Notas iniciais
Olá pessoal! Estou escrevendo esta história com a Jú em Roleplay, que é um modo apresentando a visão de um personagem diferente a cada parágrafo. Esperamos que gostem :3

Foi com o som estridente do despertador que Rupert acordou. Deslizou a mão para fora da coberta e desligou o aparelho. Levantou e foi até o banheiro. Arrumou os cabelos, escovou os dentes e colocou o uniforme, até que ouviu sua mãe chamar para o café da manhã. Logo, saiu de casa e caminhou até a escola.

Chegando à escola, Mathias se dirigiu diretamente até a cadeira atrás de Rupert, seu primeiro (e único) colega de classe. "Bom dia" disse, ao se sentar. Estava um pouco cedo, por isso o professor não havia chegado ainda. Os alunos que já estavam lá utilizavam esse tempo para conversar, colocando os amigos a par de tudo que havia acontecido no dia anterior. "Fiquei até tarde ontem acordado, pesquisando mais sobre aquela Ninfa. Talvez eu passe no lago algum dia de novo pra tentar a sorte de encontrá-la." Diz ele, esfregando os olhos levemente sombreados embaixo.

O moreno se virou para trás, cumprimentando o garoto com um sorriso “Bom Dia. Você não dormiu a noite toda pesquisando?” Olhou preocupado para as olheiras do ruivo. Percebeu que nem aquilo acabava com o charme dele. Corou levemente com o pensamento.

"Ah, não diria a noite toda... ok, fui dormir quase às três da manhã. Mas isso não importa." Diz ele, arrumando os matérias sobre a mesa. "De qualquer forma, quer ir lá em casa hoje? Posso te mostrar tudo que pesquisei sobre as Ninfas, e também preciso pegar aquele conteúdo que você ainda não me passou."

Os olhos dele brilharam com o convite. “Claro! Ainda bem que estou de folga hoje.” Na mesma hora o professor chegou à sala. Antes de se virar para frente, diz: “Então vamos direto para sua casa depois que a aula acabar” Comentou sem dar chance para o outro responder.

"Só não repara a bagunça." diz o ruivo, abrindo a porta de casa e chutando alguns livros que se espalhavam pelo chão, para conseguirem passar. Ele joga a mochila em cima do sofá. "Vou preparar algo pra gente comer... quer ver a pesquisa? Como eu já suspeitava, aquela era realmente uma Ninfa da água. Elas são muito tímidas, isso explica o motivo de ela ter sumido quase no mesmo instante que nós a vimos." Ele abre a geladeira e começa a procurar algo para comerem.

Rupert entrou olhando para todos os lados, curioso. “Espera, eu não vi nada no lago. Apesar de que ele era lindo” Disse deixando a mochila também no sofá “Até porque, seria impossível. Esse tipo de coisa não existe” Falou como se aquilo fosse obvio.

Um ovo se quebra no chão quando Mathias ouve aquilo. "Mas... você estava lá. Ela apareceu bem do nosso lado! E porque não falou nada esse tempo todo?" Ele se vira e procura um pano pra limpar a bagunça. "E é claro que existe, eu vi com meus próprios olhos. E provavelmente você também viu. Só não deve estar se lembrando..." ele revira os olhos. Pegando uma panela, começa a fritar as omeletes.

“Não. Eu tenho certeza que eu não vi nada” Rupert tentava com todas as suas forças se lembrar, mas nada lhe veio à mente. “Tudo que eu lembro é...” Parou no meio da frase. Corou ao lembrar o que aconteceu “é que era um lugar muito bonito”.

Mathias sorri ao ver o amigo com as bochechas avermelhadas, mas disfarça, sem que o outro perceba. "Eu tenho certeza que vi. Ainda vou te provar, você vai ver que não sou louco." Ao terminar de dizer, o garoto leva os pratos até a mesa. Apesar de ser uma comida simples, cheirava muito bem e tinha uma ótima aparência. Math era um ótimo cozinheiro, apesar de ser preguiçoso e só cozinhar realmente quando haviam visitas.

O moreno prova a refeição. Jamais imaginaria que o ruivo cozinharia, ainda mais uma comida tão boa. Achou que ele fosse o tipo de menino que só se alimentava de comida instantânea. “Tá muito gostoso.” Comentou deixando transparecer a surpresa.

"Eu sei. Minha tia não cozinhava muito, então eu precisava fazer minha própria comida se não quisesse morrer de fome." Após terminarem de comer, os garotos tiram o tempo para estudar. "Não aguento mais!" Diz Mathias, ao final da tarde, se revirando no sofá.

“Porque não damos uma pausa” Sugeriu Rup, rindo da preguiça do outro. “Eu to com calor” passou a mão no cabelo, arrumando a franja para trás “Já sei, podemos ir naquela lojinha aqui perto comprar sorvete”. Olhou para o rapaz ao lado, com os olhos brilhando “E aproveitamos para passar no lago, vou te mostrar que não tem nada lá”.

