LAS AMAZONAS - Esperando por seu amor

10 Capítulo 10 - Perguntas, exigências e respostas


Quando o viu, sorriu e ficou feliz que ele estivesse entrando em casa. Mas ele foi frio e sem mais delongas perguntou:

VITORIANO— Diga que não é verdade o que Emiliano me disse.– os olhos dele pegavam fogo.–Diga Inês... Você vai embora?

Inês perdeu o sorriso e em desespero total pronunciou:

INÊS— Vou voltar a viver com Loreto... – sentia todo corpo retesar.

VITORIANO— O quê? – os olhos faiscaram de ódio. Que demônio de resposta era aquela? – Você está louca Inês?

INÊS— Vitoriano, eu... – gaguejou tentando ser coerente com suas convicções.

Vitoriano continuou caminhando em direção ao escritório, não conseguia controlar sua raiva. Inês não negara e isso tirava dele qualquer esperança de resolver aquela questão. Inês entrou no escritório logo em seguida e fechou a porta.

VITORIANO— Como é possível, Inês?

INÊS— Vitoriano... – ela gemeu desesperada em se explicar, mas sem saber como.

VITORIANO— Pela segunda vez você está me trocando por ele? – aproximou-se dela e sentiu seu rosto pegar fogo. – Mais uma vez seu amor por Loreto vai ser mais forte do que seu amor por mim?

INÊS— Eu não o amo.– se justificou sentindo tristeza pelo estado dele.

VITORIANO— Mas casou-se com ele ao invés de casar-se comigo e agora vai voltar para ele o invés de ficar comigo! – a simples menção de toda aquela desgraça tirava a paz dele.–Que demônios esse homem tem que te mantem cativa a ele?

INÊS— Acalme-se, meu amor, eu quero te explicar.– ela tentou tocá-lo, mas ele não permitiu.

VITORIANO— Inês, não há explicações!– gritou com raiva, finalmente externando na voz aquela desilusão absurda.–Você está me destruindo o coração, Morenita, pela segunda vez!

INÊS— Eu preciso ir.– justificou chorosa.

VITORIANO— Por que Inês? – aproximou-se dela.–Por Emiliano?

INÊS— Também por meu filho.– ela respondeu assustada com toda verdade que ele pronunciava.

VITORIANO— Eu tenho nojo de imaginar você ao lado dele, tenho ódio só de pensar que vai se entregar a ele e ser sua mulher.

INÊS— Vitoriano, meu amor, eu...– Inês tentou abraçá-lo, pediria perdão de joelhos se precisasse.

Ao sentir os braços de Inês, Vitoriano suspirou, bufou como uma animal, incondicionalmente preso em uma condição de prisão.

VITORIANO— Ele vai possuir o corpo que você me prometeu que seria meu para todo o sempre, apenas meu...– voltou os olhos para ela de forma recriminatória.– Vai dar a ele o amor que deveria dar a mim! Talvez até tenho outro filho com ele.– a voz ficou raivosa novamente, só de pensar ele já queria matar Loreto.

INÊS— Por Deus, não...– ela o soltou, como explicar o que não tinha explicações?

VITORIANO— Você não quer um filho comigo, mas talvez com ele você queira!– gritou com raiva dela, querendo feri-la.

INÊS— Não, Vitoriano! Não é assim!– se defendeu.

Vitoriano não sabia que Emiliano não era fruto de amor. Nunca contara do abuso nem a ele e muito menos ao filho. A história dela estava cheia de lacunas com Loreto, mas esclarecê-las era ficar na ponta da agulha com aquela relação entre o certo e as consequências.

VITORIANO— Você o quer? É isso? Não sou suficiente para você? Sou pouco homem para seu fogo, Inês?– pronunciou furioso querendo feri-la.

INÊS— Vitoriano! – Inês ficou apavorada com o modo ofensivo dele.– Como pode me dizer algo assim? Você me conhece!– falou alto para que Vitoriano se lembrasse com quem estava conversando.–Eu não fiquei do seu lado todo esse tempo?

VITORIANO— Eu não quero você apenas do meu lado, quero você comigo!– gritou apavorado com a possibilidade de perdê-la.

INÊS— Você precisa se acalmar, meu amor...– ela ia ser grosseira, mas recuou, o homem estava destruído.

VITORIANO— Amor?– foi irônico.–Sou o seu amor, Inês? Então, fique comigo!

