Laços

6 Passos incertos


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Quero, mais uma vez, agradecer a todos que favoritam e principalmente aos que comentam... se vocês soubessem como me sinto quando leio os comentários de vocês... fico toda eufórica e emocionada. Quando digo que vocês são maravilhosos, falo sério! E um grande abraço aos novos leitores! Por favor, continuem a comentar, tá? A autora-san agradece. Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!

–Segura ela, Chouji! – disse Shikamaru, escondendo-se atrás de um dos ninjas médicos para usá-lo como escudo.

–O quê?! Ficou maluco?! Se aquele leque pegar em mim, eu morro!

–Pai! – pediu Shikamaru, desesperado.

O pai de Shikamaru exibiu um sorriso torto, deu as costas ao filho e saiu da barraca.

–Desgraçado! – gritava Temari. Seus golpes acertavam as mesas, as camas, tudo.

Shikamaru desviava-se da raiva de Temari certo de que aquele era seu último dia na Terra. E o que era pior, não sabia por que motivo ela o atacava daquela maneira. Os gritos que Temari vociferava para ele era tudo o que podia ouvir enquanto fugia.

–Eu vou matar você! – gritou ela, o ódio nos olhos.

–Ca-calma, Te-Temari-san... – tentou Chouji, o medo audível em sua voz trêmula.

–O que é que essa garota problemática tá fazendo aqui?! – Shikamaru perguntou a Chouji enquanto corria para fora da barraca. Tudo o que o amigo lhe deu como resposta foi um dar de ombros, a expressão tão surpresa quanto a dele.

Temari continuava investindo seus golpes contra Shikamaru não importando o quanto ele corresse. Vendo Shikamaru passar correndo na sua frente, Chouji fez ao Nara a pergunta que não queria calar:

–O que foi que você fez pra ela ficar brava desse jeito?

–E eu que sei?! – respondeu o Nara. Um dos golpes de Temari fez com que o gesso da perna de Shikamaru voasse longe, deixando-o livre para correr, mesmo que ainda com um pouco de dificuldade.

Chouji acompanhava a briga mantendo distância suficiente para não ser atingido pelos golpes de Temari. Ino e Shino chegavam ao local atraídos pelo barulho.

–O que é que está acontecendo? O tal do Pain voltou? – perguntou Ino, tentando enxergar por entre o véu de poeira que o leque de Temari levantava. –Temari-san? O que ela está fazendo aqui?

–Aparentemente veio matar o Shikamaru – respondeu Chouji, de olhos fixos na briga. Se bem que aquilo não era exatamente o que se pudesse chamar de briga. Shikamaru não revidava, apenas fugia com todas as forças.

–Imbecil! – gritou Temari.

Os três observavam a “luta” boquiabertos.

–Temari, quer se acalmar e conversar comigo direito?! O que foi que eu fiz?! – Shikamaru suplicava por uma explicação. Os olhos de Temari se estreitaram.

–Eu vou quebrar essa sua outra perna, Nara – avisou a ninja.

–Geeeeeente, quê que é isso! –exclamou Ino. –Temari-san tá dando a maior corça no Shikamaru! O que foi que ele fez pra ela, afinal?

Shino fitou Ino discretamente.

–Vocês devem achar que... ela está com raiva dele, não é?

–E não está? – estranhou Ino. – Olha pra ela! Se alguém não impedir, ela vai acabar matando ele de verdade!

–Vocês sabem que meu clã tem experiências com muitos tipos de... insetos. Não sabem?

–Pra quê essa conversa agora?! – indignou-se Ino. Eles conversavam quase gritando, pois os golpes de Temari provocavam barulhos altíssimos.

–Alguns insetos são capazes de sentir a intensidade do chakra de alguns ninjas. Isso me permite... digamos... analisar as emoções do inimigo.

–E daí? – perguntou Chouji.

–Vejam a maneira como Temari segura seu leque. A intensidade do chakra que suas emoções transmitem me diz que ela não está atacando para matar. Para ferir, talvez, mas não para matar.

