Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Então, meus amores... chegou ao fim! Sim... esse é o último capítulo. Escrevi pensando em dar a todos os personagens um final digno, um “pós-desfecho”. Espero mesmo que todos gostem. Acho que já falei muitas coisas nas notas do capítulo passado, mas preciso deixar aqui registrado o quanto me diverti, me emocionei e me empolguei com vocês. Não tenho palavras para descrever as emoções que vivi desde o primeiro dia em que me registrei aqui, criei coragem e postei a fic. Se fiz um bom trabalho, ele é reflexo das palavras de incentivo e carinho de todos vocês. Saibam que essa estória está marcada pelos rastros de amor e amizade que dividimos, e posso até usar o trocadilho horrível e dizer que a fic Laços me possibilitou criar laços de amizades aqui maiores do que eu imaginava. Todos vocês que comentaram ou não, que me mandaram mensagens privadas para dizer o que acharam, os que disseram que essa era a melhor fic que já tinham lido, que indicaram a fic aos amigos... todos vocês moram nesse meu coração maluco! Escrever essa estória foi uma verdadeira jornada, e eu procurei me dedicar, porque gostava de escrever, e percebia que vocês também estavam gostando. Hoje, a fic tem um número de visualizações que nunca ousei imaginar que alcançaria, e esse número cresce a cada dia. Esse mérito também é de vocês. Não conto as vezes em que fiquei de olhos cheios de lágrimas ao ler um comentário ou uma mensagem de vocês, sobre como gostavam do que eu escrevia e ansiavam por novos capítulos. Ou os dias em que eu estava triste, a era a companhia e as palavras de vocês que me animavam. Conhecer vocês, mesmo que apenas virtualmente, é minha maior recompensa por ter tido coragem de postar essa estória. Gostaria muito que comentassem esse capítulo e dividissem comigo as emoções que viveram comigo lendo essa fic, porque eu coloquei toda a minha emotividade pra rolar no capítulo passado, agora é a vez de vocês. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Galera, continuem recomendando essa fic aos amigos, favoritando, comentando, enfim... Agradeço muito às recomendações feitas até agora. Essa fic e esse final, são de vocês! E se eu pudesse, daria a todos vocês um colar no valor de cem montanhas, mas se um dia eu conseguir dar, por favor, não façam como o Narutim... não o percam. kkkkkkkkkkkkk MUITO OBRIGADA! POR TUDO! Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



Naruto abriu os olhos.

Lentamente, acordava para aquela realidade, embalado pela sensação etérea que era estar no colo dela. O cheiro que ela exalava agora misturava-se perfeitamente aos rastros que ele deixara em seu corpo, assim como ela também deixara no dele. Um sorriso inconsciente modelou os lábios do loiro numa curva feliz.

Ele respirou fundo, para conseguir acordar, e para aspirar melhor o cheiro dela. Aconchegou-se ainda mais no colo da Hyuuga, sem a menor pretensão de sair dali tão cedo.

Até que notou algo.

Hinata estava imóvel, e as mãos que antes envolviam Naruto agora estavam agarradas à grama. Ela estava sob ele como uma estátua.

Uma sensação de déjà vu instalou-se em sua mente, fazendo-o despertar completamente e arregalar os olhos.

Virou o rosto para ela, e percebeu que a morena encarava o céu.

“Droga, droga, droga, droga, droga!”, Naruto praguejava mentalmente. “O que será que eu fiz agora?!”

–Hi... Hinata? – chamou, o receio evidente em sua voz.

Ela não olhou para ele.

Ele então tocou o rosto da garota, e foi só então que ela voltou seus olhos para Naruto.

–Olá. – ela disse. E sorriu.

A expressão de Hinata o deixou confuso. Havia algo nos olhos dela. Um brilho que ele não sabia distinguir o que era.

Reparou que ela ainda estava vestida apenas com seu casaco.

–Está com frio? – ele perguntou. Embora estivesse sem camisa, o calor de Hinata era mais do que suficiente para aquece-lo, e deixa-lo confortável.

–Não. – ela respondeu, e voltou a encarar o céu.

Ele levantou-se de modo a ficar sentado de frente para ela.

–Eu fiz alguma coisa? – perguntou, preocupado.

Ela riu baixinho, e ele não pôde deixar de ficar fascinado com a graciosidade com a qual Hinata se movia.

–Não fez nada. Já está tarde... – ela disse, pegando seu próprio casaco, que estava jogado no chão próximo à eles.

