Lírios

10 Capítulo 10


O empurrei, corada.

— Me desculpe, Rin...

Mesmo se desculpando, ele não afastou seu rosto do meu, me fitando, e eu não conseguia desviar o olhar. Sei que é infantil, mas eu queria chorar.

— Es..Esse foi...

— \"Esse foi...\"?

— ...Meu primeiro beijo.

Ele sorriu, tentando me acalmar e, de certo modo, conseguiu.

— Por favor.. Vamos voltar para vila.

Youta concordou com a cabeça, mas ainda encostou seus lábios no meu — um selinho. Considerei aquilo um aviso de que ele faria isso mais vezes, o que me deixou ainda mais corada. Rindo, o garoto pegou a minha mão e me guiou de volta ao vilarejo, agindo como se nada tivesse acontecido e, assim como Miroku, voltou a me chamar de Yuri.

— Já voltaram, jovens? — Aili nos recepcionou — O que trouxeram de bom?

A senhora tomou o cesto de minhas mãos, separando cada item de dentro dele, cantarolando.

— Está muito feliz, senhora Aili — Youta também notou.

— Meu mau pressentimento passou — A senhora sorriu — Não sinto mais uma ameaça nas redondezas.

Estranhei, será que esses pressentimentos eram comuns? Aili me chamou para tomar banho com ela e as outras moças da vila e, logicamente, aceitei emudecida.

Caminhamos até a cachoeira, onde haviam me encontrado pela primeira vez, com líquidos cremosos, a base de flores, em pequenos potes. A água estava fria, deliciosa.

— Ah, querida Yuri, seu quimono ficará guardado, tudo bem?

Aili nunca me tratara tão bem, mas depois me explicou que era porque o mau pressentimento havia vindo comigo. Senti meu rosto umedecer, dessa vez uma água mais quente, minhas lágrimas.

Senhor Sesshoumaru, você estava comigo esse tempo todo?

Terminei de me lavar e sai do rio, apressada, vestindo meu quimono de qualquer jeito.

— Senhora Aili, onde guardou meu quimono?

— Yuri!? Você fala? — Todas estavam pasmas.

— Por favor... Meu nome é Rin — Tentei ser o mais educada possível.

As mulheres ficam mudas, então percebi que não iria conseguir minha resposta tão rápido. Parti em direção ao vilarejo, iria procurar meu quimono sozinha.

— Já voltou, Yuri? — Youta estava na entrada da vila.

— Já. Com licença.

Passei por ele como um risco, fui direto à casa de Aili e, mesmo sabendo que é falta de educação, abri todos os armários em busca do meu quimono, até que o achei, dobrado, num armário mais alto que eu.

— O que está fazendo, Rin?

— Tentando pegar meu quimono.

Youta entrou na casa e, como era mais alto, esticou o braço e pegou minha roupa, mas não a entregou.

— Por favor, me devolva. Quero usá-lo! — Eu parecia uma criança pedindo um brinquedo novo de presente.

— Então vista-o na minha frente, Rin.

— O quê? — Ele só poderia estar brincado.

— Você é minha noiva, por ordens.

Eu não estava com paciência para uma brincadeira daquelas, então, tirei o quimono rosa-sem-vida que estava usando, visivelmente irritada, e peguei o meu de volta, vestindo-o rapidamente. Youta estava pasmo, não esperava que eu fosse levar aquilo a sério.

Terminei de vestir e fui em direção á porta, mas Youta me puxou pelo braço, me colando em seu corpo.

— Onde você pensa que vai? — Sussurou.

— Para longe.

Notas finais
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