Laços

12 Decisão


Notas iniciais
Yo, minna! Tudo bem com vocês? Iiiihhh, galera, acho que tá chegando ao fim, hein? Como eu havia dito em um dos capítulos anteriores, não pretendo fazer dessa estória uma fic muito longa, de modo que acho que já estamos nos últimos acontecimentos! Não sei quantos capítulos irei disponibilizar ainda, mas aviso que a trama está chegando ao seu desfecho. Espero mesmo que vocês gostem! Mas chega de enrolação, né? Boa leitura, e nos vemos nas notas finais!



–Shikamaru! – berrava o clone, fazendo o Nara parar imediatamente de correr.

–O que foi?

–Eu achei a Sakura-chan! Ela está do outro lado da rota, e está muito ferida! Vem logo!

Shikamaru recomeçou a correr, seguindo o clone.

“Mas que saco de situação...”

***

–Sa-Sakura-chan! – berrou Naruto, o rosto tomado pelo choque ao perceber que todo aquele sangue seco era da rosada. O loiro sacudia levemente os ombros da amiga, tentando fazer com que ela abrisse os olhos. –Sakura-chan, acorde! Sakura-chan!

Ela despertou devagar, deparando-se com um par de olhos azuis preocupados a encará-la.

–Na... Naruto...?

Naruto suspirou de alivio. Ela estava viva.

–Sakura-chan! O que aconteceu?!

Sakura forçava-se a encarar Naruto, os olhos semicerrados. Sentia-se fraca. Havia perdido uma grande quantidade de sangue, e não tinha forças para raciocinar. Falar era difícil também. Além disso, havia gastado seu chakra restante na tentativa de estancar a ferida aberta, enquanto Kakashi não voltava. Estava ali há dias, e sequer sentia mais dor, o que era um mau sinal. Enquanto sentisse dor, significava que seu corpo estava lutando. Mas e agora?

Naruto afastou um pouco as mãos de Sakura da ferida. Estava estancada, e até mesmo quase fechada, embora a marca da ferida e os rastros de sangue ao redor lhe dessem a certeza de que aquele havia sido um golpe profundo.

–Você fez isso? Você tratou do seu próprio ferimento?

Então a ferida estava tratada. Sakura suspirou com dificuldade, aliviada. Havia conseguido. Havia resistido.

–Quem fez isso com você?! – perguntou o loiro. A raiva pulsava forte em suas veias.

Sakura franziu as sobrancelhas, vasculhando sua memória. Pensar era difícil quando estava fraca daquele jeito. O sangue circulava precariamente em seu corpo, arrastando-a para um torpor enjoativo, que lhe causava uma forte vertigem.

–Foi o Sasuke?! – perguntou ele, as mãos tremendo com o ódio que circulava por seu corpo.

–Nã... Não...

–Não o proteja! Se foi ele, me diga! Diga e eu mesmo irei mata-lo!

–Não... não foi ele...

–Então quem foi?!

–Eu... eu não sei... Kakashi-sensei o derrotou e... ele fugiu. Nunca o tinha visto antes...

–Como ele era?! Por onde ele fugiu?! – berrava. Pela urgência em suas palavras, Sakura percebeu que ele estava perdendo o controle.

–Não... não sei...

–Onde está Kakashi-sensei? Ele está bem?

Sakura balançou a cabeça, afirmativamente.

–Pedi que ele fosse até... a Vila da Areia... para pegar algumas ervas. Eu preciso delas para... tratar melhor... a ferida.

–E por que diabos ele deixou você aqui sozinha?! Por que não te levou junto com ele?!

–Impossivel... quando ele me encontrou eu... não podia ser... transferida para nenhum lugar. – ela explicou. As palavras saiam com dificuldade, e ela começava a ofegar pelo esforço.

Naruto precisava lutar contra o impulso de ir atrás de quem quer que tivesse feito aquilo com Sakura. Cuidar dela era sua prioridade. Precisava levá-la dalí.

–Você aguenta ser levada até Konoha agora? Ainda dói muito?

–Tudo bem... Eu... eu aguento.

