Laços

7 Eu acho que te amo


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Mais uma vez preciso agradecer a todos que favoritaram e comentaram... vocês fazem a alegria do coração desta autora! O capítulo de hoje, dedico à uma leitora mais que especial: Hime Hyuuga! Minha flor, não tenho palavras para agradecer a recomendação que você fez da fic Laços! Quando li, meus olhos se encheram de água. Fico imensamente feliz que esteja gostando, acompanhando tão fielmente, e mais feliz ainda por ser merecedora dos seus elogios! Uma bjk pra você! Mas chega de enrolação, né? Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!

Shikamaru fitou Temari, sentindo algo se agitando dentro do peito. Era difícil vê-la sorrir. Na maioria das vezes, ela parecia não se importar muito com ele, e sempre estavam discutindo por algum motivo. Perto dela, sentia sintomas estranhos: sua capacidade de raciocinar e resolver problemas ficava reduzida, gaguejava e suava muito. E mesmo que discutissem como duas crianças, mesmo que ela ameaçasse lhe bater o tempo todo, sempre acabavam juntos, distantes de tudo, em um enlace que Temari chamava de casual. Embora Shikamaru também tentasse se convencer disso, vê-la preocupada daquele jeito deixava tudo mais difícil.

E quando estava prestes a fazer algo impensado, tão próximo que estava dela, os dedos coçando para acariciar os cabelos loiros de Temari, os dois ouviram passos aproximando-se dalí. O jutsu de Shikamaru se desfez, deixando Temari livre para se afastar dele.

–Temari? O que faz aqui? – perguntou Kakashi.

***

–O... o que? – assustou-se Naruto, dando um passo para trás. Não acreditava no que acabara de ouvir. Sentiu todo o sangue de seu corpo sumir com as palavras de Hinata.

Ela olhava para o chão, sem coragem de encará-lo. Sabia que se o olhasse nos olhos, não teria forças para fazer o que, para ela, era a coisa certa. Além do medo de se magoar, Hinata estava certa de que, não importava o quanto ela se esforçasse, Naruto nunca a corresponderia da maneira que ela desejava. Sentia seu coração sangrar, desejava abraça-lo, sentir os lábios dele nos seus uma última vez. Iria magoar-se de qualquer maneira, afinal.

–Naruto-kun... é melhor ficarmos longe um do outro... por um tempo...

–Por quê?! – quis saber o loiro. Não era aquilo que ele queria ouvir. Queria ouvi-la dizer que o amava, que nada havia mudado, e ter certeza de que poderia dizer o mesmo a ela. Do que ela estava falando?

Hinata respirou fundo. Embora cada célula de seu corpo lhe dissesse para abraça-lo e continuar se deixando levar, precisava pensar se aquilo era realmente o certo. Esperaria por ele, mas não gostaria de sofrer mais do que já sofrera.

Ouvindo nada mais que o silêncio de Hinata, Naruto começou a se desesperar. Podia sentir algo de muito errado acontecendo dentro de si. Hinata o mudara nos últimos dias de forma tão profunda e intensa que não conseguia imaginar como seria deixar de passar seus dias ao lado dela.

–Hinata, não faz isso! Por favor, me escuta... eu... – mas antes que pudesse completar sua frase, as palavras de Kiba soaram nítidas em sua mente. “Ela não merece ouvir palavras de incerteza”. O que diria à Hinata? “Eu acho que te amo”? Não poderia fazer aquilo com ela. Mas tinha medo de que, se não dissesse algo, Hinata insistiria na ideia de que ele não devia procura-la. A saudade já latejava em seus sentidos.

–Hinata, eu te...! – começou o loiro, num ato desesperado.

Mas Hinata adiantou-se interrompendo o que ele estava prestes a dizer:

–Sabe, Naruto-kun... Você... mudou a minha vida. –começou ela, ainda sem fita-lo. Olhava para o horizonte que tantas vezes haviam contemplado juntos. A saudade também já lhe doía. A dor viria de qualquer maneira, não importava quão cautelosa tivesse sido. – Por você, Naruto-kun, eu... eu fiquei mais forte... e superei muitos dos meus medos. Você... você deu um sentido à minha vida vazia... e acreditou em mim, quando ninguém mais o fez.

A doçura da voz de Hinata era como cacos de vidro nos ouvidos de Naruto. As palavras de despedidas cortavam e faziam sangrar.

–Por você, eu... – continuou ela – eu faria qualquer coisa. Inclusive... deixaria você livre... se isso for o melhor para você...

–Não! – começou o loiro. Mas Hinata não deixou que ele continuasse.

–Eu vou sentir falta disso... – falou, seus olhos ainda fixos no horizonte. O vazio provocado pelas palavras que Naruto não dizia a magoava. Ele nunca iria corresponde-la daquela maneira, afinal. Hinata sabia que não poderia se enganar para sempre. – Vou sentir falta da sua companhia, Naruto-kun... Mas...

Ele deu um passo a frente, segurando Hinata pelos ombros.

–Não vou deixar você sair da minha vida, Hinata. Seu lugar é ao meu lado! Eu não vou conseguir... não vou conseguir ficar longe de você! Não depois de tudo, não depois de chegarmos até aqui!

Hinata sorriu para ele, a tristeza pesando em seus olhos.

–Preciso... pensar em tudo o que passamos juntos nesses últimos dias. Tenha um pouco de paciência comigo, está bem? – pediu ela, repetindo as palavras que, certa noite, Naruto lhe dissera.

Ele olhava para ela, os olhos arregalados, a tristeza cada vez mais nítida em sua mente.

–Você... você não sente mais...

–Ainda amo você, Naruto-kun. – respondeu ela, calmamente. – Quem sabe um dia, também ocuparei um lugar nos seus sonhos? – falou Hinata, desvencilhando-se dos braços de Naruto. Deu as costas para ele, e saiu rapidamente dalí, derramando, enfim, as pesadas lágrimas que conteve durante toda a conversa.

Naruto olhava para o nada, atônito, sentindo-se envolvido no vazio que Hinata deixara em sua vida. O horizonte naquele dia era pálido, sem cor, sem vida.

A saudade já doía. Já o enlouquecia.

***



Temari olhou para Kakashi, tentando apagar de sua mente o escândalo que havia feito. Aquilo era muito embaraçoso, mas a possibilidade de que Shikamaru tivesse se machucado a deixava nervosa.

–Pedimos que o Kazekage-sama viesse com urgência. Por que ele a enviou?

–O que? – Temari estranhou aquela pergunta. –Do que está falando?

–Enviei Sakura para que ela entregasse a Gaara um pergaminho que explicava porque precisávamos dele aqui. O que houve? Por que ele não veio? Onde está Sakura?

Temari lembrou-se do “motivo” que justificaria sua ida a Konoha. Não podia prosseguir com a história de “fazer um relatório” que Gaara havia inventado. Era vergonhoso e óbvio demais.

–Sakura não chegou até nossa vila. Vim até Konoha para avisá-los de que vi Uchiha Sasuke na Rota dos Perdidos, golpeando Haruno Sakura e a levando para algum lugar que não consegui rastrear. Ela estava inconsciente quando ele a levou.– falou Temari.

Kakashi arregalou os olhos:

–Sasuke? Sakura foi levada pelo Sasuke? Os dois lutaram?

–O que lhe contei foi tudo o que vi. Mas posso lhe garantir que ele a machucou. Vi claramente quando ele a golpeou.

A tensão tomou a expressão de Kakashi. Era hora de agir. Precisava decidir rapidamente o que fazer.

–Irei para a Rota dos Perdidos resgatar a Sakura.

–Sozinho? – perguntou Shikamaru – O melhor não seria sentarmos para elaborar um plano, formar um time e...

–Não podemos perder tanto tempo. Sakura é minha responsabilidade. E a vila não está em condições de mandar um time em missão agora. – falou Kakashi, já se preparando para partir. Já de costas, antes de correr no encalço de Sakura, ele virou-se um pouco para Shikamaru – Não conte nada ao Naruto – pediu.

Shikamaru assentiu.

Kakashi partiu decidido a resgatar Sakura. Esperava que não fosse tarde demais.


***

Naruto arrastava-se até sua tenda a passos pesados. Não conseguia ver nada, nem ninguém.

“Eu acho que te amo”, pensava. “Eu acho que te amo. Por que sou tão idiota? Por que não consigo entender o que sinto?”

As incertezas de Naruto dividiam-se entre duas possibilidades: Hinata poderia ter se dado conta de que o que achava que sentia não era real. Naruto não se esquecera do quanto seu sonho com Sakura a havia magoado.

Havia também a possibilidade de que Hinata pensasse que Naruto não a correspondia da maneira que ela desejava. Será que era isso? Mas como ela não pensaria aquilo? O loiro não conseguia dizer como se sentia. Não conseguia admitir. Seria amor? Amava Hinata?

Antes de chegar à barraca, ele sentou-se em um banco. Aqueles pensamentos o deixavam transtornado. Novamente havia magoado Hinata. Novamente havia deixado que ela se arriscasse bem na sua frente, sem poder fazer nada para evitar que ela se ferisse. Havia prometido à Kiba que não iria magoa-la. Mas agora o estrago já estava feito. Ela estava confusa e pedira que Naruto mantivesse distância por um tempo. Quanto tempo? Não sabia.

A noite se estendia sobre Konoha, a escuridão tomando toda a vila. Não havia lua no céu. Nada iluminava a noite de Naruto. Quantas noites sem lua viriam? Quantos dias aguentaria passar sem Hinata?

–Naruto? O que está fazendo aqui a essa hora?

Naruto levantou o rosto, e seus olhos encontraram os de Iruka.

–Iruka...sensei...

Iruka sorriu para ele, mas Naruto não sorriu de volta. Os olhos azuis voltaram-se para o chão, pesados com uma tristeza que não sabia explicar. “Quanto de mim irá sobrar quando Hinata decidir me dar outra chance? E se ela não quiser mesmo me ver? Como posso ter mudado tanto em apenas alguns dias? Por que preciso tanto dela?”, pensava. Sentia um buraco dolorido ganhando cada vez mais profundidade dentro de seu peito. Assim como o céu sem lua de Konoha, apenas a escuridão preenchia o vazio que Hinata deixara em sua vida.

–O que aconteceu, Naruto? – perguntou Iruka, sentando-se ao lado do loiro.

–Não aconteceu nada. – respondeu ele, sem encarar o ex-professor.

Iruka ponderou um pouco sobre a atitude de Naruto. Ele parecia totalmente diferente do garoto sorridente que vira nos últimos dias. Notava seu ex-aluno mais tranquilo, sem perder seu jeito afobado, claro, mas nos últimos dias, chegou a pensar que Naruto havia encontrado a paz. O loiro andava para lá e para cá com a expressão alegre e tranquila, como a face daqueles que acham o amor.

Como a face daqueles que acham o amor.

Iruka pensou um pouco mais sobre isso. Lembrava-se que sempre que vira Naruto com essa expressão alegre e tranquila, o garoto estava acompanhado de...

–Sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? – Iruka insistia. Se o menino se abrisse com ele, talvez pudesse ajudar.

Naruto ainda olhava para o chão. Poderia Iruka entender o que ele sentia? Será que se lhe contasse sua história com Hinata, ele lhe diria se o que sentia era amor? Lhe diria como é estar apaixonado?

–Eu... – começou o loiro. Mas não conseguia se abrir.

Naruto passou toda a sua vida superando sozinho as adversidades que encontrara. Sofreu com a solidão na infância, com o desprezo no início da adolescência, com a perseguição agora, sempre sozinho, carregando consigo a obrigação de ser forte. Talvez por esse motivo não conseguisse se abrir com Iruka. Talvez por esse motivo, não conseguisse se abrir com ela.

“Hinata...”, pensava o loiro. Sempre esteve sozinho, mesmo com a proteção dos mestres que passaram por sua vida, mesmo com a companhia dos amigos. Sempre caminhou sozinho, e era difícil caminhar agora ao lado de alguém. Tinha medo. Será que ela sentia medo também?

–Estou indo, Iruka-sensei. – disse, levantando-se. –Boa noite.

Naruto começava a compreender um pouco seus sentimentos, assim como os de Hinata. Talvez ambos estivessem com medo. Talvez ela também se sentisse insegura. Mas tudo se resumia a um grande “talvez”...

Mas tinha certeza de uma coisa: os dias que passaria longe de Hinata lhe mostrariam a verdade sobre o que sentia.

***

–Que cara é essa?

–Ki-Kiba-kun! – alarmou Hinata. O amigo chegou de mansinho sem que ela percebesse. Ela estava distraída observando o céu escuro de Konoha. Não havia brilho algum aquela noite. Apenas escuridão...

–Você parece triste. Aconteceu alguma coisa? – perguntou, sentando-se ao lado da Hyuuga.

–Na-nada... não aconteceu nada... está tudo bem. – disse ela, tentando sorrir. Mas não conseguiu esconder de Kiba a tristeza em seus olhos.

–Ele te magoou, não foi?! – perguntou ele, a raiva evidente em sua voz – O que foi que aquele idiota do Naruto fez com você?! Eu vou quebrar a cara dele... – Kiba já estava se levantando, de punhos cerrados, decidido a surrar Naruto até a morte.

Hinata arregalou os olhos. Kiba sabia.

Lembrou-se então de Naruto dizendo que havia discutido com Kiba por causa dela.

–Não, Kiba-kun! Naruto-kun não fez nada! – disse a morena, segurando o braço do Inuzuka.

–Não fez? – indagou Kiba, confuso – Então por que você está triste desse jeito?

–Eu... – Hinata estava confusa. Se perguntava se correr os riscos com Naruto havia sido a decisão correta. Será que ele poderia ama-la algum dia? Será que poderia mesmo ocupar um lugar em seus sonhos? Estaria se enganando?

Saber que Naruto não a correspondia doía. Doía como uma kunai sendo cravada em seu coração. Hinata se perguntava se ainda teria lágrimas para derramar. Parecia que aquela dor nunca iria cessar.

–Ele apenas... – continuou ela. Kiba era seu amigo. Ela podia confiar nele, não podia? – Ele apenas não me vê como eu o vejo...

Kiba voltou a se sentar. Não pôde impedir o ciúme violento que o invadia. Mas o estado de Hinata o preocupava. Nunca vira tanta tristeza nos olhos dela.

Refletiu um pouco sobre a reação de Naruto quando discutiram. Obviamente o loiro sentira ciúmes de Hinata. Será que ele a amava mesmo?

Naruto estava mudando, todos na vila podiam ver isso. Ela o estava mudando. Mas Kiba sabia que o amigo ainda se sentia confuso, e que precisava esperar mais um pouco para ter certeza do que sentia. Como dissera antes, Hinata não merecia palavras de incerteza.

–Ah, droga. – praguejou Kiba – Não acredito que vou dizer isso, mas... Hinata, o Naruto gosta de você.

Ela fitou o amigo, surpresa. Kiba continuou:

–Ele deve ter lhe contado que discutimos, não contou?

Hinata assentiu.

–Discutimos por sua causa. – falou ele, envergonhado. –E ele... o baka sentiu ciúmes de você. Achei que ele fosse me arrebentar pela maneira como me olhava.

Hinata não sabia o que dizer. Estava atônita pelas palavras de Kiba. O garoto continuou:

–Não sei o que aconteceu entre vocês, mas dê um tempo a ele. O Naruto precisa entender direito os sentimentos dele. Acho que você também. – concluiu.

Hinata então pôde esboçar um sorriso verdadeiro, de gratidão pelas palavras de Kiba.

–Obrigada, Kiba-kun.

–De nada – respondeu ele, levemente corado. –Venha, é melhor você ir para casa descansar. Pela sua cara, deve ter tido um dia difícil. Você está acabada, Hinata. – brincou.

–Kiba-kun!

Ele começou a rir.

–Eu vou te acompanhar. Vamos andando.

Os dois caminhavam devagar até a casa de Hinata. De certa forma, apesar da dor que ainda latejava em seu coração, as palavras de Kiba faziam sentido. Fizera a coisa certa. Precisava de um tempo, e Naruto também. Quem sabe ele compreenderia que poderia se apaixonar por ela?

Precisava se convencer de que aquilo era possível. A dor ainda arranhava seus sentidos.

***

Indo para casa, Naruto caminhava lentamente. A saudade já o enlouquecia. O que era aquilo? Por que sentia tanta falta dela?

Ele seguia pensando que aquela era, com certeza, a noite mais comprida de sua vida. O tempo sem ela não passava; arrastava-se de forma dolorosa. Por quanto tempo ficaria longe dela? Ela estaria pensando nele? Sentia sua falta?

Aqueles pensamentos o golpeavam com força. “Eu acho que te amo”, continuava pensando. Não poderia dizer aquilo a ela. “Ela não merece palavras de incerteza”, era isso que Kiba havia dito.

Parou de repente. Um pouco distante de onde estava, via Hinata e Kiba andando juntos em direção à casa dela. Naruto tinha pensado que havia duas razões para o afastamento de Hinata.

Não considerou que poderia haver uma terceira possibilidade.



Notas finais
Oi! Gostaram? Por favor, não deixem de comentar e até mesmo de recomendar a leitura da fic para os amigos... a autora-san agradece. Ai, gente, tava todo mundo aqui de coração apertado no capítulo passado! Desculpem! Mas pensem na atitude da Hinata como parte do amadurecimento dela. E também considerem o quanto ela deve estar se sentindo insegura... não é nada fácil estar com alguém que não a corresponde, e ficar sempre na incerteza, pensando se algum dia Naruto irá se apaixonar por ela. Ela também tem medo, também se machuca... E o Naruto ter medo de dizer o que sente só a deixa mais insegura, né? Mas vamos esperar e torcer para que o nosso loirinho crie juízo e perceba logo que a ama! Mais uma vez agradeço a todos que acompanham essa fic de forma tão fiel. Fico muito feliz que estejam gostando do que escrevo. Se eu pudesse daria um abraço apertado e uma beijoca estalada em todos vocês! E fiquem espertos, porque logo, loguinho outro casal vai aparecer na estória! Até o próximo, folks! Bjks!