Ele pegou as mãos dela, impedindo-a de pegar suas roupas.

–Eu falei alguma idiotice enquanto dormia, não foi? – questionou, agoniado. A expressão de Naruto era vincada pela preocupação de ter feito besteira novamente.

O dia em que sonhara com Sakura enquanto estava nos braços de Hinata agora pintava sua mente em tons escuros, como se algo lhe dissesse que havia cometido o mesmo erro. Não suportaria magoar Hinata ainda mais.

–Não se preocupe com isso, Naruto-kun... você não fez nada.

–Eu falei, não foi? – perguntou, fazendo-a suspirar por sua insistência.

Hinata sentiu suas bochechas formigarem.

–Seja o que for, Hinata, por favor, por favor, acredite em mim, eu... não fiz por querer. Olhe para mim. – implorou, tocando o rosto dela novamente. Os olhos de Naruto transpareciam uma agonia e preocupação que deixou Hinata constrangida. Não queria que ele sofresse achando ter feito algo de errado, mas não iria conseguir falar nada.

Seu peito estava apertado de tanta emoção. Ela não sabia lidar direito com tanta felicidade invadindo-a num único dia.

Finalmente, ela tinha um lugar no coração de Naruto. Nos sonhos dele. Um lugar só seu.

E além disso, ele havia dito algo além do seu nome...

Ela olhou para ele, o coração acelerando ao mínimo toque do loiro em sua pele.

–Naruto-kun... – disse, colocando sua mão sobre a do loiro, que estava em seu rosto. –Esqueça isso. Não foi nada demais. – argumentou, tentando deixa-lo tranquilo.

Ele balançou a cabeça, negando aquela resposta.

–Não. Não acredit... – falou, até notar algo no rosto da Hyuuga além do brilho estranho em seus olhos perolados que havia percebido antes. – Você está... corada. – falou.

Ela se levantou, procurando suas peças de roupa. Pensou em como se trocaria com Naruto ali.

Mas o que ele ainda não vira?

Suspirou com aquele pensamento, ficando ainda mais corada.

Ele pegou o braço da morena, novamente impedindo-a de se afastar.

–Apenas me diga. Seja o que for, eu sinto muito. Não queria magoar você.

O vento soprava, fazendo o casaco de Naruto balançar-se em seu corpo. Ela fechou o zíper da roupa, cada vez mais corada.

–Você... não... se lembra de ter sonhado com nada?

–Durmo como uma pedra, Hinata. É difícil lembrar. –respondeu, muito sério.

–Fique tranquilo, está bem? Já disse que você não falou nada demais.

Ele apertou ainda mais o braço de Hinata.

–Então eu falei mesmo alguma coisa.

Ela suspirou. Conhecia o loiro o suficiente para saber que ele não a deixaria sair dali sem antes falar o que havia acontecido.

–Você... chamou meu nome. – ela respondeu, encarando-o.

Novamente ele viu o brilho nos olhos dela. Vasculhou sua memória.

As lembranças vieram vagas, mas distinguia as paredes de seu antigo quarto. Deitado em sua cama, com a Hyuuga em seus braços, Naruto afagava os cabelos negros da garota, embalando-a. Hinata fechava os olhos e dormia, e então ele dizia...

Ele sorriu. Sim, havia sonhado com ela.

Suspirou pesadamente de alivio.

–Viu, seu bobo? Não foi nada demais. –falou, afastando-se dele para pegar suas peças de roupa.

Naruto encostou-se na árvore, com as mãos no bolso, enquanto encarava o horizonte negro daquela noite. Ela começou a se trocar, e logo estava diante dele, vestida com suas próprias roupas, estendendo-lhe seu casaco laranja e sua camiseta preta.

–Foi apenas isso? – ele perguntou, pegando suas roupas.

Ele não a deixaria em paz com aquilo. Hinata sentiu-se corar novamente.

Ela não respondeu.

Naruto então deu um passo à frente, colocando as mãos na cintura de Hinata.

–É que eu me lembro um pouco do sonho... e me lembro de dizer algo além do seu nome. – sussurrou, o rosto próximo demais ao dela.

Ela começou a ofegar com aquela proximidade. Tinha plena consciência de seu sangue concentrando-se em seu rosto e circulando precariamente pelo resto do corpo.

–Você... você também disse que me amava... – respondeu, rendendo-se.

Ele sorriu para ela, compreendendo o brilho nos olhos perolados à sua frente.

–Você ainda me ama? – perguntou ele, a testa colada na dela.