–Eu vou matar você! – Temari gritou para Shikamaru, contradizendo o que Shino dizia. Ino agora encarava Shino confusa.

–Ela deve ter vindo até aqui por outros motivos. A expressão no rosto dela não é de alguém que tenha a intenção de matar.

Um golpe veio na direção de Shino, que se desviou rapidamente. Temari o encarou com uma expressão ameaçadora, como se estivesse avisando-o que estava ouvindo o que ele falava. E que se ele abrisse a boca novamente, iria mata-lo. Shino engoliu em seco.

–Quer chegar logo ao ponto, Shino?! – gritaram Ino e Chouji, em coro.

–Ela deve ter vindo até aqui porque estava preocupada com ele – afirmou Shino, finalmente concluindo o que queria dizer. As pessoas não tinham muita paciência com suas longas explicações. Aquilo o deixava mais nervoso do que deixava transparecer.

–Uhuuuu, Temari-san chegou pra arrebentar com as estruturas de Konoha, hein? – Ino bradava, empolgada, sem se dar conta do que Shino dizia. Shikamaru era o tipo de pessoa tão desligada de tudo que ninguém poderia sequer pensar na possibilidade que Shino assimilara tão rapidamente.

–A sua frase não faz sentido – cortou Shino – Ela não pode arrebentar com as estruturas de Konoha. Não há mais nada aqui para ser arrebentado. Tudo já foi destruído.

Chouji e Ino fitaram Shino como se ele fosse louco.

–Mas você não entendeu o que eu quis dizer, Ino – continuou Shino. Percebendo que o Aburame pretendia explicar a situação melhor, Chouji intrometeu-se.

–Entãããão, que foooooome! – disse, arrastando os dois amigos – Vocês não querem pagar um ramen do Ichiraku pra mim, não?

–Chouji... você está sendo grosseiro. Eu estava prestes a falar algo para a Ino...

–Não estava, não! – interrompeu Chouji, arregalando os olhos para o amigo. Uma veia discreta saltou da testa de Shino.

Antes que o Aburame pudesse dizer qualquer outra coisa, Chouji arrastou os dois para longe dali. Pelo jeito, Shikamaru e Temari tinham muito o que conversar.

Vendo que a pequena plateia que acompanhava aquela confusão afastava-se dalí, Shikamaru parou de fugir. Virou-se para Temari, encarando-a seriamente:

–Muito bem, já chega disso. Kage Mane No Jutsu! – disse, prendendo Temari.

Ela quase sorriu ao ouvir aquilo. Ser presa no jutsu de Shikamaru era realmente algo nostálgico.

–Agora vamos conversar. –falou o Nara, olhando no fundo dos olhos de Temari.

***

Um soco atingiu o rosto de Naruto, fazendo o loiro cair no chão.

–Você o quê?! – gritou Kiba. O soco que havia dado em Naruto foi uma ação involuntária. O Inuzuka quase rosnava para o loiro de tão transtornado que estava. Trêmulo de raiva, olhava para Naruto no chão, perplexo com o que ouvira.

–Ki-Kiba! – alarmou o outro. Percebendo o que acabara de falar, Naruto estava tão perplexo quanto Kiba. Havia se deixado levar pelo calor do momento, e não sabia de onde vieram aquelas palavras. Precisava organizar as coisas em sua cabeça. – Espera, Kiba! – pedia. Não estava disposto a começar uma briga com o amigo. Mas perceber que Kiba sentia ciúme de Hinata o deixava maluco. Afinal, quão próximo eles eram?

Kiba sentia-se desnorteado naquela situação. Se Naruto realmente amava Hinata, as chances que achou que um dia poderia ter estavam todas perdidas. Mas não era a felicidade dela que ele queria? Afinal, sempre soube dos sentimentos de Hinata por Naruto. E agora que tudo indicava que ele finalmente a correspondia, não poderia mais sonhar acordado com o que achou que poderia ser o seu futuro ao lado da Hyuuga. Era hora de acordar para a realidade.