Shikamaru chegava ao local, a expressão horrorizada pela quantidade de sangue seco que se espalhava pelo chão e pelo estado em que Sakura se encontrava. A expressão de Naruto também não era nada boa.

–Shikamaru... vá ate a Vila da Areia e avise ao Kakashi-sensei que estou levando a Sakura-chan de volta a Konoha. Ele está lá procurando umas ervas curativas para ela. Explique a situação e peça para que ele volte logo com a droga dessas ervas, entendeu? – falou o loiro, enquanto apoiava Sakura em suas costas. A rosada passou seus braços pelo pescoço de Naruto e as pernas pela cintura do loiro, enquanto ele a segurava pelas coxas.

Shikamaru não questionaria aquela “ordem”. Nunca vira Naruto com uma expressão tão transtornada.

–Tudo bem. Irei o mais rápido que puder. –respondeu, e sem perder tempo, saiu correndo dali.

–Aproveite e se acerte por lá. –falou Naruto, baixinho, enquanto via Shikamaru sumir por entre as árvores a passos apressados na direção da Vila da Areia.

Ele nem havia precisado pensar muito numa desculpa para voltar até lá, afinal.

***

–Byakugan!

Novamente Hinata estava alí, observando atentamente toda a vila com seu byakugan. Kiba, claro, estava ao seu lado, olhando distraidamente a cidade enquanto esperava que ela terminasse sua busca diária. Todos os dias acompanhava Hinata até aquele local, e todos os dias a morena procurava alí algo que não queria revelar de jeito nenhum.

–Então... o que você vai fazer quando ele voltar? – ele perguntou, quebrando o silêncio.

O byakugan se desfez.

–Não sei...

Kiba olhou para ela, de tromba amarrada. Hinata estava desnorteada com relação ao que fazer com Naruto, e aquilo lhe incomodava. Se ela decidisse esquecer o loiro, ele estaria prontamente ao seu lado, para ocupar aquele lugar na vida dela. Mas se ela fosse recebê-lo de volta, ele gostaria de saber de uma vez. Queria se permitir sentir a dor da perda para que pudesse estar ao lado dela como amigo. A indecisão de Hinata o angustiava. E o fato de ela não gostar de conversar sobre aquilo apenas o deixava mais nervoso.

–Não vai me dizer o que tanto procura?

Hinata deu um longo suspiro.

–Kiba-kun... você não precisa ficar me vigiando todos os dias. Já disse que não vou pular daqui, nem nada disso, então...

–Já disse que vou ficar aqui até aquele idiota do seu namorado voltar.

–Ki-Ki-Kiba-kun! Ele não é meu namorado!

–Que seja. Não vou sair do seu pé, essas foram as minhas ordens. Eu já te disse umas mil vezes.

Vendo que não adiantava insistir naquela discussão, ela voltou a se concentrar.

–Byakugan!

–Você vai perdoá-lo?

O byakugan se desfez novamente.

Hinata se perguntava mentalmente se seria algo muito ruim desejar que Shikamaru quebrasse outra perna.

–Não há nada a ser perdoado. Naruto-kun foi salvar Sakura-san. Eu jamais o faria escolher entre ficar comigo e salvar a vida de uma amiga. – ela disse, fitando Kiba, a expressão séria.

–Eu sei, eu sei... é só que...

–Vamos descer! – apressou-se Hinata, querendo fugir das perguntas nada discretas de Kiba. Havia decidido não pensar naquilo. Não queria pensar que Naruto havia ido atrás de Sakura. Não queria pensar que ele poderia nunca mais voltar para ela. Concentrou seus pensamentos no retorno de sua amiga. Esperava que ela estivesse bem. Não iria acusar Naruto de ter ido atrás dela. Mesmo que sua partida doesse. Não iria pensar nisso.

Kiba a acompanhou, sabendo que estava ultrapassando os limites com aquela conversa, mas não se importava. Sabia que precisava levá-la aos extremos. E ele também precisava ir aos extremos. Somente daquela forma ele poderia dar a si mesmo a chance de tentar.

–Hinata, espera!