–Você... sabe que sim. – respondeu ela.

–Do mesmo jeito? Mesmo eu sendo um idiota, estúpido, que só faz besteira? Mesmo depois de tudo o que eu fiz? – perguntou.

–Do mesmo jeito. – ela disse.

Ele sorriu.

–Preciso ouvir. – pressionou.

Ela suspirou. Se renderia a ele quantas vezes fossem necessárias. Simplesmente não conseguia pensar direito com os olhos azuis de Naruto fitando-a intensamente daquela maneira, as mãos dele a enlaçando, o rosto tão próximo.

–Eu amo você. Sempre amei... sempre vou amar. – ela respondeu.

Ele a puxou um pouco mais para perto, e agora seus olhos tinham o mesmo brilho dos dela, seus lábios curvados num sorriso de satisfação. E esperança.

–Eu amo você, Hinata. – falou, por fim. – Amo como se minha vida dependesse disso. Amo como se fosse morrer se não ficar assim, tão perto de você... amo como... se você fosse meu amanhecer. Minha esperança, minha humanidade. Amo você, Hinata.

Foi a vez dela de sorrir, abraçando o loiro, sentindo os braços dele envolvê-la num enlace apertado. Hinata sentiu o coração acelerado de Naruto, enquanto o rosto do loiro afundava-se em seu pescoço.

Ela então afastou-se um pouco dele, fazendo-o encará-la, confuso.

–Você não pode me pressionar a te contar as coisas assim, sempre. – ralhou, vermelha.

Ele riu mais abertamente.

–Desculpe, hime-chan.

Ela suspirou, abraçando-o novamente.

–Vou fazer você feliz, Naruto-kun. Vou estar sempre ao seu lado, não importa o que aconteça, para sempre.

Ele suspirou, apertando-a contra si um pouco mais.

–Para sempre. – concordou ele.

E então a beijou.

Novamente era ela quem se afastava primeiro, buscando o ar que faltava, pois o loiro lhe tirava todo o fôlego sempre lhe beijando longa e intensamente daquela forma. E novamente foi Naruto quem não deixou que ela se afastasse, puxando-a de volta pela nuca, resmungando nos lábios dela:

–Quem precisa de oxigênio...?

Ainda com os lábios colados aos dele, ela riu baixinho, mas ele parecia sempre insatisfeito e insaciável. As mãos do loiro apertavam fortemente o casaco de Hinata, num ato possessivo, mas também de necessidade. Ao lado da Hyuuga, Naruto descobria-se um homem que tinha a felicidade em sua vida, e que sabia perfeitamente o quanto lhe custava viver sem ela.

E não estava disposto a pagar esse preço nunca mais.

Ela novamente tentou se afastar, respirando fundo, fitando-o seriamente.

–Temos que voltar. – ela disse.

–Não temos, não. – ele respondeu, como se fosse uma criança teimosa.

–Devem estar procurando pela gente... – tentou argumentar. Também não tinha a menor vontade de sair dalí, mas só em pensar no alarde que seu primo faria se desse pela falta dela...

Se bem que Neji agora tinha algo a mais para ocupar seus pensamentos. Ela sorriu um pouco ao pensar na amiga Tenten.

–O que foi? – ele perguntou, vendo-a sorrir daquele jeito.

–Nada... temos que voltar! – falou, desvencilhando-se dele.

–Você é sempre tão responsável... – murmurou, reclamando.

–É que você é sempre muito desligado, Naruto-kun... alguém tem que ser responsável.

–Devíamos ficar. Só mais um pouquinho, Hina... –sussurrou, puxando-a para si novamente, colando seus lábios nos dela.

Ela não tinha forças contra aquilo.

Mas ao pensar novamente nos amigos procurando por ela, afastou-se dele, lamentando mentalmente por isso.

–Naruto-kun... – respirou fundo, para recuperar o fôlego. – É sério, temos que ir!

–Tudo bem... –respondeu, rendendo-se.

Os dois começaram a caminhar lado a lado, na direção da vila. Andaram por um minuto inteiro em silêncio, observando o céu escuro sobre suas cabeças.

Naruto suspirou.

Puxou o braço de Hinata, entrelaçando sua mão na dela.

Ainda que estivessem tão próximos, era difícil para ele não tocá-la, não senti-la... tê-la ali ainda não parecia real.

Ela o encarou por um minuto, desconcertada, mas logo apertou seus dedos nos dele.