–Você a ama? – perguntou Kiba. Naruto tinha os olhos arregalados, confusos.

–Eu... – começou o loiro. Como pudera dizer aquilo quando ainda não tinha certeza de nada? Por que havia se deixado levar pelo ciúme? – Eu não sei – concluiu.

Kiba respirou pesadamente, buscando algum raio de calma que pudesse fazê-lo agir de forma sensata. A felicidade de Hinata era sua prioridade. Mesmo que não fosse ao seu lado. Mesmo que não fosse ele o responsável pelo sorriso da menina. Mesmo que não fosse ele...

–Não a magoe, Naruto – pediu. Kiba finalmente voltava a si. Não importava o que sentia, desde que ela estivesse feliz. –Por favor, não a magoe.

–Não pretendo magoá-la. – respondeu Naruto, seriamente.

–Então pense direito a respeito dos seus sentimentos. – alertou Kiba –Ela não merece ouvir palavras de incerteza.

Naruto assentiu. Kiba tinha razão. Não podia se precipitar.

Kiba deu as costas para Naruto, saindo dali, decidido a deixar para trás o futuro que havia imaginado ao lado de Hinata. Finalmente entendia que suas fantasias apenas serviram para alimentar o monstro que, naquele momento, cravava as garras em seu coração. E, por experiência própria, sabia o quanto a doíam os golpes de garras afiadas pela desilusão.

***

–Tenten! Hinata! – Ino gritava a plenos pulmões.

As duas amigas conversavam sentadas sob a sombra de uma árvore.

–Gente... – começou Ino, falando com dificuldade devido ao cansaço de ter corrido até ali. –Vocês viram?

–Vimos o quê? – perguntou Tenten.

–Temari, da Vila da Areia, está aqui! E está metendo a porrada no Shikamaru!

–O quê? Por quê? – espantou-se Hinata.

–Não sei! Mas alguma coisa ele deve ter aprontado. – disse Ino – Vocês sabem como aquela Temari é doida.

–Eu gosto dela. – disse Tenten, sorrindo – Ela tem garra.

–Acho ela um pouco estranha. Só sabe resolver as coisas na base da pancada. – comentou Ino.

–Também gosto da Temari-san – disse Hinata, concordando com Tenten. –Ela é apenas... meio...

–Meio brava – completou Tenten.

Ino estava prestes a rebater o comentário de Tenten quando Hinata a interrompeu:

–Você viu o Naruto-kun? – perguntou, a ansiedade falando mais alto que sua timidez.

–Nã-Não... – gaguejou Ino, surpresa com aquela pergunta. –Por que quer saber daquele baka?

–Ei, vamos ver a Temari chutando a bunda do Shikamaru? – propôs Tenten, socorrendo a amiga e querendo desviar a atenção de Ino. Hinata suspirou, aliviada por não ter que responder às inúmeras perguntas que Ino com certeza faria sobre sua pergunta impensada. Não o tinha visto o dia todo, e ficar longe dele a deixava angustiada.

–Iiiiiih, não dá, menina! O Chouji expulsa qualquer um que tente se aproximar de lá! –falou a loira, já completamente alheia à pergunta de Hinata.

Hinata estava preocupada. Quase não dormira na noite anterior. Havia passado a noite relembrando a maciez dos lábios de Naruto nos seus, a gentileza com que ele a abraçava, a ternura na maneira como as mãos fortes do loiro a puxava para mais perto. Ainda era capaz de sentir os dedos dele entrelaçados aos seus cabelos, despertando nela estranhos desejos...