Ela olhou para trás, impaciente. Iria acertar algum ponto de chakra nas pernas de Kiba, para que ele não pudesse segui-la mais. Ela se preparou para isso quando viu que ele corria em sua direção.

–Você está me matando com essa sua indecisão. Eu preciso saber como é que vai ser quando ele voltar.

–Pra quê quer saber disso? – ela perguntou, confusa.

Ele bufou.

–Você ainda não entendeu, mesmo?

Ela apenas o fitava em silêncio, a expressão cada vez mais abobalhada.

–Quer saber? Que se exploda. –falou. Então colou seus lábios aos dela de forma selvagem, com mais força do que pretendia.

Hinata arregalou os olhos, dando um passo para trás, tentando se desvencilhar de Kiba.

–Ki-Kiba-kun! O que está fazendo?!

Kiba olhou para ela, e sua expressão não era nem um pouco arrependida. Muito pelo contrário, exibia à Hinata um sorriso sapeca de quem acaba de fazer algo errado e não liga a mínima.

–E agora? Como você se sente?

–Kiba-kun! Por que fez isso? – perguntava Hinata, a expressão chocada e cada vez mais confusa.

–Apenas quero saber como você se sente. Vamos, desembucha.

–Eu... eu... – começou ela, tentando encontrar as palavras.

–Então...? – ele estimulou.

–Eu... não... o vejo... dessa maneira... Kiba-kun...

Kiba não perdeu o sorriso ao ouvir aquelas palavras.

–E o que mais?

–Eu... o que você quer que eu diga?

–Quero que diga como você se sente. Isso parece certo para você?

–Não entendo. – ela disse, encarando o chão.

–Parece certo estar nos braços de outra pessoa? Você se daria a chance de tentar com alguém que não fosse o Naruto? Você poderia esquece-lo?

–Kiba-kun... eu...

–Apenas quero que responda. Não tenha medo.

Ela então voltou seus olhos para Kiba, encarando seriamente o rapaz.

–Eu não conseguiria. Não posso tentar ser feliz ao lado de outra pessoa. Porque... eu não... consigo controlar o que sinto. Meu coração está com ele. Sempre esteve.

Kiba deu um longo suspiro.

–Então liberte seu coração dessas dúvidas, está bem? Não sofra mais com isso.

Ela assentiu, sem compreender direito aquela atitude de Kiba.

Mas ele era um bom amigo.

E foi ao se atentar àquilo que suas sobrancelhas se ergueram com a compreensão.

Ela enfim entendia que seus sentimentos estavam além de qualquer mágoa, qualquer dor. Um peso fora retirado de suas costas. Ela tremia um pouco, enquanto observava Kiba ir embora.

–Você está livre agora. Não vou mais ficar na sua cola. Acho que você finalmente compreendeu.

Ele seguiu seu caminho, seus lábios curvados em um sorriso sereno.

Sentia-se livre também.

Antes de desaparecer, pôde ouvir um sussurro.

–Obrigada... Kiba-kun...



***

Naruto caminhava devagar, com Sakura apoiada em suas costas. Vê-la frágil daquele jeito era torturante de uma maneira assustadora. Mais uma vez havia se descuidado de um laço importante, e mais uma vez alguém que amava havia se ferido sem que pudesse fazer nada. Sentia-se inútil, incompetente e culpado.

Sua mente vagava por aqueles pensamentos de forma barulhenta. Pensava na expressão magoada de Hinata quando ele deixou a vila. Pensava na expressão de dor de Sakura quando a encontrou. Tudo culpa dele, tudo sobre seus ombros. A dor agora o dilacerava de forma abrasadora, quente e perigosa.

–O que é que você tem? – Sakura perguntou, quebrando o silêncio.

Naruto não respondeu. Apenas continuou caminhando, sem querer conversar sobre nada daquilo.

–Pode contar pra mim. – ela insistiu.

Ele suspirou. Era melhor mudar o rumo das perguntas de Sakura.

–Temari viu Sasuke golpeando você na Rota dos Perdidos.

Ela arregalou os olhos, surpresa.

–Ah. Isso. – foi tudo o que conseguiu responder.

–Por que mentiu? O que houve entre vocês dois para ele te ferir dessa maneira?