E assim, os dois caminharam de mãos dadas na direção da Vila da Folha, onde suas vidas lhe aguardavam. Seus amigos, sua família...

De mãos dadas, eles caminhavam rumo à sua nova vida.

–Não é desse jeito que se faz! – esbravejou Ino.

–Sai daqui! Ninguém pediu sua opinião! – Kiba gritou de volta.

Tenten, Neji e Chouji suspiraram ao mesmo tempo. Ino sempre acabava arrastando todo mundo para as suas loucuras, e ali estavam eles, observando os dois ajeitarem um pano para o piquenique noturno.

–Você está deixando tudo sujo! – gritou ela, vendo que as mãos sujas de barro de Kiba deixavam manchas por todo o pano. – Tira as patas daí!

–Então tira as suas também! – rebateu ele.

–Eu sou uma Yamanaka, meu bem, não uma Inuzuka! Eu não tenho patas!

Ele estreitou os olhos para ela:

–Não me provoque, loira...

–Quer saber? – interrompeu Neji, levantando-se, e gentilmente estendendo a mão à Tenten para ajuda-la a levantar-se também. — Nós vamos atrás de mais comida, e quando finalmente vocês tiverem decidido de que lado vai ficar o pano, se está sujo, quem tem pata e quem não tem, nós voltamos. – falou ele.

–Mais comida? Ótima ideia! – comemorou Chouji.

–Não se anima muito, não, Chouji, não vai pensando que é só pra você. – rebateu Tenten.

Chouji fitou Neji, emburrado, ignorando a garota.

–Essa sua namorada é muito cruel, Neji. Você gosta mesmo de garotas de gênio ruim assim?

–COOOMO ÉÉÉÉ?! – gritou Tenten, irada.

–Não se meta com ela, ou você vai mesmo descobrir quão ruim é o gênio da Tenten. – repreendeu Neji, esboçando um sorriso sarcástico. –E, para você saber, apenas eu posso dizer que ela tem o gênio ruim. – disse, sem deixar de corar.

Tenten sorriu para Chouji, debochada, fazendo-o arriar os ombros.

Ino e Kiba nem perceberam os amigos se afastando.

–Solta a droga desse pano, cachorro!

–Solta você, oxigenada!

–O QUÊ?! – gritou ela, indignada – Essa cor é natural, cachorro!

–Só se for natural da tinta!

–Para de latir e solta esse pano!

–Pare de me provocar e eu solto!

–AAAARRRGGGGHHHH! – grunhiu ela, com ódio nos olhos. Pulou sobre Kiba, as mãos espalmadas no peitoral do Inuzuka. Ele arregalou os olhos, enquanto ela lhe batia furiosamente. – Seu cachorro, ridículo! Eu sou loira de nascença! Pare de latir sobre a cor do meu cabelo!

Kiba não conseguia reagir. Ela lhe batia tão furiosamente que era quase cômico de se observar. Mas agora ele se atentava a outra coisa. Perguntava-se por que seu coração estava tão acelerado pela proximidade dela, por que não conseguia desgrudar os olhos do rosto dela, ou de seus olhos azuis.

Então, cedendo a um instinto animal – coisa que ele nunca admitiria para ela, sabendo que ela apenas o xingaria de cachorro com ainda mais razão – ele virou seu corpo sobre o dela, agarrando os pulsos da loira e grudando-os ao chão. Ino cerrou seus punhos, um de cada lado de sua cabeça, pronta para acertar a cara de Kiba na primeira oportunidade que tivesse.

–Já disse pra não me provocar. – falou ele, a voz baixa e rouca.

Ino percebeu então que ele a olhava de forma diferente. Estava irritado mas... havia algo a mais.

–Tudo bem. – ela respondeu, sem querer prestar muita atenção àquilo. Já andava bastante perturbada nos últimos dias, porque começava a perceber que, além de irritação, raiva e vontade de estapeá-lo, Kiba também lhe despertava outros sentimentos estranhos... – Me solte, e não vou mais te provocar. Cachorrinho. – falou, cruelmente.

Ele então riu, e depois rosnou.

Sim, ele rosnou, como um cachorro preste a atacar.

–Você... acabou de rosnar? – ela disse, e soltou uma gargalhada incrédula. –Cachorro, você acabou de rosnar, mesmo?

Ele sorriu.

–Não é esse jogo que você quer jogar, loira? Então tudo bem. – ele disse, rosnando ferozmente de novo, avisando que atacaria. –Lá vamos nós! – falou, colando seus lábios aos dela.

