LORETO— Mas se você não voltar, Inês, eu vou enviar Vitoriano para a cadeia.

INÊS— Você não pode ser tão cruel e destruir uma pessoa inocente!

LORETO— Mudei de ideia, Inês... quero que você seja minha esta noite ou a polícia buscará Vitoriano amanhã pela manhã. Te espero, Inesita!

Inês desligou e telefone em pânico, não havia o que fazer... sem entregaria a ele em troca dos documentos.

Durante toda manhã, Inês sentiu-se triste, sem saída e temerosa de seu futuro. Na hora do almoço a casa inteira entrou em reboliço porque Vitoriano sentou-se com toda família para almoçar e anunciar seu divórcio a Débora.

Os dois já haviam discutido pela manhã quando Vitoriano descobriu Débora no banheiro a banhar-se e percebeu que ela menstruava. Enfurecido e cheio de rancor, acusou sua esposa de mentir e de ser leviana com toda família.

Débora o ofendeu dizendo que ele era um velho, que ela o queria longe, que tinha nojo dele, que nunca em sã consciência ficaria com um homem como ele. Nessa loucura entre confissões e gritos anunciou que queria vingar-se dele e que NUNCA, nunca estivera de fato grávida.

Era fácil enganá-lo porque a falsa gravidez fora anunciada desde o primeiro mês e a barriga não tinha necessariamente que aparecer. Débora forjara o resultado e mentia dizendo que ainda não tinha barriga porque estava de três meses. Era a víbora que sua filha Diana sempre dissera.

Vitoriano ficou arrasado ao saber que tudo não passava de uma vingança, inclusive mentir sobre o filho. Furioso a expulsou com raiva e prometendo nunca mais lhe dirigir a palavra. Os dois conversaram sozinhos pois quase todos da casa estavam em alguma das suas funções.

Débora partira naquela manhã, escorraçada, mas rica, levando boa parte do dinheiro dele em um golpe.

NO ESCRITÓRIO:

VITORIANO – Eu quero que você me acompanhe, Inês, em uma reunião importante.– ele pediu enquanto ajeitava os papéis sobre a mesa do escritório.

INÊS — Sim, Vitoriano, mas por que eu preciso ir?– ela recuou sentindo a tristeza dele.–Não é melhor que eu fique aqui e resolva os assuntos da casa?

VITORIANO — Você tem algum compromisso que não possa me acompanhar?– voltou o olhar para ela em exigência.

INÊS – Não.– respondeu simples.–É que eu não acompanho você há muito tempo desde que...– Inês ia dizer que era desde que ele conhecera Débora, mas ficou em silêncio.

VITORIANO — Mas nessa reunião eu preciso que você esteja comigo. Esteja pronta às 19 horas e que use uma roupa bem elegante, eles são pessoas importantes. Preciso fechar esse contrato para a nova remessa de laticínios que vamos produzir.

INÊS — Tudo bem, como você quiser! – ele o observava, mas ele não a encarou.–Mais alguma coisa?

VITORIANO— Não, você pode ir.– sentou-se e começou a revisar uns papéis.

INÊS— Com licença.

VITORIANO— Tem toda, Inês.

Quando estava saindo Inês percebeu a tristeza de Vitoriano e recuou. Queria abraçá-lo, apertá-lo contra seu peito e dizer com seus beijos e seu corpo o quando sentia por ele e como desejava consolá-lo.

INÊS— Eu sinto muito por tudo que aconteceu no seu casamento.– aproximou-se dele novamente.– Eu sinto muito que você esteja sofrendo.

VITORIANO— Tudo bem, Inês, eu não quero mais falar sobre isso.– ele a observou estranha.

INÊS— Eu sinto por seu filho... – a voz saiu baixa, sabia que ele estava mexido.

VITORIANO— Eu devia ter percebido que ela era uma víbora, mas fiquei cego.– suspirou e olhou-a nos olhos.– Eu estava furioso quando me casei com ela.

INÊS— Acontece. – sentiu o estômago doer.–Não fique assim.

VITORIANO— Eu não quero ver aquela víbora nunca mais, ela tem sorte por eu ser um homem decente ou partiria a cara dela com as coisas que me disse.– bufou com raiva ficando de pé.

