas poderei ser plenamente feliz tendo você ao meu lado, sabendo que apesar de eu ser um idiota, você também é minha...
Ela assentiu, a garganta se fechando. Os dois corações batiam em uníssono, acelerados como se fossem explodir.
–Eu também... já sou sua!
Ele então pôde sorrir. E antes que pudesse pensar em dizer qualquer outra coisa, tomou os lábios de Hinata como se pudesse apertá-la ainda mais contra si.
Naruto nunca a havia beijado daquela maneira. O primeiro beijo que tiveram fora doce e sem pressa, o segundo fora urgente e dolorido... os lábios de Naruto ainda eram urgentes nos dela, mas eram carregados de uma intensidade nova, de desejo, de... certeza.
O loiro também sentia que Hinata o beijava como se estivesse livre das amarras de sua timidez, como se também quisesse acabar com a saudade que a consumia.
Ele forçou um pouco mais sua boca na dela, ainda insatisfeito, e ela não o parou. O abraçava também com força, também com o mesmo desejo.
Naruto puxou as coxas de Hinata, fazendo com que as pernas da Hyuuga se encaixassem em sua cintura, empurrando-a novamente contra a árvore. Aquele baque fez com que algumas folhas caíssem, mas eles não se importavam.
Naquela posição, Hinata estava um pouco mais acima de Naruto, os cabelos negros caindo ao lado do rosto do loiro, que por sua vez não desgrudava os lábios dos de Hinata nem para respirar. Com as pernas da Hyuuga enlaçadas em sua cintura, com os braços da morena o envolvendo, com os lábios dela nos seus, ele sentia como se não precisasse sequer de oxigênio.
Foi ela quem se afastou dele, mas Naruto não deixou. Puxou a nuca de Hinata antes mesmo que ela pudesse puxar uma nova lufada de ar, sua boca procurando a dela de forma desesperada.
O céu estava lilás, o sol já despejando sobre Konoha seus últimos raios.
Sem parar para pensar no que estava fazendo, ele tirou o casaco de Hinata. Precisava sentir plenamente o calor do corpo dela, precisava enlaçar-se a ela um pouco mais...
Ela sentiu seu rosto ficar quente, mas também não conseguia se conter. Logo o casaco do loiro também estava no chão.
Naruto sentia a maciez da pele de Hinata em lugares que nunca havia explorado antes. Sua boca procurava agora o pescoço da Hyuuga, descendo e sentindo o aroma de seu colo...
A camiseta de Hinata também logo voou para o chão.
Ele afastou um pouco seu corpo do dela, e Hinata desenroscou-se de Naruto, ficando de pé. Ainda com as bocas coladas, o rosto esquentando ainda mais, como se fosse entrar em combustão, ela puxou a camiseta de Naruto também. Ele novamente forçou seu corpo no dela contra a árvore, puxando-a para si, o corpo sentindo a maciez da pele da mulher que amava de forma tão desesperada, que a mínima possibilidade de perde-la quase o levara a loucura.
Naruto se perdia nas sensações que o corpo de Hinata lhe provocava, enquanto a tocava com delicadeza, e compreendendo que certamente, se esperasse mais um minuto para tê-la, iria acabar se descontrolando novamente. Com medo de machuca-la, e até mesmo um pouco desajeitado, ele afastou seu rosto dela, mantendo seus corpos ainda colados.
–Se... você não...
–Eu quero. – ela respondeu à dúvida nas palavras de Naruto. Ele sorriu, um pouco constrangido.
–Eu não sei... direito... não quero machucar você...
–Sei que você não vai me machucar. –ela disse, e suas palavras eram carregadas de confiança.
Ele colou novamente seu rosto no dela, suspirando.
–Eu te...
Mas a vontade dela talvez fosse mais urgente. Sem deixar que ele concluísse sua frase, ela o beijou, acabando com qualquer hesitação que ele sentisse.
Ambos fecharam os olhos, e se entregaram um ao outro naquele entardecer que era só deles, embalados pelos últimos raios de sol que emolduravam aquele momento em um tom lilás, enquanto pulsavam dentro um do outro como se fossem um só.
Hinata acariciava os cabelos de Naruto, enquanto refletia sobre aquele dia. Não vestia nada mais que a jaqueta do loiro, enquanto ele estava deitado em seu colo vestindo apenas as calças. Ambos estavam em paz.
–Ainda não acredito que você não me expulsou a tapas... – ele disse, um pouco corado, entrelaçando seus dedos nos dela.
Ela riu baixinho.
Naruto beijou a mão de Hinata, aspirando o cheiro da morena, sentindo a maciez de sua pele. Nunca se acostumaria com a perfeição dela, com aquele sentimento louco que lhe invadia sempre que a olhava.
O loiro tocou o rosto de Hinata.
–Não machuquei você, machuquei?
Ela negou com a cabeça, corando. Não conseguiria dizer a ele que aquele havia sido o melhor dia de sua vida.
Foi a vez dele de sorrir, olhando com carinho para ela.
–Você está corada. – anunciou. –Espero que tenha sido pra você pelo menos um terço do que foi para mim... – continuou ele.
Ela colou seus lábios dos dele, fazendo-o se calar. Ele nunca se cansaria daquilo. Nunca iria deixar de perder um pouco o foco quando ela o beijasse.
–Foi maravilhoso, Naruto-kun... — sussurrou ela.
Ele sorriu de satisfação. E bocejou.
–Ah, tenho uma coisa para você. – lembrou ela.
–Para mim? O que é?
–Espere só um pouquinho... – disse, remexendo em seu casaco que estava jogado no chão perto deles. –Achei!
Ele quis se levantar para ver o que era, mas ela o empurrou de volta para seu colo.
–Feche os olhos. – mandou.
–Mas...
–Feche, Naruto-kun!
–Mas Hina...
–Não vou mostrar o que é se não fizer o que estou dizendo.
Ele suspirou, e fechou os olhos. Logo sentiu as mãos de Hinata em seu pescoço como numa carícia.
Um arrepio correu todo o seu corpo.
–Pode abrir. – ela disse.
Ele abriu os olhos, e pôde ver o que ela depositara em seu pescoço.
–Você achou! – ele disse, tocando o colar que havia ganhado da Tsunade.
Ela sorriu.
–Sim... achei perto daqui.
–Mesmo?
–Uhum...
–Obrigado, Hime-chan... – falou, admirando seu colar. –Você salvou minha vida.
–Não está ficando um pouco tarde? Talvez devêssemos...
–Não, ainda não... vamos ficar um pouco mais, por favor, amor.
Ela corou ainda mais.
–Tu-tudo bem...
Os dois fitavam as estrelas que já brilhavam no céu escuro, um pouco ofuscadas pela luz da lua que, estranhamente, voltava a aparecer sobre Konoha.
Logo Hinata percebeu que o loiro caíra no sono em seu colo. Ela o fitava com carinho, suas mãos acariciando novamente os cabelos loiros de seu amado.
Ele dormia com uma expressão tranquila, serena, diferente da expressão que ele tinha quando a viu pela primeira vez aquela tarde.
Ela suspirou, feliz, agradecendo silenciosamente por tudo ter acabado bem, afinal.
–Hi... Hinata... – ouviu o loiro resmungar enquanto sonhava.
Ela arregalou os olhos, fitando o rosto de Naruto. Ele aconchegou-se um pouco mais em seu colo, resmungando novamente enquanto dormia.
–Hinata... eu amo você...
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