Kiba a beijou selvagem e furiosamente, sem dar tempo sequer para que ela lhe impedisse a passagem em sua boca. Ela quis soltar-se, mas o garoto não lhe livrava os pulsos de jeito nenhum.

E então, lentamente, ela sentiu a fúria nos lábios dele cederem lugar a doçura.

Kiba agora a beijava ternamente, e devagar, afrouxando a pressão nos pulsos dela. Sua mão esquerda foi do braço de Ino até a cintura. Ela estremeceu com aquele toque, e involuntariamente, sua mão livre enlaçou-se à nuca do rapaz.

Ele então se afastou, o que para Ino, foi cedo demais.

Ofegando, ela o fitou.

–Depois você não quer que eu te chame de cachorro, rosnando e avançando desse jeito. – debochou.

–O que é isso? – ele disse, tocando uma mexa do cabelo da franja loira de Ino – Um fio preto? – brincou.

Ela deu um tapa no braço de Kiba.

–Ai! Loira, você bate forte! – reclamou.

–Eu sei! E você late alto! – respondeu ela.

Kiba revirou os olhos.

–Se você continuar me tratando como cachorro, não beijo mais você. – ameaçou, ainda sobre ela.

–E quem disse que eu quero que você me beije, cachorro?! – perguntou, indignada.

–Tudo bem, então. – ele disse, saindo de cima dela.

Foi a vez de Ino revirar os olhos, puxando-o pelo braço.

–Pare de latir e me beija logo, cachorro!

Ele então sorriu, e, sem hesitar, tomou os lábios de Ino novamente.

Neji, Tenten e Chouji escolhiam as comidas que iriam levar para o piquenique noturno tranquilamente. Chouji vez por outra comia algum dos alimentos que eles deveriam levar.

–Para de comer! – esbraveja Tenten – Essa comida é pra gente levar pro piquenique, se fosse pra comer aqui a gente não precisava ir aturar a Ino e o Kiba!

–Então não é melhor comer aqui mesmo? – questionou Chouji.

–Claro que não, seu esfomeado!

–Neji... – Chouji resmungou, pedindo apoio ao amigo.

O Hyuuga estreitou os olhos para ele.

–Ela tem razão.

–Que é, você agora é mandado pela Tenten? – reclamou Chouji.

–Não. Mas não sou idiota. Não pense que vai me manipular para poder comer o que quiser.

Chouji suspirou. Nada funcionava contra Neji.

–O que estão fazendo aqui?

Os três se viraram para o dono da voz.

–Sh... Shino! – exclamou Tenten. –Droga... — resmungou baixinho para que só Neji pudesse ouvi-la. – Esquecemos de convidar ele... de novo!

Neji e Chouji engoliram em seco ao ver o Aburame se aproximando.

–Estamos... comprando comida...

–Percebi. Mas para quê tanta comida? E por que juntos? – perguntou Shino, encarando seriamente os amigos. Vendo que os três estavam sem resposta, ele continuou. – Vocês por acaso não estão comprando comida para um piquenique noturno... para o qual esqueceram de me convidar... estão?

–Droga, ele já sabe. – reclamou Tenten.

Uma veia saltou da testa de Shino.

–Mas veja pelo lado bom... – disse Chouji, colocando a mão amigavelmente no ombro de Shino. – Agora que está aqui, você pode ir com a gente! Ai! – alarmou, ao sentir uma picada na mão. –Você mandou seus insetos me morderem?! – perguntou, indignado.

–Talvez eles também estejam cansados de serem esquecidos. – Shino respondeu seriamente.

Neji suspirou.

–Já temos o suficiente. Vamos embora. – falou, já reclamando mentalmente só de imaginar que teria que sair dali para aguentar as discussões idiotas entre Ino e Kiba.

Discussões idiotas.

Como as dele e de Tenten.

Ele então sorriu discretamente, mas Tenten ainda pôde perceber.

–Do que está rindo sozinho? – perguntou.

Ele então se virou para ela.

–Quanto tempo você acha que vai levar para aqueles dois se entenderem?

–Do que você está falando...? Ino e Kiba? Você acha que...?

–Ainda não percebeu? Aqueles dois vivem brigando, igual a nós dois.

–A gente ainda briga.

–Eu sei. – respondeu ele, com desgosto. – Porque você ainda é teimosa, violenta, doida e desmiolada.

Uma veia saltou da testa dela.

–E você ainda é arrogante, metido e idiota.

Ele sorriu abertamente.