–Não menti. Não foi Sasuke-kun quem me feriu. Na verdade, ele... me salvou. Eu me feri depois que ele foi embora. Uma outra pessoa me atacou.

–Essa rota é uma praga. Mas você falou com ele? Com o Sasuke?

–Bem... eu... sim... eu tentei, mas...

–Mas o que?

–Não durou muito tempo. Ele logo partiu.

Naruto olhou um pouco para trás para fitar Sakura.

–Por que você está corada?

Ela deu um riso fraco.

–Não acho que isso seja possível, Naruto... eu não tenho sangue o suficiente dentro de mim para ficar corada.

–E o que foi que vocês dois conversaram? Você falou que ele tinha que voltar? Falou que a vila era o lugar dele, e que se ele não voltasse eu iria esmurra-lo até a morte? Você falou pra ele? – perguntou Naruto, a voz carregada de ansiedade.

O que diria a ele? Será que podia contar tudo o que acontecera entre ela e Sasuke?

–Como está Hinata? – perguntou. Achou melhor distrair a atenção de Naruto. Sentia-se encurralada pelas perguntas do loiro e não tinha certeza se poderia contar algo a ele.

–Hi... Hinata? – gaguejou Naruto. A estratégia de Sakura havia funcionado. Ouvir aquele nome fez com que Naruto se esquecesse imediatamente de Sasuke, para concentrar-se novamente na dor que o atingia. Ele ofegou e parou de andar imediatamente.

–Naruto? O que foi? Está tudo bem?

Ele respirou fundo, tentando voltar a si. A dor pela distância e mágoa de Hinata o atingia de forma aterradora.

–Não... só... preciso de um minuto. – pediu o loiro.

–Me coloque no chão, Naruto. Vamos, já estamos caminhando há dois dias, eu estou melhor.

–Não... está tudo bem. – falou, balançando a cabeça.

–Não está nada bem. – protestou a rosada. –Anda, me coloca no chão, eu quero olhar direito pra você.

Naruto obedeceu, apoiando Sakura no chão delicadamente. A rosada ficou de pé, o corpo ainda fraco cambaleando um pouco. Olhou para o loiro com mais atenção, seus olhos verdes cheios de preocupação.

–O que houve entre você e a Hinata? Por que você está assim?

Outra onda de dor. A possibilidade de que Hinata não o aceitaria de volta nunca mais turvou sua mente. Ele arqueou o corpo, caindo de joelhos no chão e vomitou.

–Naruto! – gritou Sakura, ajoelhando-se ao lado do amigo. –Naruto, o que foi?! O que você tem?! Aconteceu algo com a Hinata?!

O nome da Hyuuga ecoou em sua cabeça, tragando-o em uma nova onda de dor. Sabia que os dias em que estiveram longe um do outro deixaram marcas profundas em sua mente. Aquilo começava a afetar seu corpo sem que ele soubesse como. A dor fez com que ele vomitasse com ainda mais violência.

–Naruto!!! – berrou Sakura, já beirando o desespero.

O loiro apoiou suas costas em uma árvore, respirando com dificuldade. Fechou os olhos, tentando tirar a imagem de Hinata de sua mente, ou iria perder o juízo.

Com dificuldade, Sakura concentrou seu chakra na palma de suas mãos e colocou-as sobre o peito de Naruto. As mãos trêmulas do loiro logo encontraram as suas.

–Não... você não pode.

–Cale a boca ou eu acabo com a sua raça. – ameaçou a rosada.

Ela fechou os olhos, pois no estado em que se encontrava, era difícil manipular o chakra daquela maneira. Tentou se concentrar, entrando cada vez mais profundamente em contato com a energia vital de Naruto.

As sensações que ela percebeu alí a deixaram perplexa. Por dentro, o loiro parecia arrasado. Sua mente estava devastada. Afinal, pelo que ele havia passado naqueles últimos dias para sofrer daquela maneira?

Uma energia negra e feroz fez com que Sakura retirasse as mãos de perto do loiro rapidamente. A Kyuubi rejeitava a presença da rosada ali.