Mas paralelamente ao sentimento de euforia causado por aquele beijo, algo insistia em lhe incomodar. Nos últimos dias, parecia que Naruto fazia questão de encontra-la em todos os lugares. Passavam a tarde juntos, conversavam e trocavam carinhos como se fossem amantes, mas a ternura com que ele tocava seu rosto, a maneira como ele sorria para ela e como ele parecia captar cada sentimento de seu coração apenas olhando para Hinata deixava a menina cada vez mais cautelosa. Não achou que seus sentimentos por ele, que já eram intensos, pudessem ficar ainda mais fortes. Temia que estivesse caminhando para um abismo. E não poderia evitar a queda, já havia pulado. Tudo estava acontecendo rápido demais.

O medo a deixava inquieta, e a insegurança fazia com que Hinata trancasse seu coração cada vez mais. Desejava conversar com alguém que lhe compreendesse, mas Ino e Tenten não poderiam aconselhá-la com relação à Naruto. Precisava de alguém que lhe dissesse que não havia problema em se abrir para a felicidade, e que o medo fazia parte da decisão de correr os riscos. Precisava de uma amiga que soubesse o que era sofrer por amor.

Onde estava Sakura?

***

Alguns dias atrás, na Vila da Areia.

Gaara caminhava pelo corredor, a expressão carregada com uma preocupação que não queria deixar transparecer na frente dos irmãos. Há alguns dias, começaram a chegar cartas, pergaminhos e até mesmo ninjas vindos de Konoha em busca de auxílio. Algo muito grave acontecera na Vila da Folha, deixando muitos feridos e desabrigados. É claro que ajudaria Konoha no que fosse necessário; Ele tinha uma dívida impagável com as pessoas daquele lugar, e aquela era também uma oportunidade de fortalecer a aliança que fizeram. Mas estava começando a perceber que quanto mais noticias chegavam do País do Fogo, mais tensa e irritadiça Temari ficava.

Claro que desconfiava do que se tratava a tensão de Temari, embora nunca tenha dito uma única palavra sobre o assunto. Mas era preocupante ver a irmã sofrer daquela maneira. Observava Temari se sobressaltar toda vez que anunciavam notícias de Konoha. Estava na hora de tomar uma atitude.

Bateu na porta à sua frente. Temari polia suas armas enquanto Kankurou organizava peças para novas marionetes.

–Temari, tenho uma missão para você.

A loira encarou Gaara.

–Preciso que vá até a Vila da Folha e me traga um relatório sobre a situação que eles estão enfrentando.

Kankurou ergueu uma sobrancelha.

–Quer que a Temari vá até o País do Fogo para fazer um relatório? Todos os dias não chegam pergaminhos e mais pergaminhos informando as necessidades de Konoha? Pra quê ela precisa ir até lá?

–Os pergaminhos informam apenas das necessidades mais urgentes. Quero saber melhor o que aconteceu lá. Não acredito que a Akatsuki ainda tenha motivos para atacar nossa vila, mas não podemos arriscar.

Temari estava muda, apenas encarando o irmão ruivo. Aquela era a justificativa mais ridícula que já havia escutado em toda a sua vida. Se não estivesse tão surpresa, teria sorrido.

–É uma ordem – enfatizou Gaara. – Você tem quatro dias para ir até Konoha e me enviar um relatório completo da atual situação do País do Fogo. Também gostaria de saber do quadro político da vila, com Tsunade em coma as coisas devem andar complicadas.

Temari levantou-se em silêncio, encarando Gaara que estava na porta da sala onde guardavam suas armas.

Quando ela passou, o ruivo pôde ouvir um sussurro.

“Obrigada”.

***

–O que veio fazer em Konoha? – perguntou Shikamaru.

Temari continuava a encará-lo com a mesma aspereza, a mesma ferocidade. “Ela não muda nunca”, pensou o Nara.

–Como foi que você quebrou essa maldita perna? – perguntou a loira. Shikamaru arregalou os olhos, surpreso com a pergunta.

–O... o quê?

–A droga dessa sua perna. Como foi que você a quebrou? Aposto que quis dar uma de gostosão e foi pro meio do campo de batalha.