–Ainda bem que a gente se gosta assim. – falou, e aproveitando que os dois amigos caminhavam um pouco mais a frente deles, puxou Tenten pela cintura e lhe deu um selinho rápido, mas que ainda tirou o fêlego da garota, fazendo-a corar levemente.

–É. – concordou ela – Ainda bem.

Ainda assim, alguém viu o gesto do Hyuuga.

–O que foi que aconteceu enquanto eu estive fora? O mundo enlouqueceu? – perguntou Shikamaru.

–Shikamaru! – alarmou Chouji, abraçando o amigo – Você voltou!

Ele abraçou o companheiro, sem tirar os olhos de Neji e Tenten.

–Que é? – enfezou-se a garota. –Estamos juntos, não nos olhe assim. Não é nada demais. – resmungou, corando. Neji piscou ao seu lado, mais vermelho que ela.

–Que seja. – falou, sem querer aprofundar-se naquilo. Sem dúvida, saber demais seria problemático. – Onde estão os outros? Cadê o Naruto?

–Naruto passou mais cedo correndo igual a um desesperado pela vila e não falou com ninguém. – respondeu Chouji.

Shikamaru ponderou sobre aquilo, e preferiu não se aprofundar naquele assunto também.

–E Sakura? Sabem se ela foi levada ao novo hospital?

–Quem você pensa que eu sou? – perguntou a rosada, indignada, saindo da loja onde antes eles compravam comida. Ela carregava uma sacola.

–Você não devia estar de pé! – ele exclamou.

–Vou perguntar de novo: quem você pensa que eu sou? Não vou morrer assim tão fácil. Só vim comprar suco. Aliás, já faz dois dias desde que você foi pra Vila da Areia e quase não volta.

O Nara pigarreou.

–Então... estão indo pra onde? – ele perguntou, mudando de assunto.

Tenten colocou a mão no ombro do amigo.

–Piquenique noturno! Se você conseguir apartar as brigas de Ino e Kiba, está mais do que convidado!

–Vocês só me colocam no meio de situações problemáticas... que saco. – reclamou.

–Sakura, você tem que vir também! – puxou Tenten. –Vai ser bom para você, está de cama há dois dias, precisa respirar ar puro, ver gente!

–Tudo bem, mas não me puxe desse jeito! – ofegou.

Os amigos então caminhavam rumo ao piquenique, Shikamaru e Chouji um pouco mais à frente, Shino, Saskura, Tenten e Neji conversando um pouco mais atrás.

–E então...? Por que demorou tanto na Vila da Areia? Kakashi-sensei estava todo cheio de desculpas esfarrapadas pra você ter ficado lá. O que aconteceu? — questionou Chouji.

Shikamaru suspirou pesadamente.

–Aconteceu que eu estou ferrado. – respondeu, e sorriu abertamente para o amigo.

–Quê? – Chouji perguntou, confuso.

–Estou ferrado, Chouji! – repetiu, ainda sorrindo. –Estou apaixonado pela Temari, e estou ferrado!

Chouji sorriu também. Obviamente, ele era o único para quem Shikamaru contava certas coisas, embora até mesmo com ele o Nara procurasse manter a discrição. Já sabia do romance “casual e carnal” dos dois, e sabia também que aquilo não duraria muito tempo; logo ambos acabariam percebendo que o que sentiam um pelo outro ia além disso. Apoiou uma das mãos no ombro do amigo.

–É, está ferrado mesmo! – concordou, sorrindo.

–E aí, Testuda? Está melhor? – perguntou Ino, abraçando Sakura com entusiasmo.

–Me solta, Porca! Quer me matar? Ainda estou ferida!

–Pelo visto está melhor mesmo! – falou Ino, sacudindo a rosada – Já está até gritando e tudo mais!

–Me soltaaa, Ino Porca!

–Me obrigue, Sakura Testuda!

Neji suspirou. Como se já não bastassem as brigas de Kiba e Ino, ainda haviam trazido Sakura.

–Ei, espera. – falou a rosada –Ino, por que seus pulsos estão sujos de terra desse jeito? E seus cabelos? Ino, sua cintura tem uma marca de mão...

–Cala a boca, Testuda! – gritou Ino, tentando distrair a atenção de Sakura. Sem querer, acabou dando um leve tapa na rosada.

–AAAIIIIIIII, POOOOORRRCAAAA!

Neji lembrou-se de que antes, a loira estava reclamando das mãos sujas de Kiba deixando marcas por todo o pano. Trocou um olhar cúmplice com Tenten, que riu baixinho, compreendendo tudo.

