L.A

2 Ato Dois


It's a little bit funny.

Uma semana havia se passado desde o ocorrido com Gideon, os ensaios estavam mais pesados e as horas pareciam passar cada vez mais lentamente. Os jovens atores estavam quase no limite da exaustão mas continuavam a ostentar sorrisos em seus rostos corados pelo esforço e calor. Hagrid estava totalmente satisfeito com o desempenho de todos, inclusive de Sirius, que estava dedicado a acompanhar o ritmo agitado de Remus, que agora estava concentrado enquanto passava as falas.

— Muito bem pessoal, foram todos ótimos! — exclamou Hagrid, rindo. — Merecemos um descanso, que tal ir ao pub de sempre beber um pouco e descontrair? — propôs, em expectativa.

Um murmurio de concordância foi ouvido e todos começaram a conversar, indo para o backstage em direção aos camarins.

— Pub de sempre? — indagou Black, coçando a nuca distraidamente.

— Ora meu garoto, esqueci de contar que temos uma espécie de ritual por aqui. — disse o homem, sorrindo. — Nas quartas nós vamos ao pub aqui perto e como você agora faz parte da nossa família, deve vir também. — explicou, dando tapas amigáveis nas costas de Sirius.

— E também usamos rosa. — disse Remus, piscando para o colega de cena, que riu.

— Estou sem camisas rosa por aqui, você poderia me emprestar alguma? — Black sorriu ladino, arqueando uma das sobrancelhas.

— Poderia. — riu, jogando um chiclete para o colega, que agradeceu. — Vamos logo, preciso de ar fresco e uma boa dose de cerveja. Até mais Hagrid, vou mostrar ao nosso Sirius aqui a beleza que é chegar cedo ao pub e arranjar um lugar perto do bar. — se despediu, puxando o outro pelo pulso enquanto acenavam para alguns atores que encontraram no caminho até a porta.

[...]

A música e luminosidade baixas faziam do The Anchor um local propício para conversar e beber alguns drinks para relaxar e era disso que Remus estava precisando. A segunda temporada da peça iria estrear em breve e apesar de confiar no seu talento e no de seus colegas, ainda sentia-se um pouco inseguro com relação a mudança recente que havia acontecido.

— É um bom lugar. — o moreno sorriu, acompanhando Lupin até a mesa afastada no canto do grande salão, estrategicamente ao lado do bar. — Você foi esperto em vir cedo.

— É uma tática que aprendi com o tempo. — riu baixinho quando o moreno puxou a cadeira para si. — Ora, que galanteador. — brincou.

— Sempre. — piscou, sentando-se logo em seguida. — Remus, gostaria de pedir algo pra você.

O castanho deu de ombros. — Pode pedir, só não garanto que eu vá fazer.

— Como já havia falado antes, bem... por mais que eu ame Moulin Rouge, não decorei todas as falas e tempos corretamente. — pontuou, vendo o outro concordar. — Então gostaria de saber se pode me ajudar a passar as falas e músicas, nas horas vagas?

— Ia falar com você sobre isso, seria bom. — suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Após o acontecido com Gideon, fiquei preocupado sobre o andamento da peça apesar de você ser um ótimo ator e estarmos nos dando bem. — piscou os olhos, sorrindo. — Podemos passar mais algum tempo na companhia um do outro sem problemas. — riu, sendo acompanhado por Black.

— The show must go on, Satine. — recitou Sirius, balançando a cabeça quando Lupin sorriu e foi em direção ao bar.

[...]

— Besides, I can't fall in love with anyone. — Disse Remus, segurando nas mãos uma xícara com chá de hortelã recém feito e quente, enquanto sorria encorajador para Sirius.

— Can't... fall... in love? But, a life without love, that's... terrible... — respondeu o moreno, segurando os papéis do roteiro firmemente em frente aos olhos castanhos.

Lupin riu quando o outro pegou a xícara da mesa de centro e bebeu um gole do conteúdo, fazendo uma leve careta ao queimar a língua.

— Avisei que estava quente. — murmurou, arqueando a sobrancelha. — Quer água?

— Não, está tudo bem. — suspirou Sirius, deitando as costas no sofá. — Só um pouco nervoso, sabe?

Ambos estavam no apartamento de Remus, haviam combinado encontros para que o moreno conseguisse fixar melhor as falas e canções na mente. Lupin havia feito chá enquanto esperava o colega chegar, o que não demorou.

Sirius havia trago consigo um pequeno muffin de chocolate, em agradecimento pela boa vontade do até então, quase amigo. E Remus o beijou na bochecha por isso.

— Você está indo muito bem, se quer saber. — confortou, inclinando a cabeça para o lado. — Na realidade pensei que o ator que substituiria Gid seria um estranho e que não nos daríamos bem, mas você é ótimo. — piscou, vendo o moreno corar levemente enquanto ria. — Mas não fique se gabando, ainda posso tornar sua estadia na nossa companhia um desastre. — brincou.

— Fico feliz em ser ameaçado. — riu abertamente, colocando uma das mãos sobre o peito enquanto Lupin sussurrava um "disponha". — Vamos continuar antes que eu fique mais nervoso e me jogue da sua janela. Ou você me jogue da sua janela.

— Ok, onde paramos... ah sim, vamos lá. — arrumou a postura e colocou um olhar confiante no rosto, continuando a encenação. — No, being on the street, that's terrible.

— No! Love is like oxygen! — exclamou Sirius,também entrando no papel.

— What? — perguntou Lupin, incrédulo.

— Love is a many splendored thing. Love lifts us up where we belong. All you need is love! — levantou-se, falando a última parte em tom mais alto.

Remus bateu palmas, vendo o outro deixar o corpo cair novamente no estofado.

— Foi incrível, se você fizer isso quando Hagrid estiver assistindo é provável que ele chore de emoção. — riu, bebendo o chá novamente.

[...]

Eram nove da noite quando os jovens decidiram que havia acabado por aquele dia, Black não tinha palavras para agradecer e então prometeu que no dia seguinte, prepararia um jantar especial para o outro em sua casa. Lupin concordou, afirmando que levaria o vinho.

O castanho sentia-se leve.

Mesmo estando na companhia Flourish & Blotts e convivendo com os outros atores diariamente, Remus era uma pessoa tranquila e dificilmente fazia amizades. Hestia e Hagrid eram as pessoas com quem mais falava e até mesmo se sentia íntimo, e agora tinha Sirius também. O homem havia lhe pego de surpresa com o jeito espontâneo e carismático.

E lá estava ele, fazendo um novo amigo.

Aquele tipo de pessoa que você parece conhecer de outras vidas, esse era Sirius Black.

[...]

— Olá Church, estava pela rua, não é? Sua bola de pelos fofinha. — sorriu, observando o gato entrar pela janela da cozinha e miar sobre a pia. — Vamos, só vou guardar estas xícaras e podemos assistir um filme. — murmurou, pegando o gato nos braços e caminhando com ele até a sala.

Escolheu Bonnie e Clyde, um de seus favoritos.

Aconchegou-se no sofá e enrolou o corpo no cobertor felpudo que havia pego em cima de sua cama, sendo acompanhado por Church.

E talvez, no fim do filme, Remus se pegou pensando em como seria interpretar aquele clássico com Sirius ao seu lado. E talvez, ele tenha sonhado com isso quando deitou a cabeça no travesseiro fofinho e fechou os olhos.

É, aquele era Sirius Black para Remus Lupin.