INÊS— Vai ficar tudo bem...– ela aproximou-se dele tocou em seu braço.

VITORIANO— Vai sim, e eu tenho outro filho a caminho...– ele a envolveu em seus braços para surpresa dela. Estava frio todo o dia e de repente isso.

INÊS— Vitoriano, por favor.–sentiu os olhos dele buscarem por seus seios.

VITORIANO— Inês, você está grávida de mim...– ele a beijou de forma curta na boca.

INÊS— Para com isso eu nem tenho mais idade.– tentou soltar-se dele.

VITORIANO— Você está em forma.– ele sorriu malicioso e apertou o corpo dela contra o seu.– Eu sei, eu comprovei.

INÊS— Pára...– ela gemeu sentindo-o perto.

VITORIANO— Montando como uma amazona de primeira qualidade.– sussurrou no ouvido dela com a voz grossa que a deixava bamba.

INÊS— Safado, você parece um adolescente.– ela o abraçou enfim.

VITORIANO— Por sua causa, minha amazona...– ele a beijou e a segurou bem perto.

INÊS— Para, não me pega assim...– gemeu fechando os olhos de desejo.

VITORIANO— Por que, Morenita?– ele sorriu e gemeu baixo.–Não vai resistir e vai me amar?

INÊS— Louco, assim não...– sentia os beijos dele em seu pescoço.

VITORIANO— É melhor você ir, Morenita ou vou perder a cabeça.– ele a soltou exatamente quando ela estava totalmente entregue a suas carícias.

INÊS— Você não muda nunca, Vitoriano Santos!– disse sorrindo e se afastando dele para sair do escritório.

A noite chegou rápida e com ela as preocupações aumentadas de Inês. Tinha que estar concentrada na reunião que Vitoriano havia solicitado que ela fosse. Embora desejasse se concentrar, ela não deixava de pensar em Loreto, que a aguardava em sua fazenda.

Arrumou-se divinamente em um vestido azul, pouco acima dos joelhos e que marcava seu corpo e suas curvas. Usou brincos de pedras azuis e um lindo cordão de pedras azuis que Vitoriano lhe dera de aniversário alguns anos antes. Saltos finos, altos e encamurçados enfeitavam seus lindos pés.

No rosto uma maquiagem forte com um batom rosa de fixação total. Estava perfumada com toque de amadeirado e almiscarar, em todo corpo o perfume do desejo.

Quando Vitoriano a encontrou na sala para irem sentiu seu corpo inteiro responder de alegria. Queria aquela mulher mais que tudo em sua vida. A amava mais que tudo também. E se ela não fosse sua, não seria de mais ninguém!

VITORIANO— Você está linda, Inês!– ele pronunciou visivelmente afetado.

INÊS— Obrigada, Senhor Vitoriano.– disse em deboche enquanto ria.– O senhor também está muito lindo e arrumado.

Vitoriano vestia um terno preto, gravata azul como o vestido dela e sapados bem engraxados. Perfumado e cheio de sorrisos ele a beijou no rosto e estendeu os braços para saírem.

NO HOTEL:

A viagem foi rápida, durante toda ela, os dois conversaram e sorriram de forma leve. Chegaram ao hotel onde seria a reunião e subiram. Inês estava nervosa, tinha medo de cometer alguma gafe e prejudicar Vitoriano, mas ele dissera que eram pessoas elegantes, mas simples.

VITORIANO— Pode entrar, Inês.– ele abriu a porta do quarto e aguardou que ela entrasse.

Inês sentiu o coração disparar. Todo o quarto era cheio de flores do campo das cores mais variadas. Ela caminhou lentamente pelo caminho de rosas que levava até a enorme cama no centro do quarto.

Uma mesa com uma garrafa de champanhe e outra de tekila estava no canto esquerdo. A decoração era toda suave em verde, creme e alguns detalhes vermelhos. A cama, de lençóis brancos tinha uma caixa azul depositada exatamente no meio.

Inês girou sobre os pés admirando o ambiente e sentindo o perfume do quarto. O coração saltava em galope ao perceber a beleza daquele espaço preparado para o amor. Vitoriano fechou a porta, aproximou-se dela lentamente e lhe tocou nos ombros recostando seu corpo ao dela.

