Notas iniciais
Espero que gostem dessa fic.
Ela estava em minha cabeça e ela estava quase querendo tomar uma forma e sair andando da minha cabeça, então tive que escreve-la.
Boa leitura!

Lucy suspirou e colocou o livro pesado sobre a mesa.
Ela já estava exausta dessa rotina cansativa, trabalho, faculdade, trabalho da faculdade, trabalho.
Lucy trabalhava em dois empregos para quitar as dividas de sua faculdade de medicina, ela não entendia o porquê da vida ser tão difícil com ela.

Seu pai era um bêbado e batia em sua mãe todas as noites, quase sempre no mesmo horário. Era como se o desgraçado, mesmo estando bêbado seguisse um cronograma de agressões.
— Oi Lucy! — Paul, todo animado deu um tapinha nas costas de Lucy que a fez cerrar os dentes de raiva. Ela não queria brincadeiras.
— Oi. — Falou ela abrindo o livro.
— Qual é, não vai falar comigo não? — Perguntou ele.
— Eu estou falando, não estou? — Perguntou ela irritada. — Quer saber... Vê se morre!
— Lucy do meu coração, acalme-se, não quero ver você ter um infarto aqui. — Paul ficou sério. — Eu acho que ainda não sei como reagir em uma situação dessas.
— Me desculpe Paul, é que eu estou tendo uma semana difícil. — Lucy olhou para o amigo. — Eu não queria descontar em você, é que as vezes eu não consigo me segurar.
— Você não me deve desculpas, eu é que as devo a você. — Ele afagou docemente o ombro da amiga que estava coberto por um casaco de lã listrado, das cores branco e azul. — O que você acha de ir na festa do Phillipe hoje?
— Ah... Não sei, acho que não é uma boa ideia. — Lucy olhou para baixo. — Eu tenho tantas coisas para fazer... E tanto trabalho!

Sexta-feira era o dia que as lanchonetes que Lucy trabalhava mais enchiam, depois vinha a quinta-feira.
— Sabe que dia é hoje? — Perguntou Carly, se sentando na cadeira ao lado de Paul.
— Claro, sexta-feira. — Lucy respondeu.
— Então, Paul, Lucy... Vamos à festa do Phillipe hoje. — A ruiva sorriu.
— Eu estava falando isso com ela agora. — Falou Paul se virando para olhar Carly.
— Eu não vou, obrigada pelo convite. — Lucy abriu um sorriso sem graça.
— Você vai sim. — Carly falou.

Não havia adiantado. Lucy acabou sendo força por Carly a ir a festa.
A amiga falou todo o discurso do "você-quase-não-sai-de-casa" e Lucy cedeu a pressão.
Lá estava ela, fitando-se na frente do espelho.
A moça trajava umvestido vermelho de renda e sapatos altos, pretos de verniz.

Estava muito bonita, o vermelho do vestido contrastava com o loiro de seus cabelos e a deixava parecida com uma atriz Hollywoodiana.
Seus pais estavam dormindo, seu pai no sofá da sala e sua mãe com o lábio inferior sangrando no quarto que deveria ser do casal.
Ela sentia pena de sua mãe, ela estava aprisionada por aquele monstro que era seu pai.
Lucy sentia vergonha, nojo e medo do seu pai. Ela tinha muito medo.
E ela temia não por ela, mas pelo o que ele podia fazer com sua pobre mãe.
Como um homem podia fazer tanto mal a um ser tão puro e bondoso quanto a mãe da jovem?

Quando ouviu a buzina familiar do carro de Paul, ela olhou da janela e viu a Ferrari estacionado na calçada em frente a sua casa.
Ela acenou da janela, avisando que já estava indo e em dois minutos estava na rua.
— Onde você vai linda desse jeito? — Perguntou Carly do banco do carona.
— Você está ai? Obrigada pelo elogio. — Lucy abriu a porta de trás do carro e sentou-se no banco.
— Agora sim, podemos ir a festa! — Disse Paul ligando o rádio do carro no ultimo volume.

Quando chegaram à festa a mesma loucura que estava no carro de Paul estava presente na festa.
Várias pessoas dançavam loucamente sem direção e a música alta tomava conta do lugar.
— Vou pegar uma bebida. — Gritou Paul para Lucy e saiu andando no meio daquele monte de pessoas.
Lucy olhou para os lados viu-se sozinha, bom, sem ninguém que ela conhecesse.
— Quer um doce? — Um garoto de olhos verdes e sorriso convidativo perguntou a ela.
— O que?
— Um doce, é legal. — Respondeu ele e passou a Lucy um saquinho com duas tirinhas que pareciam papel.
— Isso é LSD? — Perguntou ela assustada.
— Shhh, ninguém que eu não queira pode saber que vendo isso. — O garoto a silenciou.
— Eu não quero, obrigada. — Lucy devolveu o pacote e virou as costas.
— Ei. — O garoto segurou seu braço. — Fique, você pode precisar.
Ele devolveu a Lucy o pacote e se enfiou no meio da multidão.
— Onde você estava? — Perguntou Carly passando a ela um copo com liquido florescente.
— Não sai daqui.