–Ei, o que há com vocês duas? – perguntou Naruto, aproximando-se de mãos dadas com Hinata.

Sakura virou-se para os dois, e sorriu.

–Sakura-chan! – alarmou o loiro, abraçando a rosada – Está melhor?

–Bem melhor. Mas ainda dói um pouco. – respondeu ela, sem deixar de perceber que, nem para abraça-la, Naruto soltava a mão de Hinata.

–Desculpe ter te largado sozinha, Sakura-chan, mas é que...

–Você deixou a Sakura-san sozinha enquanto ela estava ferida? – perguntou Hinata, fitando o loiro seriamente.

–Ah... sabe o que é, hime-chan... – divagou Naruto – É que eu tava feito um louco procurando você, aí...

Ela deu um leve tapa no ombro de Naruto.

–Naruto-kun! -ralhou.

Ele apenas sorriu.

–Mas o que importa é que a Sakura-chan está de volta, sã e salva! – falou.

–Sakura-san... que bom que está de volta. Senti sua falta. – falou Hinata, abraçando levemente a amiga.

–Também senti sua falta, Hina. – falou, e depois se virou para Ino. – Tá vendo, Porca, como é que a gente recebe uma amiga?

–Vai se danar, Testuda. – respondeu a loira, satisfeita por suas melhores amigas estarem todas ao seu lado.

Todos então sentaram ao redor do pano, brigando, comendo, se batendo, gritando... sendo os amigos e a família uns dos outros.

Sendo aqueles com quem sempre poderiam contar.

Hinata sorria, admirando Naruto e todos os outros, sentada ao lado de Sakura, Ino e Tenten, enquanto os garotos discutiam, falando de boca cheia.

Via claramente seus preciosos laços, firmes e fortes, brilhantes, resistentes à qualquer coisa.

Seus amigos, seus laços mais bonitos, enlaçando-se dela para Naruto, de Naruto para todos os outros...

Laços que floriam tudo, que coloriam tudo.

Laços que lhe mostravam o caminho a seguir. Sempre ligada àqueles que amava.

Viu Naruto sorrir para ela, de longe, vendo que a Hyuuga o observava.

Seu laço mais precioso, mais bonito, mais verdadeiro...

Sorriu de volta, sentindo-se quente.

Estava tudo em paz novamente.

A madrugada deixava Konoha com uma cor estranha, que os três que caminhavam lado a lado não sabiam nomear. Kiba, Ino, Naruto e Hinata saíram mais cedo que os outros... Ino acabou dormindo no colo do Inuzuka, e ele a levou nos braços para casa, acompanhado de Naruto e Hinata. Neji e Tenten ficaram no local do piquenique, e Kiba tentava não pensar no que eles deviam estar fazendo. Já tinha motivos suficientes para ter pesadelos com Neji para o resto da vida.

Sakura também havia ido embora cedo, pois ainda precisava de repouso. Shino também partiu logo.

Shikamaru e Chouji haviam ido embora logo em seguida. Talvez os dois tivessem muito o que conversar sobre os dois dias em que o Nara esteve fora da vila.

–Hina... amanhã teremos um dia cheio! Vamos ao rio, vou ensinar você a pescar... Ero-sennin me obrigava a pescar com ele, mas eu acabei até gostando.

–O que é que vocês dois vão fazer perto do rio sozinhos, hein? – interrompeu Kiba, que agora caminhava sozinho ao lado deles.

–Não ouviu? Vamos pescar. – respondeu Naruto.

Kiba estreitou os olhos.

–E depois de pescar?

–Vamos... apenas pescar... – respondeu Hinata, timidamente.

–Ah, então não se importam se eu for também, não é? Só pra garantir. – sorriu o Inuzuka, destilando ironia.

–Você só pode ter perdido o juízo. – Naruto respondeu monotonamente.

–E agora, o que vocês vão fazer?

–Vamos descansar... – respondeu Hinata.

–Ah, também estou tão cansado... – Kiba fingia que bocejava, provocando o loiro. Uma veia saltou na testa de Naruto. – Posso ir descansar com vocês?

–De jeito nenhum! – indignou-se o loiro. –Vai curtir preguiça em outro lugar!

–Ih, Hinata... por que você foi escolher logo o Naruto pra ser seu namorado? Ele é meio ciumento... – divagou o Inuzuka, atiçando ainda mais os nervos do outro.