–Naruto... o que... aconteceu com você? – ela perguntou baixo, a expressão tomada pelo choque.

–Nada... – ele respondeu ofegante.

–Não minta pra mim.

Ele se levantou, passando a mão pelo rosto.

–Já disse que não é nada. Venha, coloque seu braço aqui – disse, já pegando o braço de Sakura e enlaçando em seu pescoço, para logo passar seu braço pela cintura da rosada, para ajuda-la a andar. –Já estamos perto da vila.

Sakura caminhava com dificuldade, e não teve mais coragem de tocar naquele assunto novamente. Teve medo de vê-lo sofrer daquela maneira de novo se falasse em Hinata.

Pelo visto, ele devia ter feito uma escolha difícil ao ter vindo resgatá-la.

A rosada não pôde evitar se sentir culpada. Desejava que Hinata fosse feliz, mas desejava, acima de tudo, que Naruto encontrasse alguém que pudesse amá-lo infinitamente, da maneira como ela jamais pôde.

–Ela... está... magoada? – arriscou.

Ele apenas assentiu com a cabeça, sem olhar para ela.

–Sinto muito.

–Não precisa. Não é culpa sua, Sakura-chan.

Os dois então pararam. Konoha se estendia diante deles. Haviam chegado.

–Naruto... você... a ama?

Ele desvencilhou-se de Sakura, fitando a rosada nos olhos. Aquela pergunta era muito difícil de ser respondida com Sakura tão próxima a ele como estava.

Vendo a confusão na expressão de Naruto, Sakura não se conteve, e o abraçou. Queria poder retirar dele toda aquela dor, todo aquele sofrimento. Sabia que Naruto carregava, sozinho, fardos que nenhum outro seria capaz de suportar, e lhe doía que ele sofresse daquela maneira.

Mas Naruto não se moveu. Seus olhos azuis estavam arregalados e ele estava parado como uma estátua.

Imaginou que quando aquele abraço enfim acontecesse, não poderia se conter e arrastaria Sakura para si. Imaginou que o calor daquele corpo acalmaria todas as suas tempestades interiores, e que iria se sentir plenamente feliz. Imaginou que desejaria os lábios dela mais que tudo, e que seu amor por ela faria todos os seus problemas desaparecerem.

Mas não houve nada.

Em vez disso, outro sentimento o invadia. Também era amor, mas um amor diferente. O amor que sentia por Sakura o aquecia com o perdão de que precisava, enquanto outro amor explodia forte em seu peito, arrastando toda e qualquer dúvida que ainda restasse.

Ele então abraçou Sakura de volta, um sorriso brotando em seus lábios.

–Sakura-chan... eu te amo. Sempre te amei.

Ela se afastou dele, confusa com aquelas palavras. Olhou para Naruto e viu um sorriso enorme em seu rosto.

–Mas não desse jeito – continuou ele. –Sakura-chan, eu te amo como... como se você fosse parte de mim. Como se fosse minha família. Eu amo você, Sakura-chan. –repetia, a compreensão iluminando todos os cantos dentro de si que até então estavam escuros. – Você é... minha família.

Sakura sorriu para ele, a expressão aliviada.

–Eu também te amo, idiota.

Ele olhou para Konoha. Algo se agitou em seu peito.

–Pode andar? – perguntou para Sakura.

–Eu estou bem. Vai logo.

O sorriso do loiro aumentou ainda mais, seus olhos azuis brilhando como Sakura nunca tinha visto antes.

–Obrigado, Sakura-chan! – falou, beijando-a no rosto para então correr para a vila.

Sakura riu e sentou-se na grama.

Agora Naruto também tinha um lugar para onde retornar.

Seus pensamentos então voltaram-se para o homem que amava.

O vento de Konoha batia em seus cabelos com força, fazendo seus fios rosas dançarem.

Ela suspirou, a esperança iluminando seu rosto.

Sasuke também voltaria, um dia. E se não fosse para a vila, ao menos Sakura sabia que ele voltaria para ela.



***

Shikamaru esperava no escritório do Kazekage, sentindo-se desconfortável. A maneira como Kankuro o encarava era aterradora, e o silêncio de Gaara era constrangedor. Os três estavam imóveis quando ouviram passos se aproximando.