VITORIANO— Eu te amo e quero que seja minha esposa... – beijou-a nos ombros delicadamente.– Você quer ser minha mulher?

Inês iniciou um choro de alegria, sentindo as mãos dele tocarem seu corpo de forma doce e sensual, percebeu que tudo não passava de uma armação para tê-la ali, em seus braços. Cada detalhe preparado, da linda vista as flores qu estavam sobre a outra mesa, a camisola azul de seda sobre o pequeno sofá ao lado do robe preto que ele usaria e que tinha seus nomes gravados.

INÊS— Meu amor...– ela sussurrou sentindo que ele lhe prendia a cintura. Vitorino começou a mover o corpo, dançando sem música, agarrado as suas costas de sua mada e beijando-a onde seus lábios podia tocar.

VITORIANO— Eu te amo, te quero comigo para o resto de minha vida, Inês... Quero que seja minha mulher para sempre. A mãe do meu filho...

Inês virou-se para ele, tocou seu rosto, seus olhos se encontraram e ela caminhou lentamente para beijá-lo. Não queria dizer mais nada, apenas senti-lo em seus braços, sentir seu amor, seu carinho, suas carícias em seu corpo.

INÊS— Eu te amo...– sussurrou emocionada.

VITORIANO— Eu te quero...

INÊS— E eu a você...

VITORIANO— Me mostra o quanto me ama, Morenita, me faz todo seu...– ele sorriu malicioso sentindo o toque dela em seu corpo.

Inês o abraçou e intensificou os beijos caminhando com ele para perto da cama. Lentamente e ouvindo a canção que tocava bem baixinha desde que haviam entrado no quarto, ela foi despindo-se em frente a ele.

Vitoriano sentiu o coração disparar quando nua e sorridente, Inês aproximou-se dele e começou a despi-lo, peça por peça. A cada uma peça que retirava Inês o beijava e o tocava com carinho em carícias deliciosamente excitantes.

Quando ele ficou nu, ela recostou o corpo no dele e o beijou com loucura. Vitoriano retribuiu e sentiu que o mundo girava de tanta felicidade. Sentiu-se elevar, em corpo e alma. Inês sorriu vendo o que podia fazer a seu homem de imediato.

INÊS— Meu amor...– ela sorriu sentindo a ereção dele apontar contra seu corpo.

VITORIANO— Morenita... você em enlouquece...– sorriu buscando o corpo dela.

INÊS— Sua morenita, só sua...– ela se entregou aos braços dele envolvida em todo amor que podia sentir.

Vitoriano a pegou no colo aos beijos e caminhou com ela até a cama. Depositou o corpo de Inês lentamente sobre os lençóis e deitou-se sobre ela. Os olhos se encontraram mais uma vez e ele sentiu um amor violento em seu coração.

Inês suavemente abriu as pernas e recebeu o corpo de seu amor dentro do seu. Suspirou ansiosa, como se aquela fosse a primeira vez que era feita mulher. Sentiu-o cuidadoso em sua abordagem, sentiu o coração acelerar por recebê-lo de modo tão doce e tão apaixonado.

Eles moveram-se para se encontrarem, em gemidos extasiantes, em carícias intensas, em reentradas fulminantes, apaixonantes e de amor incondicional. Era dois em um, eram o amor em carne e a carne do amor... cada parte deles exalando vida.

Os beijos pararam e os corpos se comportaram de modo apaixonado buscando completarem-se, em movimentos de encontro e desenlace, de amor e encaixe, de alegria suprema.

Inês sabia que era amada. Vitoriano sabia o que era o amor. O gozo daquele primeiro momento veio com espasmos de felicidade e lágrimas de realização. O toque das mãos dele eram como o fogo da paixão incendiando cada parte do corpo dela que tocava.

E foi assim, aquele primeiro momento: mágico. Quando Inês deitou-se exausta ao lado dele, ainda se acariciando e se beijando sem cessar, ela moveu o corpo para ficar sobre o peito nu de Vitoriano e balbuciar ainda ofegante:

INÊS— Sim, eu aceito.– chorou e sorriu ao mesmo tempo.– É tudo que mias quero na vida, ser sua mulher...