INÊS— Vitoriano, meu filho quer viver com o pai e eu não posso negar isso a ele! Emiliano é tudo para mim! Nesse momento o mais importante para mim é que ele seja feliz.Entenda!

VITORIANO— O único jeito de me ver livre desse homem é matando-o!– Vitoriano pronunciou ignorando as palavras dela.

INÊS— Por Deus, Vitoriano, não diga uma coisa dessas nem brincando!– ficou assustada.– Você não é uma assassino!

VITORIANO— Me desculpe.– ele abaixou os olhos tentando se acalmar.

Inês aproximou-se dele novamente. Queria abraçá-lo, fazer um carinho, trata-lo com amor.

INÊS—Não posso vê-lo assim...

VITORIANO — Como quer que eu me sinta? Como devo me comportar quando você me diz uma loucura dessas? Eu não vou permitir, Inês, não vou!– voltou a alterar-se e segurou os braços de Inês com força.

INÊS— Me solte, Vitoriano!– ela pronunciou assustada.

VITORIANO— Você é minha mulher!– ele a sacudiu perdendo a noção de suas atitudes.

INÊS— Você vai me machucar...– chorosa pediu por clemencia, embora soubesse que a última coisa que ele faria seria machucá-la.

VITORIANO— Como pode voltar para ele no momento em que tudo está perfeito entre nós?– soltou os braços dela e caminhou por todo escritório sem destino, alucinado.

INÊS— Só porque estamos dormindo juntos não quer dizer que esteva tudo perfeito entre nós!– ela soltou a pérola que o faria incendiar de raiva.

VITORIANO— Eu vou matar aquele maldito!– sem mais, ele saiu aventado em direção a porta de entrada.

INÊS— Vitoriano, por Deus, onde você vai? Não procure Loreto!!!!

Ele já havia sumido. Sabia que Vitoriano procuraria por Loreto e que os dois nunca se acertariam, pois se odiavam. Inês foi ao seu quarto e desesperada começou a rezar. Queria que os dois não se matassem, não poderia se perdoar se acontecesse algo a Vitoriano.

Loreto era um homem sem escrúpulos e nunca jogava limpo. Por isso Inês sempre se preocupava com o encontro dos dois, temia pela vida de Vitoriano. Andava pelo quarto com aflição, não adiantava ligar porque ele saíra sem telefone.

FAZENDA DE LORETO:

VITORIANO— O que pretende com Inês?–a voz de Vitoriano era pouco amigável. Entrara na fazenda do outro sem preocupar-se com o que o esperava. Os olhos dele pegavam fogo.

LORETO— Inês é minha mulher, Vitoriano e não lhe devo satisfações de nossa vida. –revidou com ódio de seu opositor no amor de Inês.

VITORIANO— Ela não é mais sua esposa! – gritou com ódio.

LORETO— Mas vai voltar a ser, ela mesma pode lhe confirmar isso. – debochou dela em todo seu cinismo.

VITORIANO— Maldito! – bufou. –Como pode ser tão mentiroso e dizer que não matou a Vicente somente para enganar Inês?

LORETO— Eu não sou um assassino! Você o matou, não eu! – Loreto gritou com raiva.

VITORIANO— Eu não matei ninguém, seu miserável! – revidou. –Você sabe que eu nunca mataria meu amigo.

LORETO— Isso é o que você diz! – debochou.

VITORIANO— Canalha! Miserável!

LORETO— Pode me xingar do que você quiser, mas isso não muda o fato de que na próxima semana, Inês estará deitara em minha cama, sendo minha mulher!

Vitoriano avançou sobre Loreto aos golpes. Os dois se acertaram o equivalente a uns seis socos cada um, até que Loreto recuou e tocou a boca num gesto de desespero por estar sangrando. Vitoriano o pagaria por todos aqueles golpes, isso ele tinha certeza.

VITORIANO— Ela não ama você! – Vitoriano proferiu com raiva e se recuperando da violência dos golpes. – Inês é minha mulher!

LORETO— Eu não preciso do amor de Inês, só de seu corpo e sua companhia! – tocou a boca tirando o sangue.

VITORIANO— Maldito!

Aos socos novamente, Vitoriano avançou sobre ele e com toda raiva que sentia, bateu em Loreto até levá-lo ao chão. Em meio aos socos, Vitoriano ouviu Loreto dizer a frase que consagraria aquela desgraça toda.

LORETO— Você não pode aceitar que ela me prefira!

Vitoriano o soltou e com os olhos pegando fogo, deixou que Loreto se erguesse.