Lucy chegou em casa por volta das três horas da manha. Estava cansada.
Quando abriu a porta viu seu pai apertando o pescoço de sua mãe contra a parede.
— Solte-a! — Gritou ela pegando o vaso de plantas da mesinha perto do sofá e o quebrando na cabeça do homem a sua frente.
Ele caiu no chão grogue e a mulher respirou aliviada.
— Até onde isso vai mamãe? — Perguntou ela com lágrimas nos olhos. — Até quando você vai aguentar isso?
Nenhuma resposta saiu dos lábios da mãe. Apenas lágrimas.
O bêbado se arrastou para fora da casa, já que a porta ainda estava aberta.
Lucy abraçou sua mãe, sentou-se com ela no sofá e ficou ali até que ela dormisse.

Depois que estava mais calma, Lucy foi para seu quarto, colocou seu pijama e lembrou do "doce" que estava guardado em sua bolsa.
Como estudante de medicina era inadmissível Lucy fazer o uso de qualquer substancia entorpecente.
Mas no seu caso... No ponto que sua vida havia chegado ela não ligava mais para nada.
Abriu o pequeno pacote e pegou uma das tirinhas, colocou-a na boca e sentiu-a se desfazer em sua língua.
Trinta minutos depois os efeitos começavam a surtir.
Lucy via as paredes do quarto se moverem e as cores pareciam muito mais vivas do que eram.
Ela sentia flutuando, a cama criava braços e apertava seu corpo gentilmente.
Lucy via o rosto do garoto, aquele que havia dado a ela aquele pedaço do céu.

P.O.V. Lucy

As cortinas do meu quarto estavam abertas e sol entrava.
Olhei para o relógio de cabeceira... 12:30.
Tentei levantar-me, mas minha visão estava turva.
Sentei na beirada da cama com a esperança de que aquilo passasse logo e minha cabeça começou a latejar.
Me arrastei para fora do quarto e desci as escadas, entrei no banheiro e peguei um analgésico.
Forcei-o descer pela minha garganta sem água mesmo.
Quando sai, fui caminhando pela casa procurando minha mãe.
Ela estava na cozinha, no pescoço tinha uma enorme mancha roxa.
— Bom dia. — Disse ela quando me viu.
— Bom dia. — Abri um meio sorriso. — Por que não me acordou mãe?
— Você precisava dormir filha. — Respondeu ela. — Já vou por o almoço na mesa.
— Ah sim, vou tomar um banho e já venho almoçar. — Falei e voltei para o quarto.
Tirei da cama os lençóis que pareciam uma piscina de suor e os levei para a área, depois entrei no banheiro e me fitei no espelho.
Confesso, aquela sensação que eu sentia nunca se igualaria a nada.
Nada que eu já havia experimentado, nem mesmo ao sexo.
Era melhor, e eu queria mais.

...

Lucy desceu as escadas animada.
— Mãe eu... — Ela congelou quando viu seu pai sentado à mesa e sua mãe o servindo como se ele merecesse aquilo.
— Lucy... Eu posso explicar... — Sua mãe estendeu a mão em sua direção.
— Não. Eu já entendi, espero que ele não a mate dessa vez mamãe. — Lucy subiu as escadas correndo.
Calçou seus tênis e pegou sua mochila.
Pois no bolso sua última tirinha de LSD e saiu pela janela de seu quarto, agarrando-se as árvores que já lhe eram tão familiares.
Lucy decidiu experimentar aquela sensação de tocar o céu novamente, ela pegou o LSD e usou ali mesmo, na frente de sua casa. Não havia ninguém na rua! Por que não?

Depois de alguns minutos andando sem rumo, os efeitos começavam a aparecer.
A visão de Lucy estava um pouco turva, mas não era desagradável. Muito pelo contrário, era muito bom.

Lucy estava em um barco no rio com árvores de tangerina e céus de marmelada.
Alguém a chamou e ela respondeu lentamente, um garoto com olhos de diamante.
Ela via flores de celofane azuis e vermelhas, as cores estavam incríveis!
A moça olhou para o lado procurando o garoto que tinha o sol aos seus pés e... Ele se foi!

Lucy seguiu-o até uma floresta com borboletas gigantes, onde cavalinhos de madeira comiam tortas de pêssego.
Os pequenos gnomos sorriam quando Lucy era elevada através da flores, as mesmas não paravam de crescer.
Um barquinho de jornal esperava na margem do rio para leva-la, ela subiu deixando sua cabeça nas nuvens, e ela se foi.
Lucy estava no céu, brilhava como milhões de diamantes.
Então o garoto que tinha olhos dos mesmo sussurrou seu nome em seu ouvido e segurou sua mão a puxando quase por completo para fora da nuvem.
— Eu não posso... — Sussurrou ela quando viu que ele flutuava.
— Sim, você pode! — Ele encorajou-a e Lucy pulou da nuvem.

— O que será leva esses jovens a fazerem essas loucuras? — Perguntou um dos médicos legistas.
— LSD, serve?
— Eu sinto pena da família. — O baixinho sentimental falou.
— Essa dai é só mais uma, coitada da mãe. — O outro suspirou.
— Vou colocar a etiqueta no pé dela e depois podemos sair para o almoço.
— Ok, faça isso rápido, estou com fome.
O médico pegou uma etiqueta e escreveu "LUCY" e colou a etiqueta no pé do cadáver da jovem que um dia foi muito bonita.
— Ela pulou da ponte, não foi? — Perguntou o baixinho fechando a porta.
— Foi. Deve ter achado que estava em uma piscina. — Respondeu o magro de olhos castanhos lamacentos fechando a porta do necrotério.

Notas finais
Confesso que a música dos Beatles Lucy In The Sky With Diamonds me inspirou muito!
O que acharam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!