Math concorda e ambos deixam o condomínio. O sol ainda não havia se posto, e o dia estava relativamente quente. Mathias vestia uma camisa regata, que deixava a mostra os músculos do braço. Não era muito forte, mas tinha músculos definidos. "Vai querer de qual sabor? Eu pago."

“Ah. Obrigado” Falou meio sem jeito. “Eu quero um de morango, é meu preferido. Qual você gosta?” Perguntou como quem não queria nada, mas estava tentando conhecê-lo melhor.

"Gosto muito de sorvete de chiclete." Ele tira a carteira do bolso e entrega o dinheiro ao vendedor, agradecendo-o. "Você prefere caminhar pela praça ou se sentar? Ainda tá um pouco cedo pras Ninfas aparecerem... Se quiser podemos ficar observando os pássaros enquanto isso." Diz Math, abocanhando o sorvete rosa.

“Não ria, mas vamos ao parquinho?” Perguntou evitando olhar o ruivo enquanto provava o doce. Sabia que ele ira achar estranho, mas não custava tentar. “Eu gosto de sentar no balanço”.

"Tudo bem." Não era algo muito comum de se ouvir, mas, no fundo, Mathias também gostava. Claro que não admitiria nunca em voz alta. Rupert era bem mais baixo que o ruivo, então não atrairia muitos olhares só por estar no parquinho. Mas, a medida que entravam, parecia que Math havia virado um imã de olhares, já que tinha pouco menos de 1,80 de altura. Por algum motivo, as crianças que brincavam no balanço se afastaram, indo em direção a outros brinquedos, e os dois puderam se sentar.

“Acho que não é normal um menino do seu tamanho no parquinho” Comentou o menor enquanto sentava no brinquedo. Rupert ria. “Mas acho que foi bom, agora podemos ficar aqui”. O garoto impulsionava o balanço para frente e para trás bem devagar.

Mathias o olhou sério, mas nada disse. "Pode me explicar aquele negócio do acampamento das férias? Precisa pagar pra ir? Não entendi muito bem." Não era muito legal focar em assuntos escolares quando estavam fora da escola, mas Mathias sabia bem o que havia acontecido da última vez que o silêncio tomou conta do espaço... Ele dá um impulso com os pés, fazendo o balanço se movimentar.

“Temos que pagar quinze reais cada um. Ficamos uma semana em uma floresta que a escola cuida, dormimos em barracas e todas essas coisas de acampamento. Eles vão fornecer almoço e janta. Mas o lanche é por nossa conta, então seria bom levar um dinheiro, tem um tipo de loja por perto. Cada um tem que levar sua própria barraca. Só os alunos da nossa serie podem ir”. Parou um pouco de explicar para tomar um pouco do sorvete. “É muito legal, você tá pensando em ir?”

"Não sei se vou. Você vai? Se for, talvez eu vá também. Mas não converso com mais ninguém na escola, então não quero ficar lá sozinho." Ele se levanta e vai até uma lixeira próxima, jogando o lixo que havia sobrado do sorvete. "Nunca fui acampar... deve ser legal. Mas preciso de uma barraca. Não tenho uma."

“Bom, eu sempre vou.” Também levantou e se aproximou do mais alto. “Tive uma ideia” Falou bem animado, chamando a atenção de algumas pessoas em volta. “Você pode dividir a barraca comigo, ela é bem grande, cabe duas pessoas tranquilamente, o que acha?”. Terminou a frase com os olhos brilhando de expectativa.

"Ah... Tudo bem..." suas bochechas ficam vermelhas, pois não esperava aquela resposta. "Mas se for incômodo pode me dizer, posso comprar uma barraca pra mim..." O sol já havia se posto, e o céu estava coberto de estrelas. "Podemos ir procurar as Ninfas agora, se quiser."

Rup sorriu com a resposta. E quase se esqueceu de responder também “Vamos. Espero que o lago ainda esteja lindo igual a ultima vez”.

Os garotos se dirigiram a margem do lago, em um local escuro e que poucas pessoas iriam. Mathias apontou um local abaixo de uma árvore, mostrando seu cavalheirismo e esperando Rupert se sentar. Depois, se sentou ao seu lado. "Espero que ela não fique tímida hoje..." diz, encarando a água. "Preciso te provar que ela existe!"

O moreno não conseguia entender por que o garoto insistia tanto na existência dessas criaturas. Tanto que não conseguiu segurar a pergunta “Por que quer tanto provar que viu uma?”.

"Porque você não acredita em mim..." ele encolhe as pernas, abraçando o joelho. "Ninguém nunca acredita. Por isso quero mostrar que elas estão aqui. Não só as Ninfas, mas toda a magia. Eu sei que está. Eu vi."

