Notas iniciais
Olá pessoal! Estou escrevendo esta história com a Jú em Roleplay, que é um modo apresentando a visão de um personagem diferente a cada parágrafo. Esperamos que gostem :3

O céu estava limpo, e o clima agradável e fresco. O dia estaria quase perfeito, se não fosse por uma coisa... Mathias estava atrasado. Aquela vida de morar sozinho não era fácil, principalmente sem ter alguém para acordá-lo de manhã, ou para preparar o café. Após travar uma batalha com os cabelos ruivos ondulados, que formavam um emaranhado em sua cabeça, o garoto veste uma camisa de cor bege, seguida da calça preta e sandálias. Pega sua mochila de um ombro só, e começa a correr. Apesar de morar apenas a cinco quadras da escola, a aula já havia começado há dez minutos. Ao passar pelo grande portão da instituição, cumprimenta o porteiro com um aceno de cabeça e continua em disparada, seguindo pelo corredor em que ficavam as salas. Apesar de ser uma escola grande, o ruivo já a havia visitado antes, e por isso encontrou facilmente o caminho para sua sala. “Com licença...“ após duas batidas na porta, ele entra e olha para o professor com expressão culpada. “Aqui e a sala do segundo ano?”

A reação de todos na sala já era esperada. Os alunos começaram a comentar uns com os outros, não eram muito sutis, ignorando os pedidos de silêncio do professor, que parecia realmente irritado com a desordem que aquele “intruso” causara.

“Sim. Você deve ser o aluno novo”. O professor respondeu a pergunta depois de acalmar e classe, analisando o garoto. “Pode entrar e aproveite para se apresentar” apenas fez um gesto com a mão o convidando a ficar de frente para a classe, que agora mantinha toda a atenção.

Ele se posiciona ao lado do professor, e aqueles olhos verdes analisam rapidamente todos os rotos que o encaravam com curiosidade, o que já era esperado visto que já estavam na metade do ano letivo, então alunos novos eram uma coisa rara. “Me chamo Mathias Dragunov e tenho dezesseis anos. Acabei de me mudar para o país, então não conheço muito por aqui.” Sua voz era suave e levemente roca, e o tom alto e firme que falava ecoava por toda a sala. “Me desculpe pelo atraso.” Ele termina, falando mais baixo apenas para o professor. Logo, se dirige a única carteira vazia, no terceiro lugar da fileira perto da parede.

“É muito bom recebê-lo.” comenta o educador com um leve sarcasmo. “Como você perdeu algumas aulas, aconselho que recupere o conteúdo perdido. Eu deixo você nas mãos do nosso presidente de classe, Sr. Schwing.” Finalizou apontando na direção do menino a sua frente. Virou para o quadro e continuou a aula.

No intervalo, Mathias havia se isolado em um canto da escola. Sempre teve maior interesse pela natureza, então procurou a sombra de uma árvore para se sentar. Abriu seu livro “Seres místicos: Como encontrá-los?” e relaxou. O garoto sempre fora tratado como “o esquisitão da turma”, por acreditar fielmente em magia e criaturas mágicas. Por algum motivo, era convencido de que tais seres viviam em seu mundo, só precisava de uma forma para encontrá-los. Perdido em pensamentos, nem notou que alguém havia se aproximado, até que a sombra tampou o livro, impedindo que conseguisse continuar a leitura. “Rumpf” resmungou. “Está me atrapalhando a ler.” Ele diz, sem tirar os olhos do livro.

O dono da tal sombra era nada menos que o presidente da classe. Um menino de altura mediana, um físico nada impressionante, mas com certeza arrancava alguns suspiros. Cabelos pretos com uma charmosa franja puxada para trás e grandes olhos azuis. Usava uma blusa branca simples com um casaco listrado por cima, e uma calça jeans. Carregava uma pasta cheia de papéis, sem falar no sorriso amigável.

“Desculpa atrapalhar sua leitura, mas achei melhor me apresentar, sou Rupert.” Falou rindo e estendeu a mão esperando um comprimento.

“Olá” por educação, não poderia deixar o outro esperando. Ainda mais por ele ser o presidente da classe. “Tem algo que eu precise saber?” Mathias sempre foi um garoto difícil de lidar, e não se importava de ficar sozinho. Na verdade, até preferia. E a presença do outro já o estava incomodando.

“Bom...” Começou o moreno coçando a nuca como se estivesse nervoso, mas sem deixar morrer o sorriso. Ele realmente queria ser amigo do aluno novo. “Eu pensei que como você chegou agora na escola, eu poderia mostrar ela para você. O que você acha?” falou a frase toda em um só fôlego de tão animado que estava.

“Agora?!” Resmungou em um tom quase inaudível. “claro, vamos lá.” Disse o ruivo, revirando os olhos, e ao se levantar fechou o livro sem nem mesmo um marcador. Mesmo que já tivesse passeado um pouco pela escola antes, era verdade que ainda não a conhecia completamente, por isso aceitou o convite do colega de classe. “Acho que eu preciso pegar os conteúdos passados... Se puder me ajudar com isso eu agradeço.” Quando falava, mesmo de modo relativamente bruto, sua voz era lenta e suave.