–Não estou entendendo, Temari. – disse Shikamaru, a expressão confusa. –Está com raiva porque eu me machuquei?

Temari desviou o olhar, envergonhada, fazendo Shikamaru explodir numa gargalhada.

–Do que está rindo, idiota?! – perguntou, irritada.

–Você estava preocupada comigo. Não faça essa cara para mim, está bem? É engraçado.

–Chegue mais perto, Nara. Deixe eu dar uma torcida nessa sua outra perna. Ou talvez em um dos braços.

Shikamaru gargalhou novamente. Andou na direção de Temari, seu jutso obrigando a loira a também andar na direção dele. Encontraram-se no meio do caminho. Shikamaru sorriu, a expressão serena.

–Desculpe te deixar preocupada.

Foi a vez de Temari sorrir um pouco, aliviada.

***

–O que você quer? – perguntou Neji.

–A Hinata está aí?

–O que você quer com a Hinata-sama?

Naruto suspirou. Pelo visto, Hinata era o tipo de garota super protegida.

–O que você tem com isso? – perguntou Naruto. Não queria ter que dar explicações sobre sua relação com Hinata. Nem ele mesmo sabia que tipo de sentimento nutria por ela.

–Enquanto Hiashi-sama não estiver aqui, eu sou o responsável por ela. – respondeu Neji, sério. –Não tente dar uma de espertinho, entendeu?

–Na-Naruto-kun! – surpreendeu-se Hinata, saindo da barraca. Como esperado, sua face inundou-se com uma cor rosada. Naruto olhou para ela e se lembrou que aquela cor era a mesma que lhe lembrava o céu rosado do entardecer de Konoha. Sorriu para ela:

–Oi, Hina!

Se Hinata pudesse escolher que vida gostaria de viver, colocaria sem hesitar aqueles dias que passara ao lado de Naruto como molde para o restante de sua vida. Mesmo que vez por outra seu coração fosse golpeado pela dúvida. Arriscaria tudo, seria tudo o que fosse necessário para que aquele menino estivesse sempre ao seu lado.

–Neji nee-san, está tudo bem. – disse Hinata, tentando tranquilizar o Hyuuga ao seu lado, que encarava Naruto de forma assustadora. Ele suspirou e entrou na tenda.

–Está ocupada? Podemos conversar? – perguntou Naruto, exibindo à Hinata um tímido sorriso.

Hinata fitou Naruto. Percebeu que seu sorriso tentava esconder o nervosismo e urgência em sua voz.

Sentiu seu coração congelar. E na medida em que seus pensamentos se ordenavam, sua mente era invadida pelas lembranças da noite anterior. Será que ele estava arrependido?

Estava decidida a dizer a ele que precisava de um tempo para pensar nas coisas que estavam acontecendo. Sentia que Naruto avançava rapidamente, e tinha medo. A proximidade dele a assustava um pouco. Queria estar ao seu lado mais que tudo, mas sabia que não seria capaz de suportar a dor de perde-lo. Sentia o paradigma que aquele sentimento trazia: era doce, mas fatal.

–Claro... aconteceu alguma coisa?

–Aqui não. Vamos para o nosso lugar?

“Nosso... lugar...?” Hinata repetia em seus pensamentos.

–Hinata? – chamou Naruto, vendo a morena totalmente paralisada.

–Claro... – respondeu.

Caminharam em silêncio até a árvore de onde costumavam observar o sol se pôr. Tudo estava quieto. Hinata sentia seu coração sendo fechado pelo silêncio de Naruto. A insegurança deixavam acinzentados os dias que antes eram coloridos pelas risadas dele.

Quando chegaram, Hinata olhou para o rosto dele com um pouco mais de atenção. Espantou-se ao ver um pouco de sangue escorrer de sua boca.

–Naruto-kun! – alarmou ela, tocando o rosto do loiro. – Você se machucou?

–Ahn? – surpreendeu-se Naruto. Passou a mão pela boca, compreendendo. –Ah, isso... não se preocupe. Não foi nada.