VITORIANO— Se tocar em um fio de cabelo de Inês, eu mato você!

Sem dizer mais nada ele afastou-se, montou em seu cavalo e sumiu em meio a escuridão.

A cada galope do cavalo, Vitoriano sentia as lágrimas caírem de seus olhos. Se Loreto podia dizer aquelas palavras era porque Inês dera motivo e provas a ele.

A viagem foi curta porque ele cavalgou como um louco, como se o vento que lhe refrescava a face pudesse dissipar as nuvens de seu coração. Não podia, para tristeza dele.

Quando chegou em casa, Inês esperava aflita pelo retorno dele. Vitoriano cruzou a sala de modo intempestivo e foi direto ao seu escritório com ela atrás.

INÊS— Meu Deus, Vitoriano você está machucado! – ela aproximou-se para tocá-lo no olho, onde uma marca roxa se desenhava claramente como um golpe.

VITORIANO— Não mais que o maldito do Loreto! – ele respondeu procurando a garrafa de tequila para beber até não sentir mais aquela tristeza.

INÊS— Mas por que você foi lá? Eu pedi para você não ir! – tentou tocá-lo novamente, mas ele não permitiu, afastando assim a cabeça e olhando para ela com raiva.

VITORIANO— Como você pode voltar para ele, Inês? – bebeu uma dose e colocou outra. – Como pode viver com aquele miserável de novo?

INÊS— Vamos cuidar desses machucados, você tem que tomar um banho, está todo cheio de sujeira!– estava preocupada com o que tinha acontecido.

VITORIANO— Maldito animal! – gritou com ódio. – Eu vou matá-lo! – bufou. – Onde estão minhas filhas? – movia-se descontrolado. Bebeu mais uma dose.

INÊS— Cassandra saiu com Eduardo, Diana está com Alessandro e Cony foi a um baile com Emiliano. – foi terna nas palavras, precisava acalmá-lo.

VITORIANO— Onde está minha esposa? – perguntou sentindo o olho doer e servindo-se da terceira dose.

Inês segurou a garrafa e tentou fazê-lo parar de beber. Não queria que ele ficasse inconsciente ou achasse que tudo se resolveria assim, com alguns tragos.

INÊS— Sua esposa viajou para a casa da irmã, você não sabia? Disse que passará o fim de semana lá.

Claro que ele não se lembrava. Com toda certeza Débora o havia avisado, mas ele não dava crédito a nada que ela dizia. Não queria ouvi-la, tocá-la, estar com ela no mesmo quarto. Ele queria ser livre, livre para Inês.

VITORIANO— Sim... acho que ela me disse.

Inês foi até uma gaveta e retirou de lá uma maleta de primeiros socorros. Foi ao banheiro e trouxe um pouco de água e um pano úmido.

Enquanto ele a observava, ela fez com que se sentasse na cadeira e com delicadeza começou a limpar o rosto dele. Estava bem machucado. Se ele era forte e estava com todas aquelas marcas, Loreto estaria todo arrebentado.

Enquanto se posicionava para fazer o curativo, o corpo dela estava próximo a cabeça dele. Vitoriano podia sentir o perfume do corpo de Inês e seus lábios estavam perto dos seios dela. Por alguns segundos, Vitoriano ficou a interagir com aquela presença tão feminina e despretensiosa que Inês tinha.

Ela não estava sensualizando ou provocando nenhum dos múltiplos desejos que sabia que ele tinha. Estava apenas tentando cuidar dele e amenizar aquele sofrimento que estava causando.

O homem perdeu noção da realidade. Aquela proximidade com ela, ao amor guardado de anos, a possibilidade de não tê-la depois de tanto tempo separados, tudo o excitou. Com apenas um movimento Vitoriano segurou o corpo de Inês e a jogou sobre a mesa do escritório.

Com a outra mão, derrubou tudo que o atrapalhava e firmou o corpo dela. Ela seria sua, para sempre sua...

INÊS— Vitoriano, você está louco? – Inês falou assustada sentindo as mãos dele levantarem seu vestido, abrirem suas pernas para o encaixe e os lábios buscarem os seus para um beijo quente.

Somente com a possibilidade de perdê-la para sempre, Vitoriano estava explodindo de desejo e inflamado pelo ciúme, queria compensar o tempo perdido.

VITORIANO— Você é minha mulher, Inês! – a voz firme. –Não será a mulher de mais ninguém! Eu exijo que você fique comigo e não volte para Loreto!