Lástia: Volume 1
7 Capítulo 7: A Verdadeira Face da Amizade.
LÁSTIA – Capítulo 7
A tarde estava sombria. Parecia que o sol nunca voltaria para as terras de Lástia. Rachel estava em seu cavalo negro junto com o seu conselheiro, Khaleb. Os dois corriam em direção ao reino de Guiera. A Rainha Dayane era a única chance de Rachel conseguir salvar Brilandia da maldita que estava para explodir.
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— Majestade. – Um soldado se ajoelhou perante a Dayane que estava sentada seriamente em seu trono. – A Rainha de Brilandia está aqui.
Naquele momento, Dayane deu um sorriso finalmente depois de tanto tempo. A sua melhor amiga estava ali para vê-la. Dayane realmente precisava de uma distração.
— Não acredito. – Dayane se surpreendeu quando viu Rachel. – Você literalmente mudou.
As duas se entreolharam seriamente. No entanto, após um falso momento de tensão passar, as duas deixaram as suas realezas de lado e suas classes e correram no meio daquela sala imensa para se abraçarem e rirem.
— Meu pai, Dayane! Que bom ver você!
— Igualmente, minha amiga. Igualmente.
No entanto, aquela animação logo foi substituída por uma preocupação ainda mais. Uma preocupação que Dayane precisava saber antes que fosse tarde demais.
{...}
Rachel então contou a Dayane tudo o que havia acontecido. Havia contado das dívidas de Romulo, havia contado da verdadeira situação de Brilandia. Dayane, por mais que fosse uma cobra sem coração, gostava de Rachel. A amizade das duas havia começado antes de Dayane se quer pensar em ser Rainha de Guiera, quando ela ainda era uma simples camponesa no reino.
— Eu... quero te pedir um favor, Dayane.
— Bem... se estiver ao meu alcance...
— Eu sei que os acordos comerciais de Brilandia e Guiera foram cortados anos atrás. Na verdade, qualquer relação de monarquia foi cortada por meu marido. No entanto, eu estou aqui para te pedir como uma velha amiga. Por favor. Guiera se dispõe de recursos necessários para nos ajudar nessa guerra. Por favor. Nos ajude a defender o meu reino.
— Espere... você está querendo que Guiera se junte a guerra de Brilandia e de Escondor?
— Sim. Eu não sei como pedir isso. Por favor. Nos ajude. Eu... – Naquele momento, Rachel caiu em lágrimas e desespero. – Eu não aguento ver o sofrimento daquelas pessoas, Dayane. Eu não posso... eu falhei como Rainha... eu falhei! Eu deixei Romulo reinar sozinho. Especialmente depois da morte de nosso filho...
— Ei... ei. – Dayane a abraçou. – Não se preocupe. Tudo bem? Não se preocupe, Rachel. Eu irei lhe ajudar. Irei lhe ajudar com o que precisar. Somos amigas. Não se lembra?
— Eu... eu realmente lhe agradeço. Muito.
Dayane se levantou naquele mesmo instante. Dessa vez, estava séria.
— Eu irei ajudar Brilandia a se reerguer, Rachel. Não se preocupe. Eu vou agora mesmo chamar David. Ele irá liderar o exército rumo ao Norte. Iremos juntar nossos exércitos. Iremos destruir aquele idiota do Ulisses de uma vez só.
{...}
— Majestade! O senhor precisa ver isso!!!
Ulisses se levantou de seu trono e foi para fora da tenda onde estava acampando ele todo o exército.
Naquele tempo escuro e nublado, ele então viu eles. Os soldados de Guiera. Todos eles se dirigindo em direção aos soldados de Brilandia. Não demorou dez minutos para o exército de Guiera triplicar o exército de Brilandia. O exército estava sendo comandado por David e Khaleb. Os dois líderes estavam a frente e foram até o Rei Ulisses e seus homens.
— Mas o que significa isso? – Perguntou o Rei Ulisses com espanto.
— Rei Ulisses de Escondor. – Disse David. – Independente dos desacordos do Rei Romulo de Brilandia, A Rainha Dayane de Guiera ordenou ao seu exército que lutasse a favor de Brilandia nessa guerra.
— Não! Vocês não podem fazer isso! Essa guerra não é de vocês. Eu não permitirei.
— Não há nada que possa fazer, Rei Ulisses. – Disse Khaleb.
— Ou você retira seus homens do território de Brilandia, ou iremos começar essa guerra. E acredite quando eu digo. Vocês irão perder.
Naquele momento, Ulisses ficou contra a parede. Seu jogo de domínio tinha acabado. Bem... será mesmo?
Naquele dia nublado, quando todos os homens estavam a postos para iniciar a guerra, O Rei Ulisses pegou seu cavalo negro e seguiu em direção a Guiera. Ele iria falar com Dayane. Ele iria jogar a sua última carta na manga. O seu desejo de possuir todo o poder do Reino de Brilandia não poderia parar. Ele tinha que seguir em frente. Era importante para ele. Para aquele homem cego de ódio, avareza, e sombras.
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— O que você está fazendo aqui? – Dayane se surpreendeu quando o viu em sua frente. Fazia muitos anos que eles não haviam se visto. Desde a prisão da Princesa Carla.
— Eu serei direto com você, Dayane. Tire o seu exército do meu caminho e me deixe prosseguir com a guerra. Essa é uma batalha minha. Não sua.
Dayane gargalhou. Realmente, ela achava que estava cheia de poder.
— Meu pai, Ulisses. Você é realmente um idiota completo. Você acha o quê? Que pode chegar aqui e me dar ordens? Saia daqui agora mesmo! Guardas!
— Eu sei que Daniel não é seu filho!!!
Dayane elevou o olhar naquele instante. O conforto de seu sarcasmo havia caído sobre os seus pés. Foi substituído por um semblante revirado de emoções de medo e de revolta. Bastou aquelas palavras soarem da boca de Ulisses para Dayane perder o poder totalmente.
— Do que você está falando?
— Não se finja de idiota, Dayane. Você sabia do meu romance com Carla. Sabia que eu a amava. E... saiba que ela sempre me contou tudo. Como quando a vez em que ela estava na parte isolada do castelo e viu um cheiro horrível. Um cheiro de decomposição. Você realmente não sabia cometer um crime, não é? Foi nesse momento em que Carla descobriu a mulher que você havia matado, Dayane. E ela te chantageou, e você a prendeu. No calabouço. Até os dias de hoje.
Ele continuou:
— Mas... saiba, Dayane. Que Carla me contou tudo. Eu ainda me lembro de suas palavras. Na noite, véspera do dia em que ela seria presa para sempre na maldita prisão isolada de Lástia.
...
— Use isso contra ela! Use esse segredo contra Dayane. Eu temo que algo poderá acontecer comigo. Saiba esperar a hora certa para atacá-la.
— Nada acontecerá, querida. Saiba disso.
— Não podemos mais ficar juntos, Ulisses. Aquela psicopata maluca não irá parar de conseguir o que quer. Lute contra ela. Use essa arma na hora certa. Esse segredo... Ela fará de tudo para guardar Daniel disso. Quando ele crescer... e quando o futuro vier... use esta carta para ganhar vantagem.
...
— E então, Dayane? – Ulisses estava sério. – Preciso mandar de novo? Como vai ser?
{...}
— Rachel... me perdoe.
— O que... o que está acontecendo, Dayane?
— Eu não posso fazer isso. Essa guerra não é de Guiera e eu não posso ter inimigos agora.
— O que está querendo dizer com isso?
Dayane respirou profundamente. E então, disse:
— Eu irei retirar o exército de Guiera no campo de batalha. Desculpe.
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