–Como nada? Você está sangrando!

–Não foi nada – disse ele, sério, segurando as mãos de Hinata que antes estavam em seu rosto. Olhava fixamente para ela.

Naruto procurara Hinata decidido a saber se os sentimentos dela ainda eram os mesmos. Se algo havia mudado. Precisava ouvir para ter certeza do que sentia.

Dera a Hinata a oportunidade de saber o quanto ele era idiota, atrapalhado, desajeitado, para que ela tivesse certeza de seus sentimentos. Desde o começo, ele não se sentia merecedor do amor de Hinata, principalmente pelo fato de que ele tinha sentimentos por Sakura. Mas estava confuso, e pensava em tudo o que tinha acontecido até então, tentando organizar as ideias em sua cabeça. As tardes em que, juntos, observaram o sol se pôr, a cor rosada de seu rosto quando ele se aproximava, o brilho em seus olhos, a delicadeza que o conquistava, e o beijo...

Pensou naquele beijo e sentiu um leve arrepio. A lembrança do corpo de Hinata colado ao seu, o cheiro e a maciez da pele dela contra a sua, tudo aquilo misturava-se aos sentimentos de temor que tomavam o coração do loiro. Tinha medo de magoá-la, mas também tinha medo de admitir estar apaixonado por ela.

Ele suspirou pesadamente antes de começar a falar.

–Tive uma discussão idiota com o Kiba. – disse, por fim.

–Kiba-kun?! – espantou-se Hinata. –Por quê?!

–Por sua causa.

–O... o quê?

–Kiba sentiu ciúmes por nós estarmos tão próximos. Eu acabei dizendo coisas que ele não gostou, e ele me deu um soco. – falou, calmamente.

Queria dizer a ela o que achava que sentia. Era justo? E se estivesse errado? Aquilo era diferente do que sentia por Sakura. Será que o que sentia pela rosada era amor? E por Hinata? Não havia se apaixonado muitas vezes em sua vida. Não tinha experiência para saber diferenciar todos aqueles sentimentos. Mas Naruto achava que se ouvisse Hinata dizer que o amava mais uma vez, poderia saber. Poderia se deixar ser amado. E poderia amar...

–Coisas...? Que coisas?

Naruto não respondeu. O nervosismo começou a instalar-se em sua mente.

–O que você falou para o Kiba-kun? – insistiu ela.

Aos olhos de Hinata, Naruto parecia distante. Não o tinha visto durante todo o dia. Geralmente, ele a procurava para que pudessem passar o dia juntos. Hinata havia passado o dia inteiro pensando que Naruto devia estar arrependido por tê-la beijado. Achava que talvez o loiro precisasse de um tempo para pensar. O medo de se machucar turvava os pensamentos de Hinata.

–Naruto-kun... – disse, tocando o rosto do loiro. Ela sabia que ele não responderia à sua pergunta de antes. A mente da Hyuuga agora, antes um pouco incerta, estava completamente tomada pela insegurança. –Preciso... preciso te dizer uma coisa...

Naruto esperou. Sim, ela diria. Diria que o amava, e que também se sentia confusa, mas que nada havia mudado. As expectativas de Naruto faziam seu coração bater acelerado. Ela diria que o amava, e ele poderia enfim aceitar os próprios sentimentos. Poderia confirmar as suspeitas que o invadiam, e finalmente dizer que também a amava. Naruto esperava, cada vez mais ansioso.

–Naruto-kun, eu... eu... acho melhor que você não me procure mais.

Notas finais
Oi! Gostaram? Lembrem que a opinião de vocês é o meu maior incentivo para escrever! Então não deixem de comentar, dar sugestões, e até de recomendar a leitura da fic aos amigos... vocês sabem que eu fico mais que feliz quando vocês dizem que gostam do que eu escrevo! Mais uma vez, obrigada por tudo! Bjks, e até o próximo!