Depois de ouvir aquelas palavras, Rup apenas voltou seu olhar para o lago esperando alguma coisa acontecer. Mas por mais que aguardasse nada aconteceu. Olhou algumas vezes para Mathias observando que expressão tinha naquele momento. E começava a pensar que seria bom se ao menos uma aparecesse assim o outro ficaria mais animado.

"Vamos embora..." Math se levantou bruscamente, agarrando sua bolsa e andando, sem esperar o amigo. "Talvez você tivesse razão. Talvez todos tenham razão. Devo ser somente um louco, vendo alucinações. É melhor você ir pra casa." Ao terminar de falar, apertou o passo e se dirigiu até o condomínio.

Rupert apenas seguiu em silencio. Precisava voltar com ele, pois seu material tinha ficado na casa. A raiva do outro era palpável, e tinha medo que se falasse algo poderia irritá-lo ainda mais. Não tinha intenção de chamá-lo de louco ou coisa parecida.

Ao entrar no apartamento, Mathias joga sua bolsa no sofá e se dirige direto para o banheiro. Abre a torneira e enche as mãos com a água gelada, jogando no rosto sem a mínima delicadeza. Ele para se encarando no espelho, a torneira ainda aberta desperdiçando água. "Toda a minha vida eu esperei pra que algo acontecesse." ele pensa. "Que idiota! São histórias, fantasia. Nada disso existe." Junto com a água, o sangue descia pelo ralo. O barulho do espelho se quebrando à sua frente camuflou o ruído da porta se fechando, e o ruivo não percebeu quando o amigo entrou.

Assim que Rupert entrou no apartamento, escutou um barulho de vidro sendo quebrado. Correu até o cômodo que imaginava ter vindo o som. Assim que entrou viu o ruivo parado de frente para o espelho, que agora estava em cacos com respingos de sangue. Olhou para a mão do menino, essa se encontrava com vários cortes nos dedos e pingava sangue. Foi até o menino em passos lentos. Pegou em sua mão. Não perguntou se estava tudo bem, até porque era claro que não estava "E-Eu acho melhor v-você me deixa cuidar disso" Falou gaguejando com um pouco de medo.

"Eu tô bem." disse Math, ao desviar a mão e sair do banheiro. Ele pega a mochila do amigo e o entrega. "Acho que terminamos por aqui. Amanhã a gente se fala." ele faz um gesto mostrando a porta, e se dirige a cozinha. Abre a geladeira e pega uma garrafa de água, tomando-a em um único gole. Suas mãos tremiam.

O moreno ficou parado na porta sem saber o que fazer. Por um lado o outro estava bravo é assustador, mas por outro aquela ferida estava muito feia. E não era da sua natureza deixar uma pessoa machucada. Colocou sua mochila no chão e foi atrás do outro, mais uma vez. Parou de frente para ele colocando as mãos na cintura, tentando ao máximo parecer serio. "Onde está seu kit de primeiros socorros?" Perguntou e comemorando internamento por não gaguejar.

"Eu sei me cuidar sozinho." disse, tentando se controlar ao máximo para não gritar com o amigo, pois no fundo sabia que ele só estava tentando ajudar. "Não preciso que ninguém cuide de mim. Não mais..." sussurrou, mais para sí mesmo. Apesar de só aparentar estar bravo, o garoto estava com medo. Medo de que tudo em que acreditara a vida inteira fosse uma mentira. Dali pra frente estava perdido.

“Olha Mathias...” Começou o menino com uma voz calma “Você não precisa ficar assim, sei que esta magoado...” foi dizendo enquanto se aproximava com cuidado, como quem lida com um animal arisco “Mas eu to aqui para te ajudar, você pode contar comigo” Finalizou com um sorriso amigável, chegando perto o suficiente para tocar o braço do amigo com delicadeza.

"EU NÃO PRECISO DE UMA BABÁ!" Mathias puxa o braço pra trás rapidamente. "NÃO AGUENTO MAIS AS PESSOAS ME DIZENDO O QUE FAZER, QUERENDO TOMAR CONTA DE MIM." grita, sem coragem pra olhar o outro nos olhos. "só quero entender o porquê ninguém acredita em mim! É tão difícil?" sua vida toda o garoto fora tratado como louco, apesar de sempre ter evitado comentar qualquer coisa com outras pessoas. Ele só precisava encontrar um jeito de provar que estava certo. Queria mostrar para todos que não era louco. Queria mostrar pra ele as maravilhas que o mundo escondia. Com esse último pensamento, Mathias se aproxima de Rupert, passando a mão pela sua cintura. Sem que o outro pudesse reagir, seus lábios se tocam. E talvez fosse sua imaginação, talvez somente pelo desejo dentro de si, mas podia jurar que ao tocar o amigo, uma energia tomou conta de seu corpo, fazendo-o se sentir mais leve. Se sentir feliz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.