“Claro, eu tenho tudo anotado. E se precisar de ajuda, eu sou um ótimo professor.” Fez pose de inteligente. Como estavam no jardim perto da cantina, começaram o tour por ali mesmo. Era um pátio aberto com algumas barracas de comida de vários tipos, mesas com quatro cadeiras ao redor, mas os alunos sempre misturavam conforme o número de amigos. Havia também as sombrinhas que protegiam do sol. Ao todo era um lugar realmente agitado.

Mathias já conhecia a parte da cantina, mas ainda não tinha visto funcionando. Abandonou o colega, que provavelmente ficou falando sozinho, e foi comprar um salgado. Ao voltar, de boca cheia, ele encara o outro. “Estava dizendo alguma coisa?”

“Não. Vamos andando.” Rupert era uma pessoa extremamente tranquila, mas realmente não esperava aquele comportamento. Se mantinha positivo pensando que aquele era apenas o primeiro dia, os outros seriam melhores.

Para entrar na escola bastava apenas passar pela porta dupla de vidro e madeira maciça. Atravessaram, encontrando um extenso corredor seguindo pela esquerda, mas na direita acabava em uma porta também dupla.

Seguindo pelo corredor, Math viu que o mesmo terminava em uma escada. Sem questionar, terminando de comer seu lanche, o garoto seguiu Rupert, vendo que a escada levava a um novo corredor, com mais salas. Uma das portas a esquerda era diferente das outras, e nela estava escrito “Biblioteca”. Logo de primeira, o ruivo se encantou. Ignorou o olhar penetrante da bibliotecária idosa atrás de uma mesa, e foi direto a procura de livros de fantasia. A biblioteca era grande, mas era dividida em seções, e por isso ficava fácil de encontrar o que se procurava. Ao achar o que queria, com brilho nos olhos iguais a uma criança que acaba de ganhar brinquedos novos, ele acena para Rupert, que estava paralisado no mesmo local já que aquela era a segunda vez no dia que Mathias o abandonava sem aviso prévio. “Olha quanta coisa tem aqui!” disse, sussurrando.

O menino não disse nada. Apenas observou a animação do outro. Ficou realmente surpreso com aquela reação apenas por livros daquele tipo. Não estava julgando, também adorava livros, mas sabia que a vida era dura e coisas como magia e fadas não tinham como existir. Claro que jamais colocaria aquele pensamento em palavras.

Antes que pudesse pegar qualquer livro para ler, o sinal da escola toca, indicando o término do intervalo. Os dois foram correndo em direção a sala de aula para não se atrasarem, conseguindo chegar a tempo para assistirem tudo até o final.

O resto da aula ocorreu sem mais surpresas, até que o sinal bateu, anunciando a hora da saída. Rupert foi um dos primeiros a se levantar, arrumou o material na mochila, acenou para os colegas e saiu. Sua casa não ficava longe, podia muito bem ir a pé. Quando chegou pode ver o jardim, muito bem cuidado e cheio de flores de vários tipos. Era uma casinha bem simples que ele dividia apenas com a mãe. Tinha cinco cômodos, os dois quartos, uma cozinha, o banheiro e a sala.

Mathias também não demorou, e saiu assim que o sinal tocou. Também indo a pé, demorou cerca de 15 minutos para chegar. Morava em um apartamento pequeno, num condomínio fechado. Havia somente três cômodos: Um quarto, um banheiro e a sala que era dividida em duas partes, sendo uma delas a cozinha. Não era muito, mas ele não se incomodava. Antes de morar ali, morava com a tia em outro país, já que seus pais haviam morrido há alguns anos. Sua tia não era a melhor pessoa, e na primeira oportunidade o garoto foi para o mais longe possível. Chegando em casa, joga suas coisas em um lugar qualquer na sala, e vai direto para o quarto. Tira os sapatos, acende alguns incensos e se senta com as pernas cruzadas, meditando.

“Mãe! Cheguei.” Anunciou Rupert entrando na casa. Achou a senhora na cozinha, mexendo em algumas panelas que exalavam um cheiro maravilhoso de comida caseira. Violetta era muito parecida com o filho. Os cabelos negros que estavam pesos em um coque bem feito e os olhos azuis grandes e brilhantes. “Oi filho. Porque você não vai se trocar e depois vem almoçar?!” Falou a mãe se virando para olhar o garoto. “Certo, mas eu não vou demorar, estou quase atrasado para o trabalho”.

Algumas horas depois, quando o sol estava quase se pondo, Math fez um lanche rápido, enquanto terminava algumas pesquisas pelo computador. Havia encontrado relatos de criaturas mágicas em um lago, não muito longe dali. Algumas crianças diziam que viram fadas dançando sobre a água. Ao terminar de tomar o copo de leite, o ruivo pega sua bolsa e se dirige a saída para tentar a sorte no lago. Na portaria do condomínio, pede algumas informações para não se perder, e começa sua caminhada. Não era nem um pouco difícil de encontrar, era um lago grande, rodeado por uma pista de ciclismo e várias árvores enormes. Admirado pela beleza do local, por alguns instantes esqueceu o que realmente estava fazendo ali.

Na volta do trabalho, Rupert decide caminhar pelo parque que ficava no caminho da casa. Era um lugar muito bonito, onde as pessoas adoravam fazer caminhada, com varias árvores e um lago de águas cristalinas. O moreno olhou para cima e percebeu como o céu estava limpo e o por do sol se fazia presente, de tirar o fôlego. Estava tão distraído que não percebeu o que vinha na direção contraria. Acabou batendo em alguém, e quando olhou para cima para se desculpar, percebeu que era o novo aluno, que se não estava enganado se chamava... “Mathias!” Exclamou em voz alta quando se lembrou do nome.

"AH, OI!" o outro gritou, se assustando. "Er.. Oi." Sorriu, passando a mão na cabeça de forma envergonhada. "Me desculpe, eu não te vi. Estava tirando algumas fotos do céu..." Disse olhando para o fenômeno alaranjado. "De todo jeito, foi bom te ver." Ele se desvia do colega e continua caminhando, procurando novos pontos para tirar boas fotos. Deveria esperar a noite chegar, já que de acordo com a matéria que viu na internet, as criaturas apareciam à noite.

“Espera!” Chamou o moreno. “O que faz aqui? Veio caminhar, descansar a cabeça?” Falou tudo bem rápido como de costume e começou a seguir o outro rapaz.

Sem se importar muito com a presença do garoto, Mathias continuou tirando fotos. "Vim procurar algumas fadas. Mas elas só aparecem de noite, então enquanto isso vou aproveitar pra tirar algumas fotos." Disse, se ajoelhando para capturar a imagem de uma ave na beira do lago. "E você?" Perguntou, sem nenhum esforço para esconder o desinteresse na voz.

Rupert parou um momento pensando no que o outro falou sobre as fadas, mas logo deixou isso de lado e sorriu acreditando que era só uma forma de puxar assunto. “Eu estava apenas voltando do trabalho e pensei em caminhar por aqui.” Voltou seguir o outro. “Aonde elas vão aparecer? Se quiser posso te ajudar a chegar, já que você é novo aqui” O moreno não acreditava realmente nas tais fadas, mas era uma boa desculpa para conhecer o outro melhor.

"De acordo com o que li, elas aparecem no local mais escuro do lago, então acredito que seja pro lado de lá." Disse apontando para o outro lado do lago. Ele mexe na sua bolsa, e de lá tira um livro com aspecto antigo. "Nos relatos que li, diziam que crianças viram as fadas. Mas provavelmente não eram fadas, e sim Ninfas da água. As crianças disseram que elas estavam dançando sobre a superfície, e isso deixa mais forte minha teoria de serem Ninfas." Ele mostra no livro um desenho, acompanhado de uma descrição das criaturas.

O moreno olhou para a figura no livro e depois para a outra margem do lago “E você acredita mesmo que elas vão aparecer?” Tentou não soar tão rude. Mas meninos da idade deles não deveriam acreditar naquele tipo de coisa.

"Claro, senão eu não estaria aqui procurando." Revirou os olhos. "É bem vindo se quiser me acompanhar, acho melhor começar a seguir na direção que elas devem aparecer." Ele guardou o livro e começou a andar. O sol já estava quase completamente escondido, e Math acreditava que a qualquer momento poderia ver as Ninfas.

Mesmo não acreditando, Rupert foi com o colega até o lugar onde as criaturas iriam supostamente aparecer. O lugar era realmente bonito. Pequenas flores brancas estavam naquela parte perto do lago, a água refletia a lua e as estrelas que começavam a aparecer no céu,e vários vagalumes começaram a dançar no ar. Se não fosse infantil demais, ele acreditaria que realmente era um lugar mágico.

Como não havia muito o que fazer, os garotos se sentaram a borda do lago, observando as estrelas. A noite estava fresca, e o local, que antes estava bem movimentado, agora tinha apenas poucas pessoas, na maioria casais, também observando as estrelas. O silêncio tomava conta do ar, e assim permaneceu por um bom tempo.

Aquele silencio já estava matando Rupert. Pensou em qualquer tipo de assunto, mas a única coisa que saiu da sua boca foi “Você esta gostando da cidade?” Não acreditava que aquilo era o melhor que tinha conseguido pensar.

Mathias olhou para o lado, encarando o outro. Observou a forma dos seus olhos, e a intensidade do azul. Olhou para o cabelo preto perfeitamente dividido, e para as mechas que caiam por seu rosto. O maxilar bem desenhado, e por fim a boca levemente rosada. Em um movimento rápido, Mathias se jogou por cima de Rupert, o fazendo cair deitado. Com as mãos apoiadas no chão, ele observou o colega novamente, que agora estava levemente corado, e logo se aproximou, percebendo que o mesmo havia fechado os olhos. Aproximou-se mais um pouco, deixando seus lábios a milímetros de distância, e já era possível sentir sua respiração. Repentinamente, uma forte luz azul se fez presente no local. Math olhou para o lago, onde a luz se originava, mas não durou muito. O vulto retorna para dentro da água, deixando novamente apenas a luz da lua iluminando o lugar.