–VAZA DAQUI, KIBA! – estressou-se Naruto.

Kiba soltou uma gargalhada.

–Estou indo. Nos vemos no treino amanhã, Hinata! – avisou Kiba, já saindo dali. Mas antes virou-se um pouco para Naruto, sorrindo para ele, um riso sincero e amigável. Naruto sorriu de volta, a expressão tranquila e franca. –Cuide dela, Uzumaki. Deixo-a em suas mãos. –sussurrou, sem que Hinata pudesse ouvi-lo.

Naruto assentiu.

–Obrigado, Kiba. Por tudo.

Ele sorriu novamente, e correu para sua casa.

Hinata tropeçava em suas próprias pernas de tão sonolenta que estava. Naruto abriu a porta de sua nova casa, que todos haviam, gentilmente, reconstruído para ele.

Ele segurou Hinata pela cintura quando ela quase caiu, colocando o pé em falso no degrau da porta.

–Hinata! Está caindo de sono...

Ela riu baixinho, e se deixou ser rebocada pelo loiro.

–Ei, não tem problema você dormir aqui hoje, tem? Já está muito tarde, e pelo visto, até Neji vai dormir fora...

–N... não... tem problema. – respondeu. E bocejou.

Ele sorriu, sentando-a em sua cama. Desceu o zíper do casaco de Hinata, fazendo-a arregalar os olhos, estranhamente desperta, e ligeiramente corada.

Ele riu mais ainda.

–É pra você não sentir calor. Achei que estava muito sonolenta para... – falou, aproximando o rosto do dela. Suas mãos desciam pela cintura da Hyuuga, e ela suspirou.

E bocejou.

–Foi o que eu pensei. – falou ele, sorrindo. Não sentia sono. Pelo contrário, estar com ela apenas o deixava mais desperto... e quente.

Ele tirou também seu casaco, e a camiseta, ficando apenas de calças novamente. Ela continuava sentada, tão sonolenta que quase não conseguia vê-lo.

Ele então se deitou, puxando-a para seu peito. Hinata deitou-se alí de bom grado, sentindo o calor e o cheiro que o corpo do loiro emanava.

Agora ele começava a sentir sono também, e os dois bocejaram juntos. E riram.

–Quero só ver por quanto tempo você vai me aturar, hime...

–Bobo. Já disse... eu amo você... é você que vai ter que me aguentar para sempre no seu pé. – murmurou ela. – Amo você... Naruto...

Ele percebeu Hinata então fechar os olhos, rendendo-se ao cansaço daquele dia.

Naruto então sorriu, e beijou a cabeça de Hinata, roçando os lábios sobre os cabelos negros da morena. Fechou os olhos, respirando o cheiro dela, que desejava a todo custo misturar ao seu.

Relaxou, sentindo-a finalmente segura e ao seu lado.

–Também amo você, Hinata... para sempre. – prometeu, afundando feliz na inconsciência, com um sorriso nos lábios.

O laço forte aconchegou os dois, que dormiram embalados pelo amor que sentiam um pelo outro, sonhando com a vida que os esperava.

Juntos.



Notas finais
Oi! E aí? O que acharam? Espero que tenham gostado! Lembrando que a fic Laços se desenrola como um arco entre a destruição e reconstrução da vila. Depois da estória, a intenção é que os fatos sigam o mesmo curso do mangá e do anime. Não se esqueçam de comentar sobre o capítulo e contar suas emoções ao ler a fic inteira... e por favor, não deixem de recomendar a fic aos amigos, favoritar, enfim... A autora-san, de novo, novamente e mais uma vez... agradece. Galera... mais uma vez, preciso agradecer à todos vocês, pelo carinho e entusiasmo com os quais vocês acompanharam essa fic. Todos sabem o quanto escrevê-la foi importante para mim, e espero que tenham mesmo gostado. Espero poder saber dos seus sentimentos nos comentários. Estou amadurecendo a ideia de uma segunda temporada para esta fic, e prometo, vai sair! Mas preciso organizar e esquematizar o enredo para poder começar a escrever. Aguardem! E se quiserem continuar acompanhando o que escrevo, leiam a minha outra fic, ainda em andamento: http://fanfiction.com.br/historia/503383/Paraiso_Sombrio/ Será uma honra poder contar com a opinião de vocês por lá também. Bom, é isso! Chegamos ao fim de Laços. Desejo que os laços que construímos até aqui continuem estreitos, firmes e fortes! E bonitos! Bjks!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!