Kakashi voltava com alguns ninjas da Vila da Areia, as roupas estropiadas e as mãos sujas de terra. Trazia algumas folhas e raízes.

–Shikamaru? O que faz aqui?

–Sei que é problemático, mas... você sumiu sem dar noticias, então eu tive que fazer alguma coisa. Por que demorou tanto com essas plantas?

Kakashi suspirou. Pelo visto, Shikamaru já sabia do estado de Sakura, o que significava que ele a havia encontrado.

–Naruto também sabe, não é? – perguntou kakashi.

–Desculpe... eu não podia vir atrás de você e da Sakura sozinho.

–Tudo bem. Você agiu corretamente. Sinto muito não ter dado noticias. As ervas de que Sakura precisa são muito raras e difíceis de serem encontradas aqui.

–Sobre isso... ela já está bem melhor. Naruto a está levando de volta à Konoha. Mas ela ainda precisa dessas ervas.

Kakashi ponderou sobre aquilo.

–De qualquer forma, obrigado por ter vindo até aqui. Agora temos que nos apressar. Vamos. – falou, já se preparando para partir.

–Kakashi-sensei... posso... preciso de sua permissão para ficar aqui. – falou, sem encarar o outro nos olhos. –Se o Kazekage-sama não se importar, é claro.

Gaara permaneceu em silêncio.

Kakashi olhou para Shikamaru, e sem perguntar por detalhes, virou-se em direção à saída.

–Permissão concedida. Kazekage-sama, mais uma vez, obrigado por tudo. É bom saber que nossa aliança continua firme, e que a Vila da Areia continua próspera sob sua liderança.

–Não hesite em avisar caso precisem de alguma coisa. Qualquer coisa. – disse Gaara.

Kakashi assentiu antes de partir para a Vila da Folha.

***

O Nara caminhava lentamente pelo corredor da mansão. Havia portas demais ali, quartos demais, e não sabia por onde começar a procurar.

–Ela não está aqui. – falou Gaara, fazendo Shikamaru pular com o susto.

–Ka-kazekage-sama! Me desc...

–Hoje é a vez dela de vigiar a muralha. — continuou o ruivo. –Se quiser, a procure lá. Mas não deixe Kankuro ver você, ou ele irá arrancar sua cabeça.

Shikamaru não sabia o que responder. Apenas fitava Gaara, a expressão perplexa.

–Você vai ou não? – perguntou Gaara. A maneira séria com que o ruivo lidava com qualquer situação fazia Shikamaru sentir-se ainda mais constrangido.

–Eu... – respirou profundamente para tentar manter a calma – Obrigado, Kazekage-sama.

Gaara viu o ninja desaparecer dali, e logo seguiu até seu escritório, convocando vinte e cinco guardas.

–Daqui a alguns minutos, vocês devem se dirigir até a frente da muralha.

–Mas hoje é turno da Temari-san... – questionou um dos ninjas.

–Ela não poderá completar seu turno essa noite. Vão.

Sem mais perguntas, os guardas obedeceram.

Gaara sentou em sua cadeira, refletindo sobre tudo o que estava acontecendo.

Talvez fosse hora de Temari se abrir para a vida. E sabia que, para isso, as pessoas de Konoha tinham o dom de mostrar o caminho certo.

Notas finais
Oi! Gostaram? Não se esqueçam de comentar, dar suas opiniões e sugestões, e até mesmo de recomendar a leitura dessa fic aos amigos. A autora-san agradece. Ah, tem gente chutando certo o que a Hinata tá procurando, hein? Kkkkkkkkkkkkk Se puderem, deem uma olhada na minha nova fic: http://fanfiction.com.br/historia/503383/Paraiso_Sombrio/ Seria ótimo ter a opinião de vocês por lá também. E, como eu prometi nos comentários do capítulo anterior, no capítulo 13 tem surpresa! Será um capítulo especial, e espero que vocês gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrevê-lo. Se tudo der certo, irei disponibilizá-lo amanhã! Até